Desencontro de Natal.
2 Vice-presidente.
Notas iniciais
— Aburame-Sama, nós da Pharmaceutical Uchiha nos sentimos honrados pela oportunidade de trabalhar junto a sua família. Sei que a partir de hoje teremos um avanço significativo em nossas pesquisas.
— Uchiha-Sama, em nome de toda a ABE farmacêutica, incluindo meu filho e sobrinhos, agradeço a confiança que estão depositando em nossa empresa. Também sinto-me honrado com nossa parceria. Tenho certeza que além de rentável proporcionará o bem-estar de milhões de pessoas ao redor do mundo. Dê lembranças minhas a Mikoto-San.
— Transmitirei suas lembranças a ela. Minha esposa ficou muito triste ao saber do falecimento de seu irmão, no mês passado. Aburame Shikuro era um grande homem...
— Sim, ele era. Obrigado.
Os patriarcas das famílias Aburame e Uchiha curvaram-se um diante do outro num cumprimento respeitoso. Todos os participantes da videoconferência, tanto os que estavam no Japão quanto os que estavam nos Estados Unidos, fizeram o mesmo e a ligação foi encerrada. A reunião que já durava mais de três horas e vinha sendo presidida com maestria por seu pai, foi encerrada, para o alívio de todos. Restava somente Sasuke (filho mais novo e representante legal de Fugaku) e seu pai assinarem a documentação para consumar aquela parceria de produto/serviço entre as duas multinacionais.
— Neste momento meu irmão Itachi está entregando uma cópia deste documento a seu sobrinho para que ele assine por você. Não se preocupem, estará devidamente assinada por meu pai. – Sasuke explicava com calma e em Japonês. O Uchiha era issei, assim como todos os seus familiares. Há anos vivia nos Estados Unidos, o que explicava o sotaque carregado e os costumes ocidentais impregnados em seu modo de ser e agir – Pronto, aqui está.
Sasuke assinou o papel e entregou-o a Shibi para que fizesse o mesmo. Shino observou quando o pai conferiu folha por folha antes de igualmente colocar sua subscrição neles.
— Pronto, aqui está. – Reproduziu a fala de Sasuke.
— Agora precisamos somente da assinatura de duas testemunhas. Aburame-Sama, sua secretária e meu assistente pessoal podem fazer isso para nós, caso não tenha nenhuma objeção.
Sasuke sugeriu e Shibi aceitou, afirmando não ter nada contra a proposta.
—Não tenho...
Shino recostou-se na cadeira enquanto assistia à interação à frente. No futuro, quando sucedesse Shibi na presidência, seria ele, ao invés do pai, a estar de frente naquele tipo de negociação. Torune, seu desgraçado, por que não nasceu primeiro? Pensou, mas não era culpa do primo ser o caçula dos Aburames. Torune amava o mundo dos negócios, assim como o irmão dele, Muta, e o falecido pai de ambos, Shikuro. No entanto, nenhum deles fazia parte da linha sucessória da empresa, devido uma tradição, que Shino sempre viu como arcaica. Quando seu saudoso bisavô fundou a empresa familiar, estabeleceu que no futuro somente os primogênitos da família, independente se homens ou mulheres, poderiam sentar na cadeira da presidência que pertencia a ele...
Mesmo amando seu trabalho, Shino estava cansado dele. Os últimos dias haviam sido proveitosos para os negócios embora não pudesse dizer o mesmo de sua vida amorosa, em especial pelo ocorrido na manhã do dia anterior, como seu pai sempre dizia: sorte nos negócios, azar no amor...
— Onde coloco meu nome, Aburame-Sama?
— Hum… vejamos... na primeira linha à direita, bem aqui. – O presidente sinalizou onde a secretária deveria deixar a rubrica.
— Prontinho. Ainda precisará da minha presença aqui, Aburame-Sama?
—Não, Tamaki-San, é o suficiente por ora, mas peço que permaneça em sua sala mais um pouco, pois talvez ainda precise de seus préstimos antes de sairmos.
Tamaki respondeu com um aceno, curvou-se logo depois e em seguida deixou-os na sala de reuniões.
Diante da perspectiva de continuar ali por mais tempo, Shino riu sem humor, atraindo o olhar do pai sobre si. Shibi, que diferente dele estava atento a tudo que acontecia à sua volta, incluindo suas ausências e a pouca participação naquele encontro, olhou-o com preocupação, em contrapartida ele só conseguia pensar que àquela altura o namorado já estava gozando da companhia da mãe e da irmã, em sua cidade natal, pois foi isso que Kiba disse que faria antes de entrar no táxi e fugir para longe dele.
Bufou, visivelmente deprimido…
– Uchiha-san, é a vez de seu assistente.
Shibi falou um pouco mais alto visando tirar o filho dos devaneios, o que deu certo, pois constrangido, Shino ajeitou a postura, contudo o vice-presidente da ABE logo percebeu que não era o único no ambiente a demonstrar que não queria estar naquele espaço.
— Naru… – O herdeiro Uchiha nem terminou de chamá-lo e o rapaz já estava ao seu lado. Seu assistente pessoal (como Sasuke apresentou-o aos Aburames) desde que chegou ao local no final da manhã, aparentava estar entediado e louco para deixar aquele lugar o quanto antes.
A imagem daquele loiro, que agora arrancava a prancheta das mãos do chefe, o fez perder o foco outra vez. Shino associou a imagem de Naruto a de Kiba. Não que fossem parecidos fisicamente, mas como os jovens costumavam dizer: por possuírem a mesma vibe, ou melhor, same energy.
— Só isso? – Naruto tinha um sotaque forte embora fosse menos perceptível que o de Sasuke. Talvez tenha ido para os Estados Unidos um pouco mais velho ou quem sabe já na adolescência.
— Obrigado. – O olhar que Sasuke lançou na direção do Uzumaki quando pegou a prancheta de suas mãos não era dos mais agradáveis, todavia Naruto deu de ombros.
— Disponha, querido. – respondeu o Uzumaki, em seguida cruzou os braços em frente ao peito e encostou as costas na cadeira, fazendo mais barulho que o necessário. Shino quase riu do comportamento infantil do rapaz, que só faltou dar língua ao final da frase. Era nítido sua tentativa de irritar o superior.
Naruto era jovem, aproximava idade com Kiba, diferente de Sasuke que equiparava idade consigo, e pela seriedade que o CEO manteve desde os primeiros contatos antes de firmarem aquela parceria empresarial, não era somente às suas idades que possuíam em comum, suas personalidades também eram bastante parecidas.
— Hm— Desconcertado, Sasuke limpou a garganta e voltou-se para o presidente da empresa – Acredito que terminamos por hoje.
— Sim, terminamos. Talvez nos próximos dias … – Seu pai começou, com certeza deixaria novos encontros de negócios agendados, já que Sasuke permaneceria na cidade por mais um tempo, no entanto Naruto parecia ter outros planos.
–… então – Naruto ignorou a cara feia de Sasuke e interrompeu a fala do anfitrião – Já que deu por hoje... – Sua fisionomia que antes era de puro tédio iluminou-se – Que tal comemorarmos o encerramento desse ciclo num Maid Café? Vi no site de viagens que as Maids estão todas vestidas a caráter, pois é véspera de Natal, lembro quando eu era criança e morava no Jaaa... – O loiro fez um movimento brusco e terminou a frase com um exaltado: – Aí, Teme!
Naruto dedicou um olhar enfezado para o Uchiha. Certamente levara um pisão sob a mesa.
— Não é conveniente falarmos sobre Maid Café nesse instante, Naruto. Olhe onde e com quem estamos. – Sasuke sussurrou, aparentemente dera um aviso ao outro.
O Uzumaki respondeu sem medo e no mesmo tom:
— Só porque os Aburames são sérios, não quer dizer que sejam retrógrados como você, Sasuke. É Natal, quero ver as Maids vestidas de mamãe Noel — Naruto deletou a presença dos anfitriões no espaço – Estamos há três semanas no Japão e presos naquele maldito quarto de hotel, você prometeu que não íamos somente tratar de negócios enquanto estivéssemos por aqui.
O assistente terminou a reclamação e um bico mal-humorado estabeleceu-se em seu rosto.
— Teremos tempo para isso nos próximos dias. Estou aqui a trabalho. Esqueceu, dobe?— A bronca dita entredentes fez Naruto perder a linha.
—Trabalho, trabalho, sempre trabalho... – Naruto sentenciou e o clima pesou no recinto.
Shino olhou com preocupação para os dois homens, em seguida para o pai, que o encarou de volta.
— Cof, cof – O presidente esperou um segundo até que os ânimos exaltados se acalmassem, o que logo aconteceu – Sobre os Maids cafés, vocês terão oportunidades de visitá-los em outra ocasião. Quando o fizerem, eu e meu filho faremos questão de acompanhá-los. Não é mesmo, Shino?
— Hã?! – Shino demorou para captar a intenção do pai, que era dar fim ao clima estranho na sala – Sim, claro.
— Viu, Teme. Eles são sérios, não ranzinzas feito você. – O loiro cutucou o chefe.
— Cala boca, Dobe.
Naruto sorriu e Sasuke esboçou algo parecido com um sorriso após gesticular uma negativa com a cabeça como se não pudesse acreditar no que ouvia.
— Ficaremos imensamente gratos – disse sem jeito.
Aburame Shibi continuou diante do clima mais ameno:
— Sobre comemorações – Shibi olhou para o rebento por um breve momento e lançou a bomba – Meu filho preparou algo especial para vocês, afinal acabamos de consumar um excelente negócio e é véspera de Natal. Eu e Shino sabemos o quanto essa data é significativa para vocês, então resolvemos unir o útil e o agradável.
Preparei?! Unir o útil ao agradável?!
Em choque, Shino quase perguntou. Mas recordou de uma conversa de dias atrás, que em hipótese alguma poderia ter esquecido:
“... eu e Mitsuko já cuidamos da hospedagem do Sasuke e de seu assistente, contudo o jantar…
—Por ora, cuide apenas dos preparativos para a chegada do seu filho, não se preocupe com mais nada, meu primo.
—Certeza que tu consegues, Shino?
—Certeza.
—Então, conto com você…”
Que belo vice-presidente ele era, como pode esquecer algo de tamanha magnitude, como o fato de ter assumido as funções de seu primo que sempre as realizou com total esmero.
Shino engoliu em seco e ajeitou os óculos antes de dizer com convicção:
— Sim. Preparei algo singelo em minha casa, uma pequena ceia com iguarias típicas dos nossos países, além de algumas bebidas e música para incrementar a noite – Não teve coragem de encarar o pai, pois sentiu a desconfiança do mais velho de longe – Estava esperando o término de nossa conferência para fazer o convite formal.
— Porra! É disso que tô falando, uhul, pressinto que vem coisa boa pela frente! – exclamou Naruto, cheio de expectativas. Nem parecia que estava tão aborrecido minutos atrás...
A mentira era deslavada, no entanto não permitiria que seu primo fosse responsabilizado, muito menos que seu pai, um dos empresários mais importantes do Japão, passasse vergonha por causa de sua negligência. Respirou fundo e olhou para o relógio em seu de pulso. Uma hora, era o tempo que levaria da empresa até sua casa. Teria que ser suficiente para preparar ao menos algo apresentável para os convidados.
O problema era: será que conseguiria?
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