Desejos Ilícitos - HIATUS
9 Presente
Notas iniciais
Edward foi o primeiro a acordar naquela manhã. Ele sorriu sonolento ao olhar para a mulher adormecida ao seu lado. Isabella estava encolhida embaixo da grossa coberta, tinha as bochechas coradas pelo frio e as mãos embaixo do rosto, seus cabelos cobrindo parcialmente sua face, deixando-a com um ar bem natural.
Edward abriu ainda mais o sorriso. Na noite anterior ela havia confessado que odiava usar toucas de dormir, na verdade ela odiava prender os cabelos, mas não poderia sair com os cabelos soltos por aí o tempo todo. Edward apenas sorriu e disse que ela poderia usar o penteado que quisesse, pois era linda de qualquer forma. Ela corou, obviamente, o que fez com que o marido tivesse vontade de beijá-la.
Eles não ficaram apenas no beijo, para o homem era impossível resistir. O sorriso tímido, o rosto corado, o cheiro de Isabella, isso tudo era demais para ele.
Então eles fizeram amor. A moça, como na primeira noite, não foi muito participativa nem sonora, porém isso não estragou o momento para o homem. Ele entendia que ainda era tudo muito novo para ela, e que com o tempo ela se soltaria mais, ele ganharia a confiança dela e teriam a intimidade plena que um casal deveria compartilhar. Sem falar que o mais importante aconteceu, ela veio para ele. Era sempre tão fácil, como se os corpos deles conversassem, se entendessem, estivessem um passo à frente nesse relacionamento.
Ter consciência de que a esposa estava nua por debaixo da coberta, não fazia nada bem à cabeça do homem. Sua vontade era acordá-la com beijos e demonstrar seu amor da melhor maneira, mas ele tinha que ser forte e dar algum descanso a garota. Por esse motivo resolveu levantar-se.
Fez sua higiene matinal e se vestiu da forma mais silenciosa possível, Bella era como um anjo dormindo, não queria acordá-la. Depois de pronto para o dia, aproximou-se da cama depositando um beijo casto no rosto da esposa.
― Edward... – Bella sussurrou.
Por um momento ele pensou que a tivesse acordado, mas ela não abriu os olhos, apenas se aconchegou mais a coberta, arrancando um sorriso do marido.
Edward chegou a sala de jantar, onde alguns membros da família já estavam fazendo a refeição da manhã.
― Bom dia, Sr. Cullen. – a Sra. Swan desejou assim que o genro sentou-se à mesa.
― Bom dia. – ele respondeu.
― Onde está a Bella? – ela indagou.
― Ainda dormindo. Não tive coragem de acordá-la.
― Isabella já é mimada demais pelo pai, Sr. Cullen. Não a estrague ainda mais. – ela brincou.
Edward riu, junto aos demais à mesa. Renée tinha senso de humor de vez em quando, andava ainda mais feliz depois do casamento da filha, ela não poderia ter um marido melhor e mais prestigiado. Leah também era motivo de sua felicidade, ela esperava receber uma boa notícia em breve, suas desconfianças não podiam estar erradas.
***
Bella estranhou acordar sozinha na cama, mas o cheiro do marido ainda era forte nos lençóis e o outro lado da cama ainda estava quente, o que queria dizer que Edward não havia acordado há muito tempo. Ela conferiu as horas num relógio de bolso que estava sobre o criado mudo, e notou que não era tão tarde como na manhã anterior, mas já era mais tarde que o horário habitual dela levantar. O que estava acontecendo com ela? Estava tornando-se uma preguiçosa?
Ela se jogou novamente sobre a cama suspirando. A verdade era que o marido tirava suas energias.
Ela se levantou, depois de alguns minutos, arrumando-se rapidamente. Havia um lado bom de estar sozinha no quarto, ela não se sentia envergonhada e nem nervosa por estar perto do marido de forma tão íntima.
Na noite anterior eles haviam feito aquilo novamente. Ela já não sentiu mais dor alguma, o que fez sentir coisas ainda melhores, mas ainda assim era estranho. Ela tinha várias dúvidas e perguntas. Por que faziam aquilo? Por que sentia-se daquele jeito? Por que ela queria de tocá-lo também, de uma maneira meio irracional? Por que ela tinha vontade de gritar, de falar, de pedir por mais? E, principalmente, por que ela não podia fazer isso?
Ela não entendia. Se ela sentia, porque ela não podia? Será que havia algo de errado com ela?
Resolveu não pensar nisso no momento.
Quando chegou à sala de jantar o marido imediatamente se levantou, deu-lhe um delicado beijo na testa a puxou a cadeira para que ela sentasse. Seu coração bateu mais forte, era como nas histórias de amor que a vizinha lia para ela as escondidas, por que é claro, sua mãe só permitia q ela lesse poesias sobre a natureza e os bons e velhos livros de sermões para moças.
― Bom dia, dorminhoca. – seu pai cumprimentou-lhe.
― Bom dia, papai. Bom dia a todos. – ela sorriu para os demais integrantes da mesa.
― Bem, eu só estava esperando você chegar para sair, preciso ir até a vila enviar algumas correspondências. – Edward anunciou.
― Os criados podem fazer isso para o senhor. — Reneé disse.
― Não há necessidade, eu vou e aproveito para resolver outras coisas.
― Sendo assim, eu irei contigo, sobrinho. – Dr. Hale se pronunciou. ― Estou pensando na possibilidade de abrir um consultório por lá.
― Oh, isso é ótimo. – disse Charlie. A vila estava mesmo precisando de um médico o Dr. Snow já era um homem velho, ele mesmo já necessitava de um médico para cuidar das doenças de sua velhice.
Edward ainda estava tentando se acostumar com a vida pacata do interior, as coisas ali eram bem menos movimentadas. Coisas triviais eram motivo para agito, e todo mundo sabia da vida de todo mundo. Isso o irritava profundamente. Pessoas atrasadas.
Ele havia falado sobre isso nas cartas que enviara para seus amigos franceses e também para seu tio materno George Masen que havia ido com a família construir a vida no novo mundo. Na última carta que havia recebido, o Sr. Masen convidara os sobrinhos para conhecer a América, e quem sabe não expandir os negócios da família por lá, até mesmo se estabelecer em uma das colônias.
Edward estava animado com essa viagem, ele era um aventurei nato, mas agora estava recém casado e não iria a lugar algum, não sem a sua esposa. O melhor por hora era permanecer por ali. Bella amava aquele lugar, pertencia a ele, seria uma crueldade imensa com a natureza arrancar a mais bela flor de seus campos, seu lírio, o mais branco, o mais puro, o mais encantador, o mais macio, o mais cheiroso.
― Já resolvi tudo por aqui, há algo mais que queira fazer? – Carlisle perguntou ao sobrinho.
― Na verdade, eu gostaria de levar um presente para minha senhora, eu só não imagino o quê. – o jovem coçou a cabeça pensativo.
― Que tal uma jóia? – o tio sugeriu.
― Não sei, será que ela vai gostar? – ele estava frustrado por não conhecer Isabella como gostaria, por não saber seus gostos, suas manias. Ele sabia que estava sendo irracional, afinal estava casado há apenas três dias.
― Toda mulher gosta de jóias, sobrinho. Ouça a voz da experiência. Afinal, somos só eu e John no meio de quatro mulheres. – Carlisle disse divertido. Edward riu.
― O senhor tem razão, vamos encontrar algo.
Eles caminharam um pouco pelas ruas enlamaçadas do vilarejo, a chuva havia sido forte pela manhã.
Até que Edward o viu. O medalhão era de ouro em formato redondo, sua corrente delicada e comprida. Ele entrou na loja para conferir a peça, a delicadeza do objeto chamou-lhe a atenção.
O velho senhor dono da loja o atendeu e logo o rapaz tinha a peça em mãos, seu sorriso aumentou ainda mais quando ele viu a inscrição na parte inferior da jóia.
"Plus que ma propre vie..."
Sim, ele a amava mais que sua própria vida. Mesmo conhecendo-a há apenas um mês, mesmo estando casado há apenas três dias, o amor era intenso, era avassalador, era inexplicável, era verdadeiro.
― Perfeito. – ele sorriu com a peça nos dedos. ― Eu vou levar.
***
Já era tarde quando Edward voltou para sua propriedade e não poderia ser recebido com uma visão melhor. Ele teve uma sensação de dejavú ao ver a morena de vestido amarelo, cabelos soltos e maças do rosto coradas brincando de pegar com as cinco crianças. Seth, Ben, Theo, John e Bree gargalhavam animados enquanto tentavam fugir da garota mais velha.
— Ela será uma ótima mãe. – Edward desviou os olhos da esposa ao ouvir o comentário do tio.
― Eu sou um homem de sorte. – ele comentou sorrindo.
― E apaixonado. – o tio comentou divertido ao descer do cavalo.
― Pareço muito bobo? ― Edward perguntou, descendo do seu animal também.
― Eu era exatamente assim quando me casei com sua tia.
― Isso vai passar com o tempo? – o jovem perguntou. Ele não queria que isso acontecesse, era bom demais o que estava sentindo.
― Se amamos a pessoa certa, o amor não se acaba, ele aumenta. – Carlisle disse apertando o ombro do sobrinho.
Bella com certeza era a pessoa certa. Ela só precisava amá-lo de volta. Ele esperava que conseguisse isso em breve.
Bella estava entretida demais com as crianças e não percebeu que seu marido a observava, admirado-a. Ela amava correr pelo campo imenso que era o quintal da propriedade e amava mais ainda as crianças, seus pequenos irmãos e agora os primos do seu marido, que também eram uma graça.
Sua mãe havia ralhado com ela, dizendo que aquele não era o comportamento adequado para uma mulher casada, mas Bella não conseguiu negar uma brincadeira com os irmãos, mesmo com as reclamações da mãe.
Ela corria atrás da pequena Bree, que ia rápido demais para uma garotinha de quatro anos, quando o viu.
Ele estava parado na entrada da propriedade, de pé ao lado de seu cavalo puro sangue, e olhava fixamente para ela, que parou de correr no mesmo instante.
― Crianças, está na hora do chá. É melhor entrarem para lavarem-se. – disse aos pequenos que reclamaram inicialmente, mas logo começaram a corrida em direção a cozinha, brincar dava fome.
Bella tentou ajeitar os cabelos que estavam alvoroçados e grudados no rosto, enquanto via seu marido entregar o cavalo a um criado e caminhar em sua direção.
Ela não o via desde manhã e estava com saudades. Esse sentimento era novo, Bella alegrou-se, talvez ela estivesse mesmo começando a retribuir os sentimentos do marido, ele era um homem maravilhoso.
— Se divertindo? – o Cullen perguntou.
― As crianças gostam de brincar de pegar.
— As crianças? – ele disse divertido. Bella corou.
― Na verdade, eu também gosto. – confessou.
— Eu sei, foi te vendo correr pelo campo que eu me apaixonei. – ele declarou deixando Bella surpresa.
— Então você não se importa? Eu sei que isso não é coisa de mulher casada mas...
— Ei, eu já disse. – ele a interrompeu. — Faça o que te deixar feliz, querida.
Bella sorriu. Edward segurou sua mão, sem luvas, outra coisa que Bella tinha confessado que não gostava de usar.
― Lhe trouxe um presente. – Edward anunciou. Deixando a jovem curiosa.
― Onde está? – Bella perguntou animada, se tinha uma coisa que ela gostava era de ganhar presentes, desde garotinha era assim. Nada tinha a ver com valor ou com a vontade de ter coisas materiais, para Isabella Cullen ganhar um presente significa que alguém lembrou de você. Era uma demonstração de carinho.
Edward tirou o embrulho do bolso contagiado com a animação da mulher, virou o saquinho de veludo na mão revelando o medalhão que ele havia comprado para a esposa.
Os olhos de Bella brilharam ao ver a peça.
— É lindo. – ela disse assim que o marido passou a peça para suas mãos. Ela virou o medalhão entre os dedos notando a inscrição ali.
— O que diz? – ela não entendia francês.
— "Mais que minha própria vida" – Edward traduziu. — É sobre o amor que eu sinto por você, Bella. – suas palavras fizeram a garota suspirar. Sim, ela estava mesmo se apaixonando. Era só uma questão de tempo, era impossível não amar Edward Cullen.
― Obrigada, Edward. Vou usá-lo sempre. Para ter algo que represente você quando não estiver por perto, eu senti saudades essa tarde. – confessou.
― Jura? – o homem perguntou surpreso e feliz, muito feliz.
— Sim, estou dizendo a verdade. Por que se surpreende?
— Por que é bom demais, significa que gosta de mim.
― Sim, eu realmente gosto de estar com você, Edward. Estou feliz que você seja meu marido.
— Ah, Bella... – o nome da esposa saiu de seus lábios, no momento que ele olhava em volta, conferindo que estavam sozinhos ali. Quando não viu ninguém, tomou o rosto da mulher nas mãos e uniu seus lábios, não foi algo casto, o beijo era apaixonado, cheio de sentimento, muito inadequado para ser dado em público, mas ele era humano afinal, um homem apaixonado que estava sendo igualmente correspondido e tinha esperanças que não era somente no beijo.
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