Desejo Noturno

12 O Caçador e a Vampira


Notas iniciais
Olá meus amores

"Por um breve momento me apaixonei por você."

Dean Winchester

Andava compulsivamente de um lado para o outro, minha cabeça parecia estar prestes a explodir. Eu estava sem chão, completamente desolado. Ela mentiu para mim, como eu pude ser tão imbecil? Ela é uma vampira. Eu amo uma maldita vampira. Nunca me odiei tanto quanto agora, eu deveria ter descoberto antes, eu fiquei cego pelo amor que sentia por ela. Mas agora sinto como se tudo o amor que tinha por ela passasse por uma metamorfose e se tornasse um ódio feroz.

A observei durante toda a noite em que ela esteve inconsciente. Por muitas vezes o desejo de mata-la me dominou mas eu tentava me controlar, eu não irei matá-la, ainda não. Aos poucos ela foi despertando, ela estava acorrentada em uma cadeira de ferro, as correntes estavam banhadas em verbena e enquanto ela dormia apliquei litros de sangue de homem morto em sua veia fazendo com que ela ficasse extremamente fraca. Em poucos segundos ela pode realmente recobrar a consciência e observar assustada o lugar desconhecido e escuro onde estávamos. Ela tentou se soltar, mas era impossível estando tão enfraquecida.

—O que vai fazer comigo? — indagou ela me olhando assustada.

—Eu vou te matar, mas ainda não. — respondi me aproximando dela, observando seus olhos apavorados atentos a mim.

—Dean, me deixe explicar, por favor. — suplicou ela, por um segundo pensei em não lhe fazer nada. Isso seria um erro, eu jamais fui piedoso com uma dessas criaturas e com certeza não seria com ela.

—Calada! — exclamei enfiando uma faca na perna dela. Ela deu um alto grito de dor e fiz questão de finca-la ainda mais em sua perna.

—Pare com isso, por favor. — murmurou ela ofegante. Retirei a faca e pude notar que por conta de sua fraqueza ela se recuperava mais devagar. —Como...conseguiu me derrubar ontem à noite?

—Balas de verbena, são muito úteis. — suspirei me sentando em frente a ela. —Agora, você vai me falar sobre os seus coleguinhas da cidade.

—Você é um caçador. Como eu não notei isso antes? — perguntava ela a si mesma. Mentalmente eu também me perguntava como não notei antes, era óbvio, ela sempre fugia do sol quando a conheci, eu não descobri antes porque não quis.

—Digamos que nós dois estamos terrivelmente chocados com a descoberta de nossas verdadeiras identidades. Quem diria um caçador e uma vampira, parece uma piada de mal gosto — resmunguei sendo atacada por uma enxurrada de dúvidas que vinham a minha mente. Talvez eu deveria controlar meu ressentimento e conversar de verdade com ela. —Me conte como tudo isso começou, como uma vampira fugiu de seu castelo e foi parar no ensino médio.

—Bom, eu nunca gostei de ser uma vampira, sempre agindo cruelmente, com tanta frieza a única coisa que pensávamos dia e noite era em matar, matar, matar, incessantemente. Isso era um inferno para mim, eu sempre quis algo a mais, algo que fizesse a eternidade ter algum sentido, então um dia eu não aguentei mais e fugi e graças a isso eu encontrei o sentido. Um motivo para viver, um motivo para morrer. — eu ouvia atentamente suas palavras, por mais que eu detestasse, elas me afetavam de uma maneira impressionante, voltei a encará-la e ela tinha seus olhos apaixonados voltados para mim. — Eu encontrei você, Dean.

—Quando você foi transformada? — perguntei o mais friamente possível camuflando o quanto sua declaração havia me afetado.

—Eu não fui transformada. Eu nasci assim, como vampira e sou essa criatura desalmada há duzentos e vinte anos.

—Nasceu assim? — indaguei indignado. — Era só o que me faltava, bebês vampiros. E já que você tinha encontrado o amor verdadeiro nos braços do idiota aqui, porque voltou?

—Naquela noite, meus irmãos foram atrás de mim, eles me obrigaram a voltar com eles. Te torturam e me mandaram apagar por completo a sua memória, mas eu não fui capaz de fazer isso e apenas te fiz esquecer da minha partida. — murmurou ela. Então era isso, por isso ela nunca conseguiu me dar uma boa explicação para ter ido embora, mas seja como for isso não importa mais. Assim como os lobisomens, os vampiros também são separados por suas famílias.

—São todos vampiros. — sussurrei a mim mesmo, ainda mais irritado comigo por não ter me dado conta.

—Quem te contou sobre mim? — indagou ela me olhando confusa. Eu não fazia a menor ideia, eis outra dúvida que me assombrava agora. Quem me contou a verdade? Os olhos de Caroline estavam atentos a mim. — Você não sabe, não é? Quem fez isso te hipnotizou para que se esquecesse dela, mas eu imagino quem seja. Julliet.

—Já chega! Não importa como eu tenha descoberto isso. Você irá me dar o nome de todos os sobrenaturais dessa cidade. — afirmei irritado, aquela situação era terrível eu preferia lutar com um exército de demônios do que continuar naquele lugar.

—Você não pode lutar com eles, Dean. Nós somos muitos, você vai acabar morrendo. —disse ela, sua preocupação era visível mas eu me mantinha indiferente.

—Não é tão fácil me matar. — senti meu celular vibrar, era uma ligação da Jo, imediatamente sai da sala deixando Caroline sozinha. Atendi aguardando pela bronca.

✵

—Onde você está? Eu pensei que estivesse morto. — gritou ela furiosa do outro lado da linha.

—Não se preocupe, eu estou bem. — respondi a tranquilizando.

—O que aconteceu ontem à noite? Pensei que era uma caça a lobisomens. Ontem quando cheguei na floresta encontrei o corpo dos três, um deles foi morto por uma mordida de vampiro. — a lembrança do que houve com eles veio à minha mente, eu não contei a eles que seria uma vampira que viria a nós. Ou seja eles morreram por minha culpa. —Eu sinto muito, mas se eles soubessem iriam matá-la. — murmurei, Jo ficou em silêncio por alguns segundos provavelmente deduzindo o meu motivo de ter feito isto.

—Então, Caroline é uma vampira. — disse ela, era possível notar que isso não a havia chocado. Ela sempre desconfiou disso. — Onde vocês estão?

—Eu quero ficar sozinho com ela. Não se preocupe, vou conseguir o nome de todos os amiguinhos dela. — afirmei, ouvindo um barulho vindo do sala onde estava Caroline, ela deveria estar tentando inutilmente se soltar.

—Está bem, mas lembre-se, você é Dean Winchester, um caçador. Faça o que um caçador faria nesta situação. — aconselhou Jo. Suas palavras me lembraram do meu objetivo, eu ainda era um caçador e precisava agir como um.

—É claro. Até mais, Jo. — me despedi desligando o celular e retornando a sala. Me deparei com Caroline um pouco mais abatida, pelo jeito a verbena estava fazendo efeito e a enfraquecia cada vez mais. — Você vai me dizer o nome de todos os seus amiguinhos vampiros, lobisomens, duendes, fadas e o que mais existir nesta cidade.

—Dean, eu não posso. Por favor, vá embora antes que se machuque. — suplicou ela. Caminhei pela sala irritado, não seria tão fácil faze-la falar.

—Sabe, Caroline, quando eu te conheci eu tinha dúvidas sobre me tornar um caçador mas quando você desapareceu eu descobri. Eu nasci para ser um caçador, assim como você sempre será uma vampira eu sempre serei um caçador. Não há como mudar quem somos.

—Não diga isso, nós podemos fugir disso tudo, ir para longe e ficarmos juntos. — ela ainda mantinha a voz calma e o olhar doce de sempre. Era incrível o quanto ela conseguia me afetar, eu sentia tanto ódio e ao mesmo tanto amor por ela. Eu precisava fazer o que a Jo havia me dito. Agir como um caçador.

—Notou a ausência de algo? — indaguei parando diante dela. Ela observou suas mãos de imediato se dando conta.

— O meu anel.

—Ontem quando você desmaiou eu fiquei pensando comigo mesmo, como seria possível um vampiro andar sob a luz do sol. Eu lembrei que quando esteve em Lawrence fugia do sol, mas aqui você anda livremente. Mas como estamos em uma cidade cheia de criaturas sobrenaturais é claro que há bruxas, foi um feitiço, a cidade está protegida da luz do sol, porém ainda era possível não se ferirem, não foi difícil descobrir sobre o anel.

—Onde nós estamos? — perguntou ela receosa.

—Isso não importa. Nós estamos um pouco longe da sua cidade, livres da sua proteção contra o sol. — murmurei me aproximando da janela que permanecia fechada.

—Dean, por favor, não. — implorou Caroline, nem por um segundo me deixei abalar.

—Hora do banho de sol! — exclamei a abrindo de uma vez, deixando a luz do sol invadir a sala e atingir diretamente Caroline, que começou a gritar de dor a medida que sua pele era queimada pela luz.

✵

Victor Forbes

Caminhei pelo escritório exasperado, aquela situação já havia se tornado insuportável. Praticamente todos os dias um novo corpo surgia, com marca de mordidas no pescoço e sem uma gota sequer de sangue. Desde o acordo feito entre lobisomens e vampiros este tipo de coisa não acontecia mais, eu confiava plenamente em minha espécie. Ninguém seria capaz de se rebelar contra mim, exceto Enzo e os lobisomens, sem dúvida alguma os lobisomens possuíam mais motivos para querer prejudicar os vampiros do que o Enzo.

Me virei para Enzo e Julliet, eu havia convocado uma reunião com ambos para descobrirmos de uma vez quem estava tentando nos prejudicar.

—É óbvio que são os lobisomens. — afirmou Enzo, como se dissesse uma verdade incontestável.

—Talvez sim, talvez não, precisamos de provas. — disse me sentando em minha poltrona. Repentinamente algo estourou o vidro da janela e por pouco não me atingiu, acabou acertando em cheio o peito de Julliet que caiu no chão inconsciente.

— O que foi isso? — indagou Enzo, assim como eu correndo até Julliet. Ela não estava morta, mas sim sedada por verbena.

Em menos de um minuto outro barulho surgiu, desta vez vindo da porta que foi aberta brutalmente por Daniel, que correu em nossa direção, sua expressão era de completa aflição e preocupação.

— A Caroline sumiu! — exclamou ele, ofegante.

—Eu sei quem a pegou. — disse me dando conta quem havia atirada a bala que provavelmente era destinada a mim e com certeza os responsáveis pelo desaparecimento de Caroline. — Os caçadores estão na cidade.

Notas finais
E ai, o que acharam?