Desejo Noturno
14 A Fúria Do Lobo
Notas iniciais

" Durante todos estes anos eu te amei incondicionalmente e tudo o que você fez foi me enganar "
Daniel Blake
— Caroline! Caroline!
Eu chamava seu nome na vaga esperança que ela aparecesse e me resgatasse do abismo em que ela havia me jogado sem dó nem piedade. Mas eu sabia que isso não iria acontecer, tomei mais um gole de Whisky enquanto pensava sobre tudo o que havia acontecido conosco.
Caroline levou anos para dizer que me amava e quando disse eu pude notar a verdade em suas palavras, mas algo sempre me intrigou era como se fosse uma declaração incompleta.
Agora que descobri a verdade entendo exatamente o que acontecia, ela podia me amar mas amava a ele também, talvez até mais do que a mim. Não, com certeza ela o amava mais, caso contrário não teria passado a noite com ele mesmo estando casada comigo.
Só de pensar em sua traição eu sentia o sangue ferver em minhas veias. Meu irmão sempre teve razão ao ser contra a união de lobisomens e vampiros.
Em pensar que eu pedi a ele que me deixasse casar com a Caroline, ele tentou me convencer a não fazer isso e eu, um imbecil, o ignorei e casei com ela. Maldito seja o dia em que eu me apaixonei por ela. Me levantei furioso apertando o copo o taquei contra o retrato de Caroline que caiu no chão.
— Maldita! Eu sempre te amei e você só me enganou. — vociferei, observando seu retrato me odiando amargamente por meu coração ainda acelerar só de ver seu rosto.
Seu odioso rosto. Tão bela e tão cruel, passei a mão pelos cabelos apertando os olhos. Andava pela sala desnorteado, eu estava enlouquecendo cada vez mais, ela me fez ficar louco. Me machucou de uma maneira que ninguém conseguiria, ela me destruiu e eu queria faze-la sentir a mesma dor que eu.
✵
E a poucos metros de distância estava aquele que ela realmente amava. Caminhei em direção a Dean, ele ainda estava inconsciente e eu já havia pensando em uma maneira perfeita de acorda-lo. Peguei uma faca de prata e enquanto pensava no sofrimento da Caroline ao saber que ele estava morto a enfiei em seu braço o fazendo acordar dando um grito de dor.
— Droga! — resmungou ele tentando aguentar a dor.
— Ora, parece que você é durão. — disse o observando com desprezo, apertei a faca desejando crava-la de uma vez em seu peito.
— Depois de ter ficado tanto tempo no inferno, uma facada não me faz nem cócegas. — retrucou ele me irritando mais ainda.
— Então você esteve no inferno... Porque não continuou lá? — indaguei parando diante dele e cruzando os braços.
— Porque eu vim te buscar. — murmurou ele em resposta. Eu não o suportava, nunca desejei tanto matar alguém como naquele momento, fechei o punho e desferi um soco em seu rosto. Mesmo sendo atingido em cheio pela força de um lobisomem ele agiu como se nada tivesse acontecido, e apesar do canto de sua boca estar sangrando se virou para mim sorrindo — Essa é a força de um lobisomem? Que ridículo! Até a minha avó bate mais forte.
— Já que você quer tanto ver a força de um lobisomem, eu irei te mostrar. — disse liberando minhas garras e segurando seu pescoço.
O levantei fazendo com que ele se libertasse das amarras que antes o prendiam, finalmente seu maldito sorriso desapareceu. O lancei contra a parede e pude ouvir o maravilhoso som de seus ossos se quebrando enquanto caminhava em sua direção. Ele tentava inutilmente se levantar mas por mais forte que ele fosse ele ainda era humano ou seja era impossível aquele golpe não ter lhe causado sérios danos.
— O que foi, Dean? Não me diga que essa doeu tanto assim. — sorri ao ver aquele infeliz arrogante tossir sangue.
— Talvez eu não devesse subestimar um lobo traído. — ouvir aquelas palavras acendeu ainda mais a minha ira. Desta vez eu estava decidido a acabar com a vida dele, cravei minhas garras em seu peito e seu grito de dor ecoou por toda a casa. Mas ele ainda vivia, me abaixei e o segurei pela garganta.
— Vocês dois podem se amar o quanto quiserem mas nunca conseguirão ficar juntos. Ela é uma vampira e você um caçador, no fim cada um irá se juntar com a sua espécie e o amor sem fim que sentiam irá morrer. Porque no fim, a Caroline nunca será sua. — disse enquanto apertava sua garganta, em pouco tempo aquele maldito finalmente estaria morto.
— Talvez ela não fique comigo mas com certeza também não vai ficar com voz. — sua voz era falha mas mesmo assim, estando a beira da morte, conseguia me irritar ao extremo.
— Adeus, Dean. — me despedi apertando ainda mais seu pescoço e vendo seus olhos finalmente se fecharem.
✵
Caroline Forbes
Passei praticamente o dia inteiro a procura de Daniel e não havia encontrado em lugar algum. Eu nunca quis magoá-lo e agora que ele havia descoberto a verdade sobre mim e o Dean com certeza estava arrasado. Ele jamais me perdoaria por tê-lo traído daquela forma, eu não sei onde estava com a cabeça quando fiz aquilo e agora eu amava um homem que me torturou e o era casado com um que provavelmente me odeia.
Enquanto caminhava uma parte de mim temia pelo pior. Apesar de nunca admitir Daniel era extremamente parecido com Enzo, ele jamais ficaria quieto após descobrir algo assim, pelo contrario ele iria se vingar. Desde que fui libertada eu não o vi mais, isso significava que eu não era o alvo de sua vingança talvez ele tivesse ido atrás do Dean.
Mesmo sendo um caçador não era uma tarefa fácil se livrar de um lobisomem irado. Este pensamento me assombrava, eu precisava me concentrar e encontrar Daniel de uma vez por todas. Fechei os olhos e me concentrei em minha audição de vampira tentando entre as inúmeras pessoas da cidade escutar a voz de Daniel ou Dean.
Após alguns segundos finalmente ouvi, era a voz de Daniel e ele dizia o nome de Dean. Eles estavam realmente juntos não muito distante dali. Novamente usando meus poderes cheguei ao local, era uma das diversas casas dos Blake, com apenas um golpe derrubei a porta que ao cair revelou um Dean praticamente morto e um Daniel assustador.
Ao notar minha presença ele levou os olhos alucinados até mim. Ele parecia estar completamente louco, antes que eu pudesse pensar em algo ele correu até mim me imprensando contra a parede, sua força era esmagadora. Já faziam anos desde a vez em que lutamos, ele havia se tornado muito forte mas ele não era o único. Para a surpresa dele troquei nossas posições, desta vez era eu que o imobilizava na parede.
— O que está fazendo? — indaguei completamente horrorizado com sua ação.
— Então você veio resgatar o seu amante. — acusou ele. Suas presas e garras de lobisomem estavam expostas, ele pretendia lutar comigo. Também liberei minhas presas e o prendi com mais força.
— Não diga bobagens, Daniel. Eu estava te procurando. Não deveria ter ido atrás do Dean, tudo o que nós tivemos acabou definitivamente. Se você deseja se vingar de alguém, vingue-se de mim não dele, fui eu quem te traiu. — disse tentando conter sua fúria contra Dean. Eu tentava a todo custo parecer indiferente ao estado de Dean, mas por dentro eu estava morrendo de preocupação o estado dele parecia gravíssimo.
— Você tem razão, foi você quem me traiu. Não adianta tentar fingir indiferença eu sei o que você sente por ele é o mesmo que eu costumava sentir por você. — murmurou Daniel, para minha surpresa ele parecia saber exatamente o que eu pensava — Mas o que eu ganharia te matando? Absolutamente nada. Já se eu matar o Dean, eu vou ver você sofrer da mesma forma que eu estou sofrendo agora.
— Então, é isso? Quer matá-lo para me fazer sofrer. — sussurrei, não pude deixar de me sentir culpada. Eu havia causado tanto sofrimento ao Daniel sem sequer perceber.
— Eu sempre te amei, Caroline. Mas o que você fez é imperdoável. — repentinamente ele me empurrou para longe dele e começou a caminhar na direção do Dean — Ele vai morrer na sua frente.
— Por favor, Daniel, não faça isso. — supliquei.
— O único jeito de conseguir me parar é me matando. — ele continuava caminhando em direção ao Dean, ele estava inconsciente não havia como se defender. Daniel iria matar Dean se eu não fizesse algo.
Eu sempre temi que esse dia chegasse. Eu teria que decidir entre salvar um e matar o outro. Se eu não fizesse nada para salvar o Dean seria o mesmo que ter o matado com minhas próprias mãos, eu não poderia conviver com isso. Mas também não seria capaz de matar o Daniel, não havia nada que eu pudesse fazer. Ao vê-lo se aproximar cada vez mais do Dean lágrimas vieram aos meus olhos, o desespero tomava conta de mim.
Sem que eu pudesse impedir, meu corpo se moveu involuntariamente e quando me dei conta, Daniel não havia chegado até Dean eu estava entre eles. Porém eu havia fincado uma faca de prata no peito de Daniel, ele caiu no chão diante de mim. Eu havia matado ele.
Eu estava completamente inerte. Não sabia o que fazer, eu simplesmente matei o homem com quem passei os últimos quinze anos, ele sempre me amou e eu só lhe trouxe sofrimento, dor e agora a morte. Me segurei para não deixar que as lágrimas surgissem e corri até Dean. Ele estava quase morto.
Fiz um corte em meu pulso e o fiz beber meu sangue, aos poucos suas feridas foram se fechando e ele foi se recuperando, ao recobrar a consciência ele me olhou surpreso. Talvez ele não me odiasse tanto quanto antes. Com um pouco de dificuldade ele se sentou.
— Caroline, o que você fez? — indagou ele olhando horrorizado para o corpo de Daniel.
— Eu comecei uma guerra. — murmurei
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