Desejo Noturno
15 Guerra Declarada
Notas iniciais

"Por minha culpa isto tudo estava acontecendo, por culpa de meu maldito coração. De meu maldito amor por ele."
Caroline Forbes
Eu não acreditava no que havia feito. Como pude ser capaz de fazer uma coisa dessas? Eu o trai da maneira mais covarde possível, eu matei o homem que sempre me amou. Ele apenas me amava e eu não pensei duas vezes em tirar friamente sua vida para proteger a de outro. Nada que eu dissesse ou pensasse poderia mudar o que eu fiz, nem mesmo o meu amor por Dean era capaz de justificar meu pecado.
Eu permanecia como uma criança assustada, escondida num canto escuro de meu quarto, chorando silenciosamente. Em breve os lobisomens saberiam e eles viriam até aqui me buscar, estava decidido, eu me entregaria de bom grado e morreria para pagar por meu crime. Quem sabe eu poderia pedir perdão ao Daniel no purgatório. Eu só desejava que aquela culpa, aquela dor e remorso que me consumiam desaparecessem eu não podia mais aguentar tudo aquilo.
Mas eu sei que minha dor seria ainda maior se tivesse deixado o Dean morrer, pela primeira vez eu me arrependia amargamente por ter me apaixonado por ele. Se eu tivesse aceitado ser o que sou, se tivesse permanecido aqui, onde é o meu lugar, eu jamais teria o conhecido e nunca teríamos nos apaixonado. Por minha culpa isto tudo estava acontecendo, por culpa de meu maldito coração. De meu maldito amor por ele.
Ouvi um barulho vindo do lado de fora, corri até a janela e observei o carro de Jason Blake parando diante de nossa casa. Estava na hora de encarar as consequências de meus atos. Respirei fundo e desci as escadas, indo em direção a sala, ao chegar me deparei com meus pais e meus irmãos de frente para Jason, ele estava acompanhado de outros dois lobisomens e sua irmã, Alice, estava ao seu lado.
✵
— Eu não acredito que está fazendo uma coisa dessas! — gritou Enzo os observei sem entender, eles ainda não haviam notado minha presença e pareciam discutir sobre outra coisa — Você é minha esposa, não pode simplesmente ir embora.
— Claro que posso, você está querendo enganar a quem, Enzo? Você sempre me odiou. Eu não posso continuar ao lado de traidores como vocês. Por culpa dela o meu irmão está morto. — aquela era a primeira vez que eu via Alice gritando, ela estava furiosa. Agora eu entendia ela iria partir com seu irmão, voltaria para a mansão Blake e estranhamente Enzo não estava de acordo.
— Seja como for, Alice virá conosco. E quanto a Caroline... — Jason olhou em minha direção e todos também o fizeram, os olhos do lobo exalavam puro ódio contra mim.
— Eu assumo meu erro e aceitarei minha punição de bom grado. — disse descendo as escadas restantes e caminhando em direção a ele.
— Não se preocupe, você não sentirá nada além de uma dor insuportável. — disse Jason expondo suas longas garras, seus olhos tornaram-se vermelhos mas mesmo assim não recuei e continuei a me aproximar até ser impedida por meu pai que se pôs entre nós dois.
— Não vou permitir que a mate. — as palavras de Victor surpreenderam a todos. Eu não podia acreditar, ele estava me defendendo depois de tudo o que eu havia feito.
— Você não tem que permitir absolutamente nada! Ela é uma traidora, matou meu irmão para salvar seu amante humano. Não terei misericórdia e se permanecer no meu caminho você também se tornará um traídor. — ameaçou ele. Eu estava feliz com a atitude de meu pai, ele me mostrava que eu estive errada durante todo este tempo em que pensei que éramos monstros sem coração. Apesar de tudo nós ainda somos uma família e ele ainda me protegeria, apesar de meus erros.
— Obrigado, pai. — disse, tocando em seu ombro, ele me olhou surpreso — Mas eu devo pagar pelo que fiz. — eu não permitiria que ele se ferisse por minha culpa. Eu estava disposta a aceitar o que estava por vir.
— Caroline, nós podemos ser vampiros frios e cruéis. Mas ainda assim somos uma família, e eu não permitirei que ninguém os machuque, enquanto eu viver. — eu fiquei boquiaberta ao ouvi-lo. Eu realmente estive muito enganada a respeito deles. Eles são minha família.
— Está bem, então eu o matarei também. — Jason avançou para cima de meu pai, mas foi bruscamente empurrado por Enzo. Imediatamente os outros dois tentaram ataca-lo mas Julliet também entrou na frente impedindo que eles se aproximassem.
— É melhor vocês irem embora, pois não vão conseguir tocar em um fio de cabelo de um Forbes. — disse minha mãe autoritariamente. E por fim, os quatro estavam a minha frente, me protegendo. Eu nunca pensei que eles seriam capazes de fazer isso por mim, mas eles fizeram. Me salvaram, mesmo sem que eu merecesse.
— Vocês são traidores! — vociferou Jason — Eu declaro guerra contra vocês.
— E nós a aceitamos. — respondeu meu pai.
— Eu vou adorar ver os malditos sanguessugas desaparecerem da face da terra. — disse Jason, saindo pela porta mas antes virando-se com um maligno sorriso no rosto — Espero que gostem do presentinho que deixei para vocês. — o vimos entrando em seu carro acompanhado por seus seguidores e irmã.
Após alguns minutos meu pai decidiu ver sobre o que Jason havia falado. Todos nós o seguimos e ao chegarmos a porta de nossa casa nos deparamos com uma cena terrível. Haviam dezenas de corpos de vampiros presos nos postes de toda a cidade, seus sangues banhavam as ruas e assombravam aqueles que os viam. Os lobisomens haviam declarado guerra, sem dúvida essa seria a guerra mais sangrenta e cruel já vista.
— Nós mataremos todos aqueles cães sarnentos. — gritou meu pai com furor.
✵
Dean Winchester
Aquele era o terceiro saco de gelo que eu colocava na minha cabeça. Graças a aquele lobisomem, eu estava totalmente quebrado. Não havia uma parte do meu corpo que não doesse, mas pelo menos eu estava vivo. A Caroline havia me salvado, ela tinha matado o Daniel para me salvar.
Mesmo depois de tudo o que eu fiz a ela, ainda assim ela não pensou duas vezes em salvar minha vida. Eu tinha sido tão cruel com ela, tão injusto e apesar de tudo isso ela continuou ao meu lado, ela não me abandonou em momento algum.
Eu pensava como ela estaria agora. Com certeza todos já estavam sabendo sobre o que ela havia feito, provavelmente os lobisomens estavam loucos. Ela iria sofrer tanto por minha culpa, talvez até mesmo a condenariam a morte. Morte. Só de pensar nisso eu enlouquecia, me levantei furioso e taquei o gelo contra a parede. Eu não posso permitir que ela morra por minha culpa.
— Ei, garoto! Tudo bem com você? — indagou Bobby entrando no quarto. Eu não tinha cabeça para conversar agora, eu tinha tantas preocupações — Pensando na vampira?
— Teve alguma notícia sobre ela? — perguntei esperançoso que ele soubesse de algo.
— Sim. — tive um sobressalto ao ouvir sua resposta — Ela está viva, os lobisomens até tentaram mas não conseguiram tocar nela. Pelo jeito ela tem uma família bem unida que a protegeu. — aquilo sem dúvida fez com que meu coração se acalmasse muito.
— Ainda bem! — suspirei aliviado.
— Bem, mas tem um problema. Os lobisomens declararam guerra. Todas as criaturas sobrenaturais irão lutar. Em breve, essa cidade se tornará um caos. — disse ele me olhando preocupado. E em uma fração de segundos novamente estava com sérios problemas.
— O quê? Mas e as pessoas da cidade?
— Nós teremos que cuidar deles.
— Mas como? Somos um grupo de dez caçadores? — indaguei indignado, não havia como poucos caçadores impedirem uma guerra deste tamanho.
— Venha comigo, Dean. — ele colocou a mão sobre meu ombro e me guiou para fora da casa.
Ao chegarmos na rua não pude ignorar o mar de sangue e os inúmeros cadáveres presos aos postes. Aquilo era o caos. Pelo jeito a guerra já havia começado e com certeza muitos monstros acabariam morrendo. De repente centenas de carros começaram a estacionar em nossa frente e muitos passaram a sair. Caçadores. Eles haviam chegado até aqui, agora eu entendia, então teríamos reforços nessa guerra.
— Você pode dizer o que quiser de nós. Mas nenhum caçador perde a oportunidade de entrar no meio de uma boa briga. — disse Bobby enquanto os vários caçadores chegavam a cidade. Realmente estávamos em uma guerra e eu apenas me perguntava se eu e Caroline sobreviveríamos a isso.
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