Desejo Mortal

3 O passado volta a aparecer


Chegaram ao restaurante e sentaram-se numa mesa ao canto. A Jéssica estava a observar o restaurante aconchegante e calmo, reservado. As paredes eram brancas e o chão castanho escuro. As mesas eram do mesmo tom e as cadeiras eram beges. Eles dirigiram-se até a mesa e ela observava a carta, surpreendida com os preços elevados.

"Jensen, a comida é um bocado cara..." disse ela, triste.

"Não te preocupes, pago eu." Disse ele, sorrindo serenamente.

"Não posso deixar isso acontecer..." disse ela, orgulhosa.

"Pequena, eu convidei, eu pago. Fim de discussão..." disse ele, sem deixar de sorrir.

"Mas..." disse ela, calando-se ao observar o ar ameaçador que ele lhe deitou. "Posso pedir por nós? Sei qual são os pratos melhor e as entradas..." disse ele, voltando a sorrir. Eu acenei, positivamente e o empregado veio.

"Boa noite. Posso apontar o vosso pedido?"

"Sim, então para entrada queria camarão á moda da casa e pão tostado no forno. Depois é Bife com molho de cogumelos, uma dose, e para beber queria um vinho do porto, o que mais recomendar."

"Sim, obrigada e aproveitem a refeição." Disse o empregado, sorridente.

Passado dez minutos ele trouxe os camarões e a Jéssica gostou bastante e foi comendo, quando olha para o Jensen vê que ele está a olhar para ela, a sorrir abertamente. Ela corou e desviou o olhar.

"Não vais comer?" perguntou ela.

"Não, estou a guardar-me para o prato." Disse ele, sorrindo, entretido por ver o gosto com que ela come o camarão. "Já vi que adoras camarão." Disse ele.

"Sim, adoro! Devias experimentar!" disse ela, entusiasmada. Pega um com o seu garfo e vira-se para ele, dando o garfo. "Experimenta!" disse ela, sorrindo. Ele sorri e, em vez de pegar da sua mão, come do garfo directamente, fazendo a Jéssica corar de novo e ficar atrapalhada. Ele sorri, sedutor.

"Sim, realmente está óptimo!" diz ele, com a mesma expressão. "Gostas do prato que pedi?"

"Sim, gosto. É dos meus preferidos." Diz ela, sorridente.

Entretanto vieram os pratos e pediram sobremesa. No fim ele a leva até ao lugar que lhe tinha dito, o lago, onde sente paz.

"Realmente é bonito aqui!" diz ela, deslumbrada, sorrindo bastante. "Então este é o sitio que vens desanuviar..." diz ela, olhando á sua volta.

"Sim, é o meu cantinho..." disse ele, sorrindo serenamente.

"Vens sempre aqui sozinho?" pergunta ela curiosa.

"Sim, tu és a primeira pessoa que trago cá."

"Serio?" pergunta arregalando os olhos, de surpresa.

"Sim, és a única pessoa que valeu a pena trazer aqui... este sitio é especial para mim. Eu disse-te ao inicio que os meus pais viajavam muito. Isso é mentira..." disse ele, fazendo uma pausa. A Jessica parecia preocupada. "os meus pais traziam-me muita vez cá, com o Daryl, eu passei bons momentos com eles, nunca fui apegado aos meus outros irmãos, não partilhamos o mesmo pai, eles são muito mais velhos que eu, são vampiros plenos e o tempo passa mais devagar para eles... então eu e o Daryl vínhamos aqui com os meus pais sem ninguém saber, o meu padrasto pensava que éramos filhos dele, até que o meu pai morreu num acidente com a minha mãe e ela deixou uma carta a explicar tudo antes de morrer. era suposto os encontrar neste lago, eu e o Daryl. O meu padrasto explicou-me que eu e o Daryl não éramos filhos dele e eu disse-lhe a verdade... que os meus pais pediram-nos para não contar nada. Depois mais tarde soubesse que a família da minha mãe os perseguia, por a minha mãe amar um humano, sendo ela bruxa... Por isso venho aqui para me lembrar deles..." disse ele, sorrindo.

"Para te lembrares deles?" pergunta ela.

"Sim."

"Desculpa, deve ser complicado falar neste assunto..."

"Não peças desculpa. Fui eu quem começou o assunto. Está tudo bem!" disse ele, sorrindo abertamente. "Ao menos tenho boas lembranças deles." A Jéssica sorriu e olhou na direcção ao lago, para onde ele estava a olhar a algum tempo. "Eu tenho algo a dizer-te. Não precisas de dizer nada, pelo menos agora." Ele fez uma pausa e continuou. "Eu nunca pensei que te iria dizer isto... desde á uns tempos que eu gosto de ti e tu sabes que sentimos tudo intensamente. Senti-me completamente envolvido por ti, até a barreira baixaste, és a única que me deixa sem jeito...Não esperei que fosse tão intenso e tão rápido como o quanto se foi tornando, parece que temos uma conectação inquebrável e difícil de entender, mas tenho me contendo e vou continuar a fazê-lo, até que admitas que sentes o mesmo, que sei que tentas negar mas eu não consigo mais negar... não quero que diga nada, simplesmente não quero que modifiques comigo, não te quero distante... ao ponto que isto chegou... eu disse que um dia irias admitir que gostas de mim e não pretendo desistir. Até lá não vou-e dar tréguas..." disse ele, aproximando-se dela, passando a sua mão no cabelo dela. "Eu sei que não te sou indiferente e não penses que ando a brincar contigo, essa ideia é errada e irrita-me." disse ele, respirando fundo. Nesse momento puxa-a para ela e abraça-a, bem forte, não deixando ela se afastar. Ela deixa-se estar imóvel, completamente sem palavras, pelo choque da sua declaração desajeitada. Ele afastasse e senta-se na relva, numa posição descontraída, com os braços apoiados na relva, calmo e mais leve, depois de ter contado o que sentia. Ela senta-se na relva ao seu lado, de perna cruzada, apreciando a vista, pensativa. Como irá ser daqui para a frente? pensa ela, confusa mas contente. Soltou um pequeno sorriso ao recordar o momento em que ele disse que gostava dela.

Passado uma semana, quando chegaram a casa, do trabalho, tiveram uma surpresa, que para o Jensen foi desagradável. Assim que eles entraram em casa veio um rapaz alto e moreno a correr para a Jéssica e abraçou-a, ela regalou os olhos, surpreendida pela visita, o Jensen olhava desconfiado e enciumado. Ele afastou-a um pouco e, quando menos se esperava, deu um beijo á Jéssica, demorado, deixando-a nervosa e sem reacção. O Jensen ficou chocado e irritado, acabando de tossir, para os fazer parar. "Então quando é que nos vais apresentar o teu namorado?" disse ele, com um sorriso falso, fervendo de raiva. Ela ia falar mas o rapaz cortou-lhe a fala.

"Sou o Ian, prazer." Disse ele, virando-se para ele e depois novamente para a Jéssica. "Tinha tantas saudades tuas! Já falei com o Diego e ele deixa que fique cá por uns dias, depois procuro casa. Sabes, arranjei um emprego cá num jornal!" disse ele, abraçando-a de novo. A Jéssica sorriu, um pouco constrangida.

"Bem, vou deixar-vos a sós... não quero fazer de vela." Disse Jensen, irritado. Pôs as mãos no bolso e caminhou para o quarto, deixando eles a falarem.

Passou a tarde toda a ouvi-los, divertido e depois do jantar continuava. A voz dele irritava-o e começava a ter movimentos um pouco agressivos, que não passaram despercebidos pela Jéssica, que o olhava de longe enquanto ele cozinhava algo para ele comer, ela não se apercebera que ele também comia coisas normais. Olhava para a cara do Jensen, ignorando o Ian, percebia que ele estava tenso, pelos traços da sua cara, sabia que ele estava agressivo e não pretendia falar com ele hoje, com receio que ele fizesse algo que ela não gostasse. Isto era tudo um mal entendido, mas ela não sabia o que queria que ele pensasse, era perigoso manter-se tão próxima e tão atraída dele, assim com o Ian por perto, isso não irá acontecer. Ela relembrou o momento que ele disse que gostava dela, o peito mexia descontroladamente só de pensar e sentia o formigueiro esquisito na barriga que sentira cada vez que ele se aproximara dele.

"Jéssica? Estás bem?" perguntou o Ian, abanando-a. Ela respirou, tentando tirar aquela imagem da cabeça e tentando não ficar tão tensa.

"Sim, desculpa. Tenho uns assuntos para resolver, só isso..." disse ela, olhado para o Jensen, que a olhou de esguelha, provocante, sorrindo. Ele percebeu que ela falava nele e isso deixou-o confiante, ao menos sabia que ela pensava nele, mesmo estando frente ao Ian. "Vou-te mostrar o teu quarto, que eu hoje vou cedo para a cama."

"Não vamos dormir juntos?" perguntou o Ian, sorrindo. O Jensen arregalou os olhos com medo que ela dissesse que sim.

"Não, Ian, sabes bem o que penso em relação a isso." Disse ela, seria. Ele respirou fundo mais calmo, mas pensando o que ela queria dizer com aquilo, para ele estava óbvio que os dois namoravam e que ela tinha omitido isso, sem que ele saiba o porquê. Ele deixou-os sair da cozinha e esperou um tempo até não haver barulho, indo até ao seu quarto.

A Jéssica estava na cama, já de pijama de verão, vestindo uma camisola de alças curta, que deixava a cintura á mostra, e uns calções, que lhe davam um pouco abaixo da cocha. Ela era encalorada e por isso só tinha estes tipos de pijama para o verão. Pegou num livro e puxou o lençol para cima, encostando-se á almofada. Para ela tinha sido um dia difícil e não estava preparada para lidar com nenhum dos dois amanha. O pensamento dela parou quando ouviu um barulho na sua varanda e, para seu espanto, o Jensen entra pela porta da varanda, serio e sem reacção, olhando para ela. Ela espera pacientemente que ele diga algo.

"Jéssica, porque não me disseste que tens namorado?" perguntou ele, passado um bom bocado.

"Porque ele não é meu namorado. É meu ex-namorado, ele nunca aceitou a nossa separação por isso age como se nunca tivéssemos terminado." Diz ela, levantando-se da cama.

"E porque não metes os pontos nos is?"

"Porque não consigo magoa-lo. Ele é também o meu melhor amigo e conheço-o desde que era pequena. Ele é 3 anos mais velho que eu e sim, é o meu melhor amigo, por isso falar de qualquer maneira com ele e magoa-lo está fora dos meus planos. Não estava a espera era que ele continuasse a fazer isto depois de tanto tempo. Esteve 3 anos no estrangeiro, até pensava que nunca mais o viria..." disse ela, entristecida. Ele aproximou-se dela e agarrou no seu pescoço, com as suas mãos, mantendo-se próximo dela e fazendo com que ele o olhasse nos olhos, com o rosto inclinado para cima.

"Se eu fizesse o mesmo?" perguntou ele, aproximando os seus lábios do dela, ao ponto de ficarem quase colados. "Apetece-me apanhar-te desprevenida. Desinquietar-te quando menos esperares. Encostar-te à parede e olhar-te nos olhos. Colocar-me tão próximo que o meu perfume te embebede. Ter os meus pensamentos tão perto que os consigas ouvir. Estar com tal proximidade que sintas o meu coração acelerar e eu sinta o teu." Fez uma pausa e lançou um olhar sedutor "E se me apetecer surpreender-te? Foges? Se a minha boca parar a meio centímetro da tua como está agora? Resistes? Se eu te beijar? Beijas-me de volta?"

"Jensen..." começou ela, mas ele interrompeu-a.

"Se não quiseres, podes fazê-lo a qualquer momento, podes te afastar, mas não vou desistir ao inicio, pequena." Disse ele, sorrindo, olhando nos olhos dela. A respiração dela ficou presa na garganta. Jensen, ainda examinando o seu rosto, mudou as suas mãos para a sua cintura nua. Seu toque era doce, hesitante e cuidadoso. A expressão dele era de espanto e compreensão. Ela estremeceu, com vontade que ele chegasse mais perto, sem conseguir recuar um passo que fosse. Ele ficou parado por mais um momento, então sorriu com ternura, baixou a cabeça e roçou os lábios nos dela, beijando-os com leveza e com ternura. Por um segundo ela quis saber se o beijo quebraria o feitiço que os envolvia, tentou afastá-lo mas ele insistiu, enrolando os braços em torno da sua cintura, com desejo, não deixando que ela escapasse, já era tarde demais para parar, quanto mais ele a beijava mais ela queria. Ele mordia o lábio inferior dela, suavemente, apreciando o gosto doce dela, sentindo o seu perfume, invadindo o seu nariz, aquele perfume doce que ela usa sempre, isso o fez arrepiar-se e estremecer um pouco, não podia imaginar que um beijo seu o faria tão animado, estando completamente á sua mercê. Sentia as suas mãos no seu peito, fechadas sobre a sua camisa, sentia a sua pele macia sobre as suas mãos e desejava por mais mas sabia que não o poderia ter agora. Só queria que ela sentisse o mesmo que ele. Parou um segundos, olhando nos olhos dela e voltou a beija-la, receoso que ela reclamasse espaço entre eles. Á medida que beijava os lábios dela, delicadamente e vagarosamente, sugando-o, ela abriu mais os lábios e ele explorou a sua boca com a língua, acabando por envolver a língua dela também. Sentiu-a a estremecer e a ceder cada vez mais e continuou. Virou a cabeça e envolveu o lábio superior nos dele, acelerando o ritmo e a intensidade. Ela afastou-o passando uns segundos, para recuperar o ar que tinha perdido e ele aproveitou para a abraçar, ternurosamente, afastando-a depois.

"Tens mesmo que resolver o assunto com ele, daqui para a frente não sei o quanto poderei aguentar, pequena." Disse ele, fazendo uma festa no seu rosto, sorrindo pacificamente, meio atordoado e afastou-se dela, saindo do quarto e deixando-a sozinha. Ela caio na cama, também atordoada, ainda com dificuldade em se manter sã, mas ela impossível, o seu coração estava como um louco, batendo tão forte que parecia que ela não o ia aguentar, e a sua respiração ofegante. Ela odiava o facto de ele a deixar assim, mas ao mesmo tampo quando se beijaram ela gosto e não havia mais nada que a preocupasse... de qualquer maneira ela tinha a noção que ele tinha razão, tinha que falar com Ian... logo pela manha, porque agora iria dormir, se conseguisse...

Passou a manha toda em branco, pensou a pensar em ir ter com o Jensen, mas pensou que se poderia arrepender. Dirigiu-se á cozinha e o Ian, já estava de pé, levantou-se da cadeira e dirigiu-se a ela para a beijar, no momento em que o Jensen ia a entrar na cozinha, ela desviou a cara olhando para ele, observando que ele tinha ficado irritado, ele voltou a sair. O Ian também ficou assim, por ela se desviar do beijo e olhava para ela, irritado.

"Ian, tens que deixar de fazer isso... eu não sou mais a tua namorada... tentei deixar isso claro á mais de três anos atrás... eu não gosto de ti dessa maneira, és o meu melhor amigo e isso basta-me."

"Não para mim!" disse ele, irritado.

"Ian, eu sei que gostas de mim, mas não é correspondido, tens que perceber isso..." disse ela, segundos antes do Jensen entrar na cozinha de novo, cortando pão na mesa, ao pé dela.

"É por causa dele?!" perguntou ele, irritado, referindo-se ao Jensen. Ele sorri maliciosamente para ele e puxa-a pelo braço, não dando tempo para ela responder, rodeando-a com os seus braços, encostando o seu peito ás costas dela. Ela ficou vermelha e sem reacção, sentindo-se desajeitada pela sua aproximação sem aviso.

"E se for? Tens algum problema com isso?" disse ele, ameaçadoramente para ele, o Ian optou pela mesma postura do Jensen, parecendo dois cães á luta.

"Tenho pois!" disse ele, puxando o braço dela. Ela deu uma chapada nas mãos dos dois e ajeitou-se.

"Parem! Parecem dois cachopos!" disse ela, respirando fundo. "Ian, eu já falei tudo o que tinha para falar e tens que respeitar-me." disse ela, exaltada.

"Posso respeitar-te jess mas não vou desistir-te, vou conquistar-te." Disse ele andando para a frente.

O Jensen meteu-se entre os dois, apertando a mão da Jéssica, firmemente, fazendo a respiração dela acelerar, deixando-a irritada porque o toque dela a deixava logo assim, seja que tipo de toque for. "Iremos ver." Ela afastou a sua mão e suspirou.

"Vou trabalhar..."

"Espera vou contigo!" disse ele, deixando o pão em cima da mesa, correndo para a apanhar.

"Jess, depois de amanha já vou ter casa! Depois vou-me embora daqui desta casa!" disse ele, gritando da cozinha.

"Até que enfim!" disse o Jensen, ao lado da Jéssica, baixo. Ela bateu-lhe no peito e ele riu-se. Ele parou e ela virou-se para trás para apanhar as chaves do carro, mas acabou por chocar contra ele, ficando colada contra o seu peito, as mãos dele estavam na cintura e ela ficou vermelha e tensa. Afastou-se olhando para o chão e retirou as chaves do móvel. Ele agarrou no seu queixo, forçando-a a olhar para ele. "Sabes é bom costume pedir desculpas quando se choca com alguem, pequena." Disse ele, sorrindo, serenamente. Ela tentou retirar o queixo da mão dele mas ele andou para trás com ela, aproximando-se dela tão perto que o coração dela parecia que ia explodir, ela sentia-se mal, como se não fosse aguentar as batidas cardíacas tão rápidas. Ele aproximou a boca do seu ouvido e sussurrou. "Ficas tão bonita assim, corada." Disse ele, fazendo-a arrepiar-se e arregalar os olhos pelo espanto da sua fala. Ele sorriu e assopou-lhe ao pescoço, fazendo-a arrepiar-se ainda mais e gemer de susto. Ele riu-se, ás gargalhadas e voltou a olhar para ela, sorrindo abertamente, que a fez ficar vermelha de novo, por achar o seu sorriso lindo. Porque não consigo parar de corar, porque fico tensa e nervosa junto dele? tudo por causa do beijo! Maldito sejas! Pensava ela, andando para a frente, até ao carro, já fora de casa.

"Esta nunca fica velha!" disse ele, ela sentiu-se gozada e bateu-lhe no peito, pela segunda vez. "Já alguém te disse que isso dói?!" perguntou ele, esfregando o peito.

"Ninguém te manda ser gozão... toma juízo que isso não acontece mais..." disse ela, rindo maldosamente.

"E que piada tinha isso? Deixar de ver esse rosto lindo todo vermelho?" disse ele, sorrindo abertamente. Ela olhou para ele, com os olhos regalados e, como ele manteu o contacto visual, ela ficou vermelha e olhou para o chão.

"Alien perverso..." sussurrou ela, para ver se ele não ouvia mas, claro, que ele ouviu e sorriu. Ele entrou no carro dela e sorriu. Ela olhava para ele incrédula.

"O que foi? Não vale a pena levar dois carros, saímos e entramos á mesma hora, Pequena." Disse ele, a sorrir. Ela respirou fundo e cedeu, pondo o carro a trabalhar, enquanto ele a observava, ao seu lado, cada movimento que ela fazia. Isso desconcentrava-a mas dizê-lo era dar a parte fraca, então continuou a conduzir até ao trabalho, não dizendo uma única palavra.

Passara uma semana desde que o ian saio de casa deles e hoje eles tinham muita gente no café hoje, deixando a Jéssica um pouco preocupada antes de se ir vestir. Quando saiu do vestiário passou pela zona dos cacifos e o Jensen estava lá. Assim que a viu olhou para ela, embasbacado, como todos os dias que havia vestido a farda, os olhos dele pareciam brilhar por a ver vestida daquela maneira. Já que a Jéssica é raro usar vestido, ele, pelo menos, nunca a viu com um.

"Vais gozar é? Passou duas semanas e nem uma piada lanças-te ainda, estou admirada." perguntou ele, irritada por ter que se vestir assim.

"De maneira nenhuma. Estás tão bonita, adoro te ver assim todos os dias..." disse ele, aproximando-se dela. Ela corou quando ele chegou perto e sentiu a mão dele na sua cara. A Sara, que viu tudo, enciumada, interrompeu-os.

"Jensen! Finalmente, desaparecido." Disse ela, aproximando-se dele, enquanto a Jéssica se afastava para não ser vista assim com ele, sem saber que a Sara tinha-os visto. A Sara abraçou-se ao Jensen, passando o braço no ombro dele e puxando-o para ela. A Jéssica ficou irritada mas não disse nada, ficou só a observar o comportamento dela junto dele. Ela estava enciumada mas não iria admitir, até porque não queria se sentir assim, por isso decidiu sair da sala, depois de arrumar as coisas no seu cacifo, avançando para a porta, que iria dar ao café.

"Jéssica." Disse ela, fazendo-a virar-se para trás. Ela ia a andar atrás dela e o Jensen mais atrás, arrumava as coisas dele no cacifo. "Boa sorte." Disse ela, com um sorriso maldoso e provocador. Ela sorriu forçadamente e seguiu. Ela esperou na cozinha pelo Jensen, para que ele a coordenasse, já que não estavam lá os patrões. Ele encontrou-se com ela passado uns minutos.

"Bem-vindo, mestre!" disse ela, sorridente. Olhou para o Jensen, esperando ele não dizer nada e o viu a fazer uma vénia, e atrapalhada fez também, esquecendo-se pela milésima vez. Levantou-se, sorrindo. "Acompanhe-me, mestre." Disse ela. O cliente segui-os e o Jensen puxou uma cadeira para ele se sentar e deu-lhe uma carta com o que havia. Esperaram um pouco e o cliente pediu um batido especial de coco que costumava ser feito pelas empregadas. Ela acompanhou o Jensen até á cozinha e ele explicou-lhe como fazer. Ela pegou em morangos e bananas para as triturar e meteu a batedora a funcionar, mas reparou que ela não batia muito bem. Ele sorriu ao seu lado e andou até atrás dela, não reparando que a Sara estava na despensa. Encostou-se á Jéssica, sentindo o calor das suas costas no seu peito, o que a fez corar instantaneamente.

"Tens que tombar para este lado." Disse ele, colocando a sua mão sobre a dela, com a outra mão a agarrar a taça. O coração dela bateu mais forte, como se quisesse saltar fora e o perfume dele entrou pelas suas narinas, fazendo ele se sentir atordoada e sedada, como se fosse uma droga, uma droga que a fazia sentir-se como se estivesse no quinto mundo. Ela estremeceu e tentou prestar atenção ao que ele lhe estava a dizer. "Esta maquina não está muito boa por isso tens que a girar sempre inclinada assim. Ele inclinou-se para a frente, largando a mão dela, mas apertando-a um pouco mais contra a bancada. "Mete um bocado deste sumo de laranja, assim fica muito bom. Vou buscar um iogurte natural para juntar e já volto, pequena." Disse ele, afastando-se dele, mas não sem antes deslizar a mão sobre o seu braço, fazendo-a arrepiar-se. Ele dirigiu-se ao frigorífico e voltou, juntando o iogurte mesmo ao seu lado. "Mexes mais um bocado e fica feito. Depois metes natas em cima, circulando á volta do copo e metes uma palhinha." Disse ele. A Jéssica desligou a máquina e pôs as natas batidas á volta do copo, pondo a palhinha de seguida, olhou para o Jensen, virando a cara para ele. Sem reparar que ele estava demasiado perto. Arregalou os olhos e a respiração aumentou. Ele olhava para ela, sereno e com desejo. Via-se o peito da Jéssica a mexer rápido e olhou para o dele, para ver se estava igual e quando conferiu que sim, tentou respirar fundo, controlando a sua respiração. Ele desviou os olhos para a boca dela e ela fez o mesmo, tentando lutar contra o desejo que ela tinha que acontecesse um beijo. Ele inclinou-se um pouco para a frente, chegando a milímetros dos seus lábios e ela, num impulso fez o mesmo. Ele olhou para os olhos dela, encarando a expressão dela ao manter contacto visual e sorriu e quando avançou para o beijo, foi interrompido pela Sara. Ela afastou-se, sentindo o coração a latejar, nervosa pelo que tinha acontecido e desejando que a Sara não tenha visto nada. O Jensen fechou os olhos, revirando-os antes e respirou fundo em sinal de desgosto por ter sido interrompido.

"Jensen, tira-me ali um tacho que está lá em cima, procurei-o na dispensa e afinal estava aqui." Disse ela, apontando para um móvel perto dela, alto, ao qual ele não chegava. Ela era um pouco mais alta que a Jéssica mas não o suficiente para lá chegar, o que fez a Jéssica irritada, porque sabe que ela aproveitou aquilo para os interromper. O Jensen sorriu para ela e dirigiu-se a ela, esticando-se para chegar ao tacho. Ela aproveitou para meter a mão nas suas costa e sorriu, maliciosamente, olhando para a Jéssica. Ela revirou os olhos, irritada com a atitude da Sara, já percebeu que ela estava interessada nele e isso irrita-a e deixa-a nervosa e ansiosa, por muito que ela lute contra isso.

Passou o dia a ser ajudada pelo Jensen. Cada vez que ele se aproximava da Jéssica, carinhosamente, eram interrompidos pela Sara, que fez de tudo para lhe mostrar que vai lutar por ele e que está disposta a tudo para o ter. ela sentiu-se irritada e nervosa, respondendo mal ao Jensen. Na pausa do almoço a Sara não o largou, estava sempre a abraça-lo, a brincar com ele ou simplesmente a falar. Jéssica sentiu-se á parte, mas não disse nada... passou o dia de trabalho, oito horas de trabalho, e estavam os dois a arrumar as suas coisa, e o Jensen notou que ela estava irritada. Chegou-se perto dele e tocou na face ela, mas ela afastou a sua mão, de forma fria.

"Pára, idiota pervertido." Disse ela, pretendendo deixá-lo irritado, mostrando que não estava a brincar. Jensen regalou os olhos de espanto.

"Que se passa contigo, pequena?" pergunta ele, parecendo sereno mas estava preocupado.

"Nada..." disse ela. Fechou o cacifo e olhou para ele, suspirando. "Estou á espera no carro." E voltou costas. Ele demorou um minuto e encontrou-a no carro. Na viagem não disseram uma única palavra e ela assim que chegou a casa foi para o quarto.

Passado um minuto batem á porta e ela abriu, era o Jensen.

"O que foi? Preciso dormir..." pergunta ela, segurando a porta. Ele sorriu.

"Era para ver se estava tudo bem e para te dar as boas noites." Disse ele

"Sim, está tudo bem. Boa noite, Jensen." Disse ela, sorrindo forçosamente.

"Boa noite pequena." Disse ele. Ela afastou-se um pouco e depois empurrou a porta para a fechar, mas o Jensen parou a porta, com o cotovelo nela. "Dormimos juntos?" disse ele, sorrindo perversamente. Ela arregalou os olhos e depois revirou os olhos, fechando a porta na cara dele, sem dizer nada.

"Alien perverso!" disse ele, falando alto para que ele a ouvisse. Ele sorriu para a porta, da forma como ela reagiu. E foi também para o seu quarto, abanando a cabeça. Deitou-se na cama e revendo os seus momentos com ela, desde a chegada, ao beijo e adormeceu relembrando o momento em que ela se inclinou para o beijo, sorrindo até adormecer.