Desejo Mortal
4 Homem misterioso
Os dois dias seguintes foram da mesma maneira , exaustos, com muitos clientes e com a Sara a dar em cima do Jensen a toda a hora, fazendo a Jéssica andar com um mau humor enorme nestes dias e irritando-se com qualquer coisa. Estavam os três a fechar o café e já não havia cliente nenhum. Ela estava a varrer o chão enquanto o Jensen levantava as mesas com a ajuda da Sara. Jéssica impeçou no Jensen e ele deixou cair um copo ao chão, estilhaçando todo no chão. Ela apanhou o copo com a pá e resmungou. "Tem mais cuidado, Jensen..."
"Jéssica, foste contra mim..." disse ele, um pouco irritado com as atitudes dela. Ele ficou ainda mais irritada e começou a falar alto para ele.
"Eu?! Andas ai entretido com coisas que não deves e agora sou eu?! Idiota!!!" disse ela, pondo o resto do lixo, no saco. A Sara via tudo do outro lado da janela, perto da janela.
"Idiota?! Mas que se passa contigo, jess?!" perguntou ele.
"Não me chames assim!" disse ela, olhando-o de lado.
"Mas o outro pode!" disse ele, irritado. Jéssica pegou no saco e levou-o para fora, para as traseiras do restaurante, o Jensen seguiu-a e a Sara espreitou pela janela, tudo o que se passava.
Jéssica despejou o saco no lixo e virou-se para entrar no restaurante mas o Jensen parou-a, agarrando-a na cara com as duas mãos. "Respira fundo..." disse ele, calmo, olhando para os olhos dela. Ela corou e estremeceu, já não estava assim com ele desde o dia em que ele a ajudou a fazer o batido. O coração acelerou e a sensação estranha no estomago voltou, as famosas borboletas no estomago, aqueles arrepios voltaram e sentiu-se a ir abaixo, como se o corpo dela derreteu-se, ele a irritava num minuto e no outro quebrava as barreiras dela, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. "Que se passa contigo pequena... não consigo compreender-te se não me dizes..."
"Não á nada para dizer." Disse ela, escapando dele, mas ele puxou-a para junto dele, abraçando-a contra ele, prendendo o corpo dela com os seus fortes braços. Ele lutou um pouco mas depois deixou-o vencer. "Diz-me..."
"Porque tens que estar sempre tao perto dela? Tu próprio disseste que não aguentavas me ver com o Ian..." disse ela, finalmente, apertando a camisa dele, nas costas.
"Então é esse o problema." Ele afastou-a um pouco para olhar nos seus olhos, sorrindo. "Jess, ela é a minha melhor amiga, é só isso, não tens que te preocupar porque não vai passar disso..." disse ele, afastando o cabelo da cara dela, com a sua mão. Ela olhou para o lado, corada, sem saber o que dizer e afastou-se. Ve-lo ali,sozinho com ela, tao é mercê fez-lhe acrescer o desejo de o beijar, mas tentou controlar-se. "Pequena, eu gosto de ti, eu já te disse que vais ser minha e que não vou desistir, só estou á espera que me queiras também."
"Não é torturante, esperar por mim?" pergunta ela, seria.
"Bem, se é torturante? É, mas não posso dizer que não vale a pena, porque vale bastante a pena. Tu baralhas-me, tu fazes-me rir, irritas-me, até corar já me fizeste... tu és única pequena. A única que me fez gostar de uma coisa tao complicada de acontecer, a única que me fez ter tanto trabalho a conquistar e ainda ter prazer nisso. O mais pequeno traço teu me faz sorrir, a mais pequena acção tua me deixa interessado. Foste a única que me inventou uma alcunha tao...diferente." Disse ele a rir-se. "Por isso, posso dizer que é tortura não poder estar mais junto a ti, mas vale apena quando te tenho na minha vida, pequena." Ela olhava para ele corada, junto dele, sem se afastar, seria. O Jensen tentava decifrar o que iria na sua cabeça, mas sem sucesso. "Fala algo, não fiques ai sem..." começou ele a dizer, parando quando ela meteu as mãos no seu pescoço e o beijou. Beijou-o apaixonantemente e vagarosamente. Ele regalou os olhos, não estando á espera do beijo dela mas depressa fechou os olhos, quente e corado. Sentindo-se feliz e em paz, sem pensamentos confusos e sem ansiedade. Finalmente ela tinha dado esse passo, era isso que ele queria, queria saber que ela queria o mesmo que ela. Sorriu, entre beijos e puxou-a para junto dele, abraçando a cintura com os seus braços. Ela envolveu os braços no seu pescoço e puxou-o para baixo, para não ficar em bicos dos pés. Os corpos estavam a mover-se como se fossem um só. Ela não pensava em nada, deixava-se levar, só quis fazer o que queria sem pensar no dia de amanha. Naquele momento só o queria agarrar e beijar, só queria sentir o calor dele, o seu perfume, o seu corpo junto do dela, pressionando-a contra ele e os seus lábios, moldando os dela. Ele afastou-se dela e olhou-a nos olhos, examinando a sua expressão, fazendo uma festa na cara com a sua mão, enquanto a outra pairava na cintura, como um impulso para ela não se afastar. Sorriu e inclinou-se para outo beijo, esperando que ela fizesse o mesmo. A sua respiração prendeu e o coração acelerou, como um motor de um carro. Ela cedeu a outro beijo, inclinando-se para ele, entregando-se para ele, tranquila e feliz, como ele não a vira antes. Mordiscou o lábio inferior dele e sugou-a levemente, fazendo uma pequena provocação. Ele envolveu o braço á volta do seu pescoço e inclinou-a um pouco, ela apoiou-se na suas costas, abraçando-as, com vontade de o apertar mais, vincou os dedos na camisola dele e ao mesmo tempo abriu um pouco mais a boca para deixar a língua dele entrar. Mais uma vez ele, sentiu o gosto doce dela e o seu perfume que punha sempre, que inalou mais perto do que o costume, com prazer em a ter nos seus braços. El voltou a endireitar-se e passou as mãos á volta do pescoço dela, traçando a sua língua com a dela, em movimentos intensos de puro prazer. Ela envolveu os lábios dela nos seus levemente e com serenidade o afastou, encostando a cabeça no seu peito. Segurava a camisola com as mãos, no peito dele e sorriu, pensando nos momentos que iriam passar daqui para frente, tinha tomado a decisão de lhe dar uma chance, já não aguentava mais esconder as coisas... ele envolveu-a nos seus braços, rodeando as costas e sorriu, junto da sua orelha. Ela arrepiou-se de sentir a sua respiração no pescoço mas soube-lhe bem. Estava quente e confortável nos seus braços e não queria se separar dele. havia vários aspectos que ela não conhecia dele, mas queria conhecer, queria saber tudo sobre ele, sabendo que tudo poderia mudar, o sentimento poderia crescer, poderia lidar melhor com ele e queria ter conversas longas com ele. Queria tudo o que sabia que a faria feliz e não pretendia desistir disso.
"Que lamentável...." Disse Rita, fazendo-os separar... "Dizes que gostas dela, uma simples humana... ela sabe ao menos a verdade? E tu estás preparado para a verdade?" perguntou ela, sem desviar o olhar dele. Jensen apertou a mão e a Jéssica encostou a dela á dele, percebeu que ele ficou nervoso e irritado mas não poderia deixar de o apoiar. Ele finalmente agarrou na mão dela, envolvendo-a na dele.
"Primeiro, ela é humana e eu não me importo... segundo não vou deixar isso acontecer, se me conheces bem saberias disso... já que nunca me viste assim com ninguém." Disse ele, serio.
"O que estão a falar?" perguntou ela. Sara sorriu maliciosamente.
"esse teu lado de bruxo... por isso é que as tuas emoções estão descontroláveis e isso vai ao sítio, mas sabes bem que não consegues parar o ritual. Sabes que ele vai acontecer."
"Ritual?" pergunta ela, cada vez mais confusa.
"Sim, querida... o ritual que ou te mata ou te torna vampira." Disse Sara, fazendo a Jéssica pesada, como se caísse o mundo em cima. Como são capazes de me esconder isso? Como são capazes de me tratar bem para depois me fazerem isto? Pensava a Jéssica.
"Eu não a vou fazer passar por isso. Não suporto a ideia de te perder, Jéssica. Não vou deixar esse ritual acontecer, já á um tempo que tenho essa ideia vincada, certa." Disse ele virando-se para ela, que não tinha reacção nenhuma. Só olhava para ele, com os olhos regalados e com medo, com medo que tudo o que aconteceu entre eles fosse uma ilusão, um erro. No fundo do seu olhar via o olhar desesperado do Jensen, que pensava que a ia perder. E no outro lado via o sorriso malicioso da Sara, que tinha conseguido o que queria, desfazer aquela relação, que nem começara a começar. "Jess? Pequena?" dizia ele, desesperado, arregalando os olhos e visivelmente perturbado.
Ela não conseguia dizer nada a ele, então simplesmente olhou para ele e deixou escapar.
"Rica melhor amiga que tens tu..." e virou as costas, andando para casa, a pé, sem condições de conduzir. Ele começou a avançar para a Jéssica mas a Rita segurou-lhe o braço, fazendo-o virar-se para ela.
"Deixa-a ir, é inevitável, o vosso destino é não ficar juntos, Jensen. Ela é só outra humana, como a outra..." disse a Sara.
"Ela não é nada como a outra... A jess é única e ninguém a iguala." Disse ele, olhando para ela, com um olhar serio e frio, ela, que estava surpresa com o que ele acabara de dizer. "Realmente a Jess tem razão... rica melhor amiga que tenho... quebraste a nossa amizade e não há mais por onde concertar..." disse ele, voltando costas de seguida, para seguir a Jéssica.
"Eu não quero ser amiga... quero ser a tua namorada, Jensen. Eu gosto de ti." Disse ela. Fazendo-o parar. Ele arregalou os olhos de surpresa e depois meteu uma expressão fria, sem se voltar para trás.
"Azar o teu. Eu gosto da Jéssica. E tu não gostas de mim. Gostar não é isso... quando gostas não fazes o outro infeliz, seja com quem ele tiver..." disse ele, correndo depois e deixando a Sara chocada pela sua reacçao, para tentar apanhar a Jéssica.
Assim que a avistou começou a chamar por ela. Ela não cedeu até ele chegar ao pé dela e a parar, agarrando-lhe o braço. "Jess, pára! Eu preciso explicar tudo..." disse ele, desesperado por ouvir algo vindo da boca dela. Ele sacudiu a mão dele do seu braço, calmamente e olhou-o nos olhos.
"Quando eu tiver pronta eu deixo-te explicar. Agora quero absorver isto tudo. Podes me acompanhar, podes andar do meu lado, mas por favor, sem uma única palavra até eu conseguir falar sobre isto... ok?" perguntou ela, calma e seria, visivelmente me choque. Ele acenou que sim e seguiram em direcção a casa, lado a lado, perto um do outro, mas sem falarem entre eles...
Ela senta-se, na relva, no jardim assim que chega a casa, ignorando os outros, que ficaram sem perceber o que se passou com eles. Ela consegue ouvir do jardim a discussão deles. Ouve o Jensen a gritar que não a vai deixar fazer o ritual e ouve o Diego a dizer que não vai permitir que os sentimentos dele interfiram no ritual, que da ultima vez aquase ia deixando isso acontecer. Nesse momento veio á cabeça da Jéssica a cara da rapariga que viu na mente do Jensen. "Não vou deixar que estragues este ritual. É a nossa hipóteses e da ultima vez aquase estragaste tudo com os teus romances. Desta vez não vou permitir isso." Dizia o Diego.
"Sabes bem que isto não é apenas um romance. Não é como a Inês! Aquela rapariga que está lá fora é tudo para mim, para isso vai ter que passar por cima do meu corpo. É assim, sabes bem que estou serio enquanto a isso, Diego." Disse o Jensen, irritado. "Éo que vamos ver!" dizia Diego. Esta é a primeira vez que o vê irritado. "Só estás confuso. Quando ela acabar com a nossa ligação vais concordar com tudo e abrir os olhos!" dizia ele, friamente. "Nunca vais ter essa reacção minha, não se isso significar a morte dela!" dizia Jensen, furiosamente, batendo com a porta do jardim. Ela ouvia os passos dele a caminhar para junto dela. Ele senta-se no jardim ao pé dela e dá um longo suspiro, tentando se acalmar...
"Então eles não aceitam bem o facto de não quereres que faça o ritual..." disse Jéssica, seria.
"Ouviste tudo não foi?" pergunta ele. Ela acena positivamente com a cabeça, olhando para a frente, onde via uma paisagem linda de uma ribeira que passava pelo jardim da casa dele. "o ritual é..." começou ele por dizer mas ela impediu que ele continuasse.
"Agora não, deixa-me processar isto tudo. Á noite falamos..."
"Tudo bem. Posso continuar aqui? Não quero lidar com eles agora." Perguntou ele, triste. Ela acenou positivamente e ficaram o resto do tempo em silencio.
Á noite ele entra no quarto dela, pela janela, observando-a sentada á cabeceira da cama, com as pernas esticadas ao longo da cama. Estava a ler e, ele entrar assim no quarto, sem pedir autorização, deixou-a um pouco enervada, pois queria um tempo sem pensar em nada.
"Jensen, agora não... vai embora." Disse ela, suspirando, impaciente.
"Não! Agora tens que me ouvir! Tiras as tuas conclusões depois de ouvires o que tenho a falar. Ele fez uma pausa e sentou-se a meio da cama, ao lado das pernas dela. Prosseguiu quando ela o olhou nos olhos, seria e fria. "O ritual é para destruir a ligação que temos uns com os outros. Se algum de nós morre, morremos todos. E queremos ser capazes de o matar se ele pisar o risco. Eu desisti do ritual assim que me apaixonei por ti e eles não querem aceitar isso. Eu gosto de ti e tu sabes, então pôr-te numa situação de risco assim, eu não o faço, não o permito. Sei que há uma chance de não morreres ao beberes o nosso sangue mas também á uma chance de morreres e nunca mais te ver e isso não aguento, não te quero perder, não quero e eles têm que aceitar..."
"Já o fizeram alguma vez?" perguntou ela, com uma expressão indecifrável.
"Sim, já. Mas tu não o vais fazer por isso não interessa..."
"Aquela rapariga das tuas memórias era ela, não era? A Inês?" perguntou ela. "Gostavas dela também?" Ele arregalou os olhos, não esperando por esta pergunta.
"Sim, era. Ela foi só uma paixão e já foi difícil quando morreu, nem quero imaginar tu, pequena. O que sinto por ti é maior, único..." disse ele, triste.
"Entendo..."
"Só isso que me vais dizer?"
"Sim, por enquanto." Disse ela, friamente.
"Por enquanto?" perguntou ele, exaltando-se um pouco.
"Jensen, eu ouvi o que tinhas a dizer, agora eu peço que respeites o meu espaço e que me deixes tirar as minhas conclusões..." disse, calmamente. "Agora preciso dormir..."
"Tudo bem, já percebi... boa noite." Disse ele, triste, saindo pela porta.
"Boa noite." Disse ela, fazendo-o parar por uns segundos á porta, acabando por fechar a porta atras de si. Ele escorregou pela porta e sentou-se encostado a ela, triste e desorientado, debruçado. Ela via a sombra dele, por baixo da porta, e isso a fez sentir-se um pouco, embaixo.
A expressão dela era indecifrável, que merda, estava tao fria, nunca a vi assim... não sei se me vai perdoar algum dia, mas não posso desistir... como vou sair desta? Merda! Pensava ele, com as mãos na cara, estava desesperado por qualquer reacção dela e isso deixava-o descontrolado. Ele decidiu levantar-se, passado uns minutos e foi para o quarto.
Passou uma semana e pouco falaram, apenas falavam de coisas básicas, ela continuava seria e fria e ele desesperado pelo seu sorriso, pela sua voz, qualquer coisa que o acalmasse. Entrou na cozinha e a Jéssica estava a comer cereais na mesa. "Bom dia, pequena." Disse ele sorrindo.
"Bom dia." Disse ela, seca. Ele irritou-se e palavras nada agradáveis estavam prestes a sair da sua boca, mas decidiu acalmar-se e provoca-la á moda antiga. Sentou-se em frente dela e fixou o seu olhar nela, esperando um reacção dela. Ela olhou para ele e arregalou os olhos quando se apercebeu que ele estava a olhá-la, provocantemente, debruçado sobre a mesa, sorrindo apoiando a cabeça num dos braços, corando e ficando irritada.
"Podes parar de olhar para mim? Estou a pedir gentilmente." Disse ela, resmungona.
"Quando é que me vais dizer as tuas conclusões? Quando me disseres, ai, sim, eu paro, se quiseres."
Ela respirou fundo e disse. "Quando eu quiser." O que o fez irritar-se, mas não o fez desistir e rapidamente pôs o seu sorriso provocador. "Ok, então eu paro, também, só quando quiser. Sei que resmungas, mas no fundo gostas da atenção que te dou." Disse ele, esticando-se para a frente, ficando perto da cara dela. Ela corou, não esperando a audácia dele e encostou as costas á cadeira, mantendo uma distância segura dele.
"Claro que sim!" disse ela rindo-se cinicamente. "Nota-se." Disse ela, levantando-se. "Vou arranjar-me, para ir á apresentação da turma." Disse ela, despachando-o. Ele sorriu, sereno.
"Entusiasmada pelo primeiro dia?" disse ele, sorrindo, sem que ela saiba que ele estaria na mesma turma dela.
"Tenho que me despachar. Até já." Disse ela, não deixando espaço para ela o impedir.
Ela estava magoada porque ele tinha escondido o ritual dela e, mesmo que ele não quisesse o ritual, ao esconder isso, depois de ela confiar nele e se entregar ao que ela sentia, ele mentiu-lhe. A pessoa que era o seu porto de abrigo, deixou de o ser, deixou de confiar nele e agora precisava de saber até que ponto ele iria a sua vontade de a manter viva e teria que provar tudo o que disse, se era verdade.
Despachou-se e foi para a escola. Admirou-se quando percebeu que o Jensen tinha saído já antes de casa, mas não pensou muito nisso. Pegou no carro e foi até á escola. Assim que parou com o carro regalou os olhos por o ver á porta da escola, não sabia que ele tinha se inscrito na universidade. Reparou que ele estava muito irritado ao falar com um homem loiro e alto. Não conseguiu perceber o que eles estavam a falar, mas percebeu que o Jensen, estava muito irritado e descontrolado, viu que ele serrou os punhos e isso nunca era boa coisa. Seja quem for aquele homem não trazia boa coisa. Jéssica viu o Jensen a virar costas para dentro da escola e a deixar o homem a falar sozinho. Ela decidiu entrar também mas assim que passou pelo portão notou que o homem estava a olhar fixamente para ela e ficou desconfiada que aquele homem poderia lhe querer mal. Olhou bem para ele, decorou o rosto e entrou na escola, dirigindo-se á sua sala. Entrou e viu pessoas desconhecidas á sua volta e de longe viu o Jensen, sentado ao lado do único lugar vazio, para desgosto dela. Ela não estava a gostar nada de saber que vai estsr na mesma escola que ele, muito mesmo que ela era da sua turma. Agora imaginem quando se tem que sentar ao lado dele. Caminhou até á cadeira enquanto alguns alunos a olhavam, estudando-a. Ela estava demasiado ocupada a estudar a expressão vazia e incomodada do Jensen, para notar algo á sua volta. Sentou-se ao seu lado mas o Jensen, estava tao concentrado no mundo lá fora que nem olhou para ela. Ela notou que ele estava furioso e desconcentrado, mas o seu orgulho não permitia que lhe perguntasse nada. Hoje estavam de serviço á tarde e não iria lhe perguntar nada, estava ainda irritada com ele e não queria esse tipo de conversa com ele.
Ao longo da apresentação Jensen nem olhou para ninguém, nem para o professor, durante a palestra do curso de teatro. A cabeça dele estava uma confusão e só lhe apetecia sair dali, não lhe apetecia ver nem falar com ninguém, ele pensou que o trabalho dele o iria ajudar e só queria ir trabalhar. O dia em que ele iria tentar se dar bem com a Jéssica ficou estragado quando viu aquele homem... Jéssica passou a palestra toda de olho nele, preocupada, pois nunca o vira assim e não fazia a mínima ideia do que se tinha passado. Assim que a palestra acabou o Jensen foi-se embora e só apareceu á hora do trabalho. Ao fim da noite ele já estava bem disposto e tentava chamar a atenção á Jéssica, que o ignorava. Decidiu que iria despejar o lixo, para não ficar perto dele, estavam os dois a fechar o café, infelizmente para ela, iria ser assim daquele dia para a frente, para que conseguissem ter horário para a universidade, que ela não queria acreditar na lata dele ao escolher o mesmo curso. Estava tao concentrada no seu pensamento que nem deu pelo Jensen, a não ser quando ele a abraçou, encostando o seu tronco á costas dela, ela regala os olhos, não estando á espera desta acção dela e fica vermelha quando sente o calor dele, junto ao seu corpo, pensando na saudade do seu abraço. Respirou fundo tentando voltando a si e o afasta, afastando-o e irritada começa a discutir com ele.
"O que pensas que estás a fazer?" disse ela, exaltada e ainda corada. Ele sorriu ao vê-la daquela maneira e a irritou ainda mais.
"Oh, pequena... nós estávamos tao bem... tens que me dar mais uma chance, não me atormentes, não me afastes assim... eu mereço uma chance de mostrar de estava serio enquanto ao que te disse."
"Não é assim que me consegues provar! Eu perdi a confiança em ti! Tu escondeste coisas de mim, fizeste merda! Que queres que faça, Jensen?" disse ela, irritada.
"Que confies em mim! Como confiaste quando me beijaste." Diz ele, sorrindo, feliz e sereno. Aquele sorriso era o que fazia a Jéssica derreter-se e ficar corada, mas logo ficou preocupada quando o viu a mudar o sorriso para uma expressão irritada e com raiva a serrar os punhos. Voltou-se para trás e viu o homem que estava de manha lá na escola.
"Jensen..." disse o homem, com um ar tentando incumbir piedade. O Jensen não o deixou terminar.
"Não tenho nada para lhe dizer. Estou a trabalhar por favor respeite isso." Disse ele, frio, segurando a raiva, ao lado da Jéssica.
"Só assim é que consigo que me oiças, filho!" disse o homem, fazendo o Jensen apertar mais as suas mãos. Jéssica ficou surpresa, arregalando os olhos, quando o homem o chamou de filho, percebendo que afinal o pai dele não tinha morrido. "Eu tive que fingir a minha própria morte, tens que compreender! A familia da tua mãe andava á minha caça! Esquece o teu padrasto ele não é flor que se cheire, eu tenho quase a certeza que ele estava metido nisso!" disse o pai dele.
"Tenho que compreender que abandonou o seu próprio filho? O meu padrasto cuidou de mim, mesmo depois de saber que não era seu filho. Passei anos a esconder isso dele, para que pudesse ficar com você e você quer que compreenda que me abandonou por causa de uma coisa egoísta? Você podia me ter levado consigo, mas deixou-me ao deus de ará! Não fale mal de quem me deu tudo o que você não me deu, você só se importava com a minha mãe. Você fez com que a minha infância fosse cheias de segredos, obrigou-me a esconder tudo do meu padrasto. E ele foi um grande homem ao aceitar-me depois de tudo, por isso não admito que fale mal ele! Pai de merda foi você!"
"Ouve-me!" disse o pai, falando mais alto, para que o filho exaltado o ouvisse. "Eu quero te compensar!" disse ele, fazendo o Jensen rir-se.
"Abandonou-me e agora quer me compensar?! Que se foda!" disse ele, cheio de raiva, chegando perto do seu pai, muito exaltado. Jéssica chegou-se junto dele e empurrou-o para trás e depois agarrou no seu braço, tentando acalmá-lo pelo seu toque, afastando-o do pai.
"Acho melhor você ir-se embora." Disse ela.
"Não!" disse ele, insistindo. Jéssica largou o braço do Jensen e dirigiu-se ao pai dele, seria, fria e persistente.
"Vá-se embora!" disse determinada. Ele baixou a cabeça e serrou os punhos, olhando depois para o filho, vendo que ele nem era capaz de olhar para ele, ficava olhando para o chão, vermelho de raiva. O pai dele avançou mais um passo mas Jéssica parou-o, agarrando-lhe o braço. "Não lhe chega o que ouviu? Não vou deixar que o desoriente, não vou deixar que faça ele perder o controlo." Disse ela, Jensen tirou os olhos do chão, com os olhos vermelhos, tentando conter as lagrimas de raiva, ficou surpreso por ela estar a defende-lo. "Eu vi como o vosso encontro o deixou esta manhã e por isso peço que vá embora. Não me obrigue a fazê-lo ir-se embora á força." Disse ela, levantando o braço. Ele arregalou os olhos, pela reacção imprevista dela.
"Então tu é que és a nova bruxa a sofrer nas mãos deles!" disse ele, sorrindo, provocadoramente. "São tao egoístas..."
"Não vou deixar que eles a sacrifiquem, ela não vai fazer o ritual e você é que é egoísta!" disse Jensen, exaltando-se de novo, avançando de repente para o pai, com raiva. Jéssica meteu-se no meio, para o impedir de bater no pai, empurrando-o para trás, encostando as suas próprias costas ao peito do Jensen. Deixou-o, de novo, embasbacado com a atitude dela, com a sua proximidade dele e com o seu toque, segurando-lhe a mão que ele tinha serrado.
"Você não é ninguém para dizer que é um acto egoísta, querer desfazer-se de quem já lhe fez tao mal, quando você abandonou o seu filho, não dando a mínima para o que lhe acontecesse para salvar o seu próprio cu!" disse Jéssica, irritada. Surpreendendo o Jensen. "Eu não gosto nada de si, não gosto do que provocou e provoca no Jensen, ele estava bem sem você. O padrasto dele fez mais do que você que é o pai dele, por isso não critique quem acolheu o filho que você abandonou. Ele foi o seu verdadeiro pai, você não passa de uma falsa, perfeita, lembrança de um pai que ele perdeu á muito tempo, que agora você estragou. Vá-se embora!" disse ela, agressiva e assertiva.
"Sabes onde me encontrar filho, sinto muito..." disse ele, virando costas, triste. "Não a percas. Ela é a tal. Depois de tudo se te defende é para casar. Não a deixes escapar." Disse, virando-se para trás.
"Não a pretendo deixar escapar." Disse ele, serio e corado, fazendo-a ficar perplexa e corada.
Viram o seu pai ir-se embora e de seguida, sentou-se no degrao da escada, suspirando, ainda com as mãos a tremer com os nervos. Tentou-se acalmar, pensando em que a Jéssica se encostou a ele, fechando os olhos. Sentiu que ela se sentou ao seu lado. "Obrigada pequena e desculpa se te preocupei... não conseguia falar com ninguém."
"Não tens que te desculpar. Eu é que devia ter posto as diferenças de lado e falar contigo, em vez disso deixei o orgulho falar por mim e ignorei-te... tu ajudaste-me e mal me conhecias, com o teu irmão. " disse ela, de cabeça baixa. Ele pousou a mão dele sobre a dela e apertou-a, entrelaçando a mão dele sobre as costas da mão dela. Ela regalou os olhos e ficou vermelha, mas logo deu um pequeno sorriso e consentiu o acto. "Eu estou aqui, agora." Disse ela, serena.
"Não tens de te sentir mal. Esse comportamento é normal quando se sente raiva de alguém." Disse ele, mostrando um sorriso forçado.
"Eu não tenho raiva de ti." Disse ela, deixando-o perplexo, corando e ficando um pouco atrapalhado, ao vê-la sorrir, serena. Um sorriso que o encantava e o deixava perplexo. "Só me sinto irritada e um pouco magoada, mas nada que o tempo não cure. Eu já percebi porque não me contaste... ao inicio eu mal te conhecia, sabias que iria fugir a sete pés e agora tinhas medo porque sabias que iria reagir mal..."
"Sim... eu tenho medo de tudo isso, mas tenho mais medo de te perder, por isso não te queria dizer nada, até te levar dali, queria que confiasses mais em mim, que te sentisses mais próxima de mim... desculpa por não te contar mais cedo. Posso te jurar de que daqui para a frente não irei esconder mais nada e irei fazer com que confies em mim novamente, Jéssica." Disse ele, serio, sem soltar a mão dela. Ela corou e sentiu necessidade de acabar com a conversa, sabendo que o que ele acabou de dizer era o mais provável de acontecer. Retirou a sua mão da dele e levantou-se.
"Vamos, acabar o resto, para ir-mos embora. Amanha temos que trabalhar cedo, já que é sábado temos que trabalhar oito horas." Disse ela, sacudindo-se. Ele sorriu e levantou-se. Abrindo a porta e fazendo uma vénia para ela passar primeiro. Acabaram rapidamente de fechar o café e quando chegaram a casa, foram cada um para o seu quarto, ignorando os outros.
"Boa noite, pequena." Disse ele, sorrindo para ela, mantendo contacto visual com ela. Ela sorriu, não desviando o olhar e abriu a porta.
"Boa noite, Jensen. Dorme bem." Disse ela, entrando depois no quarto. ele sorriu, ao entrar no seu quarto, devido á reaproximação deles, hoje. Rapidamente adormeceram, com o cansaço, ambos pensando do bocado que tinham passado no café, adormecendo com um sorriso.
Fale com o autor