Desejo Mortal
2 A verdade por detrás da mentira
Ficaram o resto do tempo calados, olhando para o horizonte, até que a Jéssica decidiu falar.
"É verdade que vocês sentem tudo intensamente?" perguntou curiosa, olhando para ele.
"Sim, é verdade. Sentimos muito mais raiva, mais tristeza, mais alegria, mais ódio..." disse ele, sereno, depois olha para Jéssica, com o seu olhar intenso, profundo, sobre ela. "mais paixão, mais atracção, amor." No fim sorriu para ela, sedutoramente mas ela desviou o seu olhar, ignorando a intenção de a provocar. Ele riu-se e balançou a cabeça de forma negativa, fazendo o seu cabelo ruivo voar ao ritmo do vento. "Engraçado... quando não consegues mentir, ignoras-me ou bates-me." disse ele com um sorriso, ele viu o seu embaraço e sorriu mais.
"Desde quando é que eu faço isso?!" pergunta ela, irritada, por ele a enfrentar daquele jeito. Ele com a sua rapidez sobrenatural, tao rápido que a apanhou de surpresa, dirigiu-se á espreguiçadeira, onde ela estava, e meteu-se de cócoras, apoiando uma das mãos na espreguiçadeira, bem em frente a ela.
"Vais dizer que te sou indiferente?" pergunta ele, com um ar serio, deixando-a tensa e com o coração a bater mais rápido. Ela cora com a sua aproximação e acaba ficando irritada, dando-lhe uma chapada no braço.
"Não sejas idiota!" diz ela, sabendo que o que ele disse é verdade, ela confunde-a, irrita-a mas desconcentra-a e a atrai, sendo contraditório. E depois tem aquela característica seria e outra sorridente e sereno. Ela não sabe o que pensar sobre ele, mas não o ia admitir. Ele de repente, com a outra mão, apanhou o seu pulso e puxou-a, de repente, para ele, abraçando-a com força, para que ela não escapasse. "O que estás a fazer?!" pergunta, totalmente corada e sem saber o que fazer, sentia o tronco nu dele, sobre o seu corpo, sentia os braços dele, fortes a rodearem as suas costas, o seu respirar no pescoço e o cabelo dele na sua nuca. Tentou ganhar controlo da situação, tentando-o empurrar com as mãos e percebeu que ele não a ia largar, alem de ter um óptimo equilíbrio, então ele sussurrou ao seu ouvido.
"Não me consegues mentir, pequena, esses teus lindos olhos azuis denunciam-te." Disse ele, sorrindo genuinamente. Ela finalmente cedeu e deixou de lutar, acalmando-se, deixando escapar um sorriso. Quando ele se afastou tentou esconder a sua cara vermelha mas ficou pior quando viu a sua expressão. Ela ficou com os olhos arregalados de o ver sorrir daquela maneira, tão genuína. Ele sentou-se na espreguiçadeira ao seu lado e suspirou, mexendo no seu cabelo loiro, despenteando-o, meio que desorientado e envergonhado. "Bem, está na hora do treino..."
"Ok, tudo bem." Disse ela, tentando-se compor.
"Vamos começar por dizer palavras para ajudar, já que no inicio não é fácil, irá canalizar a minha energia para te ajudar nos primeiros tempos. Quando eu disseres irá dar-me a mão e olhas para a lata que irei por á tua frente, dizendo Misit." Disse ele, metendo-se de pá ao meu lado.
"Ok... espera lá! Dar-te a mão?!" perguntou ela, com olhos regalados, sentindo-se incomodada.
"Sim, é assim que se canaliza a energia dos outros... sem isso não consegues lançar nada ao inicio..."
"Consigo pois!!" disse ela, irritada, sentindo-se testada. Olhou para a lata e ergueu a mão, mirando nela. "Misit!" disse ela, a alto e bom som, voltou a repetir uma data de vezes sem conseguir nenhum resultado, ao seu lado, o Jensen sorria. "Merda! Como é que eu canalizo a porra da tua energia? É só pensar nisso?"
"Sim, pensa como se tivesses a sugar a minha energia e irá acontecer." Disse ele, esticando a mão. Ela olhou para a sua mão e para ele, relutante, e suspirou. Pôs a sua mão vagarosamente na dele, sentindo o calor dela e o seu toque suave. Ele fechou a mão, contendo a mão dela presa, ela sentiu o seu coração a acelerar e a sua respiração descontrolada, ele estava tão perto que dava para sentir o perfume e o seu braço a tomar no meu. Percebeu que juntos tinham um poder diferente, que a fascina pela força. Ele também estava nervoso e descontrolado, sentiu uma ligação estranha assim que deram as mãos, uma ligação poderosa, mas sentia que era ameaçadora, por outro lado estava a sentir a mão macia da Jéssica e sorriu, sentindo o seu coração a querer saltar.
"É mesmo preciso estares a segurar assim?" perguntou ele olhando para ele, percebendo que ele estava nervoso por estar assim com ela. "O que se passa?!" pergunta ela, esperando não haver nenhum comentário maldoso.
"Nada... deixa-me assim, pequena, nada que eu possa controlar e, alem disso, tenho que estudar o poder que é solto quando estamos conectados, é forte, mas pode ser perigoso, sinto isso, simplesmente, não sentiste também?"
"Sim, fascinou-me pela sua força... mas perigoso? Não acho..."
"Pode ser impressão minha, então, agora vê se controlas esse coração desorientado e a tua respiração, sei que não sou indiferente, mas não pensei que fosse tanto..." disse ele, merda! Ele percebeu! Concentra-te, Jéssica! Não deixes isto domar-te! Pensava ela. Então, fechou os olhos e na mente dela imaginou a sugar o poder do Jensen e a ligação deles ficou bem forte, tão forte que saio uma onda de ar, ao redor deles, ela sentiu-se fascinada e calma, como se fosse ele que lhe transmitisse ele. Sorriu, alegre por o que sentia neste momento e o mais estranho foi quando ela viu imagens buzias do Jensen a falar com uma mulher, sentindo-se curiosa sobre ela, ele sorria da mesma forma que sorria para ela, sereno e genuíno, ela sentiu uma pintada de preocupação, ao vê-los tão próximos. Mas tentou tirar a cabeça nas suas memórias e abriu os olhos, sentindo-se forte e ergueu a mão em mira da lata e depois falou "Misit!" e a lata voou até onde não podesse ser avistada. Ela soltou a mão do Jensen e ele caiu de joelhos, apoiando as mãos na relva, com a respiração descontrolada. Ela olhou para ele a sorrir, por ter conseguido, mas depressa esse sorriso desvaneceu. "Que se passa?! Jensen?!" perguntou ela, ajoelhando-se junto dele, tentando que ele levantasse a cara, endireitando-o pelos ombros.
"Uau..." disse ele, já mais calmo. "Parece que tens que controlar a potencia da nossa vinculação! Deixaste-me bem fraco, és mais forte do que eu pensei... já percebi porque eu achei que era perigoso!"
"Mas estás bem?"
"Sim, não consigo ter forças, ou lançar nada mas está bem. Como é que entraste na minha mente, Jéssica?" perguntou ele, levantando-se do chão, com a ajuda da Jéssica. Ela parecia tão confusa quanto ele, sem saber explicar, estava tão chocada quanto ele.
"Eu.. não sei... que cena..." disse ela, preocupada, ajudando o Jensen a caminhar até ao sofá da sala de estar.
"Obrigada... não te preocupes comigo, vou ficar bem... tens é que tentar abrir os olhos mais cedo, não deixando o nível de poder da canalização... "
"Ok, para a próxima vou tentar..." disse ela, sentindo-se mal pelo seu estado.
"Tudo bem, por agora tenta duas ou três vezes lançar este feitiço, sozinha, ok?"
"Ok... posso-te perguntar uma coisa, Jensen?" perguntou ela, curiosa, ele acenou com a cabeça, positivamente. "Aquela mulher, na tua memoria, era quem?"
"Era uma bruxa com tu, uma namorada minha antiga." Disse ele, sorrindo para ela.
"O que aconteceu?" perguntou ela, cada vez mais curiosa e com um nó no estômago. Ele olhou para o chão, perdido e triste. E depois olhou para mim, tentando uma expressão seria, disfarçando o seu desagrado.
"Já foi á muito tempo, ela era humana e morreu... mas já passou, tudo passa e temos que seguir em frente." disse ele, serio.
"Desculpa, se calhar não devia ter perguntado." Disse ela, sentando-se ao seu lado. Ele olhou para ela, sorrindo serenamente, e remexendo o cabelo dela, mostrando carinho. Algo que a fez corar, já que não era um comportamento natural dele, passando no fim a mão na sua cara, fazendo o sangue dela ferver, junto com o seu coração, prestes a explodir. Ela tentou disfarçar a sua cara vermelha e ele sorriu de novo, do mesmo jeito e deitou a cabeça no ombro dela, o que a apanhou de surpresa e a fez ficar ansiosa, com aquela sensação esquisita no estômago, mas apesar de tudo, deixou-se ficar e aproveitou para sentir a calma dentro daquela casa, praticamente vazia e silenciosa, sorrindo sem se aperceber que o fizera.
Á noite a família toda estava reunida na sala, para falar comigo.
"Eu nos reuni porque o Jensen nos disse a força do teu poder, quando está ligado a ti.. eu falei com uma velha amiga e ela virá cá explicar-te como podes controlar isso. Eu perguntei-lhe porque tinhas que controlar e ela disse que irias ficar com problemas com a magia descontrolada, com o andar do tempo. Mas há um problema, que eu não sabia até ela perceber tudo e me dizer. Tu não vais gostar mas terá que ser ela a dizer... amanha á tarde ela estará cá..." disse o Diego, coçando a cabeça.
"Que tipo de situação vai ser? Tenho que me preparar de alguma maneira..." disse ela, receosa.
"Vai ser uma situação chocante, Jéssica..."
"Como assim, chocante?" perguntou o Jensen.
"Tu não sabes?!" perguntou a Jéssica. O Jensen abanou a cabeça, negativamente.
"Eu não lhe contei pela simples razão da vossa aproximação, eu sei que ele iria contar-te... por isso irá descobrir quando tu descobrires também. Até la não te preocupes, porque seja como tu te prepares, nunca será suficiente. Desculpem agora, mas tenho algo que fazer no escritório. Com licença." Disse o Diego, afastando-se. Os outros foram atrás e deixaram-na só com o Jensen, já para que não lhes perguntasse nada. Ela olhava para o chão, pensativa e o Jensen sentou-se ao seu lado. Passou a mão no cabelo dela, pondo-o atrás da sua orelha e desceu pelo seu pescoço, pousando no seu ombro.
"Tens algum inimigo ou família que não queiras ver? Alguém com assunto mal esclarecido."
"Não... eu não falo com ninguém da parte da minha mãe e dou-me bem com o lado da família do meu pai, não tenho ninguém que despreze assim tanto, por isso não estou a ver..."
"Eu acho que é alguém que não queres ver. Porque não falas com ninguém da tua família materna?"
"Porque foram contra o casamento dos meus pais e devem-me odiar por a minha mãe estar morta..."
"Morta? Porquê?" perguntou ele, confuso.
"Ela morreu no parto. Fiquei só eu e o meu pai... ele sofreu tanto, todas as noites olhava para a foto dela, mas nunca me tratou mal, nunca me culpou, pelo contrário. A nossa relação é muito forte..." disse ela, sorrindo, triste. "Eu nunca a conheci, só pelas fotos... o meu pai falava bem dela, dizia que ela era divertida, carinhosa e muito humana... não sei sequer que ele saiba que sou bruxa e que ela também era."
"Ele sabe, Jéssica... a tua família era contra eles por ela se ter envolvido com um humano. O teu pai foi a pessoa que te mandou para aqui, sabendo que a gente te podia ajudar... não sabia que a tua mãe tinha morrido, pensei que ela tivesse ido embora... desculpa." Disse ele, sorrindo, sereno.
"Então foi isso... então irei poder ser verdadeira com ele." Disse ela, sorrindo abertamente, um sorriso que surpreendeu o Jensen, achou que ela ficava linda assim. Sentiu-se a corar e o seu coração a bater, um dos contras de ser meio vampiro...
"Merda!" sussurrou ele, para que ela não ouvisse, baixando a mão e pousando a mão na cabeça, que virou para baixo. Odiava sentir-se assim, sem jeito.
"O que foi?" perguntou ela, surpresa, sem saber o que se passava com ele.
"Nada de mais, só me lembrei de uma coisa. Devias ir para a cama. Vou indo." Disse ele, sem olhar para ela, tentando esconder a cara corada. Levantou-se e deu-lhe um beijo na testa, indo para o quarto. ela petrificou no lugar. Porque raios ele fez isto? Um beijo na testa?! Que foi este momento agora?! Perguntava-se ela a si mesma, confusa e corada. Respirou fundo e foi beber água á cozinha. Hoje o dia foi diferente para ela, relembrou o momento, vezes sem conta, em que ele se encostou a ela, lembrou-se de sentir o seu cabelo no pescoço e a seguir corou quando se lembrou do corpo dele junto do seu, quando ele a abraçou daquela maneira. Ele fazia-a baixar a barreira, deixava-a sem jeito, nervosa e atraída por ele mas a sua cabeça dizia para ela esquecer isso, que ele só estava a brinca com ela. Estas coisas contraditórias deixavam-na irritada e atrapalhada, e na frente dele era pior, tanto que ele já tinha notado e, meu Deus, como ela directo e lho dizia, mesmo na sua cara, para tirar piada da sua cara. Alien pervertido, pensou ela, o que tu queres de mim, idiota?...
Estava a dormir descansada na sua cama e assim que abriu os olhos viu o Jensen em frente dela, sentado numa cadeira, inclinado sobre os joelhos a sorrir para ela. Ela sentou-se na cama, de repente, corada e irritada por ele não respeitar a sua privacidade.
"Mas que é isto?! Sai!!" disse ela, atirando-lhe uma almofada.
"Então, pequena, como não te levantas-te vim te acordar, temos que ir para conheceres o emprego..." disse ele, sorrindo perversamente, olhando para o top dela.
"Pára de olhar, seu alien perverso!" disse ela, cobrindo-se mais. Ele levantou-se e apoiou os joelhos na sua cama, e as mãos dele lado a lado com as pernas dela. "O que estás a fazer?! Sai daqui!" disse ela, tentando empurra-lo, com os braços dela no seu peito, mas ele chegou-se mais e mais, deixando-se descair sobre ela, ficando a um centímetro de tocar no corpo dela. Ela tocava nele com as mãos, tentando empurra-lo, mas os seus braços já estavam encolhidos no seu peito. Ele aproximou-se da sua cara e chegou perto do seu ouvido.
"Bom dia também para ti!" disse ele, sussurrando no seu ouvido, ela arrepiou-se, sentindo a sua respiração no seu pescoço, junto com o perfume que subira pelo seu nariz acima. Ele desceu um pouco a cara e beijou-lhe o pescoço, com delicadeza, ela ficou com o coração a bater tão forte que parecia estar a ter um ataque cardíaco, a cara dela mais vermelha ficou e voltou a sentir aquela estranheza na sua barriga. Ele depois afastou-se, sorrindo, abertamente, ai, ela voltou a si e, corada e irritada com a perversidade dele, deu-lhe uma data de muros no peito.
"Sai, idiota!" disse ela, ele riu-se e afastou-se, ela automaticamente se pôs de pé e ele olhou-a de alto a baixo, com um sorriso provocador, para a irritar. Ela corou e cobriu o que pode com a mão, mas era impossível encobrir o top de alças que tinha até á cintura e os calções que acabava nas cochas.
"Ao menos acordei-te, melhor ainda foi te ver nestes trajes." Disse, dirigindo-se a ela devagar. Ela olhou para a cama e agarrou na almofada, atirando-a. "Achas que isso me vai parar?" disse ele, a rir.se, achando graça á expressão corada dela.ela levitou a mão e olhou para ele ameaçadora. Ele sorriu, achando graça.
"Não te esqueças que eu tenho poderes agora." Disse ela, irritada e desconcertada. "Eu treinei a noite toda!" disse ela, só teria tido sucesso na sua ultima tentativa mas tinha confiança para que resultasse de novo. Ele sorriu mais uma vez mas não parou de caminhar até ela. "Misit!" disse ela, saindo faíscas da sua mão, mas nada mais, ela tentou mais uma vez, ficando irritada e ele parou sobre a sua mão, encostando-a ao peito.
"Se estás desconcentrada não irás conseguir... mas eu percebo, é porque estou aqui." Disse ele, brincando com ela, deixando-a mais irritada. Ela fechou os olhos e tentou abstrair-se dele, relembrando como ontem conseguiu fazer o feitiço.
"Misit!" disse ela, com mais força e assertividade e, desta vez, fez o Jensen arrastar-se até á parede do quarto. ficando tentando compor-se de cabeça baixa. "Eu avisei-te!" disse ela, sorrindo, provocante. Ele subiu o rosto, com um ar malicioso e esticou o braço. "Não te atrevas Jensen! Eu sou humana e vais magoar-me!" disse ela, muito preocupada e nervosa com o que ele iria fazer. Ele encolheu os dedos, fazendo com que ela não se conseguisse mover, como se estivesse amarrada. E virou a mão para ele, chegando-a perto do seu peito e a Jéssica arrastou-se até ele. Chocando contra ele, o Jensen, aproveitou para a agarrar entre os seus braços, apertando-a contra o peito, chegou a cara junto ao seu pescoço.
"Não te esqueças que eu também sou um bruxo. Descansa que eu não te vou magoar, pequena." Disse ele, sedutoramente. Ela corou, por estar tão perto dele, perto o suficiente para sentir o seu corpo todo, e o seu perfume, a pressionarem o dela. Finalmente ele a largou mas ela não se afastou, só o fez quando ele lhe assoprou para o pescoço, fazendo-a dar um salto, arrepiada e guinchando. Ele riu-se até lágrimas caírem do seu rosto, enquanto ela fazia cara de zangada, sentindo-se deveras irritada com esta acção, que já se tornara uma coisa frequente nela. Ele finalmente se acalmou e olhou para ela, limpando o rosto. "Veste-te, nada muito formal, temos farda de trabalho, que fica sempre no café, mas hoje não vais trabalhar, pequena, só vais conhecer aquilo e as pessoas, inclusive o patrão. Estarei no carro á espera, tens o pequeno almoço na mesa." Disse ele, ela ficou surpresa por ele lhe fazer o pequeno almoço, corando um pouco e assim que ele se foi embora do quarto suspirou, deixando-se cair na cama, recuperando do que se passou, do seu toque, do seu cheiro, da sua fala e do seu olhar sedutor. Vestiu-se apressadamente e penteou-se indo depois comer, ele tinha feito ovos mexidos com bacon e sumo natural de laranja. Tinha uma fatia de bolo ao lado do tabuleiro. Ela olhou para o lavatório e tinha loiça suja de natas e chocolate, assim como o bolo, ou seja ele fizera mesmo o bolo. Ela começou a imaginar porque ele se levantaria cedo e teria este trabalho todo só para a impressionar. Começou a corar e então o cérebro dela disse para ela esquecer que ele só queria se aproveitar, mas continuava vermelha e tremula, de nada serviu. Comeu tudo e foi até ao carro. Entrando, tentando parecer serena. Mete o cinto e vira-se para ele, que a observava. "Obrigada pelo pequeno almoço." Disse ela, corando de novo. Ele arregalou os olhos, surpreso mas depois sorriu.
"Estava bom?" perguntou ele, olhando para ela, um pouco corado. Ela acenou, positivamente, olhando para baixo e sentiu o olhar dele a focar-se na estrada, olhou para ele e corou mais ao ver a expressão dele, o sorriso de felicidade estampada no seu rosto. "Demoramos 5 minutos, de carro até ao trabalho, mas devo-te avisar antes... as fardas e o estilo do café é um pouco diferente..." disse ele, com precaução. "Mas trabalho é trabalho... quando as nossas folgas não coincidirem podes levar o meu carro." Sorriu ele.
"Ok, obrigada." Disse ela, mais uma vez, corada. "Que estilo é o café?"
"O nosso patrão teve a ideia de abrir um maid café... tirou a ideia do japão e achou que seria bom e diferente e teve razão, faz sucesso... não tens que cozinhar, serves ás mesas, com um uniforme de empregada, todo bonito."
"O quê?! Merda! Não posso ficar na cozinha?" perguntou ela, corada e desconcertada com a ideia de se vestir assim.
"Já temos um cozinheiro e ás vezes eu ajudo também. Eu também tenho o meu uniforme de mordomo... é um trabalho decente, não permitimos abusos..."
"Desculpa por criticar..."
"Tudo bem, já esperava... mas não tens que ter problemas, os clientes são respeitáveis e o chefe é porreiro, não tens nada com o que te preocupar." Sorriu ele, ela sorriu de volta e manteve os olhos na estrada, já havia muito tempo que estava a observá-lo e apreciou a atenção que ele tinha ao guiar, ele parecia uma pessoa perfeccionista a guiar, será que no trabalho também é assim? Pensou ela.
Ele estacionou e saíram do caro, entrando no café. O café era aconchegado e espaçoso. Tinha paredes bege e chão cinzento. As mesas eram brancas e as cadeiras almofadadas e bege. Havia uma dada de cliente satisfeitos e bem disposto e em cada uma das empregadas havia simpatia e um sorriso, a farda era bonita era um vestido preto rodado com renda branca no peito e um avental branco, o vestido era curto, dava pelo meio das pernas mas não era revelador, as alças desciam no ombro e eram folhadas. Dirigiram-se ao balcão e ele dirigiu-se a um homem que estava no balcão, junto de uma senhora elegante e simpática.
"Olá Jaime, olá Rachel. Esta é a Jéssica, a rapariga que vos falei, ela começa amanhã." Disse ele sorridente, virou-se para a Jéssica. "Estes são os nossos patrões." Ela virou-se para eles e fez uma vénia.
"Prazer, sou a Jéssica. Obrigada por esta oportunidade." Disse ela. Eles sorriram.
"és mais bonita do que o Jensen descreveu." Então ele tinha me descrevido?! Pensou ela, nervosa e corada.
"Rachel!" disse o Jensen, encavacado. Ela riu-se e dirigiu-se a ele.
"Apresenta-lhe o café e os vossos colegas, mexe-te rapaz." Disse ela, feliz. A Jéssica sorriu, achando-a muito simpática e querida. Ele respirou fundo e afastou-se com ela, dirigindo-se á cozinha. Explicando como funcionava tudo e apresentando-lhe o James, o cozinheiro.
Apresentou-lhe a Susana, a Jane, o Freddie e a Debora. E depois dirigiu-se comigo até a porta dos fundos. "Aqui é onde despejamos o lixo e esta é a Sara, colega e melhor amiga. Ela é uma peste." Disse ele, dirigindo-se a ela, puxando-a para ele, com a mão no seu ombro. Ela riu-se e virou-se para ele, fazendo com que ele descesse a mão para as suas costas.
"Peste és tu! Quem é ela?" perguntou ela, olhando para mim, não muito contente.
"É a Jéssica, a bruxa da família." A Jéssica regalou os olhos, surpreendida com o facto de ela saber.
"Jéssica, não te preocupes, ela é vampira, é uma amiga de longa data da nossa família." Disse ele sorrindo.
"Bem, vou indo, já acabou a minha pausa. Anda até mim e pára. "Boa sorte." Disse ela, olhando para ela, provocantemente. Ela ficou de pé atrás com a Sara e percebeu que ela não lhe ia dificultar a vida. Ela entrou e a Jéssica olhou para o Jensen.
"O que lhe disseste? Ela parece não gostar muito de mim..."
"Nada de mais... só lhe disse que te achava graça." Disse ele, sorrindo provocante, em frente dela. "Mas deve ser impressão tua."
"Tu não tens que falar sobre mim!" disse ela irritada. Ele chega-se ao pé dele e mete-lhe a mão na cabeça, empurrando a sua cara contra o seu peito, de forma repentina, o suficiente para ela corar.
"Eu só falo do que gosto, e só falo a verdade, pequena." Ele afastou-a e ela olhou para ele, pronta para ralhar, mas desistiu quando viu o sorriso sereno e feliz dele. o sorriso que a fazia baixar as barreiras que ninguém conseguira, alguma vez baixar. "Vamos para casa." Disse ele, agarrando na sua mão, agarrando-a com ternura e puxando-a. Eles não repararam mas a Sara estava a ouvir tudo e a ver, através da porta, com um olhar nada amigável, irritada virou costas e dirigiu-se á sala do café. Eles despediram-se de todos e dirigiram-se ao carro. Ele soltou a mão dela, deixando-a quente, e ela ficou corada quando pensou que queria que ele continuasse a segurá-la. Entrou no carro e dirigiram-se ao carro.
Eles entraram em casa e dirigiram-se á sala, alegres, ele estava a contar historias do pessoal do café. Ele entrou na sala primeiro que ela e ficou admirado com a presença de uma mulher que ele não conhecia. Olhou para trás e viu a Jéssica á porta, aterrorizada. A mulher sorria para ela, mas ela estava fria e tensa, abaixou a cabeça e foi-se embora da sala, a mulher seguiu-a e o Jensen foi atrás. Viu-a de costas viradas e viu a mulher a falar com ela, curioso aproximou-se delas. A senhora estava emocionada a falar com ela.
"Querida... eu sei que não queres olhar para mim, já percebi que sabes quem eu sou... o que eu fiz eu tinha que fazer, para teu bem, para o bem de toda a gente..." dizia a mulher para a Jéssica, ela não se virou. O Jensen reparou que a Jéssica tinha os punhos serrados e que estava irritada. Ele arregalou os olhos quando ela se virou, estava a escorrer lágrimas dos seus olhos, sem que ela pudesse controlar ou parar.
"Melhor para mim? Ou para si?"
"Para ti, filha! Se eu não tivesse fugido..." começou a senhora, enquanto o Jensen se aproximava da Jéssica, agarrando-lhe no pulso, para a acalmar. Ela curtou a fala da sua mãe.
"Eu não quero ouvir nada do que a senhora disser... nada justifica fazer o seu marido sofrer, a sua filha ter se sentido mal todos estes anos por pensar que a mãe morrer ao a ter... nada justifica fingir a própria morte por seja qual for a razão... vá se embora, senão quem vai sou eu!" disse ela á sua mãe Julie, com raiva, começando a levantar poeira á sua volta, por algo que estava a sair, magicamente, dela.
"É por causa disto que cá estou! Para te ajudar! Estas descontrolada!"
"Não quero a sua ajuda! Não é agora que tinha de me ajudar! Saia! Já!!" disse ela, completamente descontrolada, intensificando a aura á sua volta.
"Olha para ele! Ele está com dores! Isso é o que fazes quando estás descontrolada!" disse a sua mãe. Ela olhou para ele e o Jensen estava com cara de dor e neste momento estava a rever memorias da Jéssica, quando via o pai a chorar, olhando para a fotografia da mãe dela, sentiu a dor que ela sentia ao ver o pai assim, sentiu a pena da Jéssica todos estes anos, por não conhecer a mãe, era doloroso, mas ele estava a saber o que lhe tinha acontecido estes anos, o motivo para que ela era tão amarga e porque nunca se tinha apegado a ninguém. Ele voltou a si e reparou que ela se tinha afastado e que estava aterrorizada com a dor que lhe estava a causar, viu que ela tinha o rosto ainda molhado das lágrimas, que ainda escorriam da sua cara. Ela meteu as mãos á cabeça e voltou-se de costas, virando-se para a mãe.
"Saia daqui!" disse ela, exaltando-se. "JÁ! NÃO TEM O DIREITO DE ME FAZER ISTO!" disse ela, gritando de raiva. Ele chega perto dela e agarra-lhe o pulso, puxando-a para o seu peito, envolvendo-a nos seus braços, um na cabeça e um na cintura, fazendo, ela, arregalar os olhos, deveras surpreendida pelo gesto dele.
"Você ouviu-a, retire-se por favor... não vê que está a fazer-lhe mal? Estou farto de a ver neste estado." Disse ele, deixando as duas muito surpreendidas. A mãe dela não se mexeu. "Não volto a pedir... Saia." Disse ele, serio, sem soltar a Jéssica, enquanto ela se acalmava nos seus braços.
"Ok, se quiserem que te ajude, o Diego, tem o meu numero. Fiquem bem." Disse ela, andando em direcção á saida da casa.
"Quem é que ela pensa que é?! Acha que pode ser minha mãe agora?!" disse ela, revoltada, nos braços dele.
"Já passou, agora somos só nós, podes estar á vontade..." disse ele, abraçando-a com mais força, que a faz chorar mais, durante vários minutos, agarrando na camisola dele, serrando o punho nela e puxando-o para ela, ele arregalou os olhos, em choque por ela querer estar assim tão perto dele, baixou a cabeça, encostando-a á cabeça dela e sorriu, corando, dando-se conta, finalmente que gostava dela, desse por onde desse, e que não poderia fazer nada que fosse mudar isso, admitindo para ele mesmo que ela era a coisa mais importante para ele e que não podia deixar que nada acontecesse. Quando ela finalmente se acalmou ele tentou afastá-la mas ela não deixou, serrou mais o punho na sua camisola, puxando-o de novo para ela. Ele ficou surpreso mais uma vez e corou, tentando conter-se para não a beijar ali naquele momento, era doloroso, mas tinha que se aguentar até que ela o visse de outra maneira. Ela trás o seu lado meigo, que ele nunca mostrara a ninguém, também o faz baixar a barreira que o separa de se importar com alguma coisa e sorriu mais uma vez, ao pensar nisso.
"Não te afastas, não agora..." disse ela, tímida e envergonhada, não acreditando que tinha baixado a sua barreira desta forma.
"Porquê?" perguntou ele, confuso, notando-a tensa.
"Porque não quero que me vejas desta maneira." Disse ela, envergonhada. Ele sorriu e deixou-a estar quanto tempo quisesse assim. Sorrindo por gostar de a sentir perto, sentir o calor do seu corpo no dele e o seu perfume, contente por finalmente ela deixar de lado toda a sua rebeldia e teimosia. Ela afastou-se lentamente e limpou a cara, ainda com os olhos vermelhos. "Obrigada..."
"Não tens que agradecer, pequena." Disse ele, dando-lhe uma festa na cara, ternurento. Aquele gesto e o sorriso que ele tinha foi o suficiente para o seu coração acelerar e o seu rosto ficar vermelho. "Estás melhor?"
"Sim, mas não os quero encarar ainda... vamos-nos sentar aqui..." disse ela, sentando-se na relva. Ele sentou-se ao seu lado, observando o seu cansaço, afinal ela não tinha dormido a noite toda. "Podes encostar-te a mim, se quiseres dormir um pouco." Disse ele, sorrindo serenamente.
"Não, está tudo bem...." Disse ela, corada só de pensar na hipótese.
"Não sejas teimosa. Disse ele, puxando-a para ele, encostando o corpo dela ao seu. Ela não reclamou, só sorriu, sem forças e encostou a cabeça ao ombro dele, que estava de braço cruzado atrás das suas costas, apoiado na relva. Ele esbugalhou os olhos de espanto, mas acabou por sorrir, gostando do acto dela, deixando-a ficar assim por horas a fio, até que estava a escurecer. Acordou-a de forma terna e ajudou-a a levantar-se. "Vamos para dentro." Disse ele sorrindo e ela seguiu. Lá dentro ninguém disse uma palavra e o Jensen puxou-a pelo pulso, para que ela o seguisse, não esperando até que alguém dissesse alguma coisa.
"Vamos jantar fora." Disse ele, piscando o olho a ela e deixando-a sair pela porta primeiro.
"Ele vai-nos dar problemas. Não vai deixar o ritual acontecer." Disse o Diego, tentando que o Jensen não ouvisse, mas ele chegou a ouvir e ficou tenso. Realmente teria que os enfrentar a todos, já que não iria deixar que a Jéssica participasse no ritual, mesmo que isso significasse ficar ligado ao Daryl o resto da sua vida eterna. Não iria deixar que ela fizesse algo tão perigoso e a vida dela ficasse em perigo, nem por ele, nem pelos irmãos...
"O que se passa?" perguntou a Jéssica, sentindo que ele estava nervoso. Ele sorriu, preocupado mas tentando disfarçar.
"Não é nada... vamos?" perguntou ele, sorrindo mais despreocupadamente.
"Sim." Disse ela, com um pequeno sorriso, aliviada por não ter que falar com os outros da família.
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