Desejo Duplo
12 Uma Revelação
Notas iniciais

Acordei em uma vila que estava em chamas, o lugar me era familiar. Avistei uma mulher de cabelos castanhos, ela estava muito ferida e falava com uma menininha, de mais ou menos 5 anos, que estava embaixo de um capuz, as duas estavam escondidas atrás de uma árvore.
– Não se preocupe querida. Vai dar tudo certo!
– M-Mamãe, estou com medo!- A criança disse abraçando a mulher.
– Não precisa ter medo!- Ela retribuiu o abraço. – Eu sempre estarei com você. – Alguém avistou as duas e começou a se aproximar. – Vá embora, AGORA! – Ela empurrou a criança que começou a correr. Um garoto da mesma idade, que também estava encapuzado, apareceu e deu a mão à garotinha e continuaram a correr juntos para dentro da floresta. – ARGH! – A mulher gritou, ela estava com a barriga perfurada. A Garotinha se virou e viu aquela situação, soltou um grito de pavor, ódio e tristeza. – N-Não... S-Se preocupe... V-Você vai ficar bem!
– MAMÃE!
– Eu te amo... Lin!
Não pode ser... Aquela era a verdade. Eu não me lembrava de como minha mãe tinha morrido, nem se quer lembrava como ela era, mas agora... Eu lembrei. Lágrimas brotaram dos meus olhos, aquilo fez com que meu coração doesse muito.
A imagem escureceu, mas pude ver o rosto de quem havia matado minha mãe. A Cazeaje. Mas o rosto do menino que estava comigo ainda era um mistério.
Acordei no salão de um castelo, que parecia ser em Elyos. Estava com uma camisola e ditada num sofá enorme. Quando olhei para o lado e vi Dio.
– Olha só quem despertou. PESSOAL! A LIN ACABOU DE ACORDAR!
Todos vieram e começaram a perguntar se eu estava bem coisa e tal, mas eu não respondi a ninguém.
– Querida? O que ouve? – Rey perguntou. Fechei minhas mãos e comecei a chorar.
– EU VOU MATÁ-LA! VOU MATAR A CAZEAJE NEM QUE SEJA A ÚLTIMA COISA QUE EU FASSA! – Rey me abraçou. Eu fiquei chorando por um bom tempo. Ninguém conversou enquanto eu chorava, quando eu parei Edel perguntou.
– Lin. Quer nos contar o que aconteceu? – Me ajeitei no sofá e contei toda a história.
– Então quer dizer que Cazeaje matou sua mãe? – Azin questionou.
– Sim...
– Então agora você quer vingança?
– Isso mesmo...
– Isso é loucura. – Dio interferiu. – Se acha que pode derrota-lá está enganada. – Levantei com raiva e fui até ele.
– EU VOU CONSEGUIR! TREINAREI O BASTANTE ATÉ QUE TENHA PODER SUFICIENTE PARA DERROTÁ-LA! E NINGUÉM VAI ME IMPEDIR DE FAZER ISSO! – Dio se encolheu na cadeira em que estava sentado. Senti a mão de Lupus (que ainda nem tinha falado nada) nos meus ombros. Me sentei. – Me desculpe...
– Acho melhor deixarmos você descansar um pouco. – Edel disse saindo da sala. Os outros foram atrás, menos Lupus, que ficou sentado olhando para a parede.
– O que foi agora? – Perguntei.
– Tem coisa nessa história.
– Como assim?
– Não pense que eu acredite em tudo que você contou agora. – Ele me encarou finalmente, mas estava sério. – Tinha mais alguém envolvido.
– C-claro que não! – Virei a cabeça para que ele não visse que eu estava mentindo.
– Era um menino não é? – Olhei pra ele bem rapidamente.
– Como é que você...
– Não vou te contar. – Ele sorriu virando a cabeça.
– BAKA!
– Olha só quem fala... A albina anta.
– COMO É? – Levantei — AGORA VOLTOU A SER GROSSO?
– Admita... Você sempre gostou desse meu jeito.
– COMO É? AGORA VOCÊ JÁ ESTÁ DELIRANDO. SEU TOSCO!
– Tosco? HAHAHAHAHA! Isso é tudo que você tem? – Ele também levantou e veio para a minha frente.
– CLARO QUE NÃO! VOCÊ VAI VER O QUE EU TENHO! – Levantei meu braço, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, Edel entrou na sala.
– E-Está tudo bem com vocês? – Ela perguntou assustada. Eu e Lupus nos viramos para ela e eu coloquei um sorriso no rosto.
– CLARO! POR QUE NÃO ESTARÍAMOS? – Edel estranhou.
– Então tá... – E saiu da sala.
Respirei fundo e me acalmei.
– Então... Onde estamos? – Perguntei a Lupus.
– Você é bipolar, hein... (tosse) Estamos na casa da Rey.
– NA CASA DA REY?
– Isso mesmo! Que bom que você consegue entender alguma coisa.
– ORA SEU! – Fui bater nele, mas me aguentei. – Nunca pensei que viria a conhecer a casa de alguém... Principalmente quando esse alguém mora em outra dimensão! – Lupus estranhou.
– Você nunca visitou a casa de um amigo? – Ele ficou me olhando. Abaixei a cabeça.
– Pode-se dizer que eu nunca tive muitos amigos.
– É por isso que você chorou tanto pela “morte” do pessoal da academia.
– Pois é... – Lupus ficou novamente sério. Parece que ele queria me falar algo, mas desistiu e foi embora, me deixando sozinha.
Fiquei lá mais um tempinho até ouvir um grito. O segui até um quarto e vi Rey conversando com um homem.
– SEU IMBECIL! EU NÃO TE PAGO PARA FAZER COISAS DESSE TIPO!
– Perdão milady. – Me aproximei para ver o que estava acontecendo.
– ACHO QUE VOU TE DESPEDIR E... – Ela me viu. – LIN! O que está fazendo aqui?
– Eu ouvi um grito e vim ver o que estava havendo.
– Não se preocupe querida! Não é nada! Só estava falando com meu mordomo sobre alguns probleminhas.
– Ah... Então tá...
– Por que você não vai se encontrar com os outros? Estão na sala de jantar.
– OK! Já estou indo. – Quando saí, Rey continuou gritando.
Andei por vários lugares da casa, mas não consegui achar a sala de estar. Acabei me perdendo e quanto mais eu andava, mais eu ficava desesperada. Cheguei num corredor escuro, não tinha portas. Resolvi voltar, mas quando me virei, uma mulher tinha surgido. Tive um ataque cardíaco e caí. Ela se aproximava lentamente. Quando chegou mais perto percebi que ela era um fantasma.
– Lin...
– C-Como você sabe meu nome?
– Eu sei tudo sobre você...
– Quem é você?
– Eu me chamo Ernasis...
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