Desejo Duplo
13 A Partida
Notas iniciais

– ERNASIS? Uma das deusas da profecia?
– Isso mesmo.
– O-o que você quer comigo?
– Quero te ajudar. – Ela sorriu.
– Por quê? – Eu me levantei.
– Você é a reencarnação de Agnécia, então é praticamente minha irmã! – Ela disse de uma maneira fofa. Eu sorri aliviada. – E também por que se não te ajudar o mundo vai acabar. – Meu sorriso se esvaiu.
– Todos nós vamos morrer? – Ela moveu a cabeça afirmativamente. – ...
– A profecia pode ser boa ou ruim.
– Como assim?
– A profecia diz que você salvará o mundo, ou...
– OU O QUÊ?
– O mal que está dentro de você se libertará e as sombras cobrirão o mundo, fazendo com que todos tenham suas almas sugadas pela escuridão.
Eu congelei, todos dependem de mim para viver. É MUITA PRESSÃO!
– M-Mas... Isso não vai acontecer, não é?
– Digamos que isso só acontecerá se...
– SE?
– Ocorrerá um eclipse solar no último dia do ano. Você terá que estar na montanha de Berkas e, uma abertura rochosa. Se quando o eclipse estiver completo você estiver nesse lugar, se transformará em demônio e sua alma será destruída, trazendo assim, o fim do mundo.
– Ah... Que tenso... É só eu não sair de casa nesse dia!
– Não é tão simples assim.
– Qual é o problema então?
– Tem alguém que está atrás de você para que isso aconteça.
– CAZEAJE!
– Exato.
– Eu não vou conseguir me proteger dela para sempre! Eu já me encontrei com ela duas vezes e ela está cada vez mais forte! Eu não conseguirei me proteger dela para sempre!
– Por isso que eu estou aqui!
– Você vai lutar contra ela? Mais você é um fantasma!
– Não... Seus amigos irão!
– Eles já lutaram com a Cazeaje e não ficaram de pé nem um segundo!
– Não esses. Os outros! A Holy, Mari, Sieghart, Ronan,etc. Com vocês todos unidos, conseguirão derrotar Cazeaje.
– Mas eu não sei onde eles estão
– Eu te guiarei! Se você estiver com eles não haverá perigo.
– Muito obrigada Ernasis!
– Não há de que Lin.– Ela virou a cabeça rapidamente. – Vem vindo alguém! – E desapareceu.
Alguém se aproximou, era Azin.
– LIN! Até que enfim te encontrei!
– Hum. – Virei meu rosto. Eu não havia falado direito com ele desde que lutamos contra Cazeaje e ele disse para eu abandonar meus amigos, que estavam morrendo, para fugir com ele.
Ele me levou para a sala de jantar onde todos me esperavam. Comemos e eu contei tudo o que tinha acontecido quando eu estava perdida pela casa.
– NOSSA! ENTÃO NÓS TEMOS QUE IR ATRÁS DE TODO MUNDO LOGO! PARTIREMOS AMANHÃ! – Rey disse isso gritando. – VAMOS ARRUMAR NOSSAS COISAS AGORA!
Todos se levantaram e foram para os quartos. No dia seguinte partiríamos.
Acordei bem cedo. Tomei um susto quando vi Ernasis no meu quarto. Ela estava sentada em uma poltrona e quando viu que eu acordei, ela se levantou e veio até mim.
– Está pronta?
– É claro! Para onde nós iremos?
– Você decide.
– Bom... – O rosto da Holy veio em minha mente. – Eu queria ir atrás da Holy primeiro...
– Então teremos que ir para o Reino da Luz! Tem um portal que leva para lá aqui perto.
– Ótimo! Vou contar para os outros. – Comecei a descer as escadas. – Você não vem? – Ela moveu a cabeça afirmando.
Chegamos na sala de estar, onde todos estavam me esperando.
– Está atrasada, bela adormecida! – Lupus me provocou.
– Bla bla bla! Vocês que estão adiantados.
– Eu não acho que... – Ele congelou. Mas não era só ele, todos estavam em choque. Olhei para trás e entendi. Todos tinham tomado um susto com a Ernasis.
– Não se preocupem! É só a Ernasis!
– Viu Rey! Eu te falei que existiam fantasmas na sua casa! – Dio disse sarcástico.
– Hahaha! Engraçadinho!
– Então, vamos? – Perguntei e todos afirmaram. – Ernasis! Guie-nos, por favor!
– Com prazer!
Saímos da casa da Rey e a seguimos. Ela nos levou até uma caverna. Dentro dela havia uma ponte de pedra que ligava onde estávamos até o portal. Abaixo dela existia um precipício.
– I-isso é seguro? — Perguntei tremendo.
– Mais ou menos... – Engoli em seco. – Vocês têm que correr para conseguir passar.
– Mais como ass...
– PREPAREM-SE! TODOS CORRAM AO MEU SINAL! – Nos posicionamos. Eu estava tremendo, até que Lupus segurou minha mão e eu me acalmei. – PREPARAR... CORRAM!
Começamos a correr, mas quando pisamos na ponte ela começou a desabar. Todos nós aumentamos a velocidade. Quando cheguei ao final da ponte, me joguei e caí em uma área segura. Todos conseguiram passar, menos Rey. Ela não foi tão rápida e acabou caindo.
– REY!! – Gritei desesperada e fui para a borda do precipício. Ela havia sumido. – Não... – Edel colocou a mão em meu ombro. Já ia começar a chorar quando...
– PARE JÁ COM ISSO REY! NÃO VÊ QUE ESTÁ TRAUMATIZANDO A GAROTA? – Dio gritou. Me virei para ele sem entender nada.
– AFF! Você é muito estraga prazeres Dio! – Rey apareceu flutuando. Quase dei uma voadora nela.
– AAAA!! EU ACHAVA QUE VOCÊ HAVIA MORRIDO SUA BAKA! – Ela começou a rir.
– Foi uma brincadeirinha querida!
– De muito mau gosto...
– Vamos esquecer isso tudo e continuar?
– Acho que não temos escolha... Mas eu ainda vou te dar uma porrada, guria!
– Hahaha! Duvido!
Passamos pelo portal. Paramos em uma floresta. Na frente dela existia uma muralha.
– É aqui? – Perguntei.
– Sim. O Reino da Luz.
– Bom... Então vamos entrar e... – Edel pegou no meu braço.
– Acho melhor descansarmos, já está tarde e temos que descansar. – Todos concordaram.
Começamos a fazer uma fogueira. Todos estavam ajudando, menos Azin. Ele havia entrado no mato há um bom tempo e ainda não tinha voltado. Não liguei. Ele já é bem grandinho e sabe se cuidar. E além do mais, eu estava de mal com ele.
Já estava bem tarde quando todos nós fomos dormir. Azin ainda não havia voltado e todos estavam meio preocupados. O que teria acontecido com ele? Adormeci penando nisso.
Alguém me acordou. Ainda estava noite. Azin estava sorrindo para mim.
– O que você tá fazendo Azin? Deixe-me dormir! – Disse sussurrando para não acordar os outros.
– Quero te mostrar uma coisa. – Ele segurou minha mão. Ele ia me levantar, mas eu não deixei.
– É dentro do mato? – Perguntei de um jeito grosseiro.
– Bom... – Ele pôs a mão na nuca. – É...
– Então nem pensar! A última vez que você quis me mostrar algo no mato, meu lado demônio acordou e toda essa porcaria começou! – Ele abaixou a cabeça, mas depois sorriu novamente.
– Eu terei mais cuidado!
– E além do mais estou de mal com você!
– É verdade... Mas mesmo assim! – Ele se ajoelhou e me implorou.
– Aff... Tá bom...
Deixei que ele me levasse, novamente, para dentro do mato. Estava com um pressentimento, não ruim, mas sim, bom. Fomos entrando cada vez mais até que comecei a ver algumas luzes. Nós paramos na frente de galhos, não conseguia ver o que tinha no outro lado.
– Pronta?
– Vai logo... — Ele afastou os galhos. – Meu deus!
Eu estava em uma clareira, tinha um lago completamente transparente que brilhava com a luz da lua. As luzes que eu havia visto eram de vários vagalumes que estavam voando na região. E em volta havia vários pessegueiros em volta, suas pétalas caíam no lago e faziam com que a paisagem ficasse ainda mais bonita.
– Então, o que acha?
– É maravilhoso! Nunca tinha visto algo assim! – Ele ficou feliz. Puxou-me para que eu sentasse ao lado dele.
– Lin... Me perdoe. Eu estava nervoso e não raciocinei direito. Quando lutamos contra a Cazeaje. Eu só queria que você ficasse bem e acabei não pensando nos outros.
– Não tem problema Azin. Nesse tipo de situação não conseguimos pensar direito.
– Então você me perdoa?
– Quase.
– Quase? –Ele ficou confuso.
– É! Só vou te perdoar se me deixar fazer uma coisa...
– Que coisa? – Ele me perguntou, logo depois sorri de um jeito malvado. – Lin? O que você... AAHH!!! – Empurrei ele que caiu na água. Comecei a rir muito. Ele estava completamente encharcado.
– HAHAHAHAHA!! Pronto! Tá perdoado!
– HAHA! Engraçadinha. – Ele me puxou e eu caí também. – Estamos quites agora?
– Não! Ainda não! – Comecei a jogar água nele, ele revidou e começamos uma guerra de água. Usei meus ventos para fazer uma onda gigante que Azin não pode desviar. A onda o fez desaparecer. – Azin? Azin, cadê você? – Procurei, mas não encontrei nenhum sinal dele. – Azin! SE ISSO FOR UMA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO EU... AAAHH! – Ele surgiu atrás de mim e me abraçou.
– Surpresa! Só uma dica, nunca fique de costas para o seu inimigo!
– OK! Eu vou me lembrar. – Começamos a rir e eu me virei para poder vê-lo direito.
Ficamos frente, nossos olhares se encontraram, paramos de rir e ficamos nos olhando. Eu nunca tinha notado como os olhos dele eram bonitos. Eles me hipnotizaram. Sem que eu percebesse, fui me aproximando dele . Logo nossos corpos estavam unidos e os nossos corações pareciam bater ao mesmo tempo.
– Lin...
– Sim?
– Eu...
– Sim?
Foi quando senti a mão dele na minha nuca.
Ele foi se aproximando.
Senti a sua respiração.
Ele se aproximava cada vez mais.
Até que então...
Ele me beijou.
Fale com o autor