Desejo Duplo
8 Alienação
Notas iniciais

Continuei tendo alucinações. Elas pioravam cada vez, todas relacionadas ao que aconteceu quando sai com Azin. Não conseguia mais dormir, estava com medo e ficando doente. MUITO doente. Chegou uma hora em que eu não podia mais levantar da cama. Os meninos começaram a revezar para cuidar de mim, Azin ficava de dia e Lupus a noite. Cada um tinha o seu jeito, Azin sempre fazia algo (lia um livro pro exemplo) e conversava sempre comigo, mas não era nunca um assunto muito sério ou interessante. Mas o Lupus... Era completamente diferente, ele ficava sempre quieto (só perguntava se eu estava bem) e nunca fazia nada, ficava só me olhando e segurava minha mão quando eu sentia alguma dor por, menor que ela fosse. Era estranho... Pois eu sempre melhorava.
Lin? Está melhor? – Lupus me perguntou.
S-sim. Muito melhor obrigada. – Eu estava exausta, tive dificuldades para responder.
Eu vou tomar um banho, se precisar de algo grite, ok? – Ele segurou meu pulso.
O-ok, não precisa se preocupar. – Eu sorri levemente, ele retribuiu e saiu do quarto.
Ouvi o barulho do chuveiro ligando e da água escorrendo, o barulho da água sempre me tranquilizava...
... Até aquele momento...
Uma dor tremenda brotou em meu peito, semelhante a que eu tinha sentido quando meu outro lado tentava me “possuir”. Meu coração parecia estar se dilacerando, mas eu não conseguia gritar, e muito menos me mover. Tudo logo se tornou preto, uma estranha energia tomou meu corpo e começou a controlá-lo.
Lupus PVO’s on
Estava no banho, mas estava preocupado e com um mal pressentimento.
– Acho que não deviria ter deixado ela sozinha... – Desliguei a água e peguei a toalha.
Senti um cheiro estranho, de queimado, vi uma luz estranha vindo da porta e fui ver o que era.
Eu não deveria tê-la deixado.
FOGO! A cabana estava em chamas! Corri até o quarto da Lin. Ela havia sumido... Pus uma roupa e fui acordar Azin e Edel, mas as porta dos seus quartos não abriam, rastejei por baixo da fumaça em direção a saída. Me joguei no chão, estava exausto. Todos estavam mortos por minha causa.
Foi quando vi algo no céu, tinha grandes asas negras e garras. Ele estava pairando sobre a cabana e destruindo tudo. Peguei minhas pistolas e comecei a atirar nele. Ele desviou de todas e veio em minha direção, agarrando o meu pescoço e me prendendo ao chão.
Era a Lin
Ela possuía tatuagens negras que iam dos braços até os ombros, e a pele delas estava mais acinzentada.
– L-Lin? – Respondi surpreso.
– Olha o que temos aqui! Lupus não é? Lin gritou muito o seu nome antes de eu aparecer. Bom... pelo menos tentou! – Ela gargalhou.
– Quem é você?
– Sou o outro lado dela. Mas eu já falei demais. Vamos acabar logo com isso!
Ela apontou as garras na direção do meu rosto, quando foi me perfurar segurei seu pulso e a joguei pra longe, levantei com dificuldade e juntei minhas pistolas que estavam no chão.
– Até que você não luta mal! Mas o que é isso...? – Ela olhou para minhas pistolas e se assustou. – Scarlet!
– Você conhece? Haha! Então você sabe o que essas belezinhas podem fazer com você. – Apontei as Scarlet pra ela.
– Se você pensa que vai me mandar para o inferno, está muito enganado! Tempestuosa!
Ventos negros vieram na minha direção, porém consegui desviar.
– É só isso que você tem? – Zombei e ela se enfureceu.
– VOCÊ QUER MEU MÁXIMO? ENTÃO VOCÊ VAI TER! OLHO DA TEMPESTADE! – Dessa vez o golpe acertou em cheio, me fez voar para longe e bati a cabeça em uma pedra. – Que peninha não é? Acho que você não conseguiu desviar desta vez...
– I-idiota...
– (gargalhada) Estou muito, “ofendida”!
– (pensamento) Eu não quero machucá-la, ela continua sendo a Lin, mas não tenho escolha. – Levantei e gritei com o resto da energia que me restava – Tormenta de tiros! – Uma fenda no espaço se abriu e lançou várias bala em sua direção.
– Mas o que... ARGH! – Ela caiu no chão, super machucada, as asas dela tinham perdido várias penas.
– Por que está fazendo isso? – Perguntei me aproximando dela.
– Você sabe o porquê... – Ela deu um sorriso macabro.
– Não pode ser...
– Isso mesmo! Você conhece “A profecia”.
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