Notas iniciais
Hey amores! O capítulo foi, milagrosamente, feito sem tanto sacrifício. Estar reescrevendo DOP, e redescobrindo essa fic tem sido muito satisfatório para mim, e espero que para vocês também! Dedicado a Liudi, Maeve e Miih. Amo vocês.

Duas semanas passam extremamente rápido quando se é imortal.

Atena percebeu que os deuses tinham uma noção de tempo mais ampla, o que fazia com que prestassem menos atenção a curtos períodos de tempo, mas ela não. Estava ciente de cada minuto de seu dia, tão atarefada para uma deusa recém-nascida, e tão feliz. No fundo ela invejava alguns dos irmãos, como queria ser como Apolo e sair pelos céus, ou como Perséfone e percorrer campos floridos.

No entanto, também gostava do que fazia, a biblioteca se tornou seu refúgio, e sua presença constante ali deve ter despertado a curiosidade do deuses, pois eles passaram a surgir e passar mais tempo naquele lugar antes esquecido. Zeus gostara do desempenho da filha, e por vezes passava tardes ali, conversando Atena, testando seus conhecimentos e lhe pedindo conselhos. Ela sabia que estava sendo avaliada pelos deuses ao seu redor, mas não se deixava intimidar, gostava que eles criassem expectativas, então ultrapassava todas elas sem qualquer dificuldade.

Depois da criação do livro, o qual gerou certo receio de alguns, Atena criou e aperfeiçoou o tear. Com ele criava tapeçarias tão belas que pareciam mostrar cenários reais, enquanto Zeus lhe contava sobre a guerra contra os titãs, a deusa ilustrou aquilo, e agora tinha diante de seus olhos um fragmento da história que não pudera viver. Manter-se ocupada era bom, evitava que sua mente vagasse para coisas que não devia como o deus dos mares, Poseidon.

De alguma forma ele era visto como uma criatura fantástica no Olimpo, as deidades, ninfas, sátiros, todos tinham algo a contar sobre o deus, e eram tantas histórias! Zeus podia ter os mais escandalosos casos, mas os deuses pareciam muito mais interessados na vida do senhor dos terremotos, o que Atena achava absurdo, deuses tinham direito a privacidade também!

Ao fim de duas semanas Afrodite surgiu com a grande novidade, haveria uma festa no Olimpo para comemorar o nascimento de Atena. Por mais que a deusa da sabedoria tenha tentado, a mais bela de todas não lhe dava ouvidos, e não ouvia seus comentários de como aquilo era desnecessário, ela já recebera boas-vindas suficientes.

― Ah linda, você não entende! Ninguém se sente de fato vivo antes de ir a uma festa no Olimpo, e torna-se ainda melhor quando o motivo dessa festa é você!

Atena não tinha certeza se estava confortável em ser o motivo a festa, mas sabia que tenta ir contra Afrodite era uma batalha perdida, convincente como só ela, conseguia em duas palavras o que Zeus tentava conquistar com um discurso. Dali em diante vieram os preparativos para a festa, e junto a deusa do amor, convidou cada criatura viva, e não viva também existente.

Naquela noite, quando pisou no pátio central e viu aquela multidão, Atena quase correu para se refugiar em sua biblioteca, mas não poderia. Afrodite a arrastaria de volta, e sabia que já havia testado a paciência da deusa em não concordar usar o vestido que ela lhe escolhera. Era curto demais, deixando boa porção das pernas dela expostas, e justo demais, delineando seu corpo de forma quase indecente. Ela preferia o vestido que usava agora, mais composto, amarrado atrás do pescoço, descia suavemente por seu corpo, apenas insinuando suas curvas. A cor era “branco-pérola”, segundo Afrodite, e deixava a deusa quase reluzente em beleza.

Ela seguiu entre as pessoas, cumprimentando educadamente, e reprimindo a vontade de se enfiar em seu quarto no palácio de Zeus. Ela era uma criaturinha naturalmente reclusa, o que poderia fazer? Encontrou Ártemis, e a irmã gesticulou para que se juntasse a ela. Atena gostava dela, a deusa da lua era gentil... de uma maneira um tanto truculenta, mas aquela era sua forma de demonstrar afeição. Junto a ela estava Ares, e a deusa da sabedoria não sabia o que pensar dele, uma vez que o deus da guerra, em um momento a tratava de forma quase gentil, em outro como se ela fosse sua pior inimiga.

― Atena, graças ao nosso pai você está aqui, me ajude ante que eu dispare uma flecha nesse javali.

― Te ajudar? Ela me dará razão! ― o mais alto retrucou, e sua voz provocava a disparada de sátiros, criaturinhas covardes em alguns momentos, mas sábias.

― Qual é o problema? ― a deusa da sabedoria entrou no modo conciliadora, o que, talvez, viesse a ser uma de suas maiores características.

― Ares diz que o que faço na caçada é ilegal! ― Ártemis foi a primeira a falar.

― Eu disse que deveria ser ilegal, porque isso é totalmente errado! ― ele corrigiu, e Atena suspirou enquanto a deusa da lua parecia prestes a pular no pescoço dele.

― O que é errado, Ares?

― Ela reúne garotas pra essa causa, garotas que mal tem idade para pensar por si mesmas, e faz com que corram de um lado para o outro com ela pela floresta atirando flechas prateadas por aí!

― É claro que elas tem idade para pensar, tanto que tomam essa decisão por livre e espontânea vontade! ― Ártemis falou, mas Ares dispensou as palavras dela com um gesticular.

― Você as leva para a floresta e as torna selvagens! Não que eu não aprove uma boa selvageria, mas você prega o ódio aos homens!

― Eu prego a verdade, mulheres não precisam os homens para viver, minhas caçadoras são a prova disso! Diferente de você se só ensina bobagens a seus guerreiros, aqueles filhotes de javali!

― Filhote de javali não é um insulto!

― Quando o javali é você, é sim!

E eles continuaram naquela discussão, Atena os observava, sem qualquer chance de falar, e com isso desistiu. De braços cruzados, a deusa permanecia entre os dois, mas sem ouvir a série de insultos que Ares soltou e que deixariam Héstia escandalizada. Seu olhar perdia-se nas pessoas que se divertiam, dançavam, bebiam. Ninfas corriam enquanto sátiros as perseguiam, então eles davam de cara numa árvore, e voltavam a festa para recomeçar. Zeus, como bom anfitrião que era, conversava com alguns deuses, mas seu olhar estava focado em Hera, que continuava a ignora-lo e fazia ameaças a cada vez que o senhor dos céus se aproximava demais. Atena pensava quando eles dois iriam se entender. Então notou alguém parando diante dela.

― Poseidon? ― não pode evitar a confusão em sua voz, e isso fez os dois brigões pararem por alguns instantes.

― Atena. ― A forma como ele pronunciava seu nome era estranhamente satisfatória, mas Atena não se ligou nisso, apenas na forma como o deus parecia estranhamente nervoso. ― Quer dançar?

Por alguns instantes ela permaneceu em silêncio, buscando compreender o que ele lhe dissera, e se deveria aceitar. Ao longo daquelas semanas tinha ouvido tantas histórias sobre ele, sabia que, se aceitasse, os falatórios sobre os dois começariam de forma instantânea. Porém, sabia também, que devia fazer seu próprio julgamento sobre o deus e que podia muito bem lidar com a língua do povo a seu redor, afinal, que mal teria lhe conceder uma dança?

― Eu adoraria. ― segurando a mão dele, deixou que o deus a guiasse em meio as pessoas, e quase podia o ofegar de Ártemis, mas não olhou para trás, apenas encarou o deus dos mares, dando um pequenino sorriso. ― Obrigada por isso.

― Por quê? ― ele parecia verdadeiramente confuso, e enquanto arqueava a sobrancelha, puxava a deusa para mais junto de si.

― Por me tirar dali, eles me tornaram mediadora da discussão, mas não me deixavam sequer falar. ― explicou, verdadeiramente ofendida, mas Poseidon riu baixinho, e a deusa franziu o cenho.

― Você me ajuda, eu te ajudo. ― enquanto começavam a se mover, Atena sentiu seu corpo seguir o dele com suavidade, tinha dançado com Apolo algumas vezes, já que o deus-sol arrumara confusão com suas musas e precisava de uma parceira para ensaiar seu novo estilo de dança. ― Não se pode mediar nada entre aqueles dois, era uma batalha perdida.

― Eu não costumo desistir. ― ela avisou, e acreditou que o tom em sua voz deixaria claro para ele: Não fujo de nada, nem de ninguém. Conseguiria mediar aquela discussão, se eles a deixassem falar!

― Nem eu, Atena. ― o olhar dele encontrou a tempestade dos olhos dela por alguns instantes antes que se desviassem. ― Nem eu.

Pensou que ele diria mais alguma coisa, na verdade estava esperando algo, uma insinuação, uma piadinha barata, qualquer coisa que pudesse fazer com que ela não admirasse aquele deus. Queria que Poseidon se mostrasse tão ruim quanto as histórias que Zeus lhe contara, mas ele não fez nada, apenas dançou com ela, e de alguma forma ele era melhor naquilo do que Apolo com seus passos mirabolantes.

― Você é sempre silenciosa assim? ― a indagação arrancou a deusa de seus devaneios, e Atena tornou a encarar o deus.

― Perdão?

― Eu esperava que fosse mais tagarela, você parecia gostar de falar quando te vi lá no depósito.

― Biblioteca. ― corrigiu suavemente, e ele assentiu em concordância, mais fácil de convencer do que os outros deuses. ― E eu gosto de falar, apenas não sei o que dizer.

― Bom, me fale sobre você. Tenho ouvido muitas histórias sobre a fantástica deusa da sabedoria?

― Verdade? Também ouvi muitas coisas sobre você, nem todas boas.

― O que posso fazer? As pessoas acreditam no que querem.

E voltaram da dançar em silêncio, apesar do pátio lotado de pessoas, eles conseguiam dançar sem dificuldade, e sem ser atropelados por sátiros também. Por vezes, para desvia-la de uma colisão, Poseidon a puxava para seu corpo, e por muitos momentos, Atena se viu aninhada ao deus dos mares.

Ela via que, por algum motivo, eles estavam chamando atenção. Deuses olhavam com curiosidade o casal que dançava com óbvia intimidade, se Poseidon notou isso, não disse nada, apenas encarou Zeus por um longo instante, quando este veio a interromper.

― Agora que teve sua vez, irmão. Gostaria de desfrutar de alguns momentos com minha bela filha.

Poseidon a encarou, como se perguntasse se era aquilo que ela queria, Atena apenas assentiu em silêncio e quando ele a soltou, franziu o cenho para a sensação de falta que a tomou. Não era algo que tivesse provado antes, em duas semanas de vida, descobrindo tantas sensações, aquela foi a que mais lhe surpreendeu.

Ele a soltou com cuidado, e só então a deusa se deu conta de o quão próximos estavam, com uma última reverência a ela, o deus dos mares se afastou e desapareceu em meio a multidão. Zeus a tomou nos braços, e diferente do irmão, a forma com que guiava a deusa não era suave e natural, ele impunha sua liderança, rígido demais para um momento como aquele.

― Vocês pareciam estar em um momento agradável. ― o comentário dele foi propositalmente suave, mas Atena era esperta demais para não perceber a insinuação nas entrelinhas.

― Sim, Poseidon não parece tão ruim quanto dizem. ― deu de ombros, um gesto tão suave que não denunciava a súbita vontade de defender o senhor dos mares, mesmo sem ter o por quê.

― Não se deixe enganar, querida. Não há nada de bom em meu irmão. E ele decididamente não é uma boa companhia para você.

Atena poderia retrucar, mas decidiu não fazê-lo, deixou que Zeus acreditasse que poderia convencê-la e continuou a dançar. Até o final daquela noite, quando ela tinha cumprimentado cada criatura viva e não viva daquela festa, pode sentir um par de olhos verdes, cujo o olhar a perseguia por onde fosse. E nas vezes em que se voltou na direção daquele olhar, foi recebida por um sorriso pequeno e cheio de mistérios do deus do mar.

Notas finais
Ai, eu já disse como amo escrever essa fic? E essa semana cheia de atualizações, aposto que não contaram com a minha disposição para escrever! O próximo capítulo sairá na quinta que vem, então fiquem ligados. Ps: Queridos fantasminhas, eu fiz um curso no instituto submundano com o professor Hades Xavier para me comunicar com espíritos. Então, se vocês estão entre nós, se pronunciem nos comentários! Beijos, Ckyll.