Notas iniciais
Hey amores Como estão? Semana divertida? Aproveitando minha súbita disposição, que talvez seja resultado de exercícios, cá estou bem agasalhada postando essa fic. A dedicatória de hoje vai para Caio e Carol, pessoas sem as quais eu, provavelmente, nunca teria me arriscado a postar o que escrevia, e o primeiro DOP Squad. Tc? Amo vocês.

Após a noite do baile, Poseidon parou de evitar o Olimpo.

Apesar de sua aversão natural ao lugar, que ele mesmo ajudara a criar, o deus dos mares superou isso por alguns momentos. Gostaria de acreditar que estava indo ali apenas para provocar o irmão, por saber que Zeus não gostava de tê-lo por perto, mas seria uma grande mentira. Ele ia até a cidade dos deuses todos os dias apenas para ver ela. Atena.

Não era estranho como uma simples conversa podia mudar tudo? A facilidade com que Atena se mostrara alguém totalmente diferente do que ele imaginava deixava o deus ainda mais curioso sobre ela, e sabia que não descobriria muito se não estivesse por perto. Sabia que, após aquela dança, a deusa da sabedoria se tornara um mistério, e ele precisava decifrar.

Eram tantas perguntas: O que ela ouvira sobre ele? Será que acreditava nas histórias? Poseidon conhecia a própria fama, e tinha que admitir, não se esforçava para limpar a própria imagem. Ele gostava de se divertir, era um galanteador incorrigível, e um deus temperamental. Se ao menos se sentisse insultado não deixava pedra sobre pedra para trás. Enquanto pensava nisso, buscava recordar se havia algo no olhar dela: Repulsa? Raiva? Julgamento? Sentira que Atena o estava avaliando naquela noite, como se suas palavras e atitudes fossem o que criariam sua imagem para ela.

E ele não fazia a mínima ideia de qual fora o resultado de tanta enrolação.

Encontrava com ela, constantemente, pelos corredores e às vezes nas refeições, quando Atena se dignava a aparecer.
Ao que todos diziam, a deusa passava horas na biblioteca, com seus pergaminhos e livros, ou em seu quarto, trabalhando no tear. Naquela noite, pouco antes do jantar, ele apreciava uma das tapeçarias que ela fizera, retratando as águas revoltas de uma praia.

― Fiz jus ao vosso reino?

A voz que o interrompeu era conhecida, Poseidon virou para encarar a deusa da sabedoria, e novamente foi tomado pela percepção de sua beleza. Atena não era bela como Afrodite, a deusa do amor fazia jus as suas funções, era estonteante, voluptuosa, totalmente o contrário da deusa que adentrava naquela sala e se colocava ao lado do deus. A beleza dela era mais sutil, sua feições pareciam moldadas pelas mãos do mais habilidoso escultor, os cabelo eram tão claros e pareciam brincar com a luz, os cachos leves balançando a cada movimento dela, e haviam aqueles olhos... aquela tempestade que ele não conseguia parar de admirar.

― Devo interpretar seu silêncio como um não? ― o tom risonho da deusa fez com que ele saísse de seus devaneios, Poseidon se voltou para a tapeçaria.

― Parece tão real, precisei de alguns momentos para entender.

― É por isso que dizem que você é lerdo.

Rolou os olhos, não sabia de onde tinha surgido aquela história, ele não era nada lerdo. Decidiu mudar de assunto.

― O que está fazendo aqui? Não deveria estar no jantar, com seu pai? Seus irmãos?

― E a minha adorável madrasta que me lança olhares venenosos. ― ela acrescentou, e o deus dos mares rolou os olhos, aparentemente Hera ainda não estava lidando bem com a notícia do nascimento dela. ― Dispenso, estou cansada de tanto barulho e confusão.

― Você só tem duas semanas de vida, como pode estar cansada?

― Oh, perdoe-me, só posso sentir isso quando chegar aos milhões de anos, como você. ― o pequeno sorriso que se insinuava nos lábios dela deixava clara sua provocação, Poseidon adorou aquilo. ― Apenas quero ficar fora, respirar ar puro e não me preocupar em acabar acertada por flechas, machados e lanças.

― Pois bem, vamos sair daqui então, antes que eles percebam sua fuga. ― estendeu a mão para ela, e para sua surpresa, Atena segurou ali, entrelaçando seus dedos aos dele. Poseidon pretendia apenas guia-la para fora, os jardins, quem sabe? Mas antes que pudessem alcançar tal caminho, a voz de Zeus se fez ouvir.

― Atena?!

― Vamos, corre! ― a deusa o empurrou em direção a saída, e foi impossível não rir enquanto eles corriam para fora do palácio principal e saiam em disparada pelas ruas da cidade dos imortais. Atena não soltou a mão dele nem por um instante, mesmo quando já estavam seguros, seguiam em direção a um dos lugares mais bonitos do Olimpo: O bosque de Perséfone. ― Podemos entrar aqui?

― Contanto que não pisoteie as flores, claro. ― ele respondeu, distraído. Mesmo sob a luz do luar tudo ai era colorido e perfumado, chegava a ser enjoativo, lembrava as vezes que tinha deitado com ninfas daquele lugar, adorava o cheiro delas, agora isso embrulhava seu estômago. ― Você tem um bosque?

― O que? Não. ― Atena tinha soltado sua mão, estava inclinada em direção as flores, parecendo gostar do cheiro delas. ― Não passo muito tempo ao ar livre, não costumo cultivar algo, nada de bosque.

― Bobagem, eu tenho um.

― Isso porque você é um dos antigos, faz sentido.

― Novamente comentários sobre a minha idade? ― um suspiro exageradamente frustrado lhe escapou, e a deusa riu. ― Acho que deveria ter um bosque, criar uma árvore.

― Algum dia, talvez? Quando eu for tão antiga quanto você.

― Desculpe, o que disse? Acho que minha audição não está funcionando direito.

Acabaram por se recostar numa árvore, Poseidon contava da vez que fora expulso do bosque de Deméter por flertar descaradamente com uma de suas filhas, Atena não parecia achar aquilo ultrajante, uma vez que a tal ninfa correspondia as investidas do deus. No fim, ele não se mostrou o cafajeste das histórias, e embora não se importasse com que os outros pensavam, queria que Atena o conhecesse de verdade.

O motivo? Sabe-se lá as parcas por que.

― Zeus estava certo, você é um desordeiro. ― ela acusou, e foi respondida com um dar de ombros enquanto o deus sorria amplamente.

― O que posso dizer? Alguém tem que fazer as coisas acontecerem. Ou tudo no Olimpo se resumiria aos casos de Zeus, quem Zeus está pegando? Com quem Zeus vai trair Hera na próxima semana?

― Pare com isso, infidelidade não é engraçado. ― Pretendia bater no ombro dele, mas Poseidon interceptou o movimento e tomou a mão dela na sua. Era pequena e delicada, com a pele branquinha, e unhas curtas. Contrastava perfeitamente com a dele: Grande e calejada, a pele bronzeada com pequenas cicatrizes, quase imperceptíveis a quem não olhasse direito.

Atena não puxou a mão de volta, apenas entrelaçou seus dedos aos dele e observando de forma concentrada. Encostada junto a seu corpo, Poseidon deixou que ela se acomodasse mais perto, e viu a confusão nos olhos dela se tornar curiosidade.

Ele se inclinou na direção dela, ao mesmo tempo em que a deusa ergueu a mão e lhe tocou a face, o calor de sua pele misturou-se ao frio dos dedos dela traçando seus contornos, e pela primeira vez desde que nascera, não sabia como reagir. Nunca antes tinha provado aquele tipo de coisa, um toque inocente parecia mais intenso do que as carícias de suas amantes, e a simples alteração na respiração dela lhe provocava mais reações do que qualquer outra mulher jamais fizera.

Quis, por algum motivo que ele mesmo desconhecia, inclinar-se e beijar os lábios rosados da deusa da sabedoria, mas por dentro algo lhe refreou. Nos olhos de Atena tudo o que havia era curiosidade, ele era, possivelmente, um dos poucos a ficar tão próximo dela, e mais uma vez sentiu que era analisado por ela.

― Por que não vem ao Olimpo? ― questionou, e ele foi tirado de seus devaneios, voltando para a deusa que estava em sua posição inicial, exceto pela mão junto a dele.

― Eu estou no Olimpo, caso não tenha percebido. ― sabia que sua resposta a faria rolar os olhos, e com a mão que antes o traçava delicadamente, Atena estapeou a perna do deus. ― Certo, não seja tão violenta, você é muito delicada para isso.

― Haha. ― e com aquele murmúrio cheio de ironia, ela se fechou como uma ostra, Poseidon suspirou antes de se afastar da árvore e virar para encarar a deusa.

― O Olimpo não é o meu lugar, não gosto de estar onde seu pai manda e desmanda, e não tenho uma tendência natural a obedecer. ― contou, sendo aquela a primeira vez em que revelava isso.

― Você ajudou a criar o Olimpo, não faz sentido.

― E ainda assim não tenho voz.

Atena franziu o cenho, e pareceu ainda mais adorável em sua confusão. Ele sabia que ela não compreenderia, via como Zeus vinha mimando e cercando a filha com cuidados, ela não percebia o cretino que o pai era. Poseidon, por sua vez, conhecia o senhor dos céus muito bem. Dez anos lutando ao lado dele pouco significaram, uma vez que o Olimpo estava estabelecido, aquele que deveria ser o lugar de todos os deuses, tornou-se apenas dos que Zeus desejava por perto.

Eram descartáveis, tal como Hades que não era permitido frequentemente ali porque temiam má sorte, tal como ele, que era visto como desordeiro e perverso por não obedecer. Poseidon era senhor de si, e isso era algo que o senhor dos céus era incapaz de aceitar.

― Algum dia você vai entender. ― foi tudo o que pode dizer a ela, e para sua surpresa, Atena assentiu. Ela voltou a se encostar no deus dos mares, e ele voltou a contar suas histórias.

Apenas quando o céu começou a clarear, dando sinais de que Apolo começava seu trabalho com a carruagem solar, eles voltaram a cidade dos deuses. Atena tinha os olhos cinzas brilhantes, seu riso vinha fácil enquanto eles seguiam para o palácio principal, apenas nos degraus de mármore branco, temendo que o barulho despertasse alguém, fizeram silêncio, e ele a abraçou.

Desfrutou por alguns instantes do calor dela, e enquanto Atena retribuía aquilo, o deus sorriu com a intimidade recém-adquirida entre eles.

― Até logo, Atena. ― murmurou contra os fios loiros de seu cabelo, então se afastou, sendo recebido por aquela tempestade que ela chamava de olhar.

― Até logo, Poseidon.

Com isso ele se foi, desfazendo-se numa brisa fria e com cheiro de mar, desapareceu da cidade dos deuses e surgiu numa praia muito distante dali. Devia ir para seu palácio e descansar, mas seus pensamentos não paravam, enquanto o sol começava a nascer no horizonte, ele pensou na deusa de olhos cinzas. E sorriu mais uma vez.

Notas finais
Bem diferente da primeira versão, não é? Eu decidi levar as coisas de forma mais lenta, para explorar mais da relação deles e construir uma boa base. Vou voltar a assistir American Horror Story. Gente, que série fantástica, não sei por que demorei tanto tempo para assistir. (Talvez porque eu sou medrosa? Talvez) Lembrem-se, reviews são seduzentes e me tornam cada vez mais feliz! Beijos, Ckyll.