Desde 1971. (1971)
3 Capítulo 3 - A escola e a capa
Dia 3 de setembro de 1971
O primeiro dia como alunos oficiais de Hogwarts passou de forma divertida e descontraída para os amigos que criavam intimidade a cada minuto a mais. Na sexta-feira eles tiveram a apresentação das matérias que fariam em seus primeiro ano, seus horários e os professores, além de uma festa na sala comunal da grifinória onde os veteranos se divertiam conhecendo os novatos oferecendo feijões de todos os sabores, doces diferentes da dedos de mel, e até mesmo alguns goles de firewiskey para quem se aventurava.
No dia seguinte, com um céu aberto por conta do fim do verão e o dia livre, os quatro amigos que haviam conhecido outros primeiranistas, marcaram de conhecer o castelo e seus arredores, portanto, dada às 9:00, como marcado, Remus e Peter começavam a sair do quarto.
''Eu e Peter estamos descendo.'' Remus avisa para os outros dois que nem ao menos estavam de roupa ainda.
''Remus, nos espere, por favor. Foi mal, fomos dormir mais tarde ontem por conta da festa.'' James diz correndo para colocar a calça e caindo na cama segundos depois, fazendo Peter dar uma risada baixa.
''Rem, fique calmo, eles não vão sem nós! Fomos a diversão da festa!'' Sirius afirma dando um sorriso terminando de colocar uma camiseta preta normal.
Lupin revira os olhos ''Você quer dizer: foram a bagunça da festa, certo? Lily em certo momento parecia que ia estrangular vocês dois! Até Marlene que cochichava sobre como Sirius era bonito depois de meia hora estava prestes a azarar vocês.''
''Me achou bonito?''
''Essa foi a ÚNICA parte que entendeu disso tudo, Sirius?''
''O ponto de Sírius é: que estamos prontos e só precisávamos te enrolar para isso.'' James pega o óculos correndo que estava jogado em sua cama e chega ao lado de Lupin lhe dando um grande sorriso e colocando os braços em volta do amigo, meio desajeitado, já que esse era mais alto que Potter.
''Acredite, Rem, Potter está mais ansioso do que tudo para esse passeio com a oportunidade de ficar perto da ruiva preciosa.'' Sirius fecha a porta do quarto e dá um grande sorriso com o comentário, vendo James ficar cada vez mais vermelho.
''Pare com isso, Sirius! Já te disse que não ligo para essas coisas, só quero ser simpático, seu único amigo é sonserino!'' James queria poder aparatar naquele mesmo momento, enquanto seus três amigos riam dele.
''Claro, James, te entendemos, estamos na puberdade, se bem me lembro seu bigode sumiu apenas ontem durante a tarde...'' Remus fala em tom irônico continuando as risadas.
''HAHA muito engraçado! O que me lembra que tenho planos contra vocês dois, e agora estamos iguais: Tenho Peter para me apoiar.''
''Hm... se eu pudesse escolher, seria Remus... digo, ele é tão inteligente, com certeza ganharia sempre.'' Pettigrew fala ficando com as orelhas nervosas de estarem olhando para ele.
''HA! Remus não é nada sem mim, ele somente aprimorou minha arte, a ideia inicial foi minha, sinto muito mas essa maldade toda só funciona ao meu lado.'' Sirius fala em tom decisivo e dando um tapa nas costas do amigo que estava a sua frente.
O barulho dos quatro amigos já havia sido ouvido desde o topo da escada, mas se tornou ainda mais audível quando chegaram à sala, que estava praticamente vazia, com um casal sentados em uma poltrona no canto, dois alunos quintanistas dormindo em outro canto, e o grupo de novatos em uma roda.
Lily foi a primeira a avistá-los e correu até eles acenando, onde — de modo estranho — James sentiu-se envergonhado e nervoso, e o mesmo, que sempre havia algo a dizer, estava sem palavras e isso o assustou... O que era aquela quentura?
E porque está sentindo isso por LIly estar abraçando Remus?
Porque ela só abraçou Remus? Balança a cabeça em desespero, o que era tudo aquilo? Repara que Sirius o olha de lado com um sorriso irônico.
''Que é?''
''Está vermelho, Potter, está bem? Ou só ciúmes pela ruiva?''
''Pare! Já disse que não é nada...'' Mas James não sabia se acreditava em suas próprias palavras.
Remus começou a ser puxado por Lily para perto dos outros colegas em roda e segurou em Sirius para seguirem a fila. O grupo era composto por nove pessoas no total, e os que não haviam se conhecido anteriormente se apresentavam com sorrisos, e foi descobertos, minutos após, como era difícil manter um grupo unido de com várias pessoas em uma escola grande, principalmente uma em que nenhum conhecia bem o local e as escadas se moviam voluntariamente.
''Tenho certeza que é esta porta.'' Sirius falava tomando frente do grupo e olhando para Marlene, com um charme.
''É a terceira porta que diz isso, era para ter percebido que é péssimo em localização à esse ponto e que a porta que entramos esses dois dias era muito alta e grande, não?'' Lupin fala atrás dele, se distanciando da conversa com Frank e Lily ''Quero dizer, seja esperto, Black!'' Com um sorriso desafiador formado, Sirius vira para ele sorrindo também.
''Essa intimidade que criamos, é incrível, certo? A cada minuto que passa você consegue me maltratar e ferir meu coração... pensei que o combinado era atazanarmos apenas o Potter...''
''Esse é seu trabalho, para aliviar um pouco eu foco nele e em você ao mesmo tempo.'' Remus dá de ombros. ''Vamos, eu guio dessa vez.''
Não se demoraram 5 minutos e estavam a frente do grande salão, com todos rindo e entrando no salão, e Sirius e James parando ao lado de Remus, os três se olhando e começando a rir juntos.
''É, Sirius, acho que a verdade é que não somos nada sem Remus, não acha?''
''Com toda a certeza!''
E ambos saem correndo, deixando Lupin para trás. O que era aquilo que acontecera? Dois amigos, falando que precisavam dele? Isso é estranho pois nunca havia ouvido isso nem de seus pais. O que sentia era uma ansiedade... diferente da qual estava habituado. Essa ansiedade lhe aquecia o coração e trazia pensamentos bons — e, por Merlin, como queria que esses pensamentos durassem, pois eles são raros de acontecerem. Remus Lupin sentia que tudo aquilo valeria a pena no final, e no desenvolvimento de tudo também.
Ao observar o amigo de óculos tentando sentar ao lado de Evans com uma negativa dela vindo logo após dizendo que o lugar estava guardado, ele começa a refletir sobre o quanto se divertia ao ouvir Lily perguntar de James e logo após ficar vermelha dando desculpas como ''Só queria saber o porque ele é tão irritante.'' ou ''Apenas para que eu possa evitá-lo.'' ou desviar o olhar sempre que o de óculos a olhava, e se divertia mais ainda com James negando tudo e agindo como se não fosse nada.
Ele e Lily não paravam de se olhar, e isso, fosse o que fosse, daria em algo, e Remus sabia desse fato e tentava não rir dos dois.
Sentando na mesa — já guardado pela amiga — ficou em frente de James e ao lado de Sirius e Lily, que olhava abismada de do de óculos para o de cabelo comprido que estavam fazendo uma competição de quem comia uma torta de abóbora inteira primeiro, enquanto Frank batia as mãos de tanto rir e alguns veteranos os incentivavam. A diversão acabou e o vencedor foi Sirius, o mesmo levantou e acenou ''ao seus fãs'' e mandou um beijo a James, que revirou os olhos fixando-os no amigo sonserino de Lily que chegava perto dela e a puxava para longe dos ouvidos alheios.
Os dois amigos ao seu lado se concentraram na conversa para contar tudo a James discretamente.
''Ele disse discretamente, Sirius, não algo como Para Que Ele Te Perceba.'' Remus chamava a atenção do de cabelo comprido que estava preso em um coque pequeno.
''Certo! Te contamos quando formos andando, ok, James?'' Ao terminar sua pergunta chegam corujas voando pelo salão e depositando o que seria o correio.
Frank havia recebido a capa que estava em sua casa: ''Ainda bem, aquela capa emprestada que usei ontem tinha um cheiro esquisito como meu tio Dolf, nem sei qual é, mas era aquele!''
Lily recebeu carta dos pais que — um dia antes — todos descobriram que eram trouxas e que a ruiva tinha uma irmã mais velha, Petúnia, as quais eram próximas e era quem Lily mais sofrera para se despedir; a mesma teve seus olhos marejados pelas palavras da carta.
Lupin tinha um pacote de chocolates anexado a um bilhete: ''Sentimos sua falta, Remmy, tome cuidado e aproveite. Confie em Dumbledore. Confiamos em você.'' E aquilo havia aquecido mais seu coração.
Sirius, com uma carta com um selo de cera preto e um B desenhado, olhava para o envelope como se ele fosse explodir, já que sabia o que diria: como ele estava fazendo na Grifinória? Como explicariam isso? Ele veio para destruir a família Black e tudo o que dela provém, e como Regulus era o único filho do qual se orgulhavam... coisas comuns, portanto, decidiu deixar de lado e ver o que os amigos ganharam.
''Remmy? Oh, é seu apelido familiar, Remmy?'' Sirius diz implicando com o maior enquanto lia o bilhete por cima dos ombros do amigo.
''Não me chame assim, tem sorte por não te azarar por me chamar de Rem... não abuse da sorte, Black.'' Remus diz saboreando o chocolate recém chegado, o motivo pelo qual conseguia se acalmar em épocas de desespero e que seu pai escondia por achar que ele estava 'viciado' no doce.
''E você, James?'' Sirius olha para frente.
''Ah, apenas minha mãe com saudades. Muitas.''
''Deixe-me ler'' Black se estica e pega a carta das mãos de James.
''Ei!'' O outro exclama ''É particular, sabe?''
''Não temos segredos, nós dois somos irmãos... Jamesy? Oh meu Merlin! Jamesy e Remmy, acho que estou sonhando. Esses serão os seus nomes a partir de agora para mim, está feito.'' Sirius diz com o maior sorriso que poderia ter.
''Você está morto, Black!'' Remus e James concordando, fechando assim um contrato silencioso entre eles.
''Não importa, tenho Peter. O que ganhou Pete?'' Sirius pergunta ao menino que comia bastante a sua frente.
''Nada de importante, apenas uma carta falando para eu me cuidar e o jornal do dia.'' Dá de ombros.
''Me empresta, por favor? Não recebi nenhum... Obrigado!'' Remus pergunta e logo agradece com um movimento positivo de cabeça de Peter. ''Oh, as coisas estão avançando rápido.''
''Diz sobre a guerra?'' James pergunta, preocupado com a expressão nervosa do amigo.
''Sim... Eles têm atacado nascidos trouxas e mestiços nas ruas, e alguns têm desaparecido, parece que são pessoas encapuzadas e utilizam muito bem das artes das trevas.'' Remus devora seus últimos pedaços de chocolate, nervoso com o pensamento do que poderia acontecer.
''Calma, Rem, tudo vai se resolver, são apenas idiotas tentando provar algo que não é real, sabe? Nada de mal realmente vai acontecer.'' Sirius tenta tranquiliza-lo, sem revelar que possivelmente a maioria dos encapuzados pertenciam à sua família.
''Podemos indo?'' Uma menina, Alice Fortescue, com cabelos curtos e altura comum, olhos castanhos escuros, pergunta. Ela é colega de Lily no dormitório junto de Dorcas e Marlene, e muito inteligente e cuidadosa com os outros, no dia anterior, ela sabia contar cada detalhe sobre a natureza e se demonstrava ansiosa a cada palavra que a professora Sprout, professora de Herbologia, falava sobre plantas.
''Claro!'' Todos se levantaram e discutiam por onde iriam começar o tour.
''Pensei em começar pelo lado de dentro, sabe? E o final do dia passamos lá fora.'' Sugeriu Lily, tendo James concordando de prontidão.
''Eu concordo plenamente, que brilhante ideia, Lily, quase tão brilhante quanto seus olhos... quer dizer, não que eles brilhem, mas eles são bonitos... não bonitos nesse sentido apenas, hm, bonitos, como esmeralda... Sabia que verde é minha cor favorita? Pois é.'' Todos olhavam para um James nervoso, vermelho e envergonhado que não sabia parar de falar, e sentia que isso renderia centenas de piadas a Sirius.
''Bem... obrigada, James... eu acho. Podemos começar por dentro, então?'' E todos concordaram.
''Olhos bem verdes, brilhantes e bonitos, então, James?'' Sirius sussurrou para o amigo.
''Ah, Sirius, nem vem, vejo você olhando para Marlene.'' James diz esganiçando na sua voz, fator esse que Remus explicou fazer parte da tal puberdade que eles tanto falam.
''E olho mesmo, você nem admite que tem babado pela ruiva... cuidado que Snape está sondando.''
James revira os olhos e aproveita para perguntar qual foi o conteúdo da conversa, enquanto Sirius chama Remus que se encontra ao lado de Lily, para ajudá-lo na complementação.
''Certo, então, ele disse algo sobre comida e abóbora e então matar e bater e pistola... concluo que ele queira fazer um massacre com os sonserinos hoje na hora da janta e veio convidar a Lily para auxiliar ele!'' Sirius conclui com cara de espanto.
''Pare de ser bobo! Ele disse a Lily que gostaria que ela estivesse com ele ao invés de nós, disse para tomar cuidado pois a queria bem, e que a maioria das aulas faríamos juntos, portanto, ele tentaria ficar com ela nesses períodos.'' Remus complementa batendo na cabeça de Sirius que o imitava fazendo caretas e mexendo a boca.
''O que ele quer dizer com não ficar conosco? Quem não gostaria da nossa companhia? Lily com certeza gosta, certo?'' O de óculos varia entre autoconfiança, para dúvida até beirar o desespero terminando a sentença.
''James, Lily é muito legal e delicada, ela não gosta muito das brincadeiras que vocês dois fazem. Conversa comigo e com Peter porque nos acha mais tranquilos, mas ela não acha vocês ruins, de maneira alguma, apenas, não se encaixam.'' Remus diz tentando explicar sem magoar o amigo.
''Mas ela vai ver como sou uma ótima companhia, melhor do que Snape! Divertido, legal, companheiro e bonito, é o que minha mãe sempre fala!''
''Isso, esse é o nosso Jamesy! Mostra pra ela, meu garoto!'' Sirius dá dois tapas na costa do amigo que tropeça e empurra Marlene que cai em Lily, as duas o olham bravas. ''Er... James, cuidado por onde anda, machucou as pobres meninas, sentimos muito.'' Ajudando as duas a se levantarem.
Remus se restringe apenas a olhar indignado, e Peter junto de Frank, iniciam um riso que os causam lágrimas da situação de James, que parecia prestes a explodir de tão vermelho. Com o tour pelo castelos os amigos aprendem que os fantasmas passam pelas pessoas, onde alguns pregam peças, como é o caso de Pirraça, o fantasma que faz brincadeiras com os estudantes — e faz com que alguns até chorem ou se machuquem -, outros realmente assustam como o Barão Sanguinário, o fantasma da Sonserina, e outros são simpáticos, como Nick quase sem cabeça — o nome auto explicativo é literalmente o que acontece, Nick possui a cabeça mas consegue deslocá-la do pescoço; As salas são trancadas, e outras liberadas para estudos extras; A biblioteca é variada, o que fez os olhos de Lily e Remus brilharem e tocarem as mãos uma nas outras de animação, enquanto os outros os olhavam sem entender a animação; Os banheiros são variados e um em específico — banheiro feminino do segundo andar da torre — é assombrado pela Murta que Geme, conhecida por gritar bastante, paquerar garotos, brigar com garotas e gemer de sofrimento pelos corredores.
Ao final de tudo, o horário do almoço já havia começado e os mesmos se dirigiram ao salão principal, para comerem e se prepararem para a tarde no campado.
O campo mostrava a grandiosidade de Hogwarts: a grama verde, as árvores altas com frutos, o céu azul e brilhante, mais a frente a chamada Floresta Proibida — que chamou a atenção de James e Sirius que se entreolhavam sem parar, como se entendessem o que queriam dizer -, a cabana de Hagrid, e o Salgueiro Lutador — este que Remus estava ciente do porquê estava ali e como conheceria bem do mesmo — uma árvore diferente e lutadora, como o próprio nome denuncia, que pode causar danos a quem ameaçá-la.
Na parte de trás do castelo encontrava-se o campo de Quadribol, esporte oficial do mundo bruxo, e que era a única coisa da qual James pensava — se não contarmos Lily.
''James, volte aqui, não corra assim!'' Sirius corria atrás do amigo, deixando os outros para trás.
''Sirius, olhe isto! Que maravilha! Ano que vem eu serei apanhador, com toda a certeza. Meu sonho é jogar Quadribol, tenho todas as coleções, figurinhas e sei tudo sobre os jogos e jogadores. É o meu sonho.'' James dizia com a animação aparente.
''E sei que conseguirá meu amigo, e assim que conseguir, terá Evans só para si, pois ela morrerá de ciúmes após tantas meninas te quererem.'' Sirius o rodeava mandando beijos ao amigo, segundos depois, os dois corriam pelo campo com o de cabelo bagunçado percorrendo o de cabelo comprido até se cansarem e se jogarem no chão.
''Sabe, Sirius, e digo isso por que gosto de você e te considero meu amigo... desde o dia em que nos vimos no trem soube que poderia confiar em você e aqui estou eu, então, lá vai: Tenho sentido coisas estranhas.'' James diz olhando para o céu enquanto está deitado com os braços cruzados na cabeça ao lado do amigo.
''Hm, como... gases?'' Sirius, na mesma posição que James, pergunta.
''Não... no início pensei que era, mas não acho que seja isso. Pensei em perguntar a mamãe mas é capaz de vir aqui me buscar caso ache que estou doente.'' Ele para suspirando ''Gases doem a barriga, certo? Isso não... ele parece mais um alívio, não sei explicar, mas é algo bom... é o que sinto sempre que Lily me olha, ou olho para ela, ou falo com ela, ou alguém fala dela.''
''Certo! Eu me sentia assim há um tempo atrás, quando eu ganhei uma revista tão boa que sempre que lembrava eu sorria, é parecido, né?'' Sirius pergunta.
''Acho que sim! Oh, a gente se entende tão bem... continuando, e eu sinto aquela dor chata quando vejo Remus com a Lily, abraçados ou ela vindo correndo até ele e o puxando... me sinto esquisito, mas Remus é meu amigo.''
''Hm, me sentia assim quando meu irmão mais novo, Regulus, pegava essa mesma revista sem eu saber. Era como se ele fosse estragar tudo e ela deveria estar comigo. É isso?''
''SIM! Sabia que a resposta era falar com você... Então, o que acha que é?'' James, sem óculos, se apoia nos cotovelos e olha o amigo apertando os olhos para o enxergar.
''Hm... eu, entendido e maduro como sou, acho que se trata de ciúmes e daqueles bem grandes, meu amigo. Li isso em uma revista trouxa que achei uma vez, acontece quando se gosta muito de alguém ou algo... e esse seu alguém tem cara de ser a Evans.'' Sirius conclui.
''Então a coisa boa que sinto se chama ciúmes?''
''Não, a coisa boa deve ser porque você tá gostando dela, a ruim é ciúmes.''
''Aah! Agora faz sentido. Quando você disse essa palavra mais cedo eu nem sabia o que era, mas agora sei! Me sinto assim quando a vejo rindo com Snape. Como paro será?'' Deita de novo na grama frustrado.
''Tem que beijar ela.'' Sirius diz depois de um tempo quieto.
''O QUE?'' James senta com um pulo e olha abismado para o amigo ''BEIJAR COMO BEIJAR? COMO O QUE MEUS PAIS FAZEM? COMO SE FAZ ISSO E PARA QUE? NÃO FAZ SENTIDO!''
''Nessa mesma revista que li, dizia que é assim que se demonstra que gosta... algo assim, você tem de seduzir a pessoa e beijá-la. Não sei como se faz isso, mas vou descobrir e te conto, para prosseguirmos com o plano: uma Evans para Potter. O que acha?'' Sirius, sentado ao lado do amigo, estica a mão para o mesmo.
''Combinado!'' James sorri e vira-se para pegar seu óculos ''Sirius, obrigado por ter esbarrado comigo no corredor, você é um amigo e tanto. Se precisar de mim, estou aqui.''
''Pode deixar, Jamesy!'' e Sirius se pôs a correr de um James novamente energizado e estressado.
Ao longe via-se os dois correndo.
Tão bobos, Remus pensava. Mas ria com a cena deles se jogando ao chão, rolando, rindo, James embaixo de Sirius de bruxo que erguia os braços em sinal de vitória, e enquanto isso ouvia os sussurros de Marlene sobre o cabelo de Sirius, o rosto de Sirius, o sorriso de Sirius, os olhos de Sirius, e muitas coisas de Sirius.
''Sabe, Marlene, acho ultrapassado ficar falando tanto de meninos, além disso, meninos bagunceiros como aqueles dois!'' Lily olhava para a amiga revirando os olhos.
Frank e Peter, que estavam conversando sobre suas histórias de dragões favoritas, deram um riso quando leram um bilhete passado de Alice para Frank. Remus notou a movimentação e sentiu-se desconfortável. Havia lido sobre essas partes: gostar de garotos e garotas, beijos, namoro, abraços, tudo isso nos diversos livros que sua mãe tinha em casa de autores e autoras trouxas, mas se sentia esquisito perante a isso sendo o que era. Além disso não conseguia olhar para garotas e ver ou sentir nelas as descrições que os escritores sempre faziam em suas obras, e ficava preocupado que os efeitos colaterais de seu segundo lado o fizesse não sentir nada. Mesmo uma vez, quando questionou sua mãe sobre o caso, a mesma revelou que Remus ainda era novo para se preocupar com essas coisas, que deveria se ocupar com amigos e alegrias, essas preocupações viriam naturalmente ''infelizmente'' lembra dela dizer isso e dar uma longa risada.
E é nisso que Remus pensava, mas essa conversa havia 1 ano, e agora, em meio a amigos, eles só falavam sobre paixões e detalhes, e o menino não sentia-se bem.
''Ora, Lily, não dê sermão em Marlene, acha que não notamos os seus olhares ao James?'' Disse Dorcas terminando a trança em seu cabelo cacheado que caia até a cintura, e que estava sendo enfeitado de flores por Alice que as colheu pelo caminho.
''Que nada! Eu só pensava o quão bobo ele consegue ser, concorda comigo, Rem?'' Lily acorda Remus de um pensamento confuso onde pensava em pessoas bonitas e vinha Sirius a mente, o assustando.
''Desculpe, Lily, não ouvi.''
''Disse que James é um bobo e que não gosto dele!'' Lily disse ruborizada.
''Ah, mas ele gosta de você. Digo, James é indiscreto e fala mais do que pode às vezes, mas tudo o que ele sabe falar é de você desde o dia que nos conhecemos antes de entrarmos no barco... É um barato.'' Diz Remus com um sorriso, causando uma risada alta em Marlene e Alice, e um olhar de Dorcas como se dissesse ''eu avisei''.
''E você, Rem, gosta de alguém?'' Marlene pergunta ''Já vi algumas meninas da corvinal te olhando e sussurrando.''
''É verdade, po! Tenho uma prima distante lá, a Mary, e ela me perguntou seu nome e tudo, tá gostando de você e correu contar para as amigas.'' Frank entrou na conversa com um Peter atrás de si sorrindo e fazendo um sinal de positivo com as mãos.
''Gostando do Remus? Quem não? Inteligente, alto e nos guiando para fora de enrascadas...'' A voz de Sirius aparece ao fundo ''Muito melhor do que gostar do quatro olhos do Potter aqui!'' Essa última fala lhe causando um empurrão.
''Vocês estão dizendo isso porque são meus amigos, não há nada o que se gostar em mim... Está ficando tarde, acho que vou pro dormitório ler um pouco antes de ir jantar, vejo vocês depois.'' Remus levanta rapidamente se despedindo, torcendo para que ninguém o veja vermelho. Precisava de chocolates, pensou.
''Eu vou com você, Rem! Até depois meninas.'' Lily levantou correndo atrás de Remus, quando o alcançou os dois riram.
James observou tudo com aquela dor voltar.
Ciúmes, pensou, é isso o que é e tem de parar, Remus é meu amigo e nem sabe de nada.
Sirius, como que sentindo, colocou as mãos no ombro do amigo em apoio e virou-se para o restante, conversando animadamente e beijando a mão de Marlene, que soltou uma risada alta para os ouvidos dos demais. E assim foi até o entardecer.
Ao chegarem no Salão, Remus e Lily já estavam sentados, um de frente do outro, conversando animadamente sobre alguma história trouxa de amor e tragédia. Sirius sentou ao lado de Remus e James no de Lily, ao passo que os dois amigos a frente deram um sorriso silencioso e se olharam.
''Como foi o resto do dia de vocês?'' Sirius colocava purê de batata até demais em seu prato, ao passo que Peter tentava alcançar a carne de porco.
''Bom. Fiquei no dormitório e Lily apareceu lá para me chamar para jogarmos um pouco de xadrez mágico, que ensinei melhor a ela, conversamos sobre várias coisas, amor...'' Dando ênfase nessa parte e olhando para James, que retornou o olhar confuso ''e pessoas bonitas.''
''É óbvio que eu não fui deixado de fora dessa lista'' Sirius sorria presunçoso.
''Claro que não, você ocupou o último lugar, pois não sabíamos quem mais colocar.'' Lily disse dando de ombros, deixando um Black sem palavras e três amigos rindo dele.
O jantar permaneceu em descontração, quando finalizado, o professor Dumbledore disse algumas palavras:
''A todos aqui presente: Boa noite! Espero que os dias tenham sido reconfortantes a todos, e desejo novamente um ótimo ano para todos, principalmente aos nossos alunos que estarão realizando o N.O.M.S. e N.I.E.M.S., se dediquem e tudo dará certo. Além disso, reitero que o acesso a Floresta Proibida é proibido, que ironia, não? E que os corredores não podem ser ocupados durante a noite. Um bom retorno aos dormitórios e nos veremos em breve.''
Os barulhos de pés e conversas de vários alunos ocuparam o Salão Principal inteiro, e o grupo grifinório os acompanhou até chegarem em frente ao quadro da Mulher Gorda
''Cozinha feita'' disse Alice, liberando para que todos entrassem.
Aos poucos todos iam subindo até que sobrassem apenas Remus, James, Sirius e Peter nos sofás, entediados.
''Ei, querem fazer algo legal?'' James pergunta chamando a atenção de todos.
''Depende, seremos punidos por isso?'' Remus pergunta cerrando os olhos castanhos.
''Hm, se formos pegos, sim!''
''O que é?'' Pergunta Peter ansioso pela atividade mas demonstrando nervosismo em sua voz.
''Um minuto, já volto'' E o garoto sobe correndo as escadas.
''Ele é péssimo em contar novidade, não?'' Sirius suspira, fazendo com que Peter risse.
Alguns minutos depois James retorna com um tecido prateado nas mãos.
''TCHARAM!'' Ele joga em cima do colo de Remus que o olha sem entender.
''O que é suposto que eu faça com isso?''
''Bem, vista, vai vai.'' Remus levanta o olhando desconfiado, e coloca a capa, segundos depois os outros dois amigos exclamam surpresa e James dá uma gargalhada.
''REMUS ESTÁ INVISÍVEL!'' Peter grita.
''O que?'' E olhando para baixo ele vê, realmente estava sem tronco, em um minuto de choque ele começa a rir e trás todos os amigos consigo.
''E então? O que acham de conhecermos o castelo a noite?'' James pergunta com um sorriso travesso.
''James, não! Podemos pegar detenção e nem tivemos aulas ainda.'' Remus diz sério.
''Ah, qual é, Remmy!'' Sirius diz chegando mais perto do amigo ''Não vai acontecer nada.''
Remus sabia que não era verdade, muito poderia acontecer, mas suas mãos formigavam para essa aventura e, apesar de se fazer de difícil por alguns momentos, logo disse sim ao plano, que consistia em se esconderem os quatros na capa e vasculharem os corredores do andar para se divertirem.
''Nada mais longe do que esse andar, certo?'' Remus relembrava com uma voz firme e olhando para os três.
''Ok, pai!'' Os três disseram em uníssono com uma risada.
''James fala a senha, e eu e Sirius seguramos as varinhas acesas, ok?'' Lupin dizia recebendo confirmações com a cabeça.
''Cozinha feita'' James fala em tom baixo e os meninos, todos cobertos e invisíveis, começam a sair e entram em um corredor mal iluminado.
''Lumus!'' os dois amigos ordenaram, e de repente, a luz prateada saiu das pontas de suas varinhas e eles começaram a andar.
Depois de algum tempo em silêncio Peter corta isso e pergunta
''O que acharam do dia de hoje?'' Ele fala em tom baixo ''Gostei muito de Frank, é engraçado conversar com ele, e ainda mais que aconteceu algo muito hilário: Aquela menina, Alice, mandou um bilhete dizendo que ele estava bonito... Dá pra acreditar? Demos muita risada, mas acho que ela ficou brava.'' Ele finaliza pensativo.
''Eu gostei muito de conhecer todas elas e Frank, é bom termos colegas pela escola. Lily é muito legal comigo.'' Remus falou olhando para Peter que deu um sorriso para o mais alto.
''Então Alice acha Longbottom bonito? E o idiota ainda riu quando ela disse isso?'' Sirius disse dando um tapa na própria testa mostrando o descontentamento com o colega.
''E você, James?'' Remus pergunta sorrindo a ele, pois havia percebido que o amigo fechou a cara há pouco tempo.
''Ah... normal... a Evans implica comigo por nada, e parece que vocês serão namorados, afinal.'' James diz dando de ombros e encarando Remus.
''Eu e Lily? Por favor, James, nem temos idade para namorarmos, para início de conversa, e depois que somos apenas amigos, nada mais que isso.'' Remus disse olhando para Potter, que estava vermelho de irritação.
''Não me interessa o que são, Lupin, espero que sejam felizes e cresçam felizes e tenham vários filhos juntos pois eu serei um astro no Quadribol.''
''O que isso tem a ver, Potter? Nem faz sentido o que está dizendo... Para a sua informação, hoje a tarde Lily só sabia falar de você para mim quando estávamos na Sala Comunal e eu falava o quanto você era um bom amigo.'' Remus deu uma pausa para suspirar ''Portanto pare de ser tão bebê e assuma que gosta dela! E não ligue para namoro agora, temos 11 anos, não é necessário.''
''Eu tenho 12... já posso me preocupar'' Sirius pergunta com um sorriso de lado.
''Para você não adianta falar não ou sim, Black.'' Remus olha para frente revirando os olhos ''Ei, escutem!''
Os quatro amigos congelaram. Argo Filch vinha em suas direções, lá no final do corredor, com um lampião nas mãos e sua gata, Madame Norra, ao seu lado. Era agora, todos pensavam, essa era a hora em que se despediriam de apenas 2 dias e meio em hogwarts e nunca mais ouviriam falar um dos outros.
Peter ia um pouco mais longe e se imaginava em Azkaban — prisão do mundo bruxo — e segurava-se para não chorar.
''Meow!'' A gata sibilou vindo diretamente onde os garotos estavam.
''O que foi, Norra? Sentiu algum pestinha por aqui?'' Filch corre desajeitado até onde a gata estava.
Foi por pouco. Sentiam a respiração de Filch a centímetros de suas cabeças. O clima ficou pesado. O animal continuava miando e olhando para eles, enquanto Filch olhava em volta e para os meninos tentando decifrar o que sua amiga tentava dizer.
''Ora, acho que se enganou dessa vez... Vamos para perto da Sonserina, houveram boatos que estão planejando escapar essa noite.'' Diz já andando para longe, deixando a gata com olhar desconfiado para trás.
Quando tiveram a certeza de que o zelador havia ido, os quatro correm até o quadro, falam a senha e entram ofegantes. Por alguns minutos a cena continua assim com Sirius apoiado na parede respirando fundo, James com o óculo caindo no nariz e ainda coberto na capa, Peter sentado no chão com os olhos arregalado para a passagem que entraram, e Remus apoiando as mãos no joelho como se fosse vomitar.
Após o choque, Sirius grita
''ISSO FOI DEMAIS!'' Levantando os braços com as mãos fechadas e sorrindo.
''DEMAIS? BLACK, ESTÁ LOUCO? QUASE FOMOS PEGOS...'' Remus respira e começa a andar e mexer nas mãos ''Meu Merlin, se sou pego... o que iriam fazer? Dumbledore nos expulsaria ou sofreríamos castigos...''
''Estamos bem, Remus, fique calmo.'' James se recupera dizendo, analisando novamente os comportamentos nervosos do amigo e se preocupando, ele ficava assim facilmente ''E, me desculpe por ter sido um idiota lá fora com você... Sei que não faria mal a mim. Sinto muito.''
Remus para um pouco e olha para James, os dois dão um sorriso amistoso e, aos poucos, entendem-se melhor, e se juntam, fazendo com que os outros dois os sigam para as escadas em direção ao dormitório.
''Sabe o que seria legal? Um mapa em que pudéssemos ver onde todo mundo está, assim não seríamos pegos de surpresa e preveríamos antes de algo acontecer.'' Peter diz com um sorriso, recebendo outros três de aprovação.
''Eu adoraria, Peter! Poderia fazer tantas coisas... Imagine, Sirius Black com um mapa poderoso que poderia dizer onde todas as pessoas estariam. Eu seria um herói.''
''Ou um completo bobo fazendo mais coisas erradas, acho que depende de como conseguimos interpretar.'' Remus olha para trás dando de ombros, e fazendo os outros três rirem.
''Quem sabe um dia teremos um desse, afinal, somos brilhantes e nossa vida apenas começando.'' James finaliza entrando no quarto e indo até duas roupas.
Os meninos se arrumam e Remus, que dormia ao lado da janela, vislumbrava o céu. A lua crescente o preocupava, daqui há um dia ela se faria cheia e esplendorosa no céu e iniciaria por 5 dias as piores dores das quais o garoto teria de lidar. Seu nervosismo e mau-humor começavam e precisava se encontrar com o diretor do colégio para acertarem todos os detalhes do que seria feito.
Remus era um monstro.
Sentia-se assim.
Monstros não podem ter amigos.
O que estava fazendo enganando a si mesmo e aos meninos?
Precisava lidar com a nova situação e o que estava por vir.
Foi chamado a realidade por um Sirius e James cantando o hino de hogwarts enquanto pulavam em suas camas e deu uma risada sincera. Se era certo ou não ter amigos, por agora, apreciava o que vinha acontecendo em sua vida, então iria aproveitar.
Fechou os olhos falando um boa noite aos amigos, vendo que Peter já dormia e roncava, e James e Sirius paravam de pular em suas camas e respondiam em uníssono
''Boa noite, Rem!'' Seguido por um ''Nox''.
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