Desde 1971. (1971)
7 Capítulo 6 - As aulas e os bilhetes
Dia 8 de setembro de 1971
Era quarta-feira, o que significava que Remus poderia ficar um tempo mais no quarto por seu primeiro horário ser livre de aula e iniciar apenas às 9:00.
Conseguia ouvir o ronco de Peter enquanto entrava no dormitório retornando da enfermaria como fizera nos últimos dois dias mas, dessa vez, três camas estavam vazia — a sua, de James e de Sirius.
''Onde se meteram?'' Remus se perguntou baixo, enquanto mancava até a cama, com o pote de pomada preparada pela professora Sprout para o tratamento de seus machucados, que vinham sendo muitos.
Depois da primeira noite, os professores que sabem de seu caso têm revezado em levá-lo e buscá-lo, e isso, segundo sua mãe, deveria lhe passar segurança e afeto, que eles se importam com ele; mas o que o garoto sentia era mais vergonha de lembrar o quanto de pessoas sabiam disso.
Sentando em sua cama e trocando a camiseta pôde sentir que os cortes profundos ainda ardiam e se perguntou se essa tortura de voltar ao dormitório realmente valia a pena. No próximo mês inventaria uma doença para poder ficar pela enfermaria, e conversaria com Lily para conseguir acompanhar as matérias — era um sacrifício a ser feito.
Logo após deitar-se e se colocar embaixo da coberta para aproveitar as 3 horas de sono que teria até o horário da aula, ouve a porta ser aberta com força e resmungos conhecidos.
''Sabe que te culpo por isso, certo?'' James dizia.
''Com toda a certeza! Mas valeu a pena e iremos tentar hoje novamente...'' Sirius dizia em tom desafiador.
''O que eu ganho com isso?''
''Minha eterna companhia e amizade e irmandade e ser meu irmão de coração e meu Jamesy.'' Remus deu um sorriso silencioso da brincadeira dos amigos, eles eram realmente irmãos em tão pouco tempo, e dividiam tantas coisas com apenas poucas palavras.
''Nesse caso, com certeza não... Eterna companhia? Nunca, Black!''
''Não quer saber onde Remus está indo? Pois como é com a Mcgonagal se a vimos andando por ai ontem? Além disso, ele está voltando com mais machucados, vi em seu braço ontem quando levantou uma das mangas do suéter, vamos, James, sabe que se preocupa também.''
Remus paralisara. Eles estavam o seguindo? Uma raiva imediata subiu pelo seu corpo. Como podem quebrar sua privacidade desse jeito? Era incabível, e só queria chegar até os dois e dar-lhes um soco no estômago.
''Ok, Remus, esse não é você... Pense conscientemente.'' ele dizia a si mesmo, voltando a ouvir os amigos.
''Claro que me preocupo! Mas não gosto tanto de ser pego e ter que cumprir detenção durante toda a madrugada com o Filch, aquela gata me dá arrepios, sabe?'' James dizia com certo tremor na voz.
''Sei, James, mas é por uma causa maior.'' Sirius dizia ''Por favor...''
''Tá bom! Mas pelo Remus, não por você.'' Depois de uma pausa James volta a dizer ''Porém, te ter como irmão para a eternidade não seria tão ruim, Black.''
''Digo o mesmo sobre você, Potter!''
''A fraternidade acabou?'' Remus disse sentando-se na cama e percebendo a cara de assustado dos dois, que aparentemente não haviam notado sua presença ali.
''Meu Merlin, Lupin! Desde quando está ai?'' James com a mão no peito diz.
''Desde as 3:00 da manhã, aproximadamente... Porque vocês não estavam? Não que eu não tenha ouvido a conversa sobre a detenção e perseguição.'' Remus cruzou os braços e olhou sério para os dois.
''Rem, não é o que pensa. Só estamos preocupados, só isso, como acordamos e você não estava aqui, decidimos ir atrás de você com a capa, mas então o idiota do James decidiu que seria uma boa ideia tirarmos por um tempo. Quando vimos a maldita gata do Filch, nos cobrimos depressa mas uma parte da minha capa apareceu e fomos pegos e forçados a fazermos rondas com ele pelo resto da noite pelo castelo.'' Sirius dizia com olhos de culpa para o loiro, enquanto James parecia nervoso do que aconteceria.
''Eu... entendo a preocupação, só não entendo a perseguição e não acreditarem em mim! Porque eu mentiria? Não faz sentido...'' Remus começava a mexer em suas mãos e morder os lábios inferiores ''Eu não estou fazendo nada de errado, apenas estou ajudando a professora Minerva, que, por um acaso me indicou para os outros professores, então tenho auxiliado eles também.''
Os dois à sua frente sentiam-se culpados, onde James variava com preocupação também. Havia percebido as mãos do amigo começarem a se mexer sem pausa, e além disso, o sono constante de Remus durante o dia, inclusive durante as aulas, as marcas novas nas mãos e braços, tudo isso tinha mantido James muito preocupado, mas tentava não transparecer pois, baseado nos acontecimento da madrugada, Sirius seria impulsivo em níveis extraordinários se percebesse os outros sinais também.
O mais alto era seu parceiro em poções, e havia percebido que o mesmo estava com dificuldade de concentração e de leitura e, pelo pouco que conhecia do amigo, imaginava que isso era muito incomum de acontecer. Até que, uma ideia, sob o olhar de reprovação de Remus, o nervosismo de Sirius ao seu lado, e sua preocupação, surgiu: enviaria uma carta à mãe de Remus. Assim ficaria tranquilo consigo mesmo, saberia se o que está havendo é normal, e poderia ajudar o amigo, tudo se encaixava.
Sem perceber que sorria sozinho, acordou de seus pensamentos com Remus falando:
''E porque esse sorriso na cara, Potter?'' Oh, ele estava bravo, nunca o chamava naquele tom de voz.
''Apenas lembrando o quanto gosto de você, Rem!''
Remus revira os olhos e pede licença para dormir um pouco mais, e quando deita, Sirius e James se olham e suspiram de alívio, indo cada um para sua cama.
Acorda, 3 horas depois, com Remus Lupin gritando alto:
''ACORDEM! TEMOS AULA!''
Seguido por um barulho de água, que resultou em três garotos molhados em suas camas e um Remus rindo em alto e bom som.
''REMUS!?'' Peter diz sem acreditar no que acabara de acontecer.
''O mundo irá acabar, e essa é a prova.'' Sirius dizia se levantando com seu pijama e cabelo pingando.
''Uma boa, Rem, realmente muito boa. De tão boa, eu, repentinamente senti uma certa vontade te dar, digamos, um abraço?'' James vai em direção ao loiro que ainda ria, mas que começa a ir até a porta que estava logo atrás de si.
''Acha que não pensei nisso, Potter? Estou há dois passos dos três, saibam disso... Agora, vou me retirar para a estufa de Herbologia, não se atrasem, guardarei lugar.'' Fecha a porta deixando a risada ecoar pelo corredor.
''Eu realmente não esperava por essa...'' Sirius ainda estava desacreditado, tal como Peter ''Mas foi mais inteligente e planejada que as nossas, devemos admitir. Ele conseguiu pegar nós três em uma.''
''Ah sim, sem dúvidas! Só nunca o deixaremos saber disso, certo?'' James dizia, recebendo um aceno de concordância dos dois amigos que começavam a se arrumar para a aula.
Ao estarem prontos, começam a sair para o corredor, já atrasados, encontrando Frank e Marlene que corriam para o mesmo local que eles. Contaram o que aconteceu para os dois amigos, estes que perderam o ar em meio à risadas e elogiaram Remus por tal feito, coisa que feriu James.
''Porque ninguém ME agradece pelas minhas pegadinhas?'' A voz saíra mais fina do que o esperado, isso vinha acontecendo quando expressava frases em tom de surpresa ou desconforto. Lily já havia ouvido estas — e soltado risadas — tantas vezes quanto ele gostaria de lembrar.
''Porque Remus foi um benfeitor, James. Precisa aceitar isso. Pegadinha com vocês três é como se ele fosse o herói que a grifinória, ou melhor, Hogwarts, tanto esperou.'' Marlene dizia revirando os olhos.
''Sabe, Marlene, suas palavras machucam mais do que um soco.'' Sirius dizia atuando como se estivesse machucado.
''Posso dar um soco se quiserem também, meus irmãos me ensinaram algumas coisas.'' A provocação fez Frank soltar uma risada.
''Entendi o porque de você e Lily serem tão amigas...'' James concluía já na porta da estufa para a aula, que, quando aberta, foi possível se ver Remus acenando para James, Sirius e Peter, que se encaminharam até ele.
''Estão mais secos do que antes, pelo menos.'' O amigo abriu um sorriso quando os outros estavam mais próximos.
''Saiba que meu coração se partiu em mil pedaços, Rem, perdi o café da manhã.'' Sirius disse fingindo secar uma lágrima.
''Oh, Sirius, me poupe! Se eu não tivesse acordado vocês, ainda estariam babando na cama.''
''Mas não precisava ser tão... molhado, Lupin.'' Peter resmungava à sua esquerda ''Ou pelo menos apenas nesses dois, não te fiz nada.''
''De certa forma, sou grato ao Remus, nos poupou de pensar em algo contra Peter, certo?'' James que estava ao lado de Sirius, exclamava olhando para Lily que estava à sua frente com Severus Snape, revirando os olhos em seguida.
''Bom dia, classe!'' a Professora Sprout entrava na estufa colocando suas luvas ''Continuando nossa aula de ontem, a qual espero que todos vocês se lembrem, tentaremos o reconhecimento de plantas mágicas e não-mágicas como o principal livro de estudo desse ano nos propões... Alguém pode me lembrar quem é o mago que propôs tais estudos?''
Remus e Lily levantaram as mãos simultaneamente, dando risada logo em seguida. Fizeram o mesmo durante as diversas aulas que tiveram nos últimos dois dias. Remus abaixou a mão e piscou para Lily, recebendo um olhar frio de Snape logo após.
''Foi o mago Studding Fhash, professora, após diversos anos de estudos com a natureza.''
''Muito bom! 10 pontos para a grifinória.'' A professora disse sorrindo. ''Então, meus caros, quais são os passos para diferenciarmos essas plantas?''
Vencido por uma garota da corvinal, Mary Mccdonald, Remus foi obrigado a ver seus 15 pontos serem entregues à garota que ao olhar para o mesmo e ser retribuída com um sorriso, corou e abaixou o olhar assustada. O que será que Remus havia feito?
A aula seguiu através de questionamentos enquanto eles reconheciam as plantas mágicas e não-mágicas, o que fazia o estômago do menino roncar por se lembrar que na última noite não havia conseguido tocar em seu jantar.
Pouco antes da aula acabar viu James e Sirius encarando Severus e Lily cochichando e furando, inconscientemente, as plantas a sua frente, até que Black grita ''Covarde!'' e James bate em seu braço em resposta.
''Parem de ser tão óbvios em observar os dois... prestem atenção no que fazem, estão machucando as coitadas.'' Remus diz entre os dentes enquanto Peter, de alguma forma, tem a testa suja de terra e está focado na planta em que os dois vinham trabalhando e, Remus já havia identificado, mas esperava o amigo também conseguir.
''Plantas não sentem dor.'' Sirius dava de ombros.
''Bom, talvez da próxima eu te transforme em uma alface e te machuque e você me diz se dói ou não, que tal?''
''Você é mal quando quer, né?'' Sirius semicerrava os olhos fingindo uma cara desconfiada.
''Apenas com você.''
''Ai ai...'' James diz em suspiros.
''Bom, vou voltar ao meu amigo de coração partido, se o senhor me dá licença.'' E volta a ver a costa do amigo.
''PRONTO!'' Peter exclama ao lado de Remus, que o percebe suando.
''Isso, Pete! Descobriu o que é?'' O loiro dá um sorriso ao mais baixo, orgulhoso.
''Sim! É uma cenoura e uma Descurainia.'' Peter estava realmente bem consigo mesmo.
''MUITO BEM, PETE! TOQUE AQUI!'' Remus falava um pouco mais alto, o que fez James e Sirius darem uma risada.
''Han... assim?'' Peter batia na mão esticada de Remus.
''Exatamente assim.'' E os amigos riam, arrumando as coisas, se preparando para entregar o formulário para a professora. ''Vou entregar, se quiserem indo, encontro vocês na sala...'' Mas vendo que os amigos negavam com a cabeça, via que não mudaria a cabeça deles.
Entendia. James havia reclamado que não passaram tanto tempo juntos, que Remus sumia e escapava deles, e realmente se sentia mal por isso, pois já se apegara aos meninos, mas não poderia arriscar qualquer coisa estando sob o controle da lua como estava. Ao chegar próximo à Professora Sprout, a mesma lhe mostrou um sorriso gentil e perguntou
''Como está, Remus?''
''Bem, professora, muito obrigado por perguntar. Sua ajuda tem sido ótima, de verdade.''
''Estarei aqui se precisar! E parabéns pelos pontos conseguidos hoje, embora eu ainda torça para minha querida Lufa-lufa.'' Ela lhe dava uma piscadela.
''Entendo perfeitamente!'' Ele se despedia, e, enquanto se encaminhava para onde os amigos se encontravam, ouviu uma voz fina o chamar.
''Remus...'' Era Mary.
''Oh! Oi, Mary. Tudo bem?'' o menino dava um sorriso.
''Tudo sim, escute, queria pedir desculpa por ter te interrompido antes, na hora da resposta. Mas sabe como é, a taça das casas.''
''Ei! não se preocupe, entendo perfeitamente! Sirius me deu um chute na canela após isso, mas nada fora do comum.'' Ele ria da expressão da menina ''não se preocupe, eu revidei com um belisco no braço.''
''Ah sim, isso eu vi! Bom, tenho esse bilhete aqui para você... se quiser ler depois, tudo bem. Vou indo para a aula agora, até mais ver.'' o garoto não se prepara para tanto já que, após isso, a menina ficou na ponta dos pés e lhe deu um beijo na bochecha. A vermelhidão de Remus era enxergada da última casa da aldeia de Hogsmeade, aldeia esta próxima à escola.
Ao sentir uma mão em seu ombro, ouve Sirius rindo em sua orelha e Lily em sua frente acenando a mão em seu rosto.
''Acho que o perdemos de vez.'' Lily dizia ''Não tem jeito, teremos de sacrificar.''
''Está doida? Não sobreviveremos sem ele! Vamos lá, Remmy, reviva.'' Sirius dizia de forma dramática.
''Não... me chame de Remmy.'' Remus piscava forte enquanto dizia.
''Oh! Quase achei que havia o perdido. Lily aqui desistiu rápido de você, mas eu? Nunca!'' a ruiva a frente deles revirava os olhos com a frase de Sirius.
''Rem... O que aconteceu?'' ela perguntava
''Ora, você não viu? Mary lhe deu um beijo na bochecha, isso aconteceu. Frank tinha razão: ela está gostando de você.'' Peter dizia do lado oposto de Sirius.
''Oh, Rem... não se assuste! Você é bonito, gentil e animado, será normal as meninas gostarem de você. E, para você se acostumar...'' E quando percebeu havia recebido um beijo na outra bochecha de Lily. Seria possível infartar? Se sim, provavelmente era o que estava acontecendo, havia lido os sintomas em um artigo uma vez e achava melhor ir confirmar com madame Pomfrey.
Começou a ser arrastado por Sirius e a última coisa que se lembra era de Snape o olhando de cima à baixo com o nariz mais torto do que o normal — se é que isso era possível — e se deparou com outro alguém sendo arrastado pelo de cabelos pretos, James, que permanecia imóvel após Remus receber um beijo de Lily.
''Ok, vocês dois, acordem! Se eu for o único acordado vocês não sabem as consequências do que poderá acontecer.'' Sirius dizia ''Peter me ajude aqui.''
''Certo... Remus, iremos rasgar os seus livros e James, eu beijarei Lily.''
Os olhos de James viram para Pettigrew, que sente a fúria do amigo de forma absurda.
''É brincadeira, Jay...'' o menino dizia.
''Vamos à história da magia, meus caros, preciso colocar o sono em dia!'' E Sirius os conduziu com os braços em volta do pescoço dos dois.
Chegando na sala, Remus decidiu que o melhor seria sentar com Peter que não faria perguntas caso caísse no sono e nem falaria sobre o ocorrido com as duas garotas, e assim foi.
Ao final da aula, os meninos correram para aula de feitiços onde, infelizmente, acabou ao lado de Sirius que, em certo momento, decidiu que usar a pena, que seria para levitar, para passar pelo nariz do mais alto, e tentar até mesmo arrancar algumas risadas. O que teve um efeito contrário, já que o mesmo ficou bravo e o proibiu de falar até o final da aula em troca de chocolate. Sirius pensou em rebater dizendo que não era tão fácil, porém ele realmente queria o chocolate, e aguentou o silêncio enquanto via o amigo realizar os feitiços com certa prática natural.
Com a aula terminada e os quatro se encaminhando ao almoço, Remus decide que é um bom momento para tentar falar sobre James o que havia acontecido. Sabia que o amigo estaria pirando por dentro.
''Ahn... James?'' ele diz relutante sentando-se ao lado do de óculos que ainda parecia desacreditado. ''Sabe que eu e Lily somos amigos, não sabe? E que não sei porque ela fez aquilo, mas definitivamente não foi porque gosta de mim.''
''Ou... vocês poderiam lutar até a morte pela garota... o que acham?'' Sirius falava enquanto fazia uma guerra de polegares com Peter.
''Sirius... '' Remus falava lançando um olhar tenebroso ao da frente ''Vamos, James, fale comigo, sim? Eu estava em choque com o que Mary havia feito e Lily só quis pregar uma peça. Não soube o que aconteceu na hora. Apenas vi a cara de Snape que, entre nós, foi hilária.''
''Sim, foi mesmo!'' Potter recuperava a consciência e ria com o amigo ''O nariz dele ficou mais torto do que o normal ou foi impressão minha?''
''Foi exatamente o que pensei!'' E os dois seguiam rindo, até James enxugar as lágrimas e olhar para o mais alto, percebendo a cicatriz no pescoço.
''Sabe, Rem, sei que você não faria nada assim comigo. É meu amigo. Sabe que sou o seu também, né?''
''Sei... por isso fiquei me sentindo mal com tudo isso.''
''E sabe que pode me contar o que precisar, certo?'' James arregalava os olhos como que para provocar algum efeito no amigo.
''Sei disso também, James... Agora, vamos comer pois quero chegar logo em defesa contra as artes das trevas, estou muito ansioso e, considerando como tudo tem sido, será muito útil a nós.'' Remus dizia se virando para o prato de comida.
''Soube de mais alguma notícia?'' Sirius comentava.
''Não muito, apenas o de sempre, algumas pessoas encapuzadas praticando arte das trevas por vilarejos... começaram também aparições de marcas esverdeadas no céu, segundo algumas testemunhas, mas ainda não se tem certeza do que realmente é.'' Remus conta mordendo os lábios inferiores ''Lily quem me contou quando nos encontamos na estufa, ela estava preocupada com os pais, e não deixei de me preocupar com os meus também.''
''Porque?'' Peter perguntava com a boca cheia.
''Bom, Pete, eles, sejam quem forem, pregam a favor da raça pura, ou seja, bruxos mestiços e trouxas devem ser exterminados, por assim dizer.'' Remus estremeceu ao pensar em algo desse tipo, não poderia aguentar nada que acontecesse aos seus pais.
''Ainda bem que estamos bem e protegidos, nada será ruim.'' Sirius completou dando um sorriso amistoso aos três ''Vamos indo?''
E os amigos se levantaram com risadas surgindo aos poucos e se livrando de pensamentos ruins sobre guerra, raça pura e marcas no céu... até o início da aula. Sentados em suas meses, dessa vez com James, Remus controlava a ansiedade pelo o que viria a seguir. Esperara muito por essa aula e estava ansioso.
''Boa tarde, caros alunos.'' O professor dizia ''Sou o professor Boot, e estarei lecionando a defesa contra as artes das trevas para vocês a qual o nome é bem sugestivo, não é mesmo?'' Ele dá um risada e retorna a sua fala ''E, considerando o cenário em que estamos vivendo, essa será uma matéria de extrema importância... portanto, vamos começar, certo? Peguem seus livros e abram na introdução ''O que são as artes das trevas?'', alguém para me responder?''
Remus levantou uma das mãos assim como Severus Snape.
''Grifinório, pode falar.''
''Certo! A artes das trevas são o uso da magia com a intenção de machucar ou matar ou qualquer jeito de ferir alguém. Elas são diversas e sempre se renovam, por isso não é possível extinguí-la, pois sempre surgem em formatos de objetos, poções, feitiços e até mesmo plantas.'' Remus terminou a fala orgulhoso de si mesmo.
''Muito bem! 10 ponto a grifinória.'' o senhor Boot dizia. ''Sei que essa parte será chata mas, falemos de história, quando podemos ter vestígios do surgimento das trevas na magia? Sinto muito, mas darei chance ao sonserino dessa vez.'' O professor falava referindo-se a Snape e Remus.
''Meu nome é Severus Snape, e o primeiro momento relatado das artes das trevas foi durante 1320.'' Snape dizia sério, e Remus percebeu James imitando-o o que provocou uma risada em Sirius que estava na outra fileira. O professor ouvindo a risada do mesmo o perguntou
''10 pontos para sonserina. E você, meu rapaz, poderia me dizer um pouco sobre os feitiços das trevas e suas proibições?'' Virando-se para Sirius.
''Ahn... claro'' Remus sentia-se nervoso pelo amigo ''Os feitiços das trevas são proibidos em muitos lugares do mundo mágico, mas não em todos, por exemplo, aqui em Hogwarts e da Durmstrang que ensina a arte das Trevas. Alguns feitiços também são permitidos para aurores britânicos em tempos de guerra, incluindo as três maldições imperdoáveis, mas tudo durante tempos de guerra.'' Sirius finaliza, segurando a risada pela cara de surpreso que Remus exibia e James com olhos completamente abertos por baixo de sua grande armação, conseguiu ver até mesmo Lily o olhar surpreso.
''Exatamente! 15 pontos para grifinória.''
2 horas de aulas depois, as 15:00, os meninos vão ao salão comunal da grifinória, acompanhados pelas garotas, Frank e seus colegas de dormitório, Afonsus Schimidt e Lysander Pyrites, em meio a risos e conversas, Remus começa a sentir sua cabeça latejar e doer. Faltava pouco, certo? Hoje não havia conseguido fugir dos amigos e, por mais que tenha se divertido, não o deixava menos preocupado.
''Então, Mary te beijou mesmo, Lupin?'' ouviu Frank questionar e soltar risadas logo após.
''ahn... sim. Não entendi muito bem, mas, sim!'' Remus dizia corando e ouvindo todos os garotos caírem em risadas.
''Pois eu acho justo! Olhe para Remus e veja um verdadeiro cavalheiro, diferente de vocês todos! Remus é gentil, bondoso, bonito e engraçado verdadeiramente, não como vocês que precisam sempre pregar peças.'' Disse Alice pegando a mão do amigo e o puxando para o lado dela e de Dorcas que enganchou seu braço no dele.
''Pois saiba, cara senhora Fortescue, que seu tão gentil e bondoso Remus Lupin nos pregou uma peça logo de manhã.'' Sirius dizia alto por estar longe das garotas.
''Ah sim, Marlene me contou!'' Alice concordava olhando para a amiga.
''Sim! E ela concordou, e todas concordamos, que esse feito de Remus é digno de medalha! Vocês três mereceram.'' Marlene dizia com Lily apontando para Sirius e dando muitas risadas.
''Ora, Black, não fique ressentido, apenas é que... Remus é nosso favorito, entende?'' Lily provocava. ''Cozinha malfeita'' ela disse em frente ao quadro, permitindo com que todo entrassem.
''Que seja.... Onde vai, Rem?'' Sirius se jogava no sofá perguntando.
''Para o quarto. Vou tentar dormir para me preparar para ajudar a professora essa noite. Vejo vocês mais tarde, não morram sem mim.'' Disse dando um último sorriso e subindo as escadas, podendo ouvir um ''POTTER!'' de Lily, imaginando o que James teria feito dessa vez.
Ao chegar no quarto e tirar seu uniforme, o garoto reparou em algo antes não visto: o quadro de recados estava com mais dois bilhetes.
Caro, Sirius, compreendo e entendo sua preocupação, mas acho que sua confusão com odores podem estar vindo de você mesmo afinal, pelo o que ouvi dizer, alguns veteranos reclamam que você cheira a cachorro molhado. Abraços.
James
Peter não aguentando, completou:
Fico feliz que viram como deixar bilhetes aqui serviria, minha mãe ficará muito feliz!
P.S.: James, sinto muito, mas concordo com Black, você deveria dar um jeito em seu sapato.
''Onde fui me meter?'' ele se perguntava baixo mas com um sorriso no rosto, enquanto se encaminhava para a cama para descansar um pouco até as 17:00. Enquanto isso, no andar de baixo, James pensava no que escrever a mãe do amigo sem deixá-la preocupada. Pensava no que aconteceria se sua mãe recebesse uma carta com teor de ''James está doente'', provavelmente quebraria qualquer barreira mágica para pegar o filho, e nem seu pai a seguraria.
''Cara senhora Lupin,
Muito prazer, sou James Potter, e venho através dessa breve carta realizar uma pergunta. Sou amigo de Remus e tenho estado preocupado com ele. Por mais que não nos conheçamos a muito tempo, sei como ele é e tenho notado certas mudanças esses dias, ele tem estado sonolento durante aulas, muito mais nervoso com as mãos do que o comum e com algumas marcas no braço e pescoço. Não sei se pode ser ansiedade, pois ele já me explicou esse fenômeno várias vezes durante esses dias, mas mesmo assim, achei melhor perguntar para a senhora. Ele tem ajudado os professores essa semana, e pode ser isso, mas achei melhor perguntar e confirmar se isso é normal.
Peço que não comente nada com ele, somos apenas três amigos muito preocupados (eu, Sirius Black e Peter Pettigrew, não sei se nos conhece, dividimos quarto com ele). Boa tarde ou noite e obrigado.
James Potter.''
Ao terminar a carta, colocou em um envelope e levantou apressado
''Onde vai?'' Sirius perguntou deitado no sofá.
''Ao corujal enviar uma carta, quer vir?''
''Por favor! Vamos, Pete?''
''Não, vou subir e ver se Frank quer jogar algo, vejo vocês mais tarde?'' Peter se levantava também.
''Com certeza!'' E assim se separaram.
''Deveríamos fazer um pacto de sangue!'' Sirius disse após vários minutos em silêncio próximo ao corujal.
''COMO?'' James exclamou alto.
''Porque sempre se surpreende com minhas brilhantes ideia? Oras, um pacto de sangue. Seremos irmãos para sempre.'' Sirius diz em tom sombrio.
''Black, não misturarei meu sangue ao seu, certo? Esteja ciente.''
''Tanto faz. O que vai mandar?''
''Uma carta aos pais de Remus, e sim, eu sei que ele nos matará se descobrir, mas preciso tentar.'' James disse antes do amigo dizer.
''Qualquer coisa você morre sozinho e eu fico com sua vassoura.''
''A sua é melhor do que a minha, Sirius!'' James dizia com a voz esganiçada.
''Mas então eu terei duas: uma muito boa e uma mediana.'' o de cabelo preto disse, recebendo um tapa na nuca logo após.
''Fiquei impressionado com você na aula hoje, onde sabia tudo aquilo?'' James terminava de soltar a coruja.
''Em casa. Meus pais me faziam estudar certos conteúdos, então, tenho facilidade.'' Sirius deu de ombros, lembrando bem o porque desses conteúdos serem estudados.
''Como são seus pais?''
''Ah, uns amores! Colhem morangos comigo em todos os verões, sabe?'' ele colocou a mão no coração dramatizando.
''Engraçado... bom, se quiser vir comigo para o natal, está convidado, minha mãe está muito feliz de eu ter amigos e chamou todos vocês, até Lily!''
''Oh, falou da namorada para a mãe, Jamesy?'' o amigo imitava beijos enquanto pulava em volta de James.
''Nunca mais te conto nada!''
''Você disse isso ontem e hoje durante a madrugada tagarelava do sonho acordado que teve com ela. Você nunca mais conseguirá viver sem mim, Potter.''
''Infelizmente.''
Depois de muito tempo conversando e rindo e vendo que tinham que se arrumar para o jantar, os meninos vão em caminho ao Salão comunal onde encontram Remus nas escadas, o garoto parecia mais nervoso do que antes.
''Já? São apenas 17:30, eles ainda irão jantar.'' James afirma.
''Gosto de preparar tudo antes, sinto muito, mas amanhã nos vemos, sim? Talvez eu consiga transfigurar Sirius em uma planta e veremos se ele sentirá dor.'' Remus arqueou a sobrancelha para Black, que fez o mesmo, e ambos riram ''Boa noite!''
''Porque eu não duvido que algum dia ele fará isso comigo?'' Sirius perguntou para James, que retribuiu com uma risada enquanto falava a senha e entrada no salão. Ao subirem para os dormitórios, se depararam com uma surpresa: uma barra de chocolate em cada travesseiro e um bilhete novo.
James, Peter e Sirius. Sim, Sirius, te deixei por último.
Venho aqui comunicar meu extremo prazer e felicidade por ter amigos em tão pouco tempo como vocês. Deixo meus chocolates a domínio de vocês, e, confiem em mim, são ótimos e feitos pela minha mãe. Durmam e descansem bem, ok? Nos vemos amanhã, e se preparem para ver o desastre que sou em cima de uma vassoura — pelo menos uma coisa vocês serão melhores do que eu HAHA!
P.S.: Fiquei orgulhoso de você, Black, me surpreendeu. Pete, o mesmo para você, um ótimo parceiro de herbologia.
P.S.2: Lily me disse que te acha bonito hoje, James.
''Lily... me.... acha... boni-'' James não terminou a frase pois começou a pular pelo quarto.
''Merlin!'' Sirius ria e abria o seu chocolate ''Isso é bom mesmo, James, aproveite o doce, surte por ela depois.''
''Remus é realmente incrível!'' James concluía e pensava no amigo, que no exato momento já estava atravessando o túnel para o ambiente já conhecido da casa abandonada. Pensara no dia bom que tivera, mesmo com tudo, e como se aliviara apesar das circunstâncias. Esperava que os amigos gostassem do presente, e sentiu-se feliz com esse pensamento, mesmo no situação em que se encontrava.
Os maxilares não doíam tanto mais.
As mãos também não.
Ainda se contorcia de dor, mas era compreensível.
De dia, passou rindo, e de noite passaria lutando contra esse monstro e uivando com raiva e tristeza por tudo o que era.
Pensar nas aulas do dia seguinte o ajudavam. Nos amigos rindo. Em Lily provocando James. Em Sirius o ajudando e tentando o animar. Essas lembranças o aliviavam um pouco, havia experimentado a noite passado e ajudara.
''Apenas mais duas noite, Remus, aguente.'' Ele dizia entre gritos abafados por sentir sua costa expandindo aos poucos.
''Só duas noites'' Disse em seu último lapso de consciência, virando o lobo que a lua esperara, com raiva pulsando em seus músculos, o animal começa a se machucar, marcando suas pernas e pés, um longo ritual que duraria noite adentro, até o garoto acordar desnudo no chão novamente, pronto para o novo dia, fingindo esquecer o que era e esperando que tudo fosse um sonho — como sempre fazia.
Mesmo que as marcas estivessem ali.
A raiva estivesse ali.
Ele esperava que fosse um sonho.
E desejava isso com todo o coração.
Fale com o autor