Desconhecido

3 Capítulo 2 - A Aluna Nova


Sirenes, Francine acordou assustada com o som, olhou de um lado para o outro, até perceber que se tratava do seu despertador, e aquele som agora parecia mais insuportável ainda, pois significava o primeiro dia de aula, para ela é claro, pois a escola já estava em aula há 3 meses.

- Acorda preguiçosa, saímos em 30 minutos! – Disse a avó, jogando sobre a cama, uma calça jeans e uma camiseta branca, sem estampa alguma. – E quando você chegar, vamos às compras.

Compras... Há quanto tempo não fazia compras? A última vez que se lembrava foi quando seus pais a levaram para comprar roupas novas, depois de ter doado algumas para a caridade, há muito, muito tempo.

Francine levanta-se da cama e começa a se arrumar para ir à escola, após o banho, veste a roupa que sua avó separou para ela, e coloca seus livros na mochila, sua avó já os tinha comprado antes que ela chegasse lá, desceu lentamente a escada sem animação alguma, ela não queria estudar em uma escola que já estava em aula.

- Vamos, anime-se, vai ser legal! – Disse Lorna, tentando colocar um sorriso na cara sonolenta da neta, funcionou. – Vamos comer!

Depois de comer alguns pãezinhos de queijo, ela deu um beijo na avó e foi embora. Ao sair de casa, finalmente respirou um pouco do ar fresco da manhã, era muito bom começar o dia fora daquele lugar tenebroso que era o St. Louis, o dia estava lindo, então caminhou até a esquina, onde todos da rua esperavam o ônibus, no meio caminho, foi interrompida.

- Oi, você é neta da Lorna não é? – Era ele, o garoto que Francine havia visto na janela de uma das agradáveis casas daquele bairro.

- Ah, sim! – Disse ela, gaguejando nervosa.

- Olha, desculpa por não ter ido falar com você naquele dia, então vamos começar denovo, eu sou Jensen! – Ele estendeu a mão esquerda.

Francine ficou paralisada, estava nervosa, ela não sabia o que estava sentindo no momento, uma explosão de sentimentos, tensão, adrenalina, nervosismo, por quê? Simplesmente porque ele havia falado oi.

- Oi, eu sou Francine – Disse ela, ainda nervosa.

- Deixe eu adivinhar, você está indo para a Shivers não? – Perguntou ele

- Sim, eu acho – Respondeu ela, esperando que Shivers seja o nome da sua nova escola.

Os dois seguiram até a esquina, onde encontraram outros adolescentes esperando o ônibus enquanto conversavam sobre música, um deles, um jovem alto de cabelos dourados, disse:

- E aí Jensen! Quem é essa?

- Oi Chuck! Pessoal, essa aqui é a Francine, ela é nova aqui.

Eles acenaram, sorrindo.

- Oi garota, seja bem-vinda ao bairro – Disse Dana, uma jovem morena de cabelos cacheados.

- Oi Francine, eu sou Layla – A bela jovem de cabelos negros e lisos disse, entusiasmada.

- Esses aqui são Frank, – Apontou para um garoto alto de olhos castanhos e cabelos lisos na altura do pescoço – Julia – Uma garota com um belo sorriso e lindos cabelos louros – e Liam – Um simpático e tí-mido garoto lendo um livro de ficção científica.

Eles novamente sorriram para Francine, pronto, agora ela já tinha pelo menos alguns colegas com quem sentar e conversar na hora do almoço.

O ônibus chega, está quase vazio, apenas algumas garotas se maquiando e um garoto brincando com um jogo violento em seu celular, eles entram no ônibus e Francine senta ao lado de Jensen.

- De onde você veio? – Pergunta ele com um simpático sorriso no rosto.

- Eu vim da Geórgia, vou morar um tempo com minha avó, porque minha mãe precisou viajar.

Ela se sentiu desconfortável tendo que mentir para ele, mas foi preciso, afinal, ninguém precisava saber que ela veio de um sanatório por conta da perda dos pais, além do mais, isso provavelmente o assustaria.

- Ah, sei, também já morei com minha avó, mas não foi por conta de viagem, perdi meus pais em um acidente de carro quando tinha 8 anos – Ele abaixou a cabeça, Francine sabia qual era o sentimento de lembrar de uma tragédia.

Ela estremeceu, ele também havia perdido os pais, por um momento, Francine pensou em contar sobre sua história, mas felizmente, a conversa dos dois foi interrompida por Layla.

- Os pombinhos vão ficar conversando sozinhos, ou vamos lá para trás contar o que a Francine precisa saber sobre a Shivers?

Francine sentiu suas bochechas ficarem vermelhas por um instante.

- Vamos – Disse Francine, sorrindo.

- Vamos – Jensen concordou.

Julia puxou as mãos dos dois em direção ao fundo do ônibus, ao chegar lá, eles começaram a conversar sobre a escola nova e outras coisas, sobre Vera, a professora mais chata do colégio, – Algumas pessoas dizem que ela pratica rituais no quintal de sua casa – sobre a comida de lá, que não é lá muito boa – Mas tem um prato especial para vegetarianos –, sobre as aulas, que Layla apontam como muito legais – Mas logo é desmentida pelo resto da turma – E sobre várias outras curiosidades, como os boatos de que a escola foi construída nas ruínas de um cemitério, ou até sobre a aparição da Bloody Mary nos espelhos do banheiro feminino, há dois anos, enfim, a conversa estava tão interessante que Francine não percebeu que já haviam chegado ao colégio, formado por três prédios pintados recentemente de uma cor que Francine definiu como cor-de-madeira, dentro, ele era bem preservado e iluminado, suas paredes coloridas deram um ar de felicidade ao lugar.

- Você vai ficar na minha sala! – Disse Layla, animada.

- Que bom! Preciso de orientações – Francine retrucou sorrindo, ela sentiu que Layla realmente seria sua amiga.

- Não se preocupe, eu te protejo das loucuras dessa garota – Disse Jensen, será que ele também estava na mesma sala?

- Ah é, o garanhão está na nossa sala, e o Chuck, o Frank e a Dana também! – Ela disse, sempre sorridente.

As duas se preparavam para subir as escadas até o corredor de cima, onde ficava sua sala de aula, quando teve a estranha sensação de que estava sendo observada, olhou para um lado e depois para o outro, até perceber alguém, a observando em uma porta distante dali, mas não era alguém comum, usava uma máscara, ela conhecia aqueles olhos negros e vazios, aquela expressão que nunca mudava, era ele. Francine começou a sentir uma dor de cabeça estranha e quando olhou de volta, ele não estava mais lá.

- O que foi? – Disse Layla preocupada com a reação da amiga – O que aconteceu?

- Nada, foi só uma dor de cabeça – Francine respondeu, olhando novamente o local onde há alguns segundos, estava o seu pior pesadelo, em carne e osso.

- Quer um remédio?

- Não, estou bem, vamos subir – Ela novamente põe um pequeno sorriso no rosto e então elas sobem as escadas.

Elas entram na sala de aula, é grande e aconchegante, Francine escolhe um lugar no fim da sala e Layla, senta ao seu lado, antes do professor chegar, Layla e Francine começam a conversar.

- Aqui eles não têm muitas regras não, apenas não use celular – Disse Layla, com uma cara de “é uma pena mas não pode”.

- Bem, eu não tenho mesmo – Francine dá um sorriso.

- Olha, aquele ali é o Trevor, ele é o capitão do time e namorado da Julia, mas os pais dela resolveram separá-los durante a aula porque eles não prestavam atenção – Layla apontou para um garoto alto de cabelos escuros e olhos verdes entrando na sala.

Francine percebeu que a pessoa certa para lhe orientar nessa escola seria Layla, isso a fez sorrir por um instante pensando em Vanessa, como ela estaria agora? Quando ela sairia daquele lugar? O sinal fez ela se assustar e então um professor – Alto e forte, deveria ter uns 40 anos – chegar.

- Bom dia turma, como passaram o fim de semana? Ah esqueçam, porque hoje temos uma nova aluna conosco – Ele disse, apontando para Francine – Qual o seu nome docinho?

- Francine – Ela disse, envergonhada.

- Eu sou Steven Hitchcock, e sou professor de História.

Enquanto ele começava a escrever no quadro, Francine olhou para o lado esquerdo, onde ficava uma janela e viu alguns garotos jogando futebol, ela sorriu, pois a cena lembrava seu pai quando jogava no time da cidade, o seu sorriso desapareceu no mesmo momento em que percebeu que um deles usava uma máscara e a estava observando.

- Francine, nos fale um malefício da revolução industrial – Ela ouviu seu professor dizer.

- O desemprego, pois, com a revolução industrial, as máquinas passaram a substituir os homens no trabalho, gerando o desemprego em excesso. – Ela respondeu, arrancando um sorriso do seu professor, pois a educação era tudo o que ela aproveitou naquele horrível sanatório, estudou a vida toda ali.

Após os elogios que recebeu de Steven, ela voltou a olhar o campo de futebol, mas o misterioso jogador não estava mais lá.

O sinal soou, finalmente, era hora do almoço, todos os alunos se dirigiam ao refeitório, Francine, Layla e Jensen, sentaram na mesa junto com Chuck, Frank, Dana, e Liam.

- Alguém viu a Julia? – Perguntou Chuck

- Deve estar com aquele namorado insuportável dela – Respondeu Dana, arrancando risadas de todos ali, realmente, ninguém o suportava.

- O que temos hoje no cardápio? – Layla olhou para uma placa grudada na parede da cantina, eu vou querer Batatas Fritas e um Refrigerante de Laranja.

- E você Frank, vai querer o que? Francine mal ou bem passada? – Disse Chuck.

- Eu vou pegar os lanches – Disse Frank

- Eu vou com você – Francine levantou-se.

- Vamos então.

Eles foram até a cantina e fizeram os pedidos.

- Não liga pro Chuck – Disse Frank – Ele é palhaço assim mesmo.

- Ah, tá, eu não ligo – Francine sorriu, envergonhada.

Depois que todos almoçaram, voltaram para a aula e Frank ficou observando Francine por algum tempo, ela não queria se envolver com ninguém por enquanto, aliás, ela nem sabia se ele realmente estava afim. O sinal soou novamente, agora para ir embora, então todos se dirigiram até a saída.

- O que achou do seu primeiro dia? – Disse Layla, pulando nos ombros dela.

- Eu gostei muito – Francine respondeu, sorrindo.

- Vamos, o ônibus está nos esperando!

- Ah, hoje eu vou com minha avó, vamos fazer compras, quer vir conosco? – Francine perguntou.

- Não sei... Preciso estudar – Layla pensou na proposta.

- Ah, vamos, vai ser divertido – Francine pediu novamente.

- Então tá, vamos, ainda tenho um pouco de dinheiro da minha mesada.

- As garotas precisam de proteção até em casa? – Jensen chegou de surpresa.

- Vamos fazer compras agora docinho – Layla disse, desarrumando seu cabelo.

- Ah, que pena, então nos encontramos amanhã? – Jensen perguntou.

- Amanhã – Francine confirmou.

- Tchau garotas.

As duas avistaram sua avó e ela acenou, então caminharam em direção ao carro dela, sentaram no banco de trás.

- Oi vó! – Disse Francine.

- Oi querida! E como vai Layla? – Ela perguntou sorrindo – Como está sua mãe?

- Estamos bem Sra. Collins – A simpatia dela era impressionante.

E então elas foram embora.