Desconhecido
13 Capítulo 12 - Cicatrizes
A bela moça, que até então eles julgavam como desaparecida – Ou morta – está bem ali, na frente deles.
- Julia?! – Chuck sorri ao vê-la e é correspondido
- Oi garotos! – Ela corre e os ajuda a levantar
- Onde você estava esse tempo todo? – Chelsea pergunta.
- É uma longa história – Ela suspira.
- E como você está?
- Estou bem.
- Escutem, vocês precisam chamar os outros enquanto eu vigio o desgraçado – Chuck diz.
Ele olha para o lugar onde o assassino estava desmaiado, mas não há mais nada lá.
- Droga! Droga! Droga! – Ele grita, enquanto pega a arma do chão e percebe que o machado dele também sumiu – Vamos embora, vamos encontrar os outros e chamar a polícia.
- Vamos – Chelsea concorda e eles vão embora.
Ao entrar no colégio, ouvem algumas vozes vindas de cima e resolvem subir. Ao chegar lá, Layla, Frank e Francine estão andando pelo corredor ainda procurando saber o que era o ruído que ouviram há alguns minutos.
- Voltamos, e encontramos o assassino – Chuck esbarra com eles.
- Oh meu deus, Julia! – Layla corre para abraça-la – Você está viva, mas por onde andou?
- Como você escapou? – Francine pergunta e Frank permanece calado, apenas abraça Julia e então se afasta para ouvir a explicação.
- Bem, ele me golpeou na barriga – Ela mostra o ferimento, agora costurado e se fechando – E me jogou na sala de limpeza, pensando que eu não estava viva, ai eu andei até a casa do zelador e ele ia me levar no hospital, mas eu pedi para que ele não avisasse a ninguém que eu estava viva, porque eu não estaria segura se aquele homem soubesse que eu estava viva, então resolvi ficar até a hora certa de acabar com ele. Só avisei aos meus pais, que vinham me visitar todos os dias, mas hoje, eu saí com os eles às escondidas e quando voltei, encontrei a casa revirada e o John tinha sumido, então percebi que ele já tinha descoberto o meu plano.
- Agora nós precisamos sair daqui, o assassino já sabe do plano de vocês Frank e tentou me matar! – Chuck exala medo na sua voz.
- E onde ele está? – Frank pergunta.
- Eu não sei – Ele começa a explicar – Julia o derrubou mais ele fugiu depois.
- Vocês acharam alguma pista sobre o Jensen? – Francine pergunta e Julia abaixa a cabeça.
- Está morto, com certeza – Ela explica – Eu o ouvi gritar.
- Que droga! – Ela fica nervosa e começa a chorar.
- Nós não vamos conseguir sair dessa, que droga, que ideia foi essa?! – Chuck fica exaltado.
- Eu estou tentando salvar nossas vidas e é assim que você me agradece?! – Eles começam a brigar.
Chuck parte pra cima de Frank, e após socos e mais socos, Layla consegue afastá-los.
- Parem com isso já! – Layla grita – Estamos sendo ameaçados e vocês ficam brigando como crianças?
- Pra mim já deu, isso já foi longe demais! – Chuck diz, enquanto limpa o sangue da boca e então sai andando pelo corredor.
- Aonde você vai? – Chelsea pergunta.
- Eu vou acabar com esse desgraçado de uma vez! – Ele responde.
- Não vá sozinho – Ela se preparava para segui-lo.
- Não venham atrás de mim! – Ele grita – Esse filho de uma mãe vai pagar caro!
- Não vá Chelsea – Vanessa aconselha – Ele está muito alterado, e, além disso, ele tem uma arma.
Andando pelo corredor escuro, ele continua furioso.
- Que tal você me enfrentar de uma vez hein seu desgraçado?! – Ele grita, enquanto procura sinais de movimento no local – Que tal parar de se esconder?!
Antes que ele pudesse terminar de xingá-lo, o homem surge diante dos seus olhos, Chuck sorri.
- Finalmente! – Ele diz, e aponta a arma direto para a barriga, o assassino não parece temer, então ele puxa o gatilho. Click. A arma não funciona, ele puxa denovo, e denovo, e denovo, mas não consegue resultado. O assassino abre a mão esquerda, deixando cair o cartucho com as balas do rifle. Droga, ele pensa, antes do homem acertar sua cabeça com o lado traseiro do machado. Ele cai no chão.
Frank, Francine, Layla, Julia, Chelsea e Vanessa permanecem parados no corredor, Frank se senta no chão e encosta na parede.
- Porque me seguiram? – Ele pergunta.
- Porque não poderíamos deixa-lo morrer aqui – Francine responde e eles ficam em silêncio por alguns segundos.
- Que silêncio – Frank acha estranho – Nenhum tiro, nenhum ruído, o que aconteceu?
- Vamos ver – Chelsea diz, enquanto começa a andar até as escadas.
Ao chegar ao térreo, não encontram nada, absolutamente nada.
- Cadê ele? – Layla pergunta.
- Acham que ele foi embora? – Chelsea responde.
- Não, se tivesse ido, nós ouviríamos o barulho do carro.
- Vamos procurar mais um pouco, achar o Jensen e o Chuck e dar o fora daqui – Francine fala.
- Vamos – Layla concorda e eles aumentam a velocidade do passo, tendo cuidado ao passar pelas esquinas dos corredores.
Chuck acorda aos poucos, sua cabeça dói muito, ele está com um pedaço de pano amarrando a região da boca, e está tonto, mas consegue enxergar o que está há alguns metros. Um garoto, também amarrado e com um pano na boca, está machucado, com cortes na testa e todo sujo. Jensen. Ao acordar, Chuck o ouve tentar falar algo, e é impossível de entender graças ao pano na boca. Depois de muita luta, eles conseguem cuspir os panos para fora.
- Chuck! – Jensen começa – Que bom ver você!
- O que aconteceu? – Chuck pergunta.
- Ele me pegou quando eu estava vindo pra cá!
- E onde ele está agora?
- Eu não sei, provavelmente está procurando o Frank pela escola, mas ele vai dar um jeito, ele tem uma arma, hoje tudo isso vai acabar. Mas e você? O que está fazendo aqui?
- Bem, a Layla me ligou e disse que você e o Frank estavam em perigo, então avisou à Francine e a Vanessa e então viemos pra cá.
- Como é? Layla e os outros estão aqui? – Jensen pergunta.
- Sim, Layla, Chelsea, Frank, Francine, Vanessa e Julia.
- Que droga! – Ele grita – Espera, você disse Julia? – Ele estranha.
- Sim, ela esteve viva esse tempo todo!
Jensen sente um sorriso involuntário aparecer no seu rosto.
- Mas enfim, você está louco se pensa que pode mata-lo.
- Ele é apenas um cara, não é imortal.
- É mas, sei lá, ele anda por aqui como se... como se... – Chuck pensa um pouco e finalmente a ficha cai – Como se ele conhecesse cada lugar da Shivers.
- Que droga! O que eu estava pensando quando resolvi inventar isso?
- Calma, cara, você não tem culpa, eu entendo que você não queria colocar mais ninguém em risco.
- Obrigado, mas é tudo culpa minha, elas não deveriam estar aqui.
- Não é sua culpa, se nós estamos aqui, é porque viemos te ajudar – Chuck diz – Aliás, que lugar é esse?
- Eu não sei, eu só desmaiei e acordei aqui – Jensen explica.
- Espera... Eu sei onde é este lugar!
- Onde?
- Estamos no subterrâneo do colégio!
- Como você sabe?
- Há alguns minutos, quando eu estava lá em cima, ouvimos alguns barulhos de vidro quebrando, e vinha de baixo do chão – Ele fita alguns cacos de vidro no chão e confirma.
- Como vamos sair daqui? – Jensen pergunta.
- Eu não sei – Chuck analisa bem o local, é quente, sem janelas e mal iluminado – Já sei! – Ele diz, enquanto olha alguns instrumentos cortantes numa mesa ao lado dele – Consegue pegar aquela faca? – Ele faz um sinal com a cabeça, apontando para a faca.
- Acho que sim – Jensen responde e tenta pegar a faca – Ai! – Ele grita, enquanto tenta pegar algo pra cortar.
- O que aconteceu?
- Eu me cortei em algo atrás da cadeira – Ele diz, fazendo uma careta de dor.
- Deve ser um pedaço da cadeira quebrado – Chuck diz – Isso pode cortar a corda – Ele sorri – Tente!
Jensen começa a movimentar as mãos pra cima e pra baixo, esfregando no pedaço afiado de madeira atrás da cadeira, até que a corda se rompe e ambos sorriem.
- Consegui! – Jensen comemora, enquanto pega a faca e corta a corda que prende Chuck.
- Vamos embora!
- Vamos – Jensen guarda a faca no bolso.
Eles caminham por um corredor com uma fraca iluminação, até chegar a uma porta. Ao abrir, se deparam com algo tapando. Um armário de ferro. Chuck começa a empurrar e com esforço, ele consegue derrubar e entram numa sala que ele reconheceu assim que pisou.
- A antiga sala onde ficavam os geradores e chaves da energia do colégio! – Ele analisa o local até então abandonado.
- Você já veio aqui? – Jensen estranha.
- Sim, muitas vezes – Ele sorri.
- Vou nem te perguntar o porquê, vamos logo!
- É por ali – Ele vai na frente e mostra o caminho, ao chegar na porta, eles saem no último corredor da escola, que estava em construção.
- Vamos encontrar os outros – Chuck diz.
- Não, vá pegá-los e os tire daqui, eu vou acabar com isso de uma vez por todas – Ele parece determinado.
- Não, vai por mim, eu já tentei e me dei mal – Chuck aconselha.
- Não dessa vez, confie em mim – Jensen pede, demonstrando toda a sua fúria no olhar.
Chuck pensa um pouco, mas acaba cedendo.
- Boa sorte! – Ele deseja, antes de sair correndo em uma direção pelo corredor e Jensen em outra.
Ao chegar ao corredor principal da escola, encontra Frank e as garotas, parados, já haviam dado Jensen como morto e Layla estava chorando.
- Ah, você está ai! – Frank diz, ao ver Chuck correndo – O que aconteceu? – Ele pergunta preocupado.
- Eu achei o Jensen! – Chuck avisa e Layla se levanta do chão, cessando as lágrimas.
- Onde ele está?- Ela pergunta.
- Ele me disse pra sair daqui com vocês e disse que iria acabar com isso de uma vez por todas – Ele responde.
- Como você pôde deixar? – Layla fica desesperada.
- Nós podemos acabar com ele Layla! – Frank diz, segurando nos seus pequenos ombros.
- Não – Ela desaba em lágrimas novamente.
- Chuck, tire as garotas daqui, eu vou procurar o Jensen – Ele diz, pegando a pistola.
- Tá!
- Não Frank, por favor! – Layla pede.
- Eu vou ficar bem, eu prometo – Ele diz e então vai embora.
- Vamos garotas – Chuck as leva para o carro e eles vão embora.
- Não! Eu não vou – Julia grita – Eu quase deixei Jensen morrer uma vez, não posso deixar denovo.
- Do que você está? – Chuck pergunta.
- Eu ouvi alguns barulhos dentro da escola, e depois o ouvi gritar, mas eu não fui ajudar – Ela começa a chorar – Eu estava com medo! Mas agora eu não tô mais! – Ela pega o rifle da mão de Chuck e coloca o cartucho, armando logo em seguida.
- Você sabe mexer nisso? – Layla pergunta, e ela apenas dá um sorriso malicioso e vai embora.
- Julia, volta! – Chelsea pede, mas ela não responde.
Chuck dá um leve sorriso, orgulhoso e surpreso, ele confiou no que ela disse.
- Vamos, preciso tirar vocês daqui e depois voltar pra buscar Frank e os outros.
- Se eles estiverem vivos – Vanessa soa irônica.
- Eles vão estar! Eu sei – Ele sorri – Vamos.
Eles saem do colégio e entram no carro e então vão embora.
Julia anda cuidadosamente pelo corredor, segurando o rifle com as duas mãos, como se soubesse usá-lo. E sabia. Tiro ao alvo era seu esporte preferido. Ela fica desconfiada, olhando para os lados e pra trás a cada vinte segundos, estava aparentemente sozinha naquele lugar. Onde Frank estaria? Onde Jensen estaria? Ela tinha esperança que ele ainda estivesse vivo. Eu não posso deixa-lo morrer. Ela percebe um barulho, vindo de dentro de uma pequena porta, o armário de limpeza, onde o assassino a jogou quando pensou que estava morta. Ela abre e se depara com um rato. Ela tinha medo de ratos, mas não era o seu pior medo naquele momento. Ela sorri. É só um rato. Mas quando vira, encontra novamente a silhueta grande e forte do homem que havia tentado mata-la, antes que ela pudesse mirar o rifle, ele a pega pelo pescoço, o joelho golpeia sua barriga, Julia solta o rifle, que cai no chão fazendo um barulho estranho, o barulho da sua chance de mata-lo indo embora. Droga. Ela tenta reagir mas ele é muito forte. Ela está ficando tonta e quase desmaia, mas o homem solta o seu pescoço, a fazendo cair no chão, ela começa a respirar e recuperar um pouco de ar, e tenta rastejar até o rifle, mas o assassino é mais rápido e o pega e quando está prestes a puxá-la pelos cabelos, ela o surpreende com um chute na barriga e ganha tempo para se levantar correr. Julia sobe as escadas e entra na primeira sala que encontra no corredor. Logo após, ela tranca a porta. O silêncio que de repente surge é agoniante, e apesar de não vê-lo e nem ouvi-lo, Julia sabia que não estava a salvo, pelo menos não por enquanto.
Frank toma cuidado ao passar pelos corredores da escola, um silêncio toma conta do lugar. Ele pensa em gritar por Jensen, mas isso não seria uma boa ideia, então ele continua andando. Sobe as escadas e nada. Então volta para o térreo, onde continua a procurar.
A sala está escura a vazia, iluminada apenas pelo luar que entra pela grande janela. Julia procura algo para se defender, mas não consegue achar, é quando se assusta com uma batida forte na porta. Alguém está chutando. Ela entra em desespero e não sabe o que fazer, então olha pela janela, e decide que a única chance de sobreviver é pular. Depois de alguns chutes, o assassino finalmente quebra a porta, mas não encontra ninguém dentro, apenas a janela aberta e o vento soprando pra dentro da sala. Ele se aproxima da janela e percebe a garota descendo por um cano entre as duas enormes janelas. Ao vê-lo, ela grita, e o assassino agarra o seu braço.
- Me solta! – Ela grita e tenta se soltar, mas o assassino é muito mais forte e consegue puxá-la de volta para a sala, jogando-a contra parede, ela se levanta e tenta lutar, mas não tem muita esperança de que conseguirá sair viva daquela batalha. Ele saca uma faca de cozinha do bolso e ela grita por socorro. O assassino parte pra cima, e quando consegue agarrá-la, ele cobre sua boca com uma das mãos, enquanto com a outra, ele passa lentamente a faca no pescoço dela, de um lado ao outro. Ela fecha os olhos, está morta e o sangue começa a descer pelo corte, sujando sua roupa. Ao perceber que ela perdeu os movimentos, finalmente ele leva o corpo de Julia até a janela, e o solta, deixando o corpo sem vida da moça cair em cima de alguns arbustos, o impacto da queda é tão violento, que acaba quebrando o pescoço dela.
Os gritos de Julia. Frank os ouviu, então começa a correr e sobe as escadas. O som veio daqui. Ele pensa. E começa a analisar as salas do corredor de cima, mas logo na primeira sala que ele examina, ele fica surpreso, a porta está arrebentada, as carteiras derrubadas uma das enormes janelas, aberta. Ele entra correndo, procurando por Julia, e vai até a janela, onde, infelizmente, ele a acha. Seu corpo ensanguentado deitado sobre o chão entre os arbustos. Oh meu deus. Ele pensa e então sai de lá, não aguentou mais ver aquela cena. Ao descer as escadas com pressa e quase vomitando, ele esbarra com alguém. Steven.
- Professor?! – Frank fica surpreso – O que faz aqui?
- Eu ouvi tiros vindos daqui e resolvi ver o que era, e quando cheguei, a o portão do colégio estava aberto – Steve responde, e Frank acredita, ele morava perto do colégio – Mas o que está acontecendo?
- É uma longa história – Ele começa – Tem alguém aqui, ele é perigoso e está matando todas essas pessoas.
- E porque não chamaram a policia? – Steven pergunta.
- Se chamássemos, iríamos colocar mais pessoas em perigo, mas agora foi longe demais, pela manhã, nós vamos chamar.
- Venha, eu vou te tirar daqui!
- Não posso, preciso procurar o Jensen – Ele recusa a ajuda do professor.
- Como assim? O Jensen também está aqui?
- Sim, nós viemos aqui e só sairemos com esse assassino morto – Frank vai embora, andando pelo corredor.
- Droga! – Steven diz, e então também vai embora, pela porta da frente do colégio.
Frank faz uma busca pelo colégio inteiro, e após alguns minutos procurando o amigo, ele percebe o vidro da porta do armário de limpeza quebrado e a luz acesa, quando se aproxima, ele percebe que está trancada e então abre, encontrando Jensen lá dentro, totalmente sujo e machucado, com cortes no braço, um – bem grande – na perna e a camisa rasgada, dando pra ver alguns arranhões na barriga.
- Caramba, Jensen! – Frank diz, e ajuda o amigo a se levantar.
- Ah, graças a deus! – Ele diz, sorrindo.
- Vamos pra casa – Frank apoia o braço de Jensen ao redor do seu pescoço e com muito esforço, eles chegam até o carro de Frank.
Ao chegar ao carro, Frank o coloca no banco da frente e liga o motor, indo embora logo em seguida.
- Você conseguiu? – Jensen pergunta – Conseguiu matar o desgraçado? – Ele sorri, mas Frank não responde nada e então ele entende o recado. Ele não conseguiu – Temos que voltar!
- Não, é claro que não temos – Frank começa – Olha como você está, tudo isso é culpa minha! Eu bolei esse plano diabólico.
- Não é sua culpa, eu aceitei numa boa não foi? Então pronto, a culpa é minha também – Ele explica – Mas temos que voltar, ele ainda está vivo.
- Não, nós vamos pra casa agora.
Ao chegar à casa de Jensen, eles descem do carro e quando entram, percebem Francine, Chelsea, Layla, Chuck e Vanessa sentados no sofá, aflitos e com medo.
- Oh meu deus, você estão vivos – Layla fica feliz em vê-los.
- Nossa, vou pegar o kit de primeiros socorros da minha avó – Francine vai correndo até a casa dela.
- Cadê a Julia? – Chelsea pergunta.
- Ela não conseguiu – Frank abaixa a cabeça, se sentindo culpado.
- Ah, mas que merda! – Chuck diz.
- Oh meu deus – Layla diz, antes de cobrir a boca com a mão.
- E vocês conseguiram mata-lo? – Vanessa pergunta.
- Não – Frank se sente culpado novamente.
- Eu já disse, temos que voltar lá – Jensen interrompe.
- Você tá louco? – Layla grita – Olha o seu estado, e você ainda quer voltar? – Ela pergunta, exaltada – Vamos ligar pra policia!
- Bem, eu achei um esconderijo subterrâneo, aparentemente, ele mora lá no colégio, ou perto – Chuck começa.
- Isso explica o fato de ele conhecer tão bem o lugar – Frank percebe.
Layla pega o telefone e disca o número da policia, que apenas chama e não atende.
- Que droga! – Ela grita – Não atendem!
- Vamos até lá – Vanessa sugere.
- Vamos.
As duas saem correndo pelo meio da rua, não há absolutamente nenhum sinal de vida, todos estão dormindo, então elas tentam fazer o mínimo de barulho possível. Ao chegar à delegacia, encontram a porta destrancada, mas as luzes apagadas. Estranho. Vanessa pensa, então elas entram, não há ninguém lá, apenas um balcão todo bagunçado e um telefone fora do gancho. Elas vão até a cozinha e não encontram nada. Mas então percebem que o freezer está entreaberto, com medo, elas olham o que há dentro, se assustam com o que acham. Um corpo. Um policial magro e alto, sem as mãos e os pés e sem os olhos.
- Oh meu deus – Layla cobre a mão com a boca e vira o rosto.
- Ele é mais inteligente do que nós pensamos – Vanessa lamenta.
- Vamos embora, tenho certeza que ele sabia que esse seria o próximo lugar que nós iriamos.
Vanessa puxa o braço de Layla, que permanecia imóvel depois de ver mais um corpo. Elas saem correndo da delegacia, com medo de o assassino estar observando-as.
- Vamos logo! – Vanessa aumenta a velocidade.
Francine chega com o kit de primeiros socorros e começa a limpar as feridas de Jensen com álcool, ele reclama da dor no começo, mas depois se acostuma.
- Obrigado – Ele diz, com os olhos brilhando.
- De nada – Ela sorri, desajeitadamente.
Vanessa e Layla entram ofegantes em casa, trancando a porta.
- O que aconteceu? – Chelsea pergunta, confusa.
- Ele matou os policiais – Layla engole em seco.
- Ele sabia que nós iriamos pra delegacia e então tratou de chegar primeiro – Vanessa explica.
Chelsea fica perplexa. E agora?
- Que droga! – Chuck grita – Olha, eu vou pra casa, preciso devolver o carro dos meus pais. Amanhã chamamos a policia federal, a CIA ou talvez o papa, sei lá!
Ele vai embora, muito nervoso e Layla vai atrás dele, mas antes que ela pudesse dizer algo, ele arranca o carro e vai embora, em alta velocidade.
- E agora? – Chelsea pergunta.
- Agora, você e Layla vão para o quarto dormir, e eu fico aqui na sala com o Jensen, só até a manhã, para garantir que ele não vem pra cá.
- Está quase amanhecendo – Layla diz – Eu preciso dormir mesmo, obrigada – Ela agradece com um sorriso.
- Só estou fazendo o meu trabalho – Ele sorri também.
- Então tá, tudo quase certo por aqui, já posso ir pra casa! – Francine brinca, quando termina os curativos de Jensen.
- Obrigado – Ele beija a sua testa.
- Só estou fazendo o meu trabalho – Ela olha pra Frank, que sorri.
- Então tchau – Vanessa se despede, enquanto puxa a mão de Francine.
- Tchau – Ela também se despede e então elas vão embora.
Frank é vencido pela fadiga e quando acorda, já é de manhã, Jensen não está no sofá. Deve ter ido pro quarto. Então ele resolve ir embora.
Após quatro horas, às onze e meia da manhã, Francine é acordada pelo toque e a vibração do seu celular. Com os olhos fechados ainda, ela mete a mão embaixo do travesseiro e pega o aparelho, é Frank.
- Oi Frank – Ela diz, sonolenta.
- Francine, tenho más noticias – Ele informa.
- Má noticia já virou rotina pra mim – Ela reclama.
- Bem, eu liguei pra policia de NY e eles chegaram aqui e eu mostrei a escola e a delegacia a eles.
- E o que disseram?
- Nada – Ele começa – Não havia nada lá, nada de corpos, nada de armas e nada de vidro quebrado, mas as janelas tinham sido recentemente consertadas. O assassino limpou o colégio inteiro, e outra coisa, não acharam nenhuma passagem secreta. Seja quem ele for, conhece muito bem aquele lugar e conseguiu enganar a policia, nós teremos que voltar e examinar isso agora durante o dia, quando as aulas terminarem – Ele avisa – Francine, ele conhece técnicas e é habilidoso, você disse que ele era um garoto de mais ou menos 20 anos né? Bem, eu não sei quem ele é, mas de uma coisa eu tenho certeza, nós não estamos lidando com um mísero adolescente vingativo, estamos lidando com um verdadeiro psicopata.
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