Desconhecido
6 Capítulo 5 - Despertar
Sozinha em casa, Francine preparava o almoço, sua avó havia saído para consultas médicas de rotina, e ela ficou encarregada de fazer o trabalho. Frango Com Molho de Ervas, era o que ela preparava, era muito boa em cozinhar, pois essa era a única atividade que sentia prazer e praticar com Vanessa no St. Louis, aliás, ela deveria ter saído daquele lugar há alguns dias, onde estaria agora? Na casa dos pais talvez, ela disse a Francine que sentia muita falta dos pais, e até contou os melhores momentos que passou com eles, infelizmente, Francine não teria a sorte que ela tem, de encontrar os pais, esperando por ela na porta de casa.
Deu um pulo, havia se queimado na panela, estava tão distraída que não percebeu que a comida estava no ponto, despejou em uma tigela de vidro e guardou no forno, dando espaço agora para fazer o feijão e o arroz. Ouviu a porta abrir.
- Francine, cheguei! – Sua avó disse.
- Como foi no médico? – Francine pergunta.
- Ah, normal, nada de diferente, rs.
- O almoço está quase pronto!
- Ok, mas preciso tomar um banho antes, odeio hospitais.
Lorna subiu as escadas e Francine, vendo que estava tudo pronto, andou até a sala e ligou a TV, mudou de canal algumas vezes até chegar a um telejornal que noticiava o assassinato de uma jovem moça que havia sido estuprada e logo após morta por um grupo de marginais. Mudou de canal novamente, passava uma chamada para o novo episódio de American Horror Story que passaria às 16:20, demorou alguns minutos sentada, folheando a revista de receitas de sua avó.
- E então, vamos almoçar? – Lorna disse, assustando Francine, que não havia percebido a presença dela.
- Vamos! – Ela respondeu.
Após almoçarem, Francine subiu até o seu quarto, e depois de tomar um banho, deita-se na cama e ouve seu celular tocar. Layla.
- Oi Layla! – Francine diz.
- Olha, se arruma porque nós vamos ao shopping!
- Não sei, acho que vou dormir um pouco.
- Olha pela sua janela!
Francine vai até a janela e vê o carro de Dana parado em frente à casa, Layla acena.
- Desço em 5 minutos! – Francine diz.
- Tá!
Ela escolhe uma roupa e desce as escadas, avisando a sua avó:
- Vou ao shopping com as garotas ok?
- Ok, mas não volte tarde – Lorna responde.
- Pode deixar – Ela diz, saindo apressada.
Ao chegar ao carro, encontra, além de Layla e Dana, Julia e Chelsea.
- Oi garotas!
- Vamos lá! – Dana diz, arrancando com o carro.
Está anoitecendo, uma garota chega em frente à casa de Francine, desce de um carro prateado e anda até a porta, onde toca a campainha. Lorna atende.
- Francine está? – A garota pergunta.
- Não, mas ela está quase chegando, quer entrar para esperar?
- Se não for muito incômodo
- Mas é claro que não, entre! – Lorna disse, sorrindo. – Desculpa, qual o seu nome?
- Vanessa.
As garotas se divertiram a tarde toda, compraram algumas coisas, conversaram bastante, até levantaram a autoestima de Julia, que ainda estava abalada por conta da noite passada. Dana parou o carro em frente à casa de Francine.
- Nos vemos amanhã! – Layla diz
- Tchau Fran! – Julia e Dana dizem
- Tchau Francine – Chelsea se despede logo em seguida.
Francine anda em direção à porta, pega suas chaves no bolso e abre a porta, dando de cara com sua melhor amiga em anos. Vanessa. Ela fica paralisada ao vê-la, mas logo põe um grande sorriso no rosto e corre rumo a um abraço.
- Vanessa! – Ela diz, abraçando-a.
- Oi Fran!
- Nossa, nem acredito nisso! – Francine está exaltada.
- Ela chegou aqui há um tempo – Lorna interrompe.
- Ah, essa é minha avó, Lorna – Francine diz – Mas acho que vocês já se conhecem, rs.
- Ela é um doce – Vanessa diz.
- Então, como me achou? – Francine pergunta.
- Bem, eu pesquisei um pouco, com o Jake – Diz ela, referindo-se ao enfermeiro amigo delas no St. Louis.
- Você está morando com seus pais?
- Sim, estou.
- Ah, pode ligar para eles e dizer que você vai ficar 3 dias aqui comigo! – Francine diz, sorrindo. – Né vó?
- Ah, mas é claro! – Lorna diz.
- Não sei, será muito incômodo.
- Não será não!
- Então tá, mas preciso ir em casa pegar roupas, vamos comigo, é a 30 minutos daqui, você vai conhecer meus pais!
- Tá, deixa eu pegar meu casaco! – Francine sobre até o quarto, pega o casaco e desce. – Volto em uma hora ok vó?
- Tá! – Lorna grita.
- Vamos!
Elas seguem viagem, conversando sobre suas vidas fora daquele horrível sanatório, ao chegar, Francine se depara com uma grande casa.
- Vamos lá! – Vanessa diz.
Francine desce do carro e as duas entram na casa, na sala, um homem de bela aparência, deveria ter mais ou menos uns 40 anos.
- Oi pai, essa é a Francine, minha amiga – Vanessa os apresenta. – E Fran, esse é o meu pai, Michael.
- Oi, é um prazer te conhecer, Vanessa não parou de falar de você desde que chegou.
- O prazer é todo meu.
- Pai, eu vou pegar algumas roupas, vou passar três dias na casa da Francine.
- Tá bom!
Elas sobem até o quarto de Vanessa, onde encontram sua mãe, arrumando seu guarda-roupas.
- Mãe, essa aqui é Francine.
- Oi, dá pra acreditar, 19 anos e ainda não sabe arrumar um guarda-roupas, rs, eu sou Charlotte! – Ela estende a mão simpaticamente e Francine recebe o cumprimento.
- Oi!
- Olha mãe, vou pegar algumas roupas porque vou passar três dias na casa da Francine ok?
- Tá, mas não desarruma isso, demorei demais arrumando! – Charlotte diz e em seguida sai do quarto.
Vanessa escolhe algumas roupas, coloca dentro de uma mala e então sai do quarto descendo as escadas.
- Pai! Mãe! já vou!
- Tá filha – Ele diz, dando um beijo na cabeça dela.
- Se cuida! – Sua mãe diz.
As duas entram no carro e voltam para a casa de Francine, conversando sobre os pais de Vanessa e falando sobre a Shivers. Elas chegam e sobem para o quarto de Francine. Depois de tomarem banho as duas assistem a um filme de comédia até adormecerem.
Francine abre os olhos lentamente, já é de manhã, o despertador ainda não tocou, ela acordou um pouco antes do normal, olhou para o lado, Vanessa estava sentada em uma cadeira, ouvindo música, ao perceber que Francine estava acordada, tirou os fones.
- Bom dia, bela adormecida! – Brinca ela.
- Que horas são? – Francine pergunta.
- Seis e dez.
- É cedo ainda, mas vamos nos arrumar porque você vai à escola comigo hoje.
- Tá bom.
Elas se arrumam e quando faltam apenas alguns minutos para sair, elas descem as escadas e comem deliciosas panquecas que Lorna fez para o café. Elas comem e Vanessa elogia o café da manhã, após isso elas vão embora.
- Vou te apresentar meus amigos! – Francine diz.
Ao chegar lá, encontra sua turma reunida como sempre.
- Bom dia! – Francine diz, sorridente
- Bom dia – Liam e Chuck dizem ao mesmo tempo
- Oi fofa – Layla manda um beijo.
- Essa aqui é a Vanessa, uma velha amiga minha!
- Olá – Diz Dana
- Tá indo pra Shivers também? – Layla pergunta.
- Sim, só por três dias, rs. – Vanessa responde.
- Ela veio passar esses dias comigo.
O ônibus chega e todos entram. Na viagem, eles sentam no fundo e Layla faz várias perguntas a Vanessa, então chegam à escola, ao descerem do ônibus, percebem que esse não é um dia normal na Shivers, vários carros de polícia parados em frente, os alunos logo correm para saber o que aconteceu, um corpo está sendo retirado, antes que pudessem cobrir por inteiro, Francine percebeu, era o corpo de Trevor, cobriu a boca com as mãos, horrorizada, chocada. Então conseguiu ouvir dois policiais conversando.
- O corpo foi encontrado nos fundos do ginásio, pendurado em uma árvore, com o pescoço dilacerado e sem os dois olhos, que brutalidade. – Disse o policial alto e magro.
Sem os olhos. Francine congelou ao ouvir aquelas palavras, não podia ser verdade, não podia. Ela saiu correndo, seus olhos lacrimejavam, foi até o gramado, embaixo de uma árvore, onde enfim, desabou em lágrimas e vomitou. Vanessa percebeu e chamou Layla para irem até lá, as duas saíram correndo atrás de Francine.
- Fran, o que foi? – Vanessa perguntou.
- Ele voltou! Ele voltou! – Ela gritava desesperada – Eu tenho certeza, ele voltou!
- Quem voltou? – Layla perguntou, assustada com a reação da amiga.
- É uma longa história – Vanessa suspirou, abraçando Francine.
- Vamos tomar um copo d’água – Layla disse.
- Vamos.
As duas levaram Francine até o interior do colégio, que estava vazio, exceto por Steven, sentado na mesa de uma sala, suspirando, mas não parecia tão desesperado quanto os outros lá fora, ele percebeu a euforia das garotas e foi até elas.
- O que aconteceu? – Steven pergunta.
- Eu não sei, ela ficou desesperada assim – Layla responde.
- Pensei que não conhecesse o Trevor.
- Ela só está abalada por conta dessa violência – Vanessa tenta amenizar a situação.
- Bom, eu levo vocês em casa – Steven ofereceu uma carona.
- Muito obrigado! – Layla diz.
Os quatro vão até o carro de Steven e ele os leva até a casa de Francine.
- Cuidem dela, eu preciso voltar – Ele diz.
- Pode deixar – Layla diz.
- Vamos levá-la pra dentro – Vanessa sugere.
Elas entram e sobem as escadas até o quarto de Francine.
- O que aconteceu? – Lorna pergunta, assustada.
- Trevor foi morto! – Layla responde, quase chorando.
- Ele voltou! – Francine diz.
- Quem voltou Francine? – Lorna pergunta.
- Você sabe quem!
- Não, querida, ele não voltou, fique calma.
- Quem voltou gente? Não estou entendendo nada!
- Vou te contar, deixe-me acalmá-la.
Sua avó pega um copo d’água e a oferece.
- Tome isso – Ela diz, oferecendo, além da água, um comprimido. – Vai te acalmar.
- Eu não posso me acalmar, ele está de volta! – Ela continua histérica – Ele vai me matar!
- Ninguém vai te matar Fran! – Vanessa tenta acalmá-la
Por fim, ela acaba tomando o calmante e então, depois de alguns minutos, dorme.
- Você pode me contar o que está havendo agora? – Layla pergunta à Vanessa.
- Olha, quando a Francine tinha 11 anos, a família dela foi assassinada por um homem, e ele foi internada em um sanatório, e quando ela saiu, veio morar aqui com a Lorna, desde então ela pensa que o mesmo assassino da família dela voltou e agora está atrás dela.
Layla cobre a boca com as mãos.
- Oh meu deus, é verdade?
- Infelizmente.
- E você a conheceu no sanatório?
- Sim.
- Oh meu deus, que horrível.
- Pois é, agora entende porque ela acha que ele voltou?
Ela faz um sinal de afirmação com a cabeça.
- Preciso ir pra casa, preciso dormir. – Layla diz, ainda chocada com o que acabou de ouvir.
- Vá, é o melhor que você pode fazer agora.
Layla vai embora. Vanessa desce as escadas e vai até a cozinha beber um pouco de água e encontra Lorna.
- Ela dormiu? – Ela pergunta.
- Sim, e acho que não vai acordar agora.
O cômodo fica em silêncio por alguns segundos.
- Acha mesmo que ele voltou? – Vanessa pergunta.
- Não sei, mas se isso realmente acontecer, é melhor que tomemos muito cuidado, ele é perigoso, e não vai parar até acabar com o que não conseguiu há seis anos. As duas se entreolham, Vanessa engole a seco, pois percebe do que Lorna estava falando, sobre matar Francine.
Francine passa toda a tarde dormindo, e Vanessa permanece ao seu lado, pensando se o assassino realmente voltou.
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