Desconhecido
2 Capítulo 1 - Ventos da Mudança
Tic Tac, o tempo não estava a seu favor. Francine mal podia esperar para sair daquele lugar, mal podia esperar para respirar novamente o ar – Não totalmente – puro de Seattle. Como estaria a cidade? Como estaria sua avó? Como seria sua vida dali em diante? Seus pensamentos foram interrompidos pelo abrir da porta do seu dormitório.
– Hora de ir embora! – Disse o enfermeiro que por ela entrou.
Francine não conseguiu conter um grande sorriso aliviado e se levantou da cama bagunçada, já estava pronta pra partir, mas antes, precisava se despedir de sua única amiga todos esses seis anos que passara naquele horrível sanatório.
– Preciso falar com Vanessa – Disse ela alegremente.
– Vamos – O enfermeiro respondeu.
Lá estava ela, sentada, olhando pela janela o mundo lá fora, estava desenhando como de costume, seu último desenho foi uma flor nascendo em meio ao deserto, que pintou durante o horário do almoço por uma semana.
– E aí!?– Francine diz, sem conter a felicidade.
– Oi Fran! – Vanessa responde mais exaltada ainda – Hoje é o grande dia não?
Os olhos de Francine começam a lacrimejar ao olhar para os lados e perceber que não é justo deixar Vanessa naquele lugar horrível.
– Não chora, por favor – Diz Vanessa – Eu vou ficar bem, eu também vou sair e iremos nos reencontrar
As palavras confortam o coração de Francine, que neste momento está se partindo por deixar pra trás sua única amiga em anos.
– Eu volto pra te buscar! – Francine promete, abraçando a amiga em seguida.
– Está na hora – Diz o enfermeiro, com uma assustadora seriedade.
As duas acenam pela última vez, enquanto o enfermeiro conduz Francine até a porta.
Ela está à apenas alguns passos do mundo lá fora, seu coração bate forte, com uma animação gigantesca por estar indo embora, mas também com tamanha tristeza de deixar sua amiga ali. Os portões se abrem, o vento que vem de fora é muito melhor que no pátio, tem gosto de liberdade, finalmente está livre. Ao sair, Francine dá de cara com sua avó, Lorna, em pé, de frente a um belo Mercedes Benz preto, que ela não reconheceu, talvez seja novo. As duas correm rumo a um caloroso abraço.
– Como é bom te ver denovo! – Diz Lorna, analisando o corpo de Francine – Você está tão magra!
– É, a comida não é muito boa aqui – Francine retruca, arrancando um sorriso de sua avó
– Vamos pra casa! Nova Iorque é longe daqui.
As duas entram no carro, a viagem é longa até Nova Iorque.
– Por que se mudou? – Francine toca em um assunto delicado
– Bem, não podia mais viver com as lembranças – Responde a avó, tirando o sorriso do rosto – Mas não vamos mais falar sobre isso.
– Desculpa, eu não queria...
– Você não tem culpa querida – Lorna interrompe – Mas não vamos falar sobre isso mais, tá?
– Tá – Francine responde com uma voz fraca, e então procura uma posição confortável para dormir
Algumas horas depois, ela acorda em frente a uma bela casa em um bairro calmo, a casa da avó é simplesmente linda, tem um belo jardim, uma cor muito charmosa, tudo o que ela sempre desejou, sua expressão de admiração se transforma em susto quando sente uma lambida na perna, é apenas uma pequenina cadela, uma bela cadela amarelo-escura, na coleira, seu nome, Bree, Francine sorri e acaricia sua cabeça de leve, ela parece gostar do carinho.
– Linda não? – Pergunta a avó, apontando para a porta – Vamos conhecer seu novo lar?
– Claro! – Francine diz, animada.
Lorna a leva para um verdadeiro passeio pela casa, que dentro, parece ainda mais bela, se surpreende ao chegar ao seu quarto, é Verde-claro, sua cor favorita, com um teclado e um banheiro só para ela.
– Nossa, que maravilhoso! – Ela diz com os olhos brilhando.
– Que bom que gostou! Vá descansar um pouco que eu te acordo pra jantar.
Francine obedece e vai se deitar um pouco, ainda é à tarde, ela pensa em como vai passar seu aniversário de 18 anos, que será nesse fim de semana, talvez fique em casa, dormindo, pois a data não lhe trás boas lembranças. Um barulho a assusta e ela se levanta da cama e grita pela avó, mas sem conseguir sucesso, resolve descer as escadas e ir até a cozinha, esse silêncio não parece um bom sinal, ao chegar na cozinha, encontra o corpo de sua avó, sobre a mesa, sem vida e sem os olhos, antes que pudesse perceber o que isso significava, Francine encostou na parede, horrorizada, estava paralisada pelo medo e pelo horror, até ouvir uma voz suave como uma canção dizer:
– Francine? Francine?
Ela acordou berrando, encontrando em seguida, o rosto preocupado de sua avó, foi apenas um pesadelo.
– Nossa, você está suando, o que aconteceu? – Pergunta Lorna, preocupada com o estado dela.
– Nada, apenas um pesadelo – Francine responde, tomando uma lufada de ar.
– Vamos descer, tomar um copo d’água e depois comer, o jantar está quase pronto.
Ela respira fundo, se levanta da cama, e desce as escadas, desconfiada, pergunta por sua avó e ela logo responde, aliviada, ela sorri e senta na mesa, um belo jantar está servido, pães e queijo fresco, suco de laranja e frutas das mais variadas cores e tamanhos, tudo isso a levou para os 10 anos de idade, no seu aniversário, no dia em que seus pais compraram um belo vestido vermelho para ela, Francine fechou os olhos, não queria lembrar do final dessa história, então pegou um pão e colocou uma fina fatia de queijo dentro, ao terminar de comer, pegou uma maçã e foi andando em direção ao jardim, sentou na grama sentindo a brisa do vento e analisou a vizinhança, tinha um velho cortando a grama alta do jardim de sua casa, umas senhoras sentadas na calçada de uma casa vizinha, provavelmente conversando sobre a vida alheia, duas crianças brincando com um cachorro, alguns adolescentes sentados em um círculo, se divertindo, e um garoto, observando Francine pela janela de sua casa, quem seria aquele garoto? Porque tinha esse olhar estranho? Porque Francine estava desesperadamente curiosa para conhecer mais sobre ele?
Fale com o autor