Desconhecido
17 Zênite
Notas iniciais
Desconhecido
ZÊNITE (s.f); “o ponto ou grau mais elevado; apogeu, culminância.”;
Capítulo 17
Zênite
Golden Gate, Yosemite, observatório Griffith, castelo de Hearst, Santa Mônica, Chinatown, Redwood, Disney, Universal Studios Hollywood. Na Califórnia existem diversas cidades movimentadas, mas Los Angeles e São Francisco sempre conseguem se superar. A calçada da fama era tão visitada que me dava enjoo – igualmente o letreiro de Hollywood. Estrangeiros simplesmente não sabiam da existência de Sacramento e Santa Rosa, o que fazia o trânsito ser mais aberto e as ruas um pouco menos movimentadas. Era ruim para a economia.
Mas era excepcionalmente agradável para amantes atrevidos.
A pele de Nate era sensível. Qualquer aperto ou afago mais bruto significava um novo vermelhidão ou até mesmo um novo hematoma. Mordidas que o digam.
– Isso não é certo... – comentou rouco, sorrindo. Os olhos inflamados.
– Hm... – não concordei ou discordei. Continuei meu percurso na curva de seu pescoço, desfazendo a barreira de tecidos que me escondia seu ombro – não é certo por quê?
– Talvez por que... Estamos em um estacionamento?
Fechei os olhos ao finalmente alcançar seu ombro nu. Aspirei sua fragrância devagar. Era uma noite fria e o ar-quente do carro estava desligado. Seus pelos eriçados.
– Não curte uma adrenalina? — não houve resposta. Só um baixo grunhido de protesto quando lhe apertei a coxa e mordi seu queixo. Senti o gosto do álcool quando encaixei uma vez mais nossas bocas. Indiferentes à última segunda-feira, as mãos de Nate me arranhavam as costelas de forma sutil.
– Não é bem meu tipo, sabe...
River segurou meu pulso e forçou-se a levantar. O banco traseiro do carro amassado e o vidro fumê meio aberto. Suspirei e alcancei a trava, pronto para sair e deixá-lo no campus; não era tão longe da Land Park Lanes, onde estávamos eu, Nate e Mail jogando boliche por um par de horas. E então fui prensado. A trança do meu cabelo desfeita em seus dedos. Minha língua desfilou, umedecendo-a. Queria um beijo, mas a única coisa que Nate fez foi respirar contra minha pele e manter meu pulso preso, firme.
Ele piscou e me olhou, sorrindo. Era um jogo de gato e rato.
– Não curto adrenalina, talvez... Eu seja mais voltado para o lado romântico da história – proferiu, acertando a camisa de botões no corpo cálido.
– Podemos trabalhar com isso também – sussurrei.
– Alguma ho...
– Ei, vocês!
Pulei para o outro lado do banco, com o cenho franzido. Era só um guardinha, com o típico uniforme azul escuro e olheiras.
– Por acaso sabem que horas são? São quase duas da manhã! Tecnicamente, ainda é quinta. Que tal o casal de pombinhos tentarem na próxima noite e longe do meu estacionamento?
O olhei melhor pela fresta do vidro, com a resposta na ponta da língua.
– Claro, tudo bem. Estamos indo, não é Mihael?
Sem sair do carro, passei para o banco do motorista e Nate manteve-se atrás. Ajustei o retrovisor e vi Nate vermelho. Liguei o carro e logo estávamos longe do guardinha-estraga-festa e seu estacionamento. O silencio era incomodo, porém decidi por não ligar o rádio.
– Se importa se eu te deixar na outra entrada do campus? – questionei, verificando a hora no celular.
– Vamos para casa.
Nate era um garoto fechado apesar de tudo. Por isso nunca havia lhe exigido sequer um “te amo”. Ele tinha seu tempo e seu mundo, e eu deveria entender isso. Talvez ele gostasse de planejar cada momento, assim como uma criança montam cidades com LEGO ou cartas de baralho. Namorávamos há muito pouco tempo, contudo, pelo menos isso eu entendia. E no momento em que ele disse somente “casa” e não “sua casa”, meu peito se apertou um pouco; talvez angústia e uma espécie de felicidade absurda misturadas. Não há como explicar.
Cocei a nuca e vi que o sinal havia se fechado e eu passado direto. Multas da madrugada.
Quando cheguei à garagem, imaginei que Nate havia cochilado no banco traseiro, mas estava bem acordado. Segurou sua mochila e me olhou com um brilho, posso dizer, um tanto ousado.
Talvez ele gostasse de planejar cada momento.
– Você gosta de adrenalina? – perguntou, ainda na porta do edifício.
– Gosto... – ergui as sobrancelhas, desconfiado.
– Então vamos lá.
Fui puxado até o elevador, que já aguardava a próxima vítima. Protestei, mas logo estávamos dentro da caixa metálica e abafada. Olhei para Nate, talvez um pouco chateado com a situação. Foi então que ele simplesmente largou a alça da bolsa e apertou o botão de emergência. O elevador deu um baque repentino, o que me fez perder o equilíbrio e quase cair. A intensidade da luz diminuiu e o número do andar travou entre o n°08 e 09.
– O que diabos acha que está fazendo?! – me exaltei.
– Este é o único elevador do prédio inteiro que ainda possui o botão emergência, que faz o elevador travar. Todos os demais possuem sirene e câmeras ativas – explicou – este, porém, é especial. Um modelo mais antigo, acredito. Dos anos noventa.
– Ok... E daí?
– Bom... – se aproximou, separando os botões azuis da camisa de suas respectivas casas – você queria adrenalina, Mihael.
Ok, ele gosta de planejar cada momento.
Meus ombros caíram e eu fiquei sem fala. Esperava esse momento há tempos, mas nada que envolvesse um caixa de sapatos metálica e ameaçadora. Reencostei ao corrimão da parede fria. A pouca iluminação do ambiente era responsável por sombras sem nexo. Meu pulso estava rápido e eu sentia o suor gélido descer minha nuca. River começou a se aproximar devagar, feito um animal enjaulado, pisando pela primeira vez na selva.
Segurou-me novamente os pulsos e mordeu meu queixo. Inverti as posições facilmente. Se fosse pra acontecer algo, que eu o iniciasse; quem sabe assim o nervosismo passasse com maior facilidade, uma vez que eu gostava de estar no comando. Agarrei seu quadril com rigidez e o forcei contra a parede, mordendo seu pescoço. Senti sua mão em meu ombro. O tirei do chão, segurando firme suas coxas. Senti o chão tremer sob meus pés, o elevador sacolejando.
Beijos insanos, doídos. Eu o queria tanto que... O sentimento transbordava de modo agressivo. Colei meu corpo no de Nate, assim pude livrar minhas mãos. Acariciei seu peitoral exposto, apertei sua carne. Sentia ainda o suor em minha nuca e meu membro se firmando dentro do jeans.
– Você... – comecei. Eu não queria falar nada, só agir, mas... – tem certeza de tudo isso?
Ele me olhou sério. Os olhos âmbar escurecidos.
– Não tenha dúvida.
Nate escorregou um pouco e eu fui forçado e usar meu quadril para ampará-lo. Gemi de modo quase imperceptível. Quase. Segurei um de seus mamilos e apertei, puxei, o deixando vermelho e irritado. Pude observar seu semblante de dor, tanto quanto senti a ereção de Nate através do tecido de sua calça. Beijei seu peitoral e mordi sua clavícula, fazendo-o reclamar. Sorri, imaginando o resto da textura do seu corpo. De todo o corpo.
O garoto se remexeu um pouco, o que me fez largá-lo. Ele colocou ambos os pés no chão, parecendo bambo. Rapidamente voltei a me aproximar, minhas mãos nervosas. Abri o zíper da calça de Nate, visualizando seu tamanho. Acariciei ainda sua barriga, arranhei sua virilha. Deslizei até a parte mais quente do corpo do meu namorado, sentindo-o em toda sua altura. Estava rijo e pulsante em minha mão. Nate gemeu e fechou os olhos.
Agachei-me, mantendo um joelho no chão e puxei sua cueca para baixo, deixando-o por total exposto. E era a primeira vez que eu me encontrava em tal posição. Talvez não soubesse o que fazer. Umedeci meus lábios e abocanhei seu falo; o garoto voltou a gemer mais alto e se encolheu um pouco. Minha língua passeava e eu me esforçava para manter um ritmo adequado. Gemi, igualmente extasiado com a situação. Massageei um pouco mais e lambi sua ponta. Parei por alguns segundos, a fim de recuperar fôlego, mas senti meus cabelos na mão do garoto, me empurrando contra si. Sorri. Eu estava fazendo certo.
Não demorou muito para Nate chegar ao ápice e ficar paralisado por um ou dois minutos. Se desfez em mim e tive o prazer de tomá-lo. Levantei-me vagamente, fazendo um percurso quente em sua pele, chegando a sua boca. Partilhando seu gosto e seu cheiro.
Meu próprio membro gritava por atenção dentro da calça, o que me fez abrir meu próprio zíper e massagea-lo. Nate tomou minha posição e danou a aperta-lo, ora com força, ora devagar. Gemi manhoso. River ainda estava de pé, me olhando nos olhos e estudando cada reação presente. Deslizou o polegar e comentou algo sobre veias no meu ouvido, mas que não entendi. O garoto me arranhava, deixando quatro linhas vermelhas e contínuas em todo meu corpo.
– Hm... Na... te – gemi alto, movimentando meu quadril em direção a sua mão. Segurei sua nuca e o trouxe para mim. Nossos lábios se moviam numa sincronia quase impossível.
Quando se abaixou, Nate fez de tudo; me beijou, mordiscou e lambeu; menos me engoliu. Era uma tortura desastrosa, uma vez que eu me movimentava em sua direção a fim de me satisfazer e ele desviava o rosto.
Nunca o odiei tanto.
Nunca o amei tanto.
Joguei minha cabeça para trás, quando finalmente senti sua boca quente e sua língua me deslizar. Sincronizados, os movimentos pareciam mais eficientes. Senti suas mãos em minhas nádegas, apertando com força. Meus joelhos enfraqueceram.
Senti o orgasmo se aproximando, acompanhado de um imprevisível silêncio. Nate havia parado com tudo e agora sorria. Levantou e manteve a mão esquerda no meu falo.
– Je vous souhaite – murmurou – me faire complète, Mihael.
Não sabia quanto tempo iria aguentar ainda, mas acatei sua ordem. O virei de costas, seu rosto prensado contra o metal. Mordisquei sua nuca, segurei seu pulso. Agarrei forte uma de suas nádegas, me esfregando. Meu coração e pulmão competiam pelo troféu da corrida; brigavam para ver qual estava mais nervoso e rápido.
– Você quer que eu...
Nate se inclinou de supetão, encaixando nossos quadris. Podia sentir meu membro entorpecido em suas coxas. Havia entendido. Inclinei sobre o garoto e entrei, sem um lubrificante sequer. Nate grunhiu e apertou com força minha mão. Segurei seu quadril, endireitando minhas costas e custei começar a me movimentar. Imagino o quanto deveria doer, mas talvez, mais tarde, tudo valesse a pena; desde a dor até se fossemos pegos pelo sindicato do prédio.
– É tão gostoso, Nate... – cochichei em seu ouvido. Caminhei minha mão ao seu membro já duro e voltei a trabalhar em seu prazer. Um frenético vai e vem, o chocalhar do elevador e gemidos cada vez mais altos e próximos do ápice era tudo que se podia ouvir.
– Oh, Mihael...
Quando finalmente me despejei dentro do garoto, fiquei estático. Afundei minhas unhas na pele suave. Ele também havia se esgotado: minha mão estava molhada e um tanto dormente.
Ele foi o primeiro a ceder e sentar no chão do elevador, com as pernas abertas, o rosto escarlate e um eufórico pulmão desastrado. Parecia destruído. Parecia um anjo caído, expulso do paraíso por satisfação carnal.
– Sabe... Acho que isso não é nada bom para a saúde.
– Sexo? – questionei quando beijei um hematoma azulado em seu ombro.
– Sentar no chão de um elevador... nu – ergueu as sobrancelhas – e de repente... Me bateu um sono... – sorriu.
– Ah... Sim, sim. Mas se adoecermos, temos você, meu doutor. — acertei meu jeans na cintura e saquei meu celular, a fim de dar uma conferida nas horas: 03h23min. Sexta-feira 13.
Era engraçado pensar no assunto: agora éramos amantes.
Não que precisássemos necessariamente de alguém para nos sentir completos. A vida era mais que isso, era menos clichê que isso, contundo, não tirava o fato de que eu me sentia mais cheio e feliz, farto e satisfeito.
Talvez “Nate” signifique “delírio”, em alguma língua extinta e remota, que tem significado mais especifico ainda: embriaguez; perturbação de espírito causado pela febre; loucura proveniente da paixão.
Talvez ele gostasse de planejar cada momento.
03 de dezembro de 2015
ZÊNITE (s.f); “o ponto mais elevado que se pode atingir; auge; fastígio.”.
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