Desconhecido

18 Casey VS. Weatherly


Notas iniciais
Opa! Atrasada again! Bom galera, último capítulo de 2015, que pra mim foi um ótimo ano (apesar de tudo). Espero que apreciem. Segue o AVISO: CAPÍTULO CHATO, MAS NECESSÁRIO. Rapaz, eu tentei pesquisar pra escrever ele, mas não consegui. Enrolei, enrolei e por isso cap. demorou pra sair. Ontem eu descobri que tinha esquecido de pagar minha internet dia 20 e ela foi cortada. Então resolvi escrever pelo o meu conhecimento próprio qqq Dei uma pesquisada no final, acertei alguns bagulhos e aqui está, finalmente hahaha Bom, fim de ano e eu gostaria de agradecer a todos que estão me acompanhando e acompanhando Desconhecido. Brigadão, gente ♥ Em especial, queria agradecer a Tathe, por sempre mandar aquele comentário divoso e bater altos papo maroto comigo~ Obrigada, gatinha. Também a Imymemine, por me incentivar desde o inicio! Voltei a postar a história (de 2011) em 2015 e ela foi a primeira pessoa a me dizer “vai dar certo! Continua”, além de continuar me acompanhando em todos os cap. Vocês duas não sabem como é postar um cap. e sempre esperar seus comentários! E eles sempre vem! É tão gostoso gente hahaha Boa leitura~

Talvez “Nate” signifique “delírio” em alguma língua extinta e remota, que tem significado mais especifico ainda: embriaguez; perturbação de espírito causado pela febre; loucura proveniente da paixão.

E talvez ele gostasse de planejar cada momento.

Desconhecido

Capítulo 18

Casey VS. Weatherly

Observei Casey Campbell; aliás, que um dia foi Campbell. Agora era Roberts-vingança-na-alma. Estava diferente, com o cabelo mais escuro e uma saia de brim. Eu realmente nunca imaginei vê-la em roupas formais e agora me questionava: como um dia eu fui gamado nela? Onde estava Nate? No primário. Revirei os olhos e encontrei os verdes de Casey.

Mantinha um olhar tão penetrante sob mim, que eu jurava que se alguém passasse entre nós, seria cortado em dois, como se a Excalibur estivesse ali, invisível. Acertava os papéis e pastas com uma força ríspida e desnecessária, enquanto subia ambas as sobrancelhas. Uma aura escura e maligna rodeava a morena. Franzi o cenho e me afastei um pouco para trás, virando o rosto. E alguém riu da minha atitude. Sabe-se lá quem.

Olhei para Weatherly logo ao meu lado, com seu “melhor traje”, que era um terno xadrez marrom com gravata azul escuro. Ele observava um tanto quanto desolado o juiz, que tinha olhos de águia. Frios e imperdoáveis.

Por ser um caso público e que envolvia algumas poucas pessoas – especificamente, as afetadas pelo chocolate contaminado -, o júri era composto de vinte e uma pessoas. Algumas me encaravam com um ódio tão profundo que eu só conseguia imaginar duas coisas: ou elas foram pagas por Matarazzo ou eram da família das vítimas.

Estávamos há quase três horas na audiência e Lorenzo exibia um sorriso estúpido no rosto desde o inicio da sessão. Casey me atacava feito um tigre esfomeado, com acusações absurdas, que iam desde ameaças a Yagami, a até provas e álibis falsos.

– Senhor Keehl, seu único álibi sobre a “suposta” ameaça que meu cliente, Sr. Matarazzo, fez contra sua pessoa, é Nate River, certo?

– Correto – respondi com desdém. Ela pronunciara o nome de Nate de modo tão desagradável.

– E é verdade também que o conhece há pouquíssimo tempo? Tenho aqui uma ficha hospitalar, recente, de poucos meses atrás – ela começou a folhear uma pasta azul clara – que diz que o garoto de dezenove anos foi atropelado pelo senhor. Aqui tem sua assinatura.

– Sim, está correto.

– É verdade também que possui um relacionamento romântico com Nate River? — torci as sobrancelhas em desdém. Que espécie de pergunta era aquela?

– Protesto juiz — Weatherly a cortou — O quanto isso é relevante para o caso? Estamos em uma audiência pública. Isso só irá expor meu cliente.

– Protesto aceito. A acusação tem algo mais a ser dito?

– Sim, meritíssimo. Em oito de dezembro, uma segunda-feira, diversas pessoas deram entrada no hospital com sintomas graves, que vão até a hemorragia interna. O motivo? Chocolate contaminado, da empresa na qual Mihael Keehl atua como vice-presidente. Contudo, um dia antes, dia sete, Mihael Keehl foi fotografado em um evento particular do Sr. Matarazzo. Correto?

– Sim – mais suspirei do que respondi. Aonde ela queria chegar?

– Então você confirma que esteve em um evento particular da Sublime. Por que estava lá?

Olhei para Weatherly. Com o olhar ele permitiu que eu respondesse.

– Recebi uma ligação no meu aparelho celular, um convite. A secretária de Matarazzo o fez.

– E tem alguma prova Sr. Mihael? Uma conta de telefone que confirme o caso, o dia e horário da ligação?

– Er... – olhei para o homem sentado logo ao meu lado.

– Se me permite, meritíssimo, sim, nós temos. Porém, o número originário de tal ligação, vem de um telefone celular descartável. Portanto, sem endereço de destinatário – meu advogado se pronunciou.

– Então está dizendo que não há provas que a secretária do Sr. Matarazzo, lhe fez um convite formal para o evento, certo?

Mantive-me quieto, de cabeça erguida. Queria virar e olhar Nate e Mail, que estavam em cadeiras logo atrás de mim.

– E o que impede que o Sr. Keehl, tenha armado tudo isso? – ela se dirigiu para o júri – digamos, olhem como essa história está mal contada! Não há provas de telefonema algum, não há provas que meu cliente tenha contratado homens para, vejam bem, invadir fábricas da Cocoa Empire e seu mais importante álibi, é também seu aman...

– Protesto! – Weatherly impôs de novo. Quando ele levantou ao meu lado, reparei que eu estava prendendo a respiração – ela está, literalmente falando, colocando o júri contra o réu. E como dito anteriormente, expondo meu cliente.

Casey podia ser bastante persuasiva quando queria. E isso era importante no ramo. O júri agora cochichava baixo e me encaravam de lado. Olhares acusadores.

– A defesa pede um intervalo – o homem de gravata azul do meu lado exigiu. O juiz só assentiu, avisando um intervalo de trinta minutos Algumas pessoas se levantaram. Caminhei até uma pequena sala com Weatherly ao meu lado, fumegando. Estava vermelho de raiva. Eu sinceramente não me importava de expor minha relação com Nate, mas achei melhor ficar quieto.

– Ela está dobrando o júri. Conseguiu a simpatia deles já – ele tomava água em um copo descartável – vê o sorriso dela? O sorriso de uma cobra. Ela tem prazer no que faz.

– Levando em conta que ela me odeia e esse é o serviço dela... Deve estar sentindo muito prazer sim... – apertei a mandíbula – e agora?

– Temos que reconquistar a confiança do júri. É a vez da defesa agora. Vamos chamar River e... Rezar.

Logo estávamos de volta à mesa. O peso de todos os olhares sob minhas costas.

– A acusação tem algo mais a ser dito?

– Não.

– A defesa tem a palavra.

– Obrigado. Bom, como já tido pela Srt. Roberts, meu cliente, Mihael Keehl, “supostamente”, recebeu um convite para um evento particular, no qual ele compareceu junto de um amigo, Nate River. Sr. Matarazzo, confirma que meu cliente esteve presente em seu evento?

– Sim, é verdade – o homem se acertou na cadeira. Usava um terno branco com gravara dourada. Cabelo bem penteado.

– E confirma também que diversos seguranças guardavam a porta do local? Digam-me, como alguém passa despercebido assim? Como alguém estaciona seu carro no estacionamento e passa pela porta principal, sem ninguém o impedir?

Matarazzo franziu o cenho e pude ver certo tremor vindo de Weatherly, que prosseguiu.

– Lá dentro, meu cliente afirma que trocou algumas poucas palavras com Yagami Raito. Não ameaças. Nate River e uma mulher estavam presentes no momento. Após isso, o Sr. se encontrou com Matarazzo, certo? – ele se dirigiu a mim.

– Certo.

– E sobre o que conversaram?

– Ele me fez uma proposta de emprego. Alegou que admirava meu trabalho e que eu poderia me dar muito bem como presidente da Sublime.

– E o senhor aceitou a proposta?

– Não. Mas mesmo assim recebi duas semanas para pensar na proposta.

– Agora chamo Nate River, como testemunha – Weatherly subiu o tom.

Nate estava desconfortável e isso era óbvio. Sua postura quase sempre um tanto curvada estava reta e a roupa sociável lhe era um pouco folgada. Ele fez o juramento e logo estava no meio da sala, com diversos olhares em suas costas.

– Pode prosseguir a narração do Sr. Keehl?

– Claro. Depois de recusar a proposta, com o mesmo tom amigável, Lorenzo Matarazzo lhe deu duas semanas para pensar, porém, alegou que teria de tomar providencias, caso a resposta não fosse a que esperava.

– Você se sentiu em segurança, River?

– Não. Percebi o tom de ameaça. Tanto que quando saímos do prédio, parei para conversar com Mihael e exigi que tomasse a frente e procurasse um advogado.

– Então confirma que se sentiu ameaçado?

– Sim.

– Obrigado. Logo o chamo novamente – Nate se retirou.

– Isso foi o ocorrido no dia sete, domingo. Na segunda-feira, produtos adulterados da Cocoa Empire começaram a circular. Empresa que nunca antes cometeu um erro sequer, reclamações completamente nulas. Tanto Orlando Carter, quanto seu filho, atual dono da empresa, Anthony Carter, sempre tiveram total respeito para com seus consumidores. Chamo agora, outra testemunha. Por favor, senhor Denis Smith.

O cara apareceu. Aparentava ter seus trinta anos. Cabelo raspado, óculos de grau e porte físico forte. Parecia um entregador de jornais porto-riquenho.

– Smith trabalha na fábrica norte do estado da Califórnia da Cocoa Empire. Ele quem coloca as caixas nos caminhões. Por favor, conte-nos o que estranhou no dia cinco, sexta-feira.

– Um caminhão da empresa. Aparentemente tudo estava normal, sabe? Mas eu não conhecia ninguém. Nem o motorista, nem o cara da prancheta. Falaram que eram da fábrica central. Descarregaram algumas caixas e sumiram o resto do dia. Não me levem a mal, mas meu trabalho não é questionar. Os deixei quietos. No fim do expediente, quando todos os caminhões tinham saído, eles pediram para eu encher o caminhão. Disseram que era um novo tipo de sabor, algo assim, e por isso era pra “agora”. Eu não questionei. Coloquei as caixas no caminhão e logo fui embora.

– Então, confirma que as caixas que o Sr. carregou não eram caixas já prontas, certo? Eles quem tinham escolhido a dedo quais iriam ser transportadas?

– Sim.

– Obrigado, Smith. Bom, como podem ver, na sexta-feira já tinha algo errado. E meu cliente recebe uma proposta no domingo e a recusa. No dia seguinte, as barras já foram espalhadas por todo estado. Estranho, não concordam?

Casey me fulminava com o olhar. Encolhi meus ombros. Estava apático com a situação. Queria comer o bombom que estava derretendo no meu bolso.

– Tenho aqui imagens da dupla desconhecida. Peço para que a polícia do estado da Califórnia que os identifique.

– A acusação pede intervalo – Casey falou depois de quase uma hora.

Weatherly parecia animado finalmente. Comi meu bombom e depois de dez minutos, voltamos.

– A defesa quer continuar?

– Sim, meritíssimo. Matarazzo lhe deu duas semanas para pensar na proposta, estou certo?

– Sim.

– E o que aconteceu quando o prazo de duas semanas venceu?

O olhei por breves segundos. Pensei que íamos deixar esse assunto para o final, como última cartada.

– Fui abordado por dois homens armados em um elevador...

– No prédio onde fica meu escritório! Logo depois de uma sessão, quando meu cliente estava a sair do prédio, dois homens o abordaram no elevador. Mihael lutou contra eles. Na luta, sofreu traumatismo craniano e levou um tiro. Passou por cirurgias no hospital UC Davis Medical Center e não se lembra do ocorrido.

– Protesto! – Casey se impôs – o que tal acontecimento pode ter relevância para o caso? Várias pessoas são abordadas todos os dias, pelo amor de Deus, estamos nos Estados Unidos!

– Você tem razão, Srt. Roberts – Weatherly sorriu. Um sorriso diabólico – contudo... Tenho aqui gravações da câmera escondida do elevador. E adivinhem? – se dirigiu para o júri – são os mesmos homens que o Sr. Smith encontrou na fábrica do norte!

Weatherly se sentia vitorioso e isso era óbvio. Jogou fotos e uma mídia de DVD em cima da mesa. O júri voltou a cochichar.

Pude ouvir uma risadinha de deboche, seguida de um “toma otário” logo atrás de mim. Eu sabia que vinha do ruivo.

28 de dezembro de 2015

Notas finais
Como eu disse lá em cima, capítulo chato, parado, mas necessário para a história. Obrigada pela leitura e um ótimo ano novo pra todos, cheio de cachaça e cachaça e