Desconhecido

19 Thriller Night


Notas iniciais
“Okay. Você acordou às 4h para assistir Pulp Fiction, tomou café duas vezes, roubou um cigarro e mascou um Trident. Você pode escrever 500 palavras.” <- isso sou eu me autoincentivando a terminar o capítulo que comecei ano passado. Cap. meio "nhé". Mas apesar de trivial, achei necessário pra história sim. Hahaha Espero que curtam~ Até as notas finais. P.S: capítulo não revisado. Nota finais (porque sempre que coloco lá, ele corta metade do texto): Okaay, gente, eu demorei! MAS, eu tenho motivos: lembram que eu tinha me enrolado com a papelada pra faculdade? No final deu tudo certo e eu passei (e minha namorada também)na prova pra UnB (Universidade pública de Brasília) ♥ Estou realmente super feliz, mas com um pouco de medo ainda hahaha Tive que tirar vários documentos que não tinha pra matrícula e acabei ficando sem tempo . P.S: ♥ Não fiquem com ciúmes do Mail, heein!

Weatherly se sentia vitorioso e isso era óbvio. Jogou fotos e uma mídia de DVD em cima da mesa. O júri voltou a cochichar.

Pude ouvir uma risadinha de deboche, seguida de um “toma otária” logo atrás de mim. Eu sabia que vinha do ruivo.

Desconhecido

Capitulo 19

Thriller Night

Eu odiava aquilo.

Odiava do fundo da minha maligna alma. Odiava tanto quanto o fato de esquecer de desligar o despertador e o telefone me acordava domingo de manhã. Toda vez que eu passava café manualmente, enchia demais a garrafa. Não importa a quantidade de água, 1L ou 500ml. Sempre, no momento de pôr da tampa na garrafa térmica, o café subia, derramava e queimava minha mão. E essa era o grande acontecimento do dia.

Claro que norte-americanos não tinha costume de fazer o café com suas próprias mãos. Todos tinham uma cafeteira, que fazia café preto ou cappuccino; era quase que essencial. Mas a minha estava quebrada e ao pesquisar, descobri que tinha como fazer café sem um aparelho. Era incrível! Só preciso de prática, pois queimar minha mão toda vez, não dá certo!

Tinha acordado pouco depois das sete da manhã, mas estava afastado do serviço, então cochilei mais um par de horas. Quando finalmente levantei, queimei minha mão – só pra começar o dia bem – e liguei para minha mãe, saber como estavam as coisas. Ela tinha me ligado cerca de oito vezes, só no dia do julgamento. Nate tinha aulas importantes hoje e eu não sabia o paradeiro do ruivo.

“ei babaca. cadê vc?”, mandei uma SMS para Matt. Esperei alguns minutos pela resposta que não veio e joguei o aparelho no sofá.

Eu estava largado no sofá, passando os canais lentamente. Nenhum filme bom, nenhum documentário ou jornalista enxerido falando sobre “Lorenzo Matarazzo e Sublime VS. Mihael Keehl e Cocoa Empire”. O ventilador de teto parecia estar tão lerdo quanto qualquer coisa no ambiente. Levantei, lavei meu rosto e dei uma volta pela casa, recuperando um case empoeirado, em cima do guarda-roupa. Era meu primeiro violão, um Gibson preto, com cordas de nylon. Estava desafinado e extremamente arranhado – tanto de unhas, quanto das batidas violentas contra o muro da escola, que ele recebia durante o colegial.

Há tempos eu não tocava. Depois de meia hora consegui afinar o instrumento teimoso e arrisquei poucas notas que minha memória tinha guardado, como lá, sol e si menor. Eu era péssimo em comparação a Matt. Agora entendo porque eu era o vocalista e não o guitarrista. A única cifra que me veio em mente, foi Barracuda, do Heart, mas que infelizmente minha voz era muito grossa pra cantar de modo aceitável.

Meu celular apitou e a tela de LED acendeu. Era Matt, respondendo que estava em casa, sem fazer nada.

“a fim de alguma coisa?”, perguntei.

“além de vc? podemos jogar call of dutty aqui em casa :)”.

Fiquei quieto, olhando com cara de tédio para o aparelho. Suspirei e observei a janela. O tempo parado, um sol quente. Era quarta-feira, dezoito de fevereiro.

“ou podemos ir ao karaokê que abriu aqui perto. eles abrem às 18h. não precisa reservar cabine”.

Não era bem o tipo de planos que eu teria com meu melhor amigo. Normalmente, pelo menos. Talvez com Nate, sim. É, com meu garoto era uma ideia mais plausível e romântica.

“ok. umas 17h apareço ai”.

“okaaayy”, respondeu.

Passei o restante do dia quase que na mesma posição. Continuei de olho no site da CNN que estava acompanhando meu caso e em jornais aleatórios na televisão. Depois de sexta-fera, segunda e terça, três dias de julgamento, o juiz havia dito, meio que “é muita informação para processarmos. Amanhã o veredito sairá”. Claro que o júri já tinha uma resposta. Claro também que eu estava ansioso e nervoso, tanto quanto Weatherly, que me deixava a par de qualquer novidade.

No horário de meio-dia, repórteres encurralaram Matarazzo num restaurante cinco estrelas no centro da cidade. Ele parecia irritado, pois não se vangloriou para as câmeras e sim pediu ajuda de seus seguranças para afastar a multidão.

Assisti Harry Potter que estava passando na TV. Quando o filme acabou, peguei meu telefone para descobrir que estava atrasado. Eram 16h54min. Na verdade, não me importei muito. Caminhei até o quarto, escolhi um tênis esportivo preto, jeans cinza e regata branca. Éramos só eu e Matt, não tinha porque me arrumar. Uma ducha rápida, um trança mal feita e a carteira, celular e chaves no bolso.

O trânsito estava pesado. Não tinha pensado nisso, mas era quarta-feira.

Peguei um atalho e cheguei à casa do ruivo 17h31min. Buzinei, bocejando. Liguei a rádio, que sintonizou em uma emissora qualquer, que tocava uma música pop. Talvez Beyoncé, Shakira ou até mesmo Lady Gaga. Eu não sabia a diferença entre elas e tampouco conhecia a voz de cada uma.

Matt finalmente saiu de casa, acompanhado. Uma moça um pouco mais alta que ele. Ela era negra, com os cabelos curtos e cacheados. Usava salto e um macacão justo. Sorria e batia no ombro do ruivo, enquanto ele parecia contar uma piada.

Eu sabia que Mail estava namorando, desde o incidente com a lingerie misteriosa, mas ainda não conhecia a moça. Parecia simpática e esperta. Buzinei mais uma vez e ambos entraram no carro. O ruivo parecia muito feliz.

— Oh meu Deus, Mello! Você? – ele riu, batendo palmas — Bang bang, into the room — ele acompanhou a música.

— I know you want it — a garota no banco traseiro continuou.

— Bang bang, all over you, I’ll let you have it — o casal cantava em coro.

— Okay… Hã, estou um pouco perdido aqui, gente? Oi?

— Qual é, Mell, onde você vive? É Bang Bang!

— Muito obrigado, eu vivo nos Estados Unidos e adoro o Texas.

— Você tem cara de gente velha, Mihael – disse com um tom severo, enquanto cruzava os braços e balançava a cabeça – talvez por isso tenha rugas na testa, sabe?

— Só por que eu não curto Rihanna?! – dei de ombros, abaixando o volume.

— Rihanna?! – a guria atrás bateu palmas, enquanto ria. A olhei pelo retrovisor e ela parecia querer chorar de rir.

— Vamos embora, Mello. Por favor – o ruivo pediu, fazendo sinal de “bandeira branca”.

Ainda não saquei qual era a piada do momento.

Liguei o carro e peguei a direita na casa amarela, assim como o ruivo tinha me instruído.

— Ahhh, nem apresentei vocês! Aléxis, este é Mihael, meu pequeno cachorro. Adotei ele quando o encontrei na rua, meio ensanguentado assim, sabe? E, Mell, esta é Aléxis, minha garota!

Estava feliz pelo ruivo. Ele parecia incrivelmente contente com o fato.

— Prazer, Alex – apertei-lhe a mão, sorrindo.

— Igualmente, Mihael.

— Mello – corrigi – pra onde agora, ruivo?

— Reto, é logo em frente.

Eram pouco mais de sete horas e o estacionamento estava lotado. Carros de todos os tamanhos e preços. Uma gurizada sentada em cima do capô, com garrafas de vodka na mão e cigarros entre os dedos. Eu havia passado daquela época e devo admitir que sentia saudades às vezes. Crescer podia ser uma droga.

— A cabine que reservei é a... treze – Aléxis respondeu, quando o segurança musculoso perguntou. Pensei que Mail havia dito que não era preciso reservar cabine. Será que eu estava aqui contra vontade deles? Tipo, penetra ou o guardinha do estacionamento? Meu Deus, o que eu estava fazendo ali? Eu ia segurar vela a noite inteira.

A cabine era bem melhor do que eu imaginava. Tinha a televisão, de mais ou menos 21’, uma mesa de centro, um frigobar e uma único sofá que rodeava a pequena sala de poucos metros quadrados.

— Eu escolho a primeira música! – Mail gritou, estalando uma lata de cerveja Budweiser.

A lista de opções era grande; estavam separadas em categorias: rock (anos 70, 80, 90, 2000, 2010), pop (idem), country, blues, Techno, hip-hop e dance. O ruivo parecia bastante intrigado com o MENU do aparelho, que provavelmente era de 2005.

— E então, Alex, trabalha com o que? – perguntei, tomando um gole da minha cerveja.

— Sou atriz, Mello. Mas já trabalhei alguns anos no governo. Não deu muito certo... – sorriu.

— Atriz? Está em alguma peça, cinema... Como é?

— Atualmente, sou a policial Andy – imitou uma arma com a mão – que trabalha junto de uma detetive, atrás de um mafioso italiano – mirou e atirou em mim, imitando um “bang!”.

— É uma ótima peça, Mell. Vou te levar assistir qualquer dia.

— Mafioso italiano, é? Bem que podia dar conta do que está no meu pé – sorri, tirando a jaqueta marrom. Suspirei. Lembrar de Lorenzo era como lembrar de um cacto seco na janela de um apartamento rosa. Era triste.

— Mail me contou sobre o caso. Como ficou?

— Ainda não saiu um veredito, mas nem eu, nem meu advogado estamos muitooo confiantes. Apesar de todas as provas, evidencias, testemunhas e...

— Chega disso! Santa depressão, galera! Escolhi uma que é cantada em grupo, vamos lá, cada um com seu microfone!

A melodia começou. Olhei descontente para o ruivo, cerrando os olhos.

— Não perca a deixa, Mello!

— Mas eu não sei cantar Rihanna! Caralho, pára de ser filho da puta!

— É por isso que eu afogo as pessoas na privada, baby – Mail disse para a garota, que riu baixinho — Mello, isso não é Rihanna, nem aqui e nem no Brasil! Olha, Bang Bang de Jessie J, Ariana Grande e Nicki Minaj. Tá na ordem. Segue o som e me admira, porque eu sou a Ariana Grande! – o ruivo bateu palmas e começou a cantar.

Foi um desastre. Rezava para que as cabines estivessem a pelo menos 100 metros de distancia uma da outra ou que as paredes fossem a prova de som. O casal ria de mim como se eu fosse um moleque nerd que tinha se dado mal na feira de ciências. Trocavam alguns beijos de vez em quando, o que me fazia lembrar de Nate.

— Acho que é minha vez, hein? – levantei. A lista era bem diversa.

Passei o olho em várias e várias músicas que eu curtia. Parei em uma que não escutava há algum tempo. Selecionei o logo o som nostálgico preencheu a pequena cabine.

— It's close to midnight, something evil's lurkin' in the dark.

“É quase meia-noite e algo maligno está te espreitando no escuro”.

— Eu não acredito! – o ruivo se pôs de pé, largando a cerveja em cima da mesa e o cigarro aceso no cinzeiro.

— Under the moonlight, you see a sight that almost stops your heart, you try to scream, but terror takes the sound before you make it. You start to freeze, as horror looks you right between the eyes, you're paralyzed!

“Sob a luz da lua, você tem uma visão que quase para o seu coração, você tenta gritar, mas o terror toma o som antes de você fazê-lo. Você começa a congelar, enquanto o horror te olha bem nos seus olhos, você está paralisado!”.

Alex agarrou um microfone também, logo quando começamos a cantar parte do refrão. Éramos até que um grupo bacana, mas ainda achava o ruivo um guitarrista melhor que vocalista.

— Cause this is thriller, thriller night, and no one's gonna save you, from the beast about to strike, you know it's thriller…— dei uma pausa, tomando (derramando) um gole da amarga cerveja preta que tinha achado no fundo do frigobar. Mail e Alex continuaram a cantar. Logo os alcancei - Inside a killer, thriller tonight, yeah!

“Porque isso é terror, noite de terror e ninguém vai te salvar da fera pronta para atacar. Você sabe que é terror, noite de terror, você está lutando por sua vida, numa noite assassina de terror”.

Meu telefone vibrou no bolso traseiro da calça, na hora do rap da música. Eu queria ignorar, mas decidi atender. Podia ser novidades sobre o caso ou até mesmo Nate.

— Já volto – disse no microfone.

— Errou a letra, Mell! – Mail riu.

— Você também, babaca – sorri. Sai da cabine e olhei para o aparelho. Era o número de Evelise. Atendi a ligação, apertando as sobrancelhas. Eu não esperava uma ligação dela.

— Oi, mãe.

— Oi, querido. Como está? — "cantando Michael Jackson, mãe e você?".

— Hã... – Okay, ela não estava se debulhando em lágrimas. Era só minha mãe me ligando para perguntar como eu estava – bem. Sabe, está tendo o julgamento e tudo mais e...

— O que pretende fazer agora, Mihael? Tem que tomar cuidado com Matarazzo, principalmente agora que ele vai ser preso.

— Hã... É claro que eu tomo cuidado e... Espera, o que? Matarazzo vai ser preso? Ele foi declarado culpado?!

— A noticia acabou de passar na televisão, filho. Onde você está?

19 de janeiro de 2016

Notas finais
Então, capítulo lindinho, e quero deixar claro que, não é por se tratar de um romance gay, que eu vou ignorar que no mundo existem bissexuais e heterossexuais. Eu gosto muito da Aléxis e desde o inicio queria colocá-la na história