Desconhecido

20 Nefelibata


Notas iniciais
Geeeente, que saudades. Tanta coisa aconteceu desde janeiro. Mas bora pro capítulo e depois a gente se fala ♥

— O que pretende fazer agora, Mihael? Tem que tomar cuidado com Matarazzo, principalmente agora que ele vai ser preso.

— Hã... É claro que eu tomo cuidado e... Espera, o que? Matarazzo vai ser preso? Ele foi declarado culpado?!

— A noticia acabou de passar na televisão, filho. Onde você está?

Desconhecido

Capitulo 20

Nefelibata
adj. “que ou quem vive nas nuvens”

“A advogada de Lorenzo Matarazzo, Casey Roberts declarou que o presidente da empresa Sublime irá se entregar pela manhã. A Suprema Corte do Estado da Califórnia o declarou culpado por ser principal organizador de uma tentativa de homicídio contra Mihael Keehl, vice-presidente de uma empresa concorrente. Matarazzo também foi acusado de participar do adultério de unidades de chocolate que ocasionou na hospitalização de várias pessoas. A advogada ainda disse que irá recorrer da decisão do juiz”.

Abaixei o volume da televisão, que agora exibia um comercial de um perfume feminino qualquer. Apertei minha nuca e suspirei aliviado. Matarazzo finalmente havia sido levado à justiça e sido preso, por maiores que tenham sido os esforços de Roberts.

Acessei o site de notícias Los Angeles Times no meu celular e procurei sobre o assunto. A matéria tinha um título chamativo, “MATARAZZO É CONDENADO” em belas letras negritas e garrafais. O restante da matéria tinha informações como o período de prisão – oito anos -, o local em que ele seria preso e que sua advogada tentaria amenizar o tempo de pena, além de tentar mudar a sentença para prisão domiciliar.

— Mais café? – perguntou Susannah, passando as unhas em meu braço – parece que finalmente as coisas deram certo pra você! Estou tão feliz... Que tal sair para comemorar? — franzi as sobrancelhas, enquanto tomava um gole do café preto exageradamente doce e quente. Em compensação, os ovos estrelados e o bacon frio estavam no ponto. Tinha algo de errado com aquela lanchonete.

— Ah sim... Finalmente deram certo, Susannah. Mas escuta, eu tenho que comparecer a uma reunião com o meu advogado, ok? Que tal deixarmos para uma próxima?

O sorriso da garota murchou um pouco, mas continuou cumprindo seu cargo de demonstrar o quanto tinha esperanças. Me senti um pouco mal, mas sabia que me sentiria pior ainda por fazer alguém chorar. Pedi a conta e sai do ambiente. O dia estava ensolarado, azul e quente, uma poeira pairando no ar. Amarrei a camisa de flanela na cintura e entrei no carro abafado, meus pulmões implorando por ar.

— Você está tão radiante que podia facilmente atuar naqueles vídeos de loiras lavando o carro e se molhando e... Sabe? Sabão voando para toda parte, espuma e – Matt brincou, acertando o banco do passageiro que estava reclinado e também babado – e eu me dei conta também que essa lanchonete era mais longe do que eu imaginava. Não podia ter marcado num Burger King no centro?

— Eu gosto da Providence – dei de ombros – os ovos com bacon aqui são... aceitáveis.

— Sabia que você vai morrer né? Café, ovo, bacon, geleia e panquecas. Você tinha que ser um alemão maroto e tomar só vodka pela manhã.

— Pra começo de conversa, Jeevas, quem toma vodka são os russos e não os alemães – sorri e dei partida. Queria encontrar com Nate para almoçar, mas Weatherly havia me feito prometer visitá-lo para conversar sobre algo “extremamente importante”. Provavelmente queria me questionar sobre como seriam as coisas agora, se iria indicá-lo para alguém ou ganhar algum bônus em cheque. Poderia até mesmo pedir o número do celular da Casey e os dois teriam um incrível encontro monótono de advogados, com café preto e biscoitos de avelã quente.

Na verdade, os dias haviam passado de tediosos para alucinantes e aquele giro de 360° conseguia me deixar tonto às vezes. Eu não mais tinha um amigo estranho e ruivo pra sair e beber na praia de vez em quando e o meu emprego entediante, no qual diversas vezes me pegava com um livro novo do Stephen King pra ler retomando meu antigo e macabro medo de palhaços ou até mesmo de assistir X-Files no meu smartphone. Ah não, agora eu tinha um namorado gostoso que cursava medicina e ameaças de morte em meu nome, assim como minha cara estampada em algumas revistas por aí. Não morava mais numa casinha simpática e nem andava num carrinho simpático.

360°.

— Acho que quando tudo isso acabar, vou pegar Nate e acampar. Sério mesmo, tomar um ar, comer alguns chocolates 100% cacau.

— Você devia me visitar mais, Mello. Se me visitasse, saberia que nos filmes toda pessoa que resolve acampar morre nas mãos de um assassino sem inteligência alguma – comentou buscando a carteira de cigarros – os pobres jovenzinhos ou morrem nas patas de um urso, são abduzido por um E.T... E claro, tem pessoas com facões e... Serras elétricas. Oportunidades infinitas.

— Jovenzinhos ruivos também morrem e tem possibilidades finitas. Posso te jogar pela janela ou te engasgar – abaixei o vidro do passageiro e ele apertou o cinto de segurança, cantarolando algo – mas não é seu caso por enquanto. Digo, eu só quero entender minha vida atual e pôr tudo nos eixos. Não é pedir demais.

Mail ficou no centro da cidade, pouco antes do local que havia marcado com meu advogado cauteloso. Dirigi e logo cheguei ao pequeno bistrô francês, escondido em um beco. Weatherly estava sentado, usava óculos escuros e um palito de dente na boca. Levantou a sobrancelha e eu repassei detalhadamente minha vida, tentando me recordar em que momento especifico havia virado um agente secreto da CIA ou FBI.

— Keehl – acenou com a mão livre – estamos quase lá. Sabe que deve ser precavido, certo? Matarazzo deve ter diversos contatos dentro e fora de sua cela. Por mais que eu não acredite que ele seja capaz de ordenar um ataque direto à sua pessoa, é melhor ficar atento. Café?

— Não, acabo de tomar- recusei – você acha que ele não seria capaz por que...? Ele trabalhou durantes anos e anos deste modo, todos sabiam e ninguém era capaz de fazer nada. Não ficaria assustado se ele...

— Exato. Não duvido de nada vindo daquele homem. Os homens são seres complexos Mihael, por isso existe a sociedade e meios de controle social. Para nos por limites. Leis, governo e a policia. No momento em que o homem passa a ignorar tudo isso, ele se torna extremamente perigoso. Acha mesmo que Matarazzo tem medo de ir parar na câmara de gás ou no corredor da morte?

Suspirei lenta e ruidosamente e enfiei a mão no bolso, sentindo o fone de ouvindo embolado. Umedeci meus lábios, mas não consegui falar nada. Só ouvíamos as vozes de fundo e o barulho dos motores na rua. Meu celular apitou e eu rapidamente o agarrei. Era Nate, perguntando se iríamos almoçar juntos como prometido. Respondi que sim e que passaria pegá-lo na faculdade antes das 14h.

“estou com saudades.” foi a mensagem que enviei por último.

— Bom... Então vamos tomar cuidado. Não posso simular minha vida como se eu fosse o presidente dos EUA, então vamos seguir em frente e esperar que Matarazzo simplesmente pague o que deve ao povo norte-americano.

— Não estamos em um filme, Mihael. Lembre-se disso.

— Mas bem que podíamos estar. De qualquer forma, até outra hora Weatherly! – atravessei a rua correndo e acionei o alarme.

Não liguei o rádio no caminho até o campus. Avistei as mechas cinzentas de Nate em baixo de uma árvore e estacionei o carro em cima do gramado, sai e sentei no capô do veículo.

Estava com Gevanni e ambos pareciam feliz com o assunto da conversa. O moreno estava com um caderno azul em mãos e anotava algo, enquanto olhava com descontentamento para Near, que gesticulava e enrolava um cacho grisalho. Gevanni parecia desconfortável, até que desabotoou os dois botões da camisa polo e levantou o olhar gélido e azul até minha pessoa. Parou de sorrir e logo Nate me avistou também, agarrou sua bolsa de couro e levantou, acenando um “até logo”.

— Hey – sorri quando me cumprimentou com um beijo, abraçando minha cintura.

— Je pensais que ce ne serait jamais venu, mon amour. Je suis heureux que vous ayez enfin être libre à nouveau – disse devagar.

E lá estava eu mais uma vez sem entender nada.

Yay.

— Já escolheu onde vamos almoçar? – questionei, acariciando sua nuca com a ponta dos dedos.

— Estava pensando... Em um BBQ pra você e um plant-based pra mim.

Ao som de Listen To Your Heart da Roxette e Oceans do Pearl Jam, eu não conseguia parar de sorrir feito um retardado e pensar numa pequenas férias para nós dois. Parecia contente com a atual situação também e tinha me dito que Lawliet, seu irmão, tinha mandado uma espécie de doce feito por ele mesmo, mas que Nate duvidada ser verdade.

— O que você acha de acampar em Old Pino, no Eldorado? Não chega a ser duas horas de carro. Podíamos ir à noite e voltar no dia seguinte no fim da tarde. Tenho uma barraca confortável, saco de dormir, isolante térmico. Compramos, sei lá, alguns cranberry e um vinho e...

— Eu tenho algumas provas práticas próxima semana – o garoto colocou sua mão sob a minha na marcha e eu o olhei. Os olhos tão dourados quanto no dia que nos conhecemos – mas nós vamos, porque elas pouco me importam.

Sentia meu coração aquecer e dar um tranco, voltando a ligar e bombear.

Pelo menos era isso que Marie Fredriksson podia me dizer.

22 de outubro de 2016

“Listen to your heart when he's calling for you”.

Notas finais
Galera! Sei que o capítulo foi meio parado, mas o que eu tinha em mente pra ele em janeiro se perdeu. Aconteceu tantaaaa coisa de lá pra cá! Tatuagens, novos shipps, fiz 18 anos, virei usuária veterana aqui (wtf), descobri que a faculdade é um inferninho etc etc. Mas voltem pra mim, mandem aquele comentário maroto pra eu saber que vocês ainda me amam! ♥ ♥