Notas iniciais
Boa leitura.

Estou em um bar quase que no interior da cidade. Bares do centro são mais movimentados que casas de shows ou mesmo baladas. Eu, mesmo sendo criado no meio disso tudo, sempre detestei.

Mesmo sendo um bar bastante clássico, sempre tem as novidades da cidade. TVs, DVDs, e ar-condicionado de última geração. Foi-se a época que eu entrava em um que somente tinha o balcão e as mesas.

Contudo, esse ainda permanece com o "ar antigo". As paredes em tons branco e verde claro dividiam espaço com as poucas janelas persianas americanas empoeiradas. As mesas eram brancas com poucas peças e cerâmico xadrez nas laterais. Os bancos vermelhos acolchoados davam voltas nas mesas. A cerâmica era xadrez, um tanto quanto encardida já. O balcão de madeira ocupava quase que metade do bar, o qual tinha bancos para que os infelizes na vida sentassem e se embebedasse a vontade, enquanto o único garçom era xingado. Nas paredes, placas de neon escritas “I love '80” coisa que não fazia muito sentido, já que os mesmo estava tentando representar um bar dos anos 50. Relógios de ponteiros, discos de vinis, e até mesmo fotografias velhas do próprio bar antigamente e algumas com ídolos autografadas estavam diversamente distribuídas pelas paredes.

Haviam duas TVs velhas, azuis, com antenas em cima de si, que com toda certeza já não prestavam mais, em duas prateleiras. Um baleiro que ainda tinha bastante balas redondas estava junto ao um jukebox e um cooler com diversos tipos de bebidas. Atrás do balcão, uma prateleira branca enorme ocupava a parede, a na mesma, bebidas. Bebidas para dar e para vender. Vinhos, conhaque, cerveja, refrigerantes, whisky, dentre muitas outras.

Prólogo

Podem não ter reparado, mas meu nome é Mihael Keehl. Moro em Sacramento, capital da Califórnia. Tenho 22 anos e trabalho em uma fábrica de chocolate, onde adquiri o vício pelo doce.

No momento, estou com meu melhor amigo de infância: Mail Jeevas. Um completo sem futuro. Trabalha concertando aparelhos eletrônicos na sua casa, no mesmo condômino onde eu moro. Mesmo sendo meu melhor amigo, nunca o vi namorar sério e nem ao menos sei a sexualidade desse ruivo. Ele é dois anos mais novo que eu, e fuma desde os quinze.

– Vamos embora? – pergunto tomando mais um gole do whisky que sobrara no meu copo.

– Ahn... Logo agora? – ele sorriu para duas garotas que estão na mesa ao lado. Uma delas é branca e ruiva, usa um vestido que mais parece uma camisola que minha vó usa para dormir. A outra.. Cruzes. A outra era morena. Até que tinha um bronzeado legal, mas o que me assustou foi o fato dela ter o cabelo roxo que brilhava com se ela tivesse passado purpurina no mesmo. Nos olhos, uma lente laranja florescente. Eu nem sabia que existia isso! A maquiagem pesada estava no rosto, e... O que demônios leva uma pessoa a fazer isso com sigo mesma?

O riso me subiu a garganta. Como se ninguém reconhecesse um palhaço quando vê um.

O ruivo na minha frente então me olhou com ar de reprovação. O que eu poderia fazer? Tenho direito de brincar também.

– Vamos então loiro. Você já está me fazendo passar vergonha – reclamou se levantando e deixando um punhado de dinheiro sobre a mesa. Saímos e por algum motivo eu olhei para trás, ver se a E.T não estava nos seguindo. Matt – apelido de tempos – era um grande galã, por assim dizer. Esse era outro motivo da minha dúvida quanto a ele. Eu já o tinha visto tanto com mulheres quanto com homens, mas mesmo assim não o considerava um bissexual.

Quando abrimos a porta acabei escorando em um homem alto e gordo. Senti-me uma sardinha em lata no momento em que ele me prensou a parede para conseguir passar com a barriga de cerveja que só Deus sabe.

No momento em que pus o pé para fora do bar senti a brisa do fim de tarde me atingir. Era uma ótima sensação, se comparado às tardes ensolaradas, coisa que eu não era muito fã.

Olhei o letreiro do bar em neon, que era escondido num beco escuro. O letreiro piscava colorido “Eighth Legend”.

– Quem dirige dessa vez? – perguntei, vendo-o acender um cigarro e leva-lo a boca e depois suspirar. Mail não era muito amigável com nosso carro. Sim. Nosso carro. Havíamos comprado um carro de sete mil, cada um dando três mil e quinhentos. Bom; ao menos esse tinha sido o acordo. Eu dei cinco (ou seja, tecnicamente falando, o carro é meu), enquanto Matt me entupia de chocolate. Talvez esse seja o problema dele saber o meu vicio. Sempre que ele quer alguma coisa ele aprece com uma caixa de bombons ou daquelas barras enormes de chocolate. Da última vez ele me trouxera um litro de chocolate quente.

– Bem... É a sua vez. – soltou a fumaça e começou a caminhar em direção ao carro – essa blusa esquenta que só. Que saco – reclamou arregaçando a manga da blusa cinza e tirou o colete jeans que usava.

– Se você não aguenta ficar com muita roupa, por que você usa tanta roupa? – segurei o colete que ele me ofereceu; Abri o carro e o joguei no banco do passageiro.

– Por que assim é melhor. Fico mais bonito ainda – ele riu entrando no carro – e você não pode reclamar de mim, loira. Você usa roupas de couro. E ainda por cima, quando resolve usar um jeans básico, consegue fazer a proeza de só comprar rasgados. Eu que acho suas roupas estanhas – ele apontou para minha calça jeans preta com apenas alguns rasgos na coxa, e saiu subindo com a mão até parar na minha parte de cima, que se resumia em uma blusa preta escrita “Chocolate” em marrom, bem pequenininho na parte de baixo e um colete de couro igualmente preto. A diferença desse era que ele continha algumas correntes caindo dos lados, perto dos bolsos.

– Quieto Miss. Goggles – sorri e liguei o carro. Contudo, antes de sair dirigindo pelas ruas da grande Califórnia, abri o porta-luvas e comecei a procurar uma barra de chocolate. Não foi surpresa encontrar somente uma barra e uma coleção de jogos – só um Matt? Exagerou dessa vez hein? – pergunto pegando o chocolate com pedaços de avelã. No meio do caminho resolvi abrir a barra para degustar um pouco do meu idolatrado doce, mas acabei por joga-lo pela janela do carro. Estava derretido. Eu sempre mandava aquele ruivo imprestável tirar meus chocolates dali, quando fosse jogar algum jogo para eles não derreterem, mas o gamer parecia ser surdo.

E nisso eu acabei ficando irritado e ele percebeu isso. Tanto que no caminho ele não ousou brincar com a minha cara.

No momento o relógio do carro marcava sete e oito da noite. E nisso o transito ficava uma merda. Hora de pico.

– Mello? – chamou-me pelo meu apelido, mostrando seu receio. Sempre passávamos para beber depois de eu sair da fabrica, e depois de beber eu sempre comia chocolate. Certo... Tenhamos calma Keehl.

– Diga – respondi rápido batendo os dedos no volante do carro.

– Por que não vamos por ali? – isso era umas das coisas que o ruivo me arranjava. Ele não tinha o menor senso de direção. Ele acabara de apontar para uma pista quase que deserta, que dava numa região não muito boa. Indo por ali seria mais rápido. Com toda certeza ganharíamos em torno de trinta minutos a menos; Contudo, por ali, iriamos parar na parte perigosa da cidade. Bem... Mais perigosa que o centro.

Fingi pensar por um momento, olhando o sinal vermelho e os carros buzinado logo a frente, tão apressados quanto a gente.

– Okay – engatei a ré e voltei oito metros, entrando na pista que poucos carros trafegavam.

Dois minutos depois estávamos na região que somente tinha bares e casas de prostituição. Placas brilhantes, carros de pessoas ricas parados, prostitutas junto do postes e homens agarrando-as.

Podiam-se ver roupas jogadas no chão, mendigos deitados em baixo de sacadas e na porta de butiques homens fortes, musculosos e de óculos escuro. Haja segurança para segurar o povo.

– Eu já vim aqui uma vez. Claro, eu estava perdido – Matt comentou ao meu lado, travando as portas do carro.

– Uhum. Sei. – sorri prestando atenção em um cachorro que estava deitado no meio da rua. Morto? – Por aqui nem ao menos se prestam a colocar a decoração de Natal – comentei olhando ao redor. Sempre que eu passava lá nada mudava. Já era dia nove de dezembro e eles não haviam se mexido – Eu também nunca achei muito necessário o natal mesmo – ri, vendo meu companheiro do meu lado fechar a cara.

– É sério! – ele se remexeu no banco rindo – cara, esse cinto incomoda! – ele começou a mexer no cinto que cruzava o peito dele.

– Se atreva a tira-lo e eu o jogo para fora do carro – brinquei. Quando finalmente saímos daquela parte da cidade o olhei por um breve momento, como se falasse “Enfim livres para abrir a janela”.

– Mihael! – o ruivo do meu lado gritou apontado para frente. Meu sorriso sumiu no momento em que senti o baque no capô do carro e me dei conta que havia atropelado alguém.

09/dezembro/2011