Descobrindo o que é Amar
10 Os Sons que Saem do Coração – Capítulo 10
Rapidamente eu me afastei dele! O que foi todas essas situações que acabaram de acontecer em? Isso foi muito estranho! Muito estranho para mim pelo menos!
A adrenalina estava em alta no meu sangue – sentia todas as sensações de quem estava nervoso e parecia ainda ter algo a mais, um sentimento desconhecido.
O Gabriel ainda estava com sua cabeça baixa, eu acho que ele também estava com vergonha. Percebi que ele não tinha a intenção de todo esse constrangimento acontecer, acho que tudo aconteceu “naturalmente”.
Ficamos os dois calados, olhando para baixo. – Droga, já deve estar tarde, meu pai deve estar preocupado me esperando no carro, já pensou ele manda o Gustavo vim me procurar e se depara com essa cena! – eu pensei silenciosamente em minha cabeça.
Decidi que eu precisava agir, levantei minha cabeça para procurar a saída da piscina, entretanto o que meus olhos acharam foi o Gabriel com sua mão estendida para mim, ainda olhando para baixo, mas com seu braço esticado, como se sua mão estivesse esperando a minha. O tempo corria, e eu precisava correr também! Fingi que não o tinha visto, coloquei minha sunga, sai da piscina, entrei no banheiro masculino e me troquei.
Ao sair do banheiro o Gabriel não estava mais dentro da água. Ouvi um barulho de gemido. Mas não parecia um gemido de alegria. Era um gemido de tristeza, um choro. Encostei meu ouvido na porta do banheiro feminino e o som tinha sua origem lá dentro.
BIP BIP... meu celular começou a vibrar dentro de minha mochila. Já era o Gustavo por sms me xingando e reclamando da minha demora. Fui caminhando ligeiro para longe da piscina, cada vez mais longe, passei pela quadra, pela saída e entrei no carro.
Minha cabeça não estava no presente dentro do carro, ouvindo as reclamações de meu pai e do Gustavo; ela estava no passado, ouvindo a voz dele, pensando nele, olhando para ele. Sim, ELE, não conseguia mais usar a palavra Gabriel, ela fazia meu coração pulsar, meu coração dominar.
Mergulhando em meus pensamentos entrei em outra dimensão, nesse novo universo não se ouvia mais o som da razão, ali quem emitia os barulhos, quem tinha a voz, quem mandava, era meu coração.
Eu já não queria mais pensar em nada. Coloquei meu fone de ouvido, liguei na rádio do celular e a música que estava passando conversou diretamente com meu coração:
“Estranho Natural
Maria Gadú
Será que te conheço desde a infância
Será que na infância eu parti
Prum mundo imaginado por você
Ou por você um mundo veio
E a infância assim se foi
Meu canto hoje dobra as tuas notas
Me olhas como se fosse normal
Me coro ao seguir a tua rota
Meu abraço te amarrota
Meu estranho natural”
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