Descobrindo o que é Amar
11 A Biologia da Vida – Capítulo 11
Hoje eu já tenho assuntos para estudar. Sei que é o segundo dia de aula ainda, mas eu não gosto de acumular assunto, na realidade ninguém deveria. As provas ficam bem mais fáceis quando você estuda um pouco a cada dia. Sorte que tem uma matéria a menos para estudar, educação física não tem dever. Educação física... – eu já tinha colocado na minha cabeça que tudo o ocorrido foi efeito da fome mais o sol batendo na minha cabeça – melhor nem me lembrar dessa aula.
Comecei por biologia, é uma matéria que gosto, o assunto era sobre a classificação em ser vivo ou inanimado. Lá dizia algumas características como essa:
“Reprodução:
Através da reprodução, os seres vivos são capazes de produzir outros seres vivos semelhantes a si mesmos, dessa forma as espécies se mantêm através dos tempos.”
No final do capítulo tinha uma tirinha chamada curiosidades. Ela falava mais ou menos sobre o instinto do ser humano que foi preservado com a evolução. Achei interessante. Dizia que um homem ao olhar para uma mulher, inconscientemente, procura características de uma boa “parideira”; sendo também recíproco da mulher, ao escolher seu reprodutor ela procuraria as melhores características a serem herdadas para os seus filhos.
Fiquei pensando se alguma menina já me olhou desse jeito. Será que quando eu estava olhando para Fernanda e para Júlia eu também estava imaginando qual seria a melhor mãe para o meu filho? É uma coisa que quero muito: filhos. Minha casa com uns três pivetes, minha esposa cozinhando. Consigo visualizar a cena perfeitamente em minha cabeça. Acho que é um sonho de todo mundo, até dos homens, só que a maioria não comenta. Mas, refletindo melhor, quando será que comecei a ter esse sonho? Sabe que eu não lembro!
Ele parece que sempre esteve aqui comigo. Estranho... , não me lembro de ter começado a construir esse sonho de ter uma esposa, filhos, uma “típica família”. Na realidade minha lembrança é das pessoas me falando isso, meus pais, minhas tias, os filmes. Acho que foi daí mesmo, então... será que eu construí esse sonho ou ele me foi ensinado? Olhando por outro ângulo eu realmente devo valorizar o que me foi ensinado, porque, querendo ou não, assim como a evolução do ser humano que foi procurando as melhores características para seus filhos, os costumes também foram se aperfeiçoando com o tempo. Tenho certeza que foram guardando e ensinado os melhores costumes, sendo assim, talvez esse tipo de família seja um bom exemplo mesmo para eu aprender.
Estudei um pouco mais de biologia e cheguei num capítulo que dava uma iniciação do assunto evolução e seleção natural. Ele meio que falava das novas características que surgem ao acaso por mutações. Ele falou que as mutações ao acaso geram novas características. Minha surpresa mesmo foi saber que nem sempre essas coisas novas e desconhecidas são ruins, podem ser até melhores, ou somente novas, diferentes, mas que não vão atrapalhar as antigas. Lendo isso me lembrei de que vi uma reportagem na televisão falando sobre os novos tipos de família. Tava meio polêmica porque falava da família homossexual. No dia eu realmente achei repugnante aceitarem um casal de gays como família. Poxa, agora que eu estudei tudo isso to achando que talvez eu esteja errado, será que foi falta de conhecimento meu? Acho que quando você não conhece cria uma repulsa do que parece novo. Não me lembro de nenhum casal gay atrapalhar minha vida, talvez simplesmente seja um outro tipo de família, uma família nova, diferente, e como estudei, isso não significa que é algo ruim. Na realidade o problema não está do que é constituída a família, mas sim nas pessoas que a constituem. No meu sonho de família perfeita não imaginei um pai bêbado batendo nos filhos, uma mãe mais preocupada com a aparência do que com a educação, e mesmo assim essas famílias são heterossexuais, consideradas “normais”. Talvez se eu imaginar duas mães lésbicas do mesmo jeito que imaginei minha família perfeita não seja tão ruim assim né? A Fernanda e a Júlia tratando bem os filhos, ou eu e o Gabriel. Eu e o Gabriel... estranho... Diferente pensar no Gabriel e eu juntos, ele me abraçando, eu sentado no colo dele recebendo um cafuné... Claro que não, horrível, pensamento ruim! – Mas parecia que eu estava mentindo para mim mesmo, porque enquanto pensei no Gabriel me fazendo um cafuné e me abraçando, um sorriso involuntário surgiu no meu rosto.
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