Descobrindo o que é Amar
22 Desconhecidos Novos Vizinhos – Capítulo 22
A manhã de sábado estava linda, um sol enorme no céu. Minha mãe me pediu para botar o lixo na rua. Eu estava sem camisa por causa do calor, só com um short meu. Já que era só ir até a porta da rua, decidi ir assim mesmo.
Eu estava colocando as sacolas de lixo quando tomei um grande susto! Um vulto branco tinha passado bem rápido pela minha frente!
— Snoop vem cá caralho! – uma voz bem irritada gritou do final da rua. Eu fiquei sem reação, parecia que era o dono do cachorro, o vulto que me assustou, um dálmata que tinha parado bem na porta de minha casa.
Mano pega ele pela coleira ai, ele morde não. – a voz do desconhecido me pediu.
Sempre gostei de cachorro, e esse Dálmata era lindo, um filhote ainda. Peguei a coleira dele antes que ele fugisse de novo e o bichano veio lamber meus pés.
— Parece que ele gostou de você! Esse capeta fugiu quando eu abri o portão. Opa, nem me apresentei, Nícolas, prazer. – e ele estendeu sua mão.
— Daniel, prazer. Lindo de mais seu cachorro, sempre quis ter um, só que meu pai tem alergia.
O Nícolas também estava sem camisa. Seu abdômen era todo definido, por alguns segundos fiquei olhando para ele, parecia estar suado, o que fazia sua barriga brilhar. Seu rosto era de moleque normal, aparentava seus 16 ou 17 anos. Seus cabelos eram encaracolados e ele estava com um boné de skatista. Tinha uma tatuagem em sua perna, parecia algo tribal. Sua orelha tinha um pequeno alargador. Seu jeito era desses típicos garotos héteros. E no seu pulso tinha uma pulseira linda, com um pingente de chave nela.
— Acabei de me mudar aqui para a cidade e eu acho que o Snoop não se acostumou com os cheiros novos. – ele falou enquanto pegava a coleira do Snoop.
— Você é o vizinho novo ali da esquina? – eu perguntei.
— Sou sim. – ele respondeu.
— E você, mora aqui nessa casa? – ele perguntou.
— Moro sim.
— Dei sorte então! – ele falou e então deu uma risada.
— Como assim? – perguntei confuso.
— Ah nada não, só que meu vizinho parece ser legal. – e deu um sorriso. Foi meio esquisito, mas não dei muita importância, ele devia estar tentando se entrosar já que era novo na rua.
— Que cachorro foda! – a voz do meu irmão surgiu pelas nossas costas.
— E ae Gustavo, esse é Nícolas, nosso novo vizinho ali da esquina.
— Da casa que tem piscina? Muito bom para esse calor em! – eu só faltei da um cascudo no Gustavo, muito indiscreto ele. O Nícolas começou a rir:
— Kkkkk isso mesmo, se vocês quiserem ir mais tarde lá dar um mergulho.
Confesso a vocês que o calor estava me matando também. Então acabei aceitando e marcamos para as 14h30min da uma passada na casa dele.
— Valeu pela ajuda com o Snoop. Te espero lá viu Daniel?! – ele falou para mim.
— Ok.
O Gustavo entrou festejando em casa, já que tinha conseguido seu objetivo da piscina, já eu entrei meio pensativo. O jeito que o Nícolas me olhou era estranho, ou seria o jeito que eu olhei ele? Talvez tenha sido coisa da minha cabeça, visto que eu comecei a sentir atração por um garoto, talvez eu tenha ficado confuso pelo fato do Nícolas realmente ser gostoso... Aff, chamei o cara de gostoso, melhor pensar em outra coisa.
Almocei e depois fui vestir minha sunga. Coloquei uma bermuda que desse para entrar na piscina, sempre fico na dúvida se devo usar sunga ou bermuda. Eu prefiro usar sunga, mas...
Chamei o Gustavo e fomos lá para a piscina dos vizinhos. Toquei a campainha da casa e quem veio atender foi o Nícolas. Ele estava com uma camisa regata branca e uma bermuda preta, e usava óculos escuros.
— Que bom que vocês vieram. Podem entrar. Prendi o Snoop para ele não ficar de enjoou. – ele abriu espaço para gente entrar.
Depois ele nos levou até o fundo da casa, era uma casa muito boa. No quintal tinha uma piscina grande e uma área para churrasco, provavelmente era a melhor casa do bairro. Tinha uma menina de biquine sentada na cadeira da piscina, aquelas de pegar sol.
— Essa aqui é a Natália, minha irmã gêmea. – não só eu, mas principalmente o Gustavo, ficamos de boca aberta! Se eu achei o Nícolas bonito, a irmã dele dava de 10 a 0. A Natália era uma guria linda, morena, piercing de argola no nariz, possuía algumas tatuagens: pelo braço, pelo tórax. Quando ela tirou os óculos revelou dois olhos azuis lindos. Ela tinha um corpo de modelo, peitos grandes, cintura fina e estava com um biquine preto.
— Qual deles é o que você ficou falando Nícolas? – ela perguntou ao irmão.
— Como assim, ta louca, eu falei de ninguém não! – eu percebi que ele ficou muito sem graça.
— Prazer, eu sou Daniel e esse é meu irmão mais novo, Gustavo. – eu falei para ela, que se apresentou e sorriu.
Ela sorriu e voltou para o seu banho de sol. O Nícolas me chamou até a mesa na área coberta. O Gustavo foi logo perguntando se podia entrar na piscina e caiu na água.
— Mas me diz ai Daniel, qual sua idade?
— 16 e você Nícolas?
— Também. Gostei dos seus olhos, são bem bonitos. – ele me disse. Mesmo ele falando isso, que parece um elogio gay, ele não demonstrava nenhum trejeito. Possua um jeito de mulecão hétero. Ficamos conversando besteira. Logo a Natália se aproximou da gente e ficamos os três rindo. Eles pareciam ser bem legais.
— Você tem namorada? – Natalia me perguntou.
— Tenho não, quer dizer, mais ou menos, uns rolos por ai. – eu respondi.
— O Nícolas também não, quem sabe vocês dois não se arranjam né? – ela falou. Tomei um susto! Como assim a gente se arranjar?! Então ela completou a frase dela:
— É que você deve conhecer muitas gurias por aqui, ai você apresenta pra gente.
— Ata, entendi. – o susto tinha sido tão grande que nem percebi o “pra gente” no final da frase dela.
Ficamos conversando um pouco até que eu e o Nícolas decidimos entrar na água. A Natália ficou conversando com o Gustavo, que já estava soltando suas cantadas em cima dela. Ela estava achando ele bem engraçado, falou que ele era fofinho. Acho que o Gustavo não gostava dessa palavra, mas o seu “instinto” estava bem interessado na Natália.
— Desculpa pelo meu irmão cara, espero que você não fique chateado por ele ta ali com sua irmã. – eu falei meio sem graça para o Nícolas, com medo dele se chatear com o Gustavo.
— Que nada velho, relaxe, tem problema não. É raro ver a Natália dando papo para algum garoto, quem sabe seu irmão não tira a sorte.
— Como assim? Ela é muito seletiva com os garotos? – eu falei e ele deu uma coçada na cabeça, como se tivesse procurando as palavras para me dizer:
— É que... como posso explicar a ti... é que a Natália prefere garotas, se é que você me entende.
Sei que foi falta de educação minha, mas eu realmente tomei um susto e arregalei os olhos. Aquilo tinha me pego de surpresa.
— Você tem algum tipo de preconceito com isso tal? – o Nícolas me perguntou bem calmo.
— Não, não, não! Claro que não. – eu falei bem depressa.
O Nícolas começou a rir do nada.
— Porque você ta rindo? – eu falei sem entender nada.
— Do seu rosto que ficou todo vermelho. Precisa ficar com vergonha não, todo mundo toma susto, relaxe. – ele passou suas mãos pelo meu cabelo enquanto falava. Primeiro ele estava rindo, mas depois ficou sério, olhando bem no fundo dos meus olhos. Ele ficou me encarando por algum tempo, então ele começou a se aproximar de mim, eu já estava encostado na borda da piscina, e confesso que fiquei meio sem reação. E ele continuou se aproximando...
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