Notas iniciais
Oii, tudo bem? Capítulo quentinho saindo ;)

Estava indo em direção a cantina com minha amiga Débora, conversávamos no caminho.

— E aí, amiga, já decidiu o que fazer na festa surpresa do André? — Ela me olhava com expectativa.

— Ainda não decidi, mas tenho certeza de que você sim, estou aceitando sugestões.
— A olhei de canto de olho, ela era ótima com decorações.

— O que seria de você sem mim.

— Não faço ideia. — Sorri colocando o braço ao redor de seus ombros.

Avistamos então nossos amigos em uma mesa não tão distante e seguimos em sua direção, me sentei ao lado de André.

— Oi amor. — Colocou o braço ao redor de meu ombro, sorri.

— Do que estavam falando? — Perguntei me aconchegando mais em seus braços.

— Os caras estavam falando sobre uma festa na praia mais tarde, você vem comigo, não é?

— Não sei, André, você sabe que hoje é dia de ir visitar a Dona Ana e...

— Qual é, Helena, eu sou seu namorado e você vai me deixar ir sozinho a festa pra ficar com essa velhinha? — Ele tirou o braço do meu ombro, todos na mesa já estavam começando a olhar.

— Tudo bem, acho que posso ir depois. — Coloquei na mente que eu aceitei por querer estar com ele e não porque me importava com a opinião dos outros se discutíssemos agora.

Eu nunca fui uma garota de muitos amigos, mas André era e seus amigos com o tempo se tornaram os meus também.

— Sabe que não precisa ir se não quiser, não é? — Débora sussurrou, quando ele voltou a conversar com seus amigos.

— Sei sim. — Ela me olhou não tão convencida, mudei de assunto. -Posso ir me arrumar na sua casa?

— Claro que pode. — Começamos então uma conversa aleatória, até que deu nosso horário.

— Ei Helena, soube que vai a festa mais tarde, sua mãe já sabe? — Disse, a namorada de Bruno um dos amigos do André, ela parecia se divertir implicando comigo, não consegui responder, André falou por mim.

— Deixa ela em paz, Carla. — Falou colocando novamente o braço ao redor dos meus ombros.

— Calma, era só uma brincadeira. – Sorriu como se fossemos melhores amigas, lutei para não revirar os olhos.

— Eu tenho que ir. — Me levantei ele se levantou junto.

— Te pego mais tarde? — Colocou os braços ao redor de minha cintura me colando ao seu corpo, fiz que sim com a cabeça lhe dando um selinho em seguida.

Quando as aulas acabaram me apressei indo em direção a saída, tinha prometido a minha mãe que iria ajudar no trabalho. Estava tão apressada que não vi alguém dobrando o corredor.

— Me desculpa... — Disse sem olhar pra tal pessoa, enquanto tentava colocar os livros dentro da bolsa que eu nem tinha percebido que estava aberta.

— Deixa eu te ajudar. — Depois de guardar todos os livros, parei um instante e lhe observei rapidamente.

— Foi mal por me esbarrar em você, é que eu estava um pouco apressada e...

— Eu percebi. — Sorriu de lado apontando pra minha mochila. — Sua mochila ainda está aberta.

— Há certo, obrigada. — Fechei a mochila. — Eu vou indo então... — Falei a última frase dando a entender que eu não sabia seu nome.

— Marcos, e você é a...?

— Helena, prazer Marcos. — Sorri. — Eu vou indo lá então. — Disse lembrando do porquê tinha derrubado os livros. Me apressei novamente, não queria ouvir os sermões da minha mãe, reclamando por eu está atrasada.

Quando cheguei até a bicicleta comecei a abrir a tranca.

— Quem era aquele? — Coloquei a mão no coração com o susto, eu nem ao menos tinha ouvido passos.

— Que susto. — Dei um tapa em seu ombro, mas ele continuou sem dizer nada, esperando uma resposta. — Não sei, acabei de conhecer, sabe como eu sou, esbarrei nele no corredor. O que foi?

— Nada, eu te vi saindo e vim perguntar se quer uma carona. — Olhei pra bicicleta. — Não sabia que tinha vindo de bike.

— Obrigada de qualquer forma, agora eu tenho que ir, prometi ajudar minha mãe no trabalho. — Depositei um beijo em sua bochecha. — Te vejo mais tarde.

Chegando na cafeteria, adentrei porta adentro já pegando o avental e amarrando na cintura.

— Oi Bia. – Cumprimente a jovem atrás do balcão. – Muito lotado? – Ela não conseguiu responder minha mãe saiu da cozinha.

— Está atrasada. – Suspirei, e ali estava a reclamação.

— Boa tarde pra você também dona Marcia. – Amarrei o cabelo em um rabo de cavalo. – Sabe que eu trabalho aqui de graça né. – Tentei brincar, minha mãe era dona da cafeteria e eu costuma vim a tarde para ajudá-la, mas ela continuou séria. – Está bem, já estou indo.

— A mesa cinco acabou de sentar-se. – Bia dizia me entregando a caderneta, peguei e a agradeci com um sorriso.

— Boa tarde, sejam bem-vindos, já sabem o que iram pedir?... – Depois de anotar o que parecia ser o milésimo pedido deixei a caderneta sobre o balcão.

— Dois expressos com a sobremesa da casa. – Disse passando o pedido a Bia, entrando na cozinha em seguida.

Encontrei minha mãe preparando a massa dos cookies. Eu tinha que confessar, ela amava o que fazia, sendo a proprietária não precisava estar ali, mas ali estava ela.

— Mãe, vou na casa da Débora mais tarde. – Ela parou pra me encarar. Não precisava dizer nada, só o seu olhar já me dizia que ela queria saber o que eu iria fazer, então continuei. — Não vamos fazer nada de mais, só vamos a uma festa na praia, volto cedo, prometo. – A olhei com expectativa. – O André vai estar lá.

— Como se isso ajudasse em muita coisa. – Voltou a preparar a massa.

— Mãe! – Ela tinha uma cisma com ele que eu não entendia, ele sempre foi muito simpático com ela.

— Achei que iria me ajudar até mais tarde, mas tudo bem Helena, por ir lá com seus colegas. – Sorri e tirei o avental, sai da cozinha não antes de escutar um “não volte tarde.”

Chegando na casa da Débora fui em direção ao seu quarto. Que estava uma bagunça, com várias roupas jogadas sobre sua cama, algumas na cadeira.

— Nossa, você sabe que é uma festa na praia né, um vestido e um biquíni está ótimo. – Afastei suas roupas pra tentar me sentar em sua cama.

— Fale por você, não precisa de muito pra esta bonita. – Levantei uma sobrancelha.

— Débora você é linda, para com isso. – Peguei um vestido ao meu lado. – Por que não vai com esse?

— Você devia ir com esse, fica lindo em você. – A olhei melhor, era um vestido tudinho, estampa florida.

— Não sei não, muito colado. Qual você vai?

— Shorts cintura alta e cropped. – Era a cara dela mesmo. – E você com esse? – Levantou novamente o vestido, revirei os olhos.

— Você não vai me deixar em paz se eu disser não, não é?

— Sabe que não. – Tentou ficar séria, mas acabou sorrindo no fim.

— Sabia, está linda. – Disse depois que já estávamos prontas.

— Obrigada, você também. – Me sentei em sua cama. – Vou mandar uma mensagem pro André. – Mandei mensagem pra ele, dizendo que estava na casa da Débora. – Ele disse que está a caminho.

— Já? – Também estranhei ele chegar tão rápido, mas não quis dizer nada, então dei de ombros.

Depois de um tempo, ele me respondeu que estava na porta. Quando descemos ele estava escorado na porta do carro.

— Fiu fiu. – Assobiou me deixando corada. – Mas como tá linda essa minha namorada. Você também Débora. – Disse olhando pra ela que deu um meio sorriso em resposta.

— Estava por perto? – Disse já colocando o sinto.

— O quê? – Pareceu meio confuso.

— Chegou muito rápido, estava por perto? – Ele me olhou rapidamente.

— Há sim, estava na casa do Bruno. – Ele estava estranho, mas não toquei mais no assunto. Em poucos minutos já estávamos na praia, a casa da Débora não era tão longe e a noite não tinha muito trânsito.

— Olha aí, chegou quem faltava. – Bruno veio nós cumprimentar, André e ele deram tapinhas de cumprimento, como os meninos costumam fazer. – E aí, meninas.

— Oi. – Respondemos em uníssono. Nós o acompanhamos até a areia onde tinha vários grupinhos de pessoas, algumas eu nem conhecia, nos sentamos na nossa rodinha.

— Veio bastante gente. – André e Bruno começaram a conversar.

— Amiga, quem é aquele? – Ela dizia batendo seu ombro no meu.

— Quem? – Olhei ao redor, não vi ninguém em especial.

— O cara a esquerda, ele tá olhando pra gente, acho que pra você hein, já se conhecem? – Era o garoto que eu tinha barroado mais cedo na escola.

— Me esbarrei com ele mais cedo na escola, nunca tinha o visto, novato? – Desviei o olhar dele.

— Há sim, deve ser o Marcos, dizem que ele fazia intercâmbio, mas voltou pra ficar mais perto de uma parente. – O olhei novamente de canto de olho. – Ele não para de te encarar.

— Para com isso, antes que o André escute. – Sussurrei.

— O que tem eu? – Ele se virou com o cenho franzido.

— Nada amor, eu estava dizendo que a gente devia dar um mergulho.

— Se você quiser ficar doente, a água está muito fria.

— Com medo de um gelinho, bebê. – Aí como eu odiava quando ela o chamava assim. – O Bruno vai comigo não é, amor? – Ele concordou e os dois correram para a água. Olhei para a Débora e a mesma revirava os olhos, prendi um sorriso. Me acomodei entre as pernas de André, ele colocou os braços ao redor de minha cintura.

— Mas e aí, o que tem pra fazer? – Perguntei inclinando a cabeça para lhe encarar, ele sorriu. – Para de sorrir assim. – Dizia, mas prendia o riso.

— Não estou fazendo nada. – Ele levantou as mãos, beijando meu ombro.

— Sei, é sério o que tem pra fazer? – Ele olhou pra água, franzi o cenho. – O quê?– Um rapaz passou com uma caixa de isopor gritando, “a diversão chegou galera". O olhei séria.

— Você vai beber? – Eu odiava quando ele bebia, acabava ficando fora de si.

— E só um pouco, juro. – Fiquei séria.

— Você sempre diz isso, mas nunca é.

— A gente não vai brigar não é, sério. – O olhei irritada já me levantando.

— Não, não vamos. – E sai, indo pegar algo pra comer.

— Brigando de novo? – Era a Carla, a olhei com tédio.

— Agora não, é sério. – Ela levantou as mãos como que se rendendo.

— Calma, foi só um comentário, pra descontrair. – E saiu me deixando sozinha. Fiquei um tempo sozinha, todos estavam ao redor da caixa de isopor, a maioria com latinhas nas mãos, André já devia estar na terceira. De repente escutei um clique, alguém tirando uma foto.

— Desculpa, não consegui me conter. – Marcos estava ao meu lado, com as mãos estendidas ao alto e uma câmera em uma delas.

— Posso ver? – Me aproximei.

— Claro. – Ele me mostrou a foto, estava linda, não ficou estranha como eu achei que ficaria, até porque eu estava distraída.

— Ficou linda, você conseguiu capturar bem apesar da péssima luminosidade. – Ele me olhou de um jeito estranho não consegui identificar bem, sorri de lado.

— Meu pai era fotógrafo.

— Era? – Franziu o cenho.

— Sim, era. – Disse somente. – Posso? – Apontei pra câmera ele me entregou, apontei a câmera em sua direção, mas ele fez que não. – O quê, você tirou uma minha, nada mais justo. – Tirei sua mão da tela e tirei uma foto sua. Sorri pro resultado.

— Nada mal. – Disse avaliando a foto.

— Não ficou boa como a minha, mas está ótima. – O olhei chocada, ele tentou se manter sério, mas acabou sorrindo. – Estou brincando.

— E bom mesmo. – Lhe dei um empurrão no ombro, depois corei de leve, eu nem o conhecia, como a conversa estava fluindo a esse ponto. – Desculpa.

— Interrompo algo? – André chegou colocando o braço ao redor do meu ombro, percebi ele um pouco tonto, tirei sua mão do meu ombro. Ele não tirava os olhos de Marcos. – Eu sou o namorado, e você é?

— Marcos. – Ele estendeu a mão para cumprimentá-lo, mas quando percebi que André estava demorando pra soltar sua mão, tentei intervir.

— Er... a gente vai indo Marcos. – Disse puxando o braço de André, arrastando-o mais pra festa. – O que foi isso? – Perguntei quando estávamos distantes o suficiente.

— Aquele cara estava dando em cima de voceê. – Falou a última palavra arrastado.

— Não seja ridículo, ele estava sendo simpático. E você está bêbado. – Parei o segurando pelos ombros.

— Não estou não, opa. – Tropeçou nos próprios pés. – Talvez um pouquinho.

— Mas que droga André, você veio de carro. Me dá sua chave. – Estendi a mão e ele com muito custo a colocou em minhas mãos. – A gente vai pra casa.

— Mas esta cedo. – Resmungou. Não lhe dei ouvidos e sai o arrastando para o carro.

Minha mãe iria me matar, eu sabia dirigir, mas não tinha carteira.

Notas finais
Me deixem saber o que acharam.