Descobrindo o Amor (em revisão)
12 Capítulo 12 - Dias atrás.
Notas iniciais
Marcos viria me buscar para o evento daqui a mais ou menos uma hora e eu ainda não estava pronta, olhava minhas roupas, mas nada parecia bom. Escutei batidas na porta.
— Posso entrar? – Era minha mãe, antes que eu a respondesse já estava dentro do quarto, o olhar avaliando a bagunça. – Nossa, o que aconteceu por aqui? – Suspirando me sentei em minha cama.
— Marcos me chamou para um evento, e eu não sei que roupa usar. – Ela se sentou ao meu lado, não pude deixar de notar um quase sorriso em seus lábios. – O que foi?
— Não é nada, é que... não é nada, vamos deixar para depois. Quer ajuda com a roupa?
— Há por favor, eu estou para desistir. – Ela riu. Depois de um tempo olhando algumas roupas, ela me mostrou um vestido.
— E que tal esse? – Era até bonito, mas não dava pra ir com ele.
— Não dá, a gente vai de moto. – Depois de olhar mais algumas roupas, ela me mostrou outra opção.
— E esse? – Sorri, aquele era perfeito, uma calça pantalona com um cropped de alcinha.
— Esse está ótimo, obrigada mãe. – Ela esperou enquanto eu me trocava, enquanto amarrava meu cabelo em rabo de cavalo, percebi ela me olhando pelo espelho. – O que foi? – Me virei para lhe encarar.
— Você está linda filha. – Chegou ao meu lado me entregando uma bolsa lateral. Olhando-a por um tempo algo me veio à mente.
— Obrigada. Mãe, a senhora é feliz? – Ela me olhou surpresa.
— Há, mas que pergunta filha, é claro que eu sou feliz. Por que você acharia que não?
— Não sei, está sempre tão ocupada com o trabalho, sempre correndo. – Ela concordou.
— E verdade, eu estou sempre correndo. – Me olhou por um tempo, quando pensei que não iria mais dizer nada, continuou. – Eu sei que passei esses últimos anos muito ocupada com o trabalho, te deixando um pouco sozinha, mas quero que saiba que eu estou aqui caso precise, está bem? – Concordei, ela me abraçou me deixando um pouco sem reação, demorei um pouco para retribui. Antes que eu pudesse responder meu celular tocou. – E ele?
— Sim, eu tenho que ir, tá. – A olhei meio sem saber o que dizer, fazia tempos que ela não agia daquela forma, sentimentalista.
— Claro, divirta-se. – Agradeci e antes de sair, escutei ela falando. – E não volte tarde. – Sorri, agora sim ela estava agindo como sempre.
Quando sai ele estava escorado na moto, com as mãos no bolso da calça.
— Oi, tudo bem? – Disse quando me aproximei.
— Tudo sim. – Sorri, ele me entregou o capacete. – Obrigada, é muito longe? – Quis saber enquanto subia na moto.
— Não muito. – Ele acelerou, segurei na lateral de sua blusa, ele dizia algo, mas eu não consegui ouvir.
— O quê? Não consigo ouvir. – Tentei falar mais alto, ele pegou uma de minhas mãos colocando ao redor de sua cintura. – Há. – Então era isso que ele dizia, coloquei então a outra mão ao redor de sua cintura.
Chegando no museu de fotografia, onde teria o evento, lhe entreguei o capacete e esperei ele o prender na moto. Quando entramos olhei tudo admirada.
— Nossa. – Disse olhando as fotografias na parede dos corredores, ele me olhou.
— Você já tinha vindo a uma exposição dessas?
— Sim, mas eu era muito nova, meu pai me levou uma vez. Não lembro de muita coisa. – Parei diante de uma fotografia a admirando. A garota na fotografia era linda, com seus imensos olhos verdes, mas foi sua expressão que me chamou a atenção.
— Sharbat Gula. – O olhei. – A garota da fotografia, uma refugiada, a foto é de 1984.
— Seus olhos, desconfiados e atentos, é como se falassem sem realmente dizer uma palavra. – Sorri comigo mesma. – Muito louco, não é?
— Não, é exatamente assim que me sinto com as fotografias. Como se as pessoas me contassem suas histórias, sem realmente falar. – O olhei por um tempo.
— Mais e aí, quando vai me mostrar as suas fotos. – Falei meio que para mudar de assunto. – Por que você deve ter várias não, é? – Sorriu de lado, mas não disse nada, caminhou pelo corredor e eu o segui ficando ao seu lado. – Qual é, eu não vou julgar, só estou curiosa.
No fim da tarde, já estávamos prontos para ele ir me deixar em casa, mas eu não queria ir, então quando me sugeriu que fossemos dar um passeio antes, aceitei.
— Acho melhor você segurar firme dessa vez. – Franzi o cenho, abracei firmemente sua cintura praticamente colando em suas costas quando ele acelerou, eu não podia ver, mas podia jurar que ele estava sorrindo.
— A praia? – Quis saber quando chegamos.
— Tem uma ponte, ali. – Apontou para uma direção mais distante. – Que dá pra ver o pôr do sol.
— Sério? – Fez que sim, e eu o acompanhei. Como eu não conhecia aquela ponte, me questionei, eu ia aquela praia a tempos.
Quando caminhávamos sobre a ponte tropecei em algo que me fez escorregar, ele foi mais rápido segurando pelo braço, fazendo com que eu espalmasse as mãos em seu peito para me equilibrar ficando cara a cara com ele, me encarou por um tempo.
— Tudo bem? – Fiz que sim, me afastando meio envergonhada.
— Er... obrigada. Esse é o lugar? – Olhei ao redor procurando um lugar para sentar-se.
— Sim, aqui. – Segurou minha mão me ajudando a sentar. Ficamos em silêncio por um tempo, mas não era um silêncio desconfortável. – Só mais alguns minutos. – Dizia conferindo as horas. – Agora. — Olhei para a frente e...
— Nossa, é lindo. – O céu estava em um tom alaranjado, algumas nuvens meio rosadas e tudo refletia no mar. – Faz tempo que não venho a lugares assim. – Ele me olhou com o olhar de interrogação. – Meu pai me trazia pra tirar fotografias.
— Sente saudades dele?
— Muita, eu queria poder me lembrar mais dele. – Olhei para o pôr do sol. – Desculpe. – Ele franziu o cenho.
— Pelo quê?
— Por trazer esses temas deprimentes.
— Você não tem que se desculpar por querer falar de alguém importante pra você. – O olhei com um meio sorriso, era um pouco estranho, mas eu me sentia confortável com ele. – E fui eu quem quis saber.
— Acho que o sol já está se pondo. – Ficamos em silêncio novamente, admirando o que parecia ser uma fotografia em tempo real.
— Obrigada por hoje. – Sorri, estávamos na porta na minha casa. Ele concordou, com as mãos em seus bolsos.
— Nos vemos na escola. – Eu me aproximei para lhe dar um beijo na bochecha, mas ele se virou rapidamente e acabei lhe dando um selinho.
— Aí meu Deus, me desculpe. – Acho que corei, porque ele sorriu um pouco.
— Te vejo amanhã Helena. – Saiu em direção a sua moto, eu entrei em casa ainda confusa sobre o que tinha acabado de acontecer.
— Como foi? – Dei um pulo de susto.
— Aí mãe, que susto. – Ela desligou a tv.
— Você está corada? – Me olhou meio sorrindo, toquei minhas bochechas, abrindo e fechando a boca sem saber o que dizer.
— Er... impressão sua, eu vou subindo, boa noite.
— Boa noite, filha.
Não sabia que tipo de sentimento era aquele, nós éramos amigos, eu mesma tinha prometido não ultrapassar aquela linha. E agora eu estava sentada em minha cama, confusa por conta de um selinho. Eu não queria confundir as coisas, por isso decidir esquecer aquilo e ir dormir, amanhã provavelmente tudo iria estar normal.
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