Descobrindo o Amor (em revisão)
13 Capítulo 13 - Dias atrás.
Notas iniciais
— O que está fazendo? – Débora me olhava com o cenho franzido, enquanto eu estava em meu armário olhando para as laterais, para ver se ele estava vindo.
— Você viu o Marcos por aí?
— Não, por que não quer ver ele? – A encarei.
— Eu não disse isso.
— E não precisa, estava se escondendo dele, por quê? – Fechei meu armário, começamos a andar. Suspirei, contei a ela sobre ontem. – Você está se escondendo por conta de um selinho? – Me olhou boquiaberta.
— Não, estou o evitando por conta do sentimento que acho que senti. – Pensei melhor, ela estava certa. – Está bem, acho que estou sendo um pouco dramática.
— Tem muitos, acho, nessa frase Helena. – A olhei sem dizer nada. – Olha, tenho algo para te contar.
— O quê?
— Sabe o carinha da outra sala, o que eu estava saindo? – Fiz que sim, para que ela continuasse. – Ele disse que vai ter uma festa mais tarde, vamos? – Me olhou com expectativa.
— Não sei, tenho que ajudar minha mãe e... Obrigada. – Disse para moça do balcão da cantina, depois de pegar meu lanche. – Hoje é dia de movimento na cafeteria. – Continuei, nos sentamos em uma mesa.
— Vamos, você sabe que eu não sou muito de ir à festa. – Quando viu que eu não lhe respondia, continuou. – E você está me devendo uma, lembra? – Era verdade, ela tinha ido à festa comigo quando a chamei, por isso respondi.
— Tudo bem, eu vou com você.
Eu estava na casa da Débora, estávamos terminando de nós arrumar para a festa.
— Onde que vai ser mesmo essa tal festa?
— Bom, não sei exatamente, mas acho que na casa dele. – Disse terminando a maquiagem. – Como estou? – Sorri.
— Está linda. — Agradeceu pegando seu celular.
— Bom, acho que nosso táxi chegou, vamos.
Seguimos então para a festa, quando chegamos descobrimos que sim, era na casa dele.
— Oi. – Eles se cumprimentaram quando nós o encontramos. – Você deve ser a Helena, tudo bem?
— Oi, tudo sim, obrigada pelo convite. – Sorriu colocando o braço ao redor do ombro de Débora.
— Fique à vontade, vou roubar sua amiga uns minutinhos. – Sorriu de lado, enquanto ela me dizia um “já volto" com os olhos, que ótimo, sozinha em uma festa de desconhecidos.
Olhei ao redor para ver se encontrava alguém conhecido, mas não vi ninguém, segui então em direção ao que parecia uma sala de estar, me sentando em um sofá.
— Está sozinha? – Levantei a cabeça para ver quem era.
— Bruno, oi. – Era o amigo do André. – Eu vim com a Débora, mas ela está por aí com um amigo, então eu vim pra cá.
— Meio solitário não acha? – Olhou ao redor, como se confirmasse o que dizia. – Está tocando uma música legal, quer ir dançar? – Eu tinha duas opções, ficar ali sentada sozinha, ou aceitar seu convite para a dança. Bom, eu não sabia muito dançar, mas ficar ali sozinha parecia muito entediante.
— Tudo bem, vamos. – O acompanhei até a sala, onde várias pessoas já dançavam. – Desculpa, eu não sou boa na dança, mas em minha defesa você que me chamou. – Disse depois de pisar pela milésima vez em seu pé e para a minha surpresa ele sorriu.
— Tudo bem. – O olhei melhor, nunca conversamos muito quando eu namorava o André, ele parecia ser um cara legal. Não sei como a Carla teve coragem de traí-lo.
— O que disse? – Arregalei um pouco os olhos, eu tinha dito a última frase em voz alta.
— Não é nada. – Tentei disfarçar. – E que, eu soube que você e Carla não estão mais juntos. – Me olhou por um tempo sem dizer nada.
— O André foi meio idiota por te perder. – Franzi o cenho por seu comentário aleatório, rapidamente ele mudou de assunto. – A Carla e eu terminamos, não estava mais dando certo sabe, já estávamos distantes a um bom tempo. Então resolvemos não continuar.
— E você está bem com isso?
— Bom, no começo foi um pouco difícil, mas agora depois de meses já estou mais de boa.
— Espera, meses? Não foi a semanas? – Me olhou sem entender.
— Não, foram meses, é um pouco difícil de entender, a gente resolveu continuar amigos. Por isso muita gente achava que ainda estávamos juntos. – Então ela já estava livre quando... me perguntei se ele já sábia de tudo, já que eram tão amigos, e por algum motivo me senti desconfortável.
— Entendi, obrigada pela companhia Bruno, vou tentar achar a Débora. — Disse quando a música acabou.
— Tudo bem. – Fui procurar Débora, barroando com algumas pessoas no caminho, a casa era enorme o que dificultava um pouco.
— Impressão minha ou está me evitando? – Escutei ao longe e não precisei me virar para saber quem era.
— E por que eu faria isso? – Me virei indo em sua direção.
— Não sei, me diz você. – Se aproximou mais, fiquei meio desconcertada pela proximidade. De repente seus lábios se inclinaram em um sorriso, o olhei incrédula.
— Marcos! – Dei um tapa em seu peito. – Está brincando comigo?
— Calma aí. – Segurou meu braço me fazendo parar de lhe bater, me puxou pra um abraço. – Era brincadeira. – Dizia ainda rindo.
— Não achei graça. – Quando desfiz o abraço seu rosto estava bem próximo ao meu, próximo demais, observei seu sorriso se desfazer aos poucos enquanto seus olhos intercalavam entre meus olhos e meus lábios. Sussurrei sem tirar os olhos do seus. – O que está fazendo?
— Não sei. – Sussurrou de volta, uma das mãos indo para o meu maxilar, prendi a respiração quando ele se inclinou.
— Eu sabia! – Alguém disse no fim do corredor, ele fechou os olhos pressionando a testa sobre a minha antes de se virar. – Você estava a fim dela desde o início. – André vinha em nossa direção apontando o dedo na direção de Marcos.
— Para com isso André. – Ele nem me olhou, só continuava falando.
— Era isso que queria não é, nós separar. – Marcos não dizia uma palavra e isso parecia irritar André, tentei me aproximar, mas ele me parou. Quando André viu sua mão sobre a minha, veio pra cima dele, instintivamente fiquei entre os dois. Cambaleei um pouco pelo baque.
— Não encosta em mim.– Gritei quando André tentou se aproximar. Ele insistiu, Marcos o segurou pelo colarinho.
— Vai embora cara. – Ele me olhou, mas eu desviei o olhar, concordou levantando as mãos para que Marcos o soltasse, ele o largou e ele saiu nós deixando a sós.
— Como você está? – Marcos chegou perto levantando meu queixo para me olhar melhor, eu só conseguia olhar em seus olhos. – Dói muito? – Fiz uma careta em resposta ao seu toque, ele segurou minha mão sem dizer nada me levando até a cozinha.
— Posso? – Quis saber se podia me levantar pela cintura para me sentar no balcão, fiz que sim. – Me fala se doer. – Ele colocou uma compressa de gelo, que tinha encontrado na geladeira, sobre minha bochecha, me retrai. – Desculpa.
— Está tudo bem. – Segurei minha mão sobre a dele, quando ele ameaçou se afastar, me olhou por um tempo antes de dizer.
— Você não deveria ter se metido no meio. – Disse meio irritado, pude perceber.
— Me desculpa, foi instinto. – Suspirou ao me olhar, colocando uma mecha que caia sobre o meu rosto atrás da minha orelha.
— Certo. – Se afastou de repente. – Acho melhor a gente voltar. – Concordei. – Espera. – Disse voltando para me ajudar quando fiz menção de descer do balcão.
— Obrigada.
— Quer ir pra casa?
— Acho que não tenho muita escolha. – Tentei sorri, mas acabei fazendo uma careta pela dor. – Me empresta seu celular, tenho que avisar a Débora. – Depois de avisá-la seguimos para a sua moto.
Rapidamente chegamos a minha casa, ele parou a moto, desci e lhe entreguei o capacete.
— Obrigada pela carona e por...- Apontei para meu rosto.
— Você não precisa agradecer. – Desceu da moto se escorando na mesma, me aproximei. – Nunca mais faça isso.
— Sim senhor. – Brinquei.
— Estou falando sério Helena, eu nem sei o que faria se...- Não continuou, levantei uma sobrancelha.
— Se o que? – Me olhou bem sério.
— Para com isso. – Me fiz de desentendida, quebrando nossa proximidade.
— Isso o quê? – Ele sorriu de lado, levantando uma sobrancelha, fixou seus olhos nos meus, fiquei na ponta dos pés, enquanto suas mãos iam para minha cintura, quando...
— Helena? – Minha mãe abriu a porta, suspirei pendendo a cabeça sobre seu peito. – Há, oi Marcos, quer entrar um pouco querido? – Falou ainda da porta.
— Oi senhora Marcia. – Levantei a cabeça lhe encarando, ele sorria com os olhos. – Obrigada pelo convite, mas tenho mesmo que ir. – Depositou um beijo em minha testa. – Te vejo amanhã. – Fiz que sim e ele se foi.
— Atrapalhei alguma coisa? – Ela dizia enquanto eu entrava em casa, a olhei com cara de tédio, ela cerrou os lábios em uma linha fina. – Não foi minha intenção filha, eu... – Franziu o cenho se aproximando, segurou meu queixo. – O que aconteceu com seu rosto Helena?
Me sentei então, lhe explicando o que tinha acontecido. Ela ficou irritada de início, mas depois acabou entendendo que ele não teve a intenção.
Foi só quando eu me sentei em minha cama, que a ficha caiu. Eu quase beijei o Marcos, duas vezes, já era o meu plano de não ultrapassar a linha da amizade.
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