Descobrindo o Amor (em revisão)
1 Capítulo 1 - Dias atuais.
Notas iniciais
Eu estava sentada ao lado da senhorinha mais amável que eu já havia conhecido, mas os pensamentos estavam tão distantes, que suas palavras me pareciam da mesma forma.
— O que foi querida? Você me parece bastante abatida hoje, aconteceu algo?
— Há Dona Ana, acho que a senhora não entenderia.
— Porque não tenta, minha velhice tem que servir para alguma coisa afinal. — Me lançou um meio sorriso, fazendo aparecer algumas linhas embaixo dos olhos.
— Me desculpa, eu não... — Me apressei quando percebi o que eu tinha dito, sem querer eu dei a entender que ela não poderia me ajudar por conta de sua idade.
— Há, não se desculpe, sei que estou velha, espero que minha experiência possa lhe ajudar querida. — Colocou a mão sobre o meu ombro, sorri, ela era um amor, uma amiga e tanto.
— Tudo bem, acho que posso contar um pouco. — Depois de lhe contar tudo o que lembrava, ela perguntou.
— E por que isso a preocupa tanto? — Pensei um pouco antes de lhe responder.
— A senhora não entende? Ele nunca irá me perdoar. — Ela me olhou por um tempo como se me avaliasse e por fim, disse.
— Queria que se vesse como eu lhe vejo. — Franzi o cenho de leve, quando percebeu que eu não iria dizer nada continuou com o olhar pensativo. — Sabe, querida, eu conheço a história de uma garota muito parecida com você.
— Quem? — Eu adorava suas histórias, sentei-me mais perto, sorrindo ela continuou.
— Irei contar, pode pegar meus óculos por favor. — Observei enquanto ela folheava um livro, ao qual era sua companhia diária. — Aqui está, muito bem... A história começa com uma família que teve que se mudar para terras distantes e estrangeiras, por conta de um tempo terrível de fome...
— Nossa, que horrível.
— Sim, querida, realmente foram tempos difíceis. — Me calei para que ela continuasse. — Essa família era composta por um casal e seus dois filhos e depois de um tempo, juntos, eles se estabeleceram na nova cidade...
— Mas porque a fome não chegou a essa tal cidade?
— Bem, a cidade era muito distante e rica, conseguiu se manter durante a crise.
— Entendi, continua, prometo não atrapalhar mais. — Sorri.
— Certo, onde eu estava, a claro... Eles se estabeleceram na cidade e seus filhos antes crianças, cresceram e se tornaram rapazes, então...
“- Você viu o jeito que ela me olhou, acho que é ela. — O irmão mais novo dizia ao mais velho, a verdade é que ele diria isso se qualquer outra garota o olhasse.
— Irmão, não seja tolo, se a garota lhe pedisse alguma informação capaz de dizer que ela está dando em cima de você.
— Não é verdade. — Dizia emburrado, descartando então a ideia de que a garota seria a certa para se casar. Seu pai havia falecido a um ano e desde então eles buscavam garotas que lhes dessem uma boa família, como era a tradição. O mais novo se empenhava, o mais velho, porém não fazia muito caso pós achava que se era pra se casar, que a tal moça deveria ser alguém que cuidasse da família e lhe fosse boa a vista. Diferente do irmão não buscava o amor, mas uma companheira que não lhe estressa-se, isso somente, já estava de bom tamanho.
— Agora deixa de dizer tolices e vamos logo com isso, nossa mãe está nós esperando para o jantar. – Eles estavam no comércio escolhendo os ingredientes que ajudariam sua mãe a preparar a janta.
— Logo aparece uma garota que irá te fazer mudar de ideia sobre o amor. – Resmungava seu irmão o ajudando a escolher os legumes, ele fingiu não o ouvir, porque duvidava muito que aquilo acontecesse.
— Onde está o que eu pedi? – Dizia sua mãe olhando o que eles haviam trazido para casa.
— Está tudo aí, da forma que a senhora pediu.
— Ai meu Deus, me traga logo boas noras para que me ajudem a organizar essa casa, esses meus filhos não entendem nada. – Dizia sua mãe mais para si.
— A senhora deveria ter ido então, já que não ajudamos em nada. – Resmungou o mais velho, saindo da cozinha a deixando sem reação.
— Não se preocupe mãe, ele está assim porque não consegue encontrar ninguém. – A abraçando de lado, depositou um beijo em sua bochecha. – Agora me deixe ir trabalhar antes que ele volte para me puxar pelas orelhas.
— Com esse temperamento, espero que seja bem paciente a tal garota. – Falou observando o filho seguir o irmão.
Os dois estavam então trabalhando, quando seu irmão tentava convencê-lo a encontrar uma esposa.
— Olha eu acho que você devia prestar mais atenção ao que faz e deixar de conversas. – Ele dava de ombros.
— Falo sério irmão, você vai ter que se casar de um jeito ou de outro, é a tradição. Porque não achar alguém que ame. – Ele iria respondê-lo, mas se distraiu quando uma moça passou diante de seus olhos, sua beleza o distraiu e ele já não mais ouvia o irmão.
— E ela.
— O quê? – O olhou sem entender.
— Você não vê? E ela, minha futura esposa, eu vou conseguir aquela mulher e ela será minha esposa...”
— Espera, o que acontece depois? – Disse quando a vi fechar o livro.
— Vai ter que ficar para uma próxima querida. – Lhe lancei o olhar meio indignado.
— Há não, Dona Ana, vou ficar curiosa. Só mais um pouco? – Insisti.
— Paciência querida, eu não irei a lugar algum, quando quiser saber mais estarei aqui. – Ela abriu os braços. Dona Ana estava em uma casa de repouso, eu a conhecia a um pouco mais de um ano e a simpatia daquela senhorinha tinha me conquistado, aprendi a gostar dela como se fosse parte da minha família, sempre que podia eu ia lhe visitar, tudo começou como um passeio comunitário e ali estava eu.
— Tudo bem então. – A abracei. – Te vejo depois? – Ela fez que sim e depois de me despedir fui pra casa.
— Por onde andava Helena? – Minha mãe quis saber assim que cheguei em casa, ela me esperava assistindo tv.
— Com a Dona Ana. – Coloquei a mochila sobre o sofá.
— Custava ter me avisado, eu estava aqui preocupada. – Desligou a tv.
— Desculpa, na próxima aviso, vou pro meu quarto. – Puxei a mochila a apoiando sobre o ombro. Eu e minha mãe já não éramos muito próximas a muito tempo, não que eu não a amasse, é só que eu não sabia como manter uma conversa com ela.
Organizei minhas coisas pro dia seguinte e fui dormir.
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