Notas iniciais
Oi:D
Demorei de novo, né? Desculpaaaaa! Provas como sempre!

Espero que curtam esse capítulo, prometo que não vou demaorar com o próximo, já está quase pronto, no mais tardar posto depois de amanhã.

Aí vai...

- Dá pra sair logo da minha frente! – Esbravejou Daniel para o grandalhão que estava barrando sua entrada no escritório de Demétrius.

- Quantas vezes eu vou ter de repetir que o chefe deu ordens expressas pra não deixar ninguém entrar? Ele não quer ser incomodado! – Falou o grandalhão. Ele estava na frente da porta do escritório de Demétrius, com os braços cruzados e com cara de poucos amigos.

Já fazia vinte minutos que Daniel tinha saído da edícula à procura daquele monstro. Até então, não sabia aonde ele trabalhava, e muito menos que tinha um escritório nos fundos do bar dos fantasmas.Soube, através de um garçom que trabalha lá, que Demétrius mantinha total sigilo sobre aquele lugar; que chegava bem cedo quando o bar ainda estava fechado e que saía só quando o último cliente havia saído, o que era bastante estranho. Soube também que ele costumava receber poucas visitas, e uma delas se tratava de uma mulher muito bonita, o que era ainda mais estranho.

Chegando lá, teve de ser o mais discreto possível, pois a porta que dava ao escritório era atrás do palco, lugar visível para todos que frequentam o bar. Por isso mesmo, inventou uma desculpa de que precisava verificar os instrumentos para o show da noite, e conseguiu entrar. Porém, se deparou com aquele grandalhão... Se fosse no mundo dos vivos, sua intangibilidade e invisibilidade o ajudariam bastante a ultrapassar esse obstáculo, contudo no mundo espectral, isso não funcionava muito bem, já que lá todos eram fantasmas.

Já estava perdendo a paciência, por isso, apontou para o grandalão, o dedo em riste – Olha aqui, eu não vou sair daqui enquanto não falar com o seu chefe, então, se eu fosse você, eu entraria aí e me anunciaria, porque uma hora ou outra ele vai ter que sair daí, e eu vou acabar falando com ele, queira você ou não.

O grandalhão bufou de raiva. “Quem aquele “gasparzinho” pensa que é para falar com ele daquele jeito?”, pensou, fulminando Daniel com o olhar, porém, era duro admitir, mas aquele fantasma estava mesmo disposto a não sair dali. Constatou isso, quando Daniel puxou uma cadeira e se sentou, esboçando um sorrisinho cínico, provocando-o.

Por isso, depois de alguns segundos, vencido pelo cansaço, abriu a porta do escritório, na esperança de que o próprio Demétrius colocasse aquele fantasma em seu devido lugar. “Engano seu!”

- Chefe... – Começou a falar o grandalhão, quando entrou no escritório.

- Mas, será possível! – Esbravejou Demétrius, batendo com o punho cerrado na mesa. O grandalhão deu um pulo. – Qual foi a parte do “Eu não quero ser incomodado por ninguém” que você não entendeu? — Se levantou, indo em direção a ele, e chegando bem perto de seu rosto, continuou – Você, por acaso, sabe o que eu fiz com o último fantasma que resolveu me desobedecer? – Ele sabia, aliás todos os fantasmas sabiam... Demétrius havia mandado prendê-lo dentro de um disco, porém desta vez, ele fez questão de quebrá-lo em mil pedacinhos, antes que alguém o pusesse para tocar.

Demétrius viu que o grandalhão ficou perdido em pensamentos, sinal de que havia entendido o recado. Se virou, na intenção de voltar à sua mesa, porém parou quando o ouviu começar a falar.

- Desculpe, chefe, é que... Esse fantasma que está aí fora é muito insistente. Ele até falou que se o senhor soubesse de quem se trata, ia deixá-lo entrar na hora. É um imbecil mesmo! Vou agora mesmo lá fora colocar esse tal de Daniel em seu devido lugar. Eu já estava mesmo afim de dar um corretivo nesse cara e...

Demétrius se virou, rapidamente para ele, quando ouviu aquele nome que era como música para seus ouvidos — Peraí! Como você disse que chama o fantasma que está aí fora?

- Daniel. Mas, não se preocupe, chefe, que...

- Por que você não me disse antes, seu enérgumeno?! – Gritou Demétrius. O grandalhão fez cara de interrogação. E Demétrius bateu palmas, como que o enxotando – Vamos! O que está esperando? Vá lá fora e faça o favor de mandá-lo entrar.

O grandalhão permaneceu parado. Neste momento, ele teve a certeza de que seu chefe não batia bem da cabeça. – Mas, chefe, o senhor não acabou de dizer que...

- Eu disse o quê? Esqueça o que eu disse. Eu desdigo, pronto! Agora vá! Porque se ele foi embora nesse tempo que perdemos aqui dentro, eu acabo com você! E eu não estou brincando.

O grandalhão arregalou os olhos, e sem mais pensar, correu pra porta. Ao vê-lo fechar a porta atrás de si, Demétrius permaneceu onde estava, esfregando uma mão na outra, com um sorriso malévolo estampado em seu rosto. Estava feliz de receber seu pior inimigo em seu escritório, mesmo que até aí, não fizesse a menor idéia sobre o que se tratava.

Dirigiu-se até sua mesa. Pretendia recebê-lo como manda o figurino. Sentou-se, colocou seu óculos de grau – “Como se fantasma precisasse disso” — e começou a fingir que verificava uns documentos.

Foi quando a porta se abriu.

Demétrius levantou o olhar, por cima do óculos, e retirou-o quando viu Daniel, que estava à sua frente, com a cara fechada. Foi até a frente de sua mesa, sentando-se nela, meio em pé, meio sentado – Ora, ora, mas a que dêvo essa visita tão ilustre?

- Não se faça de desentido. Você sabe muito bem porque eu vim.

- Não. Sinceramente eu não sei. – Falou com tom cínico, e isso foi o suficiente para Daniel ir em sua direção para puxá-lo pelo colarinho.

- Calma Daniel! – Exclamou Demétrius, tentando retirar as mãos de Daniel que estavam segurando seu colarinho — Será que a gente pode conversar como gente civilizada?

Daniel bufou – Até parece que você é civilizado?! Vamos parar com as gracinhas! Eu vim aqui porque eu exijo que você pare de perseguir a Julie!

Demétrius fez cara de interrogação – Como? Você veio aqui para exigir que eu pare de perseguir quem? – Pausou, pensativo — Ah, a Julie é aquela sua namoradinha viva... Eu me lembro dela.

Daniel apertou seu colarinho. Demétrius sentiu-se sufocado – Já disse para parar de gracinhas! Vamos! Eu quero uma resposta, agora!

- Bem, se você quer uma resposta, agora... Aí vai. Eu não estou perseguindo ninguém. É só você olhar ao seu redor – Mostrou a montanha de papéis que havia em cima de sua mesa — Veja se eu tenho tempo para me preocupar com uma garotinha medíocre como aquela.

Daniel se enfureceu totalmente, apertando tanto o colarinho de Demétrius que o mesmo começou a se engasgar – Veja lá como fala da Julie! – Ele exclamou, e para surpresa de Demétrius, uma gota de suor começou a escorrer pelo seu rosto.

Demétrius arregalou os olhos. A transformação estava ocorrendo muito mais rápido do que previa. Teria que ter mais cuidado na próxima vez . Imagina ser o responsável por acelerar o processo. – Rela... – Tossiu engasgado – Relaxa Daniel! – Tossiu mais uma vez – Não foi minha intenção insultar a... Julie. Eu só queria deixar bem claro que não tenho nada a ver com o que você mencionou. Eu nem sei do que você está falando. Além disso, você tem em mãos algo que me incrimina, esqueceu? Eu posso ser tudo, mas não sou burro.

Daniel apertou mais o colarinho e apertando os olhos, examinou a cara dele. Por mais incrível que isso pudesse parecer, acreditou, então, relutando, o soltou. – Espero que esteja dizendo a verdade porque do contrário... – Cortou a frase no meio quando ouviu que alguém abria a porta.

- Desculpa a demora! Eu juro que tentei vim o mais rápido que pude, mas... Daniel???

Daniel se virou em direção àquela voz. Tinha certeza que a conhecia muito bem. – Marina??? – O que ela estava fazendo ali? Naquele momento passou pela sua cabeça que ela podia ser a “mulher bonita” que visitava Demétrius, mas... Que tipo de relação eles tinham? – O que você tá fazendo aqui?

Marina ficou paralizada, com os olhos arregalados. Daniel era o último fantasma que esperava encontrar na sala de Demétrius – Eu... Eu... – Ficou nervosa. Não sabia o que inventar – Eu...

- Finalmente chegou! – Exclamou Demétrius, salvando-a. Daniel olhou para ele, com a testa franzida – Você deve ser a fantasma idiota que resolveu trangredir o código espectral, artigo primeiro, parágrafo terceiro? Estou certo?

Marina demorou um pouco para se tocar do que ele estava falando – O quê? Hã? Não estou entendendo...

- Esse código proíbe que fantasmas possam aparecer para os vivos, e conviver com eles. – Explicou Demétrius, deixando a fantasma cada vez mais confusa. Daniel estava impassivo, presenciando toda a cena. E para fazer mais suspense, deixando a cena mais realista, Demétrius começou a arrodiar Marina, com as mãos pra trás, lhe causando medo – Você foi pega, no flagra, flertando com o seu namorado vivo, e o código espectral é muito claro sobre a pena para esse tipo de abuso... – Pausou, parando em frente à fantasma – Ser presa em um objeto inanimado pelo resto da eternidade. E é isso que vai acontecer com você. Eu vou agora mesmo ligar para os meus superiores pra que eles possam mandar a polícia espectral pra cá. – Sorriu com maldade — Considere-se detida!

- Não! – Marina gritou em tom de desespero, quando lhe caiu a ficha do que estava acontecendo — Por favor, eu posso explicar... Eu não... – Ela não sabia o que dizer, então olhou para Daniel pedindo socorro com os lábios, sem fazer som.

Demétrius não deu a mínima para o apelo dela, e se dirigiu para sua mesa, mas parou no caminho quando ouviu Daniel se manifestar. Demétrius sabia que Daniel odiava injustiça, por isso provocou-o. O plano dera certo.

- Espera Demétrius! – O monstro se virou, com ar de vitória – Você não pode fazer isso! – Ficou pensativo. Precisava de um plano para tirar Marina da enrascada — A que horas foi o flagra?

- Às 22 horas de ontem. – Usou esse horário porque sabia muito bem onde ela estava — Mas... Por que a pergunta?

- Porque... A Marina tem um álibi. – Os olhos de Marina brilharam. Era impressão ou ele a estava efendendo — Eu posso garantir que neste horário ela estava comigo. E ela não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Fantasmas não têm esse poder.

- Hum... Interessante... – Falou olhando para ele. Depois se virou e olhou pra ela — Você confirma isso, Marina? – Daniel estava tão absorto em sua justiça que nem percebeu o grau de intimidade com que Demétrius se dirigia a Marina.

- Si-Sim – Gaguejou nervosa, e engoliu a seco – C- Confirmo sim.

- Pois, então... Você está livre. — Marina olhou para Daniel, lhe agradecendo com o olhar — Mas, aviso para isso não voltar a acontecer porque na próxima, eu não serei piedoso. – Disse isso, mas não estava se referindo ao assunto em questão, e sim ao fato dela ter entrado quando Daniel ainda estava lá. Ela poderia ter estragado tudo se não fosse a perspicácia de Demétrius. – Enfim, deixemos esse caso para lá! – Dirigiu-se para Daniel – Sobre o que estávamos falando mesmo?

- Sobre o fato de você deixar a Julie em paz. Olha aqui, Demétrius, eu não sei se consegui engolir essa história de você ser inocente. Por isso, vou deixar aqui bem claro... Você pode mexer comigo, com os meus amigos, mas com a Julie não! Ouviu bem? Com a Julie NÃO!

Marina o olhou, encantada. E pensou que um dia gostaria de ser defendida assim com tanto... Amor. E se fosse pelo Daniel, seria melhor ainda.

Damétrius bateu palmas – Muito bem! Vejo que está realmente apaixonado pela viva. Mas, quer um conselho? Isso poderá te destruir. Um romance entre uma viva e um fantasma estará sempre fadado ao fracasso. E eu não terei de mexer uma palha pra isso.

Daniel o fulminou, com o olhar – Isso é o que veremos! – Ele saiu, pela porta, batendo-a com força.

- O que está esperando, sua idiota, vá atrás dele! – Disse Demétrius, furioso, para Marina — E vê se dessa vez faz as coisas direito!

Marina entendeu o recado e saiu porta afora para alcançar Daniel. Ele já estava na metade do bar quando ouviu-a chamar. – Daniel! Daniel! Espera!

Daniel parou e se virou – O que você quer?

- Eu só queria te agradecer pelo que fez... Aquele Demétrius é mesmo um monstro!

- É. Ele é sim. Cuidado com ele! Vê se não vai visitá-lo tanto.

Marina arregalou os olhos. Ele sabia, pensou, e continuou – Pois é... Eu achei que ele era legal, mas depois do que vi hoje... Nunca mais eu quero ouvir falar nele.

- Que bom! – Exclamou Daniel, e já ia se virando para ir embora quando a escutou continuar – Mesmo assim, eu gostaria de te agradecer... Sério... Eu não sei o que seria de mim se você não tivesse aparecido. E eu que cheguei a pensar que, depois de sábado, você nunca mais ia querer olhar na minha cara...

- Não foi nada. Deixa pra lá! Mas, ó, entre você e eu nada mudou. A garota de quem eu gosto é a Julie. E só ela. Por isso, nem tente me conquistar de novo, perderá seu tempo.

- Não... Eu entendi. Vi como a defendeu lá dentro. E vou te confessar, achei muito fofo.

Daniel sorriu fracamente – Bem, eu já vou indo... A gente se esbarra por aí!

Marina sorriu. Ele havia lhe dado uma esperança – Tá bom. Tchau, então!

Daniel deu meia volta e foi embora sem mais olhar pra trás. Ela ainda permaneceu um tempinho parada, até ele atravessar a porta. Quando isso aconteceu, ela voltou para o escirtório. Tinha de dar as últimas satisfações para Demétrius. Porém, parou com a mão na maçaneta porque lhe ocorreu no pensamento que agora estaria devendo um favor a Daniel. E o engraçado é que não iria pestanejar quando chegasse o momento de pagá-lo. Nunca conhecera alguém com tamanho caráter e integridade. Será que começara a gostar de Daniel mais do que devia? Não. Imagina... Demétrius a trucidaria. Não... Não podia. – Balançou a cabeça, como que para espantar os pensamentos. Virou a maçaneta e entrou.

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Julie estava quase fazendo buracos no chão de tanto que andava para lá e para cá em seu quarto. Já fazia 1 hora, desde que Daniel dissera que ia atrás do Demétrius e até agora nada. Começava a ficar preocupada, por isso, pensou seriamente em trocar de roupa e descer para edícula a fim de saber notícias. Foi até o armário, pegou uma roupa, e diante do espelho começou a desabotoar seu pijama, contudo parou na segunda casa quando seus olhos se depararam com a imagem refletida de seu colar. O mesmo que foi dado por Nícolas. Aquele que causou toda confusão com Daniel – Pensou.

Sem pestanejar, retirou o colar, colocando-o dentro de sua caixinha de música. Aquilo não era um simples gesto, era uma decisão. Decisão esta que ainda temia, pois sabia... Viria com muitas consequências. Será que estava disposta a vencê-las?

Perdida em pensamentos, ouviu alguém chamando por ela, e virou em direção a voz – Daniel! – Sorriu feliz, e correndo ao seu encontro, se jogou com os braços ao redor de seu pescoço. Daniel a aparou pela cintura com uma só mão, e a elevou num abraço carinhoso. A outra mão permaneceu por trás dele.

Quando desceu, Julie falou quase que num sussurro – Que bom que você veio. E que bom que você tá bem.

- Eu te prometi, não prometi? – Sorriu meio de lado, e mostrando a outra mão, entregou-lhe uma rosa vermelha – Pra você!

Julie sorriu, e segurou a rosa, aspirando seu perfume – Brigada. É linda. – Inclinou-se e lhe deu um beijinho no rosto, a poucos milímetros de seus lábios.

Por alguns segundos, eles ficaram, assim, um olhando para o outro, apaixonados, até que Julie retirou o olhar, e limpou a garganta. Estava corada. – Preciso colocá-la na água. – Dirigiu-se até o criado mudo, e colocou a rosa dentro de um jarrinho que havia ali. Daniel a seguiu com o olhar. E era como se ela pudesse sentir aquele olhar analisando todo o seu corpo. Estremeceu.

- E aí, como foi lá com o Demétrius? – Perguntou ao se virar pra ele.

Daniel sorriu torto, sabia que Julie estava sem graça, por isso, resolvera puxar assunto. Achava lindo o jeitinho dela. Tinha sempre um quê de mistério. Umas vezes parecia com uma mulher determinada e inteligente, e em outras vezes, como aquela em específico, estava mais para uma menina meiga e indefesa. Ah, como gostaria de mergulhar fundo para desvendar esse mistério chamado Julie — Suspirou diante daquele pensamento, e resolveu responder à pergunta — Como eu imaginava, ele negou tudo. Disse que estava muito ocupado para perder tempo com você. Não acreditei em uma só palavra do que ele disse.

- Na boa, Daniel, talvez ele esteja falando a verdade. Faz muito tempo que não apronta nada. Além disso, eu tenho que repetir, o cara que me seguiu aparentava ser muito jovem.

- O que não descarta a possibilidade de ser alguém a mando dele. – Insistiu em seu argumento. – Julie, eu conheço aquele ali muito bem. Ele é muito esperto. Consegue nos enganar até debaixo do nosso nariz.

- Ok! Você venceu. Não descartaremos a possibilidade, mas temos de pensar em outras, tá bom?!

- Tá. Concordo com você. – Sorriu.

O silêncio pairou entre eles, mas foi quebrado por Daniel – Bom, eu já vou indo porque ainda tenho que resolver uma coisa e...

- Isso pode esperar? – Perguntou Julie, enterrompendo-o. – É que eu estava mesmo querendo conversar com você. – Pausou — É importante.

- Pode sim. Todo tempo que você quiser. – Julie sorriu, e segurando sua mão, o conduziu até o outro lado da cama. Daniel sentiu a maciez da mão de Julie e imaginou como seria maravilhoso poder segurá-la todos os dias.

Sentaram-se, um de frente para o outro. Julie dobrou as pernas em posição borboleta.

- Não sei nem por onde começar...

- Que tal do começo?!

- Tá. O negócio é o seguinte, quando eu estava no casamento da irmã do Nícolas, ele me apresentou um...

- Ah, não, Julie! É sério que você vai me falar daquele mané?

- Calma, Daniel! – Tocou em sua mão, e o encarou, suplicante — Me deixa continuar... Eu prometo que você vai entender.

Ele suspirou. Odiava o fato de ter que ouví-la falando de seu rival, contudo permitou que continuasse.

- Como eu ia dizendo, o Nícolas me apresentou um produtor musical que é muito amigo dele e... – Julie tentava escolher a melhor maneira de lhe falar aquilo. Mas, parecia que as palavras sumiam de sua mente. Então, resolveu deixar que ele mesmo chegasse a conclusão — Daniel, você sabe no que o seu irmão, Rafael, trabalha?

Daniel franziu a testa. Estranhou a mudança repentina de assunto, contudo respondeu: – Não. Nunca o segui para o trabalho. Por quê?

- Ele é produtor musical. – Respondeu de forma natural.

- Como assim? O que você quer dizer com isso?

Julie sentiu que ele já tinha raciocinado – É exatamente o que você está pensando.

Daniel começou a olhar de uma lado pra outro com uma expressão indignada em seu semblante. – Você só pode tá de brincadeira comigo?!

Julie fez que não com a cabeça, e se preocupou com sua reação. Diante daquilo, Daniel se levantou, ficando de costas pra ela. – E a Daniela? Eles se conhecem?

Julie fechou os olhos, sentindo uma pontada em seu coração. Doía vê-lo daquele jeito – Sim. Eles se conhecem e... – Suspirou — Daniel, pra ser sincera, ela me pareceu gostar muito dele.

Daniel não falou mais nada, apenas contraiu seu corpo, colocando suas mãos dentro dos bolsos. E Julie soube, através daquele gesto, que ele não estava bem.

Inclinou-se, abrindo a gaveta de seu criado mudo para retirar um cartão de dentro. Levantou-se e foi ao seu encontro – Toma!

Daniel se virou, e encarou, com a testa franzida, o cartão em sua mão – O que é isso?

- É um cartão com o nome e endereço da empresa de seu irmão. Ele é especialista em bandas e é um dos melhores, pesquisei na internet. – Pausou – Ele quer produzir a nossa.

- Julie, você sabe o quanto isso é difícil pra mim...

- Eu sei. Por isso mesmo que fui sincera com você. É você quem tem que decidir se a gente vai ou não procurá-lo. E... Seja lá o que for que decida, eu vou estar do seu lado. Eu juro.

Sua expressão passou de ternura à indignação em questão de segundos – Mas, será possível que eu vou acabar perdendo tudo pra aquele mané?!

- Nem tudo. – Julie respondeu sem pestanejar. Ela se referia a ela mesma.

Daniel sorriu pelo nariz. E colocou uma mecha de cabelo dela atrás da orelha, aproveitando para roçar de leve seu rosto com o dorso dos dedos – Você diz isso, mas continua namorando com ele.

Julie enrubesceu. Foi pega de surpresa com aquele comentário. – É que... – Suspirou – É complicado terminar e...

- Por que é complicado? É só terminar.

- Ai, Daniel, também não é assim... – Baixou a cabeça — O Nícolas... Ele gosta muito de mim.

Daniel levantou seu queixo com o dedo, obrigando-a a encará-lo — E você, Julie, ainda gosta dele?

Por uma fração de segundos, Julie ficou calada. Porém, quando viu Daniel baixando a cabeça, com ar de derrota, resolveu responder pra que não restasse mais dúvidas – Não. – Daniel levantou a cabeça e seus olhares se encontraram – Eu não sinto mais nada por ele, a não ser... um pouco de carinho. Por isso, não quero que ele sofra. Você me entende?

Daniel sorriu – Mais ou menos. Mas, tudo bem... – Chegou mais perto dela fazendo o seu coração disparar. E com um solavanco, enlaçou sua cintura. Julie quase perdeu o equilíbrio. – Eu já te falei que te acho linda?

Julie corou, e sussurrou – Hoje? Ainda não...

- Eu te acho linda. – Afirmou, lhe lançando um olhar sedutor — E sabe o que eu mais gosto em você?

- O quê? – Perguntou por meio de sussurro, sentindo seu ar faltar quando ele segurou seu rosto.

- Os seus... olhos – Tascou um beijinho nos olhos dela, fazendo Julie sorrir. Então, suas covinhas ficaram evidentes. Ele continuou – As suas covinhas... – Beijou-as – O seu pescoço... – Se inclinou para beijá-lo, ao mesmo tempo em que Julie arqueou a cabeça para facilitar sua investida – O seu queixo... – Beijou-o, e ela sentiu um arrepio lhe percorrer o corpo – E a sua boca... – Encostou seus lábios nos dela, torturando-a sem beijá-la. Então falou ainda com seus lábios tocando os dela – Quando você resolver terminar com ele... A gente volta a esse assunto. – E se afastou, deixando-a com os lábios entreabertos a espera do beijo, que não aconteceu.

“Aquilo era um ultimato?” Perguntou para si, e franziu a testa sorrindo. Ele deu um sorriso meio de lado, e segurou sua mão, tascando-lhe um beijo, com os olhos fixos nos dela. Depois, sussurrou com todo charme: — Boa noite... Juliana – E desapareceu.

Atordoada ainda com o que acontecera, Julie foi para sua cama. Entrou debaixo dos lençóis, abraçando bem forte o seu travesseiro. Estava com um sorriso de canto a canto da orelha e suspirava apaixonada. Sabia que naquela noite não ia pegar no sono tão cedo. Por isso, se sentou, inclinando-se para pegar um bloquinho de papel e um lápis dentro da gaveta de seu criado mudo. Permaneceu durante algum tempo com o bloquinho no colo e o lápis na boca, pensando. Foi quando alguns versos começaram a fluir de seu coração. Tratava-se de uma inspiração para uma música. Começou a rabiscá-la, riscando cada palavra que não lhe agradava, e corrigindo-a. Enfim, depois de alguns minutos, a música estava pronta, e ela pôde então escrever no alto da página, em letras garrafais: PARA DANIEL.

Notas finais
E aí??? Deixem reviews!

Será que Daniel vai aceitar ser produzido por seu irmão?

E essa música quando Julie vai cantar? E qual será?

Até o próximo capítulo!:D