Notas iniciais
Oie!Desculpa a demora Aí vai mais um capítulo, com carinho, espero que gostem como gostei de escrever.
Tenho algumas leitoras, mas só 6 comentam, pq?:/

Bju bju bju:*

Em algum lugar perto dali, Nícolas tinha acabado de acordar. Já era quase meia-noite, mas, devido a febre, tinha dormido por quase 12 horas. Sentou-se na cama, com a cabeça baixa e os cotovelos apoiados no joelho, ainda indisposto, porém previu que a febre tinha ido embora, os medicamentos, enfim, estavam fazendo efeito. Levantou, meio cambaleante e foi ao banheiro para tomar um banho, na certeza de que isso lhe daria algum ânimo.

Permaneceu alguns minutinhos debaixo do chuveiro, com a cabeça para cima, sentindo a água escorrendo por seu corpo, e pensando. Julie havia prometido para ele que lhe faria uma visita, pelo menos, foi o que sua mãe lhe dissera. Contudo, não apareceu e nem ligou. Será que havia acontecido alguma coisa? Ficou preocupado, e decidiu que assim que terminasse o banho, iria ligar pra ela. Saiu do chuveiro, se enxugou, e vestiu uma bermuda leve que usava para dormir. E envolvendo a toalha no pescoço, abriu a porta que dava para o quarto. Estava escuro, porém de maneira aterrorizante a luz de seu abajur começou a piscar, e seu criado mudo, a tremer. Logo que viu aquilo se assustou, contudo se lembrou de um episódio bem parecido com aquele, e resmungou:

- Esse truque é velho. Você já usou uma vez comigo, Daniel. Lembra-se? Pode aparecer, eu sei que é você.

Ele apareceu sentado na sua cama, com as pernas esticadas, e um tornozelo por cima do outro. Quase que achando graça da situação.

Nícolas revirou os olhos – O que você quer aqui?

- Eu vim porque eu preciso ter uma conversinha com você.

Nícolas cruzou os braços. Achou aquilo um desaforo — A gente não tem nada pra conversar! Nada em comum, que eu saiba.

- Aí é que você se engana. – Cruzou os braços também, imitando-o — A gente tem sim algo em comum... Julie!

Nícolas começou a ficar indignado — Ora, resolveu botar as cartas na mesa, e jogar limpo?! Admitir que gosta da MINHA namorada?

- Eu nunca joguei sujo. E eu não gosto da SUA namorada... Eu a amo. É bem diferente. – Esboçou ligeiramente um sorriso cínico, com os lábios fechados.

Nícolas se enfureceu e quase partiu pra cima — ORA SEU... – Trincou os dentes — Como ousa vir a minha casa pra falar que ama a MINHA namorada, na minha cara?

- Eu não ia falar. – Daniel disse de forma natural — Foi você que tocou no assunto, enfim... – Suspirou – Eu não vim aqui discutir com você. Eu vim porque preciso que me faça um favor... – Nícolas fez uma careta. Então, Daniel continuou – Pela Julie! – A expressão de Nícolas passou de raiva para curiosidade.

- Que favor? – Perguntou Nícolas com indiferença, e só o fez porque era pela Julie.

Daniel se levantou — O negócio é o seguinte, a Julie está sendo perseguida, e eu suspeito que possa ser um de seus amigos da atlética, ou mesmo a Thalita. Por isso, eu...

- Peraí, a Julie está sendo perseguida? – Quis saber, interrompendo-o — Como assim? E por que ela não me disse isso?

- Vai ver ela confia mais em mim do que em você. – Provocou-o, com o mesmo sorriso cínico de antes. Nícolas já estava perdendo a paciência. Ele apertou com força a toalha em seu pescoço, descontando sua raiva – Agora, você vai ou não vai me deixar continuar?

Nícolas trincou ainda mais os dentes. – Vou. Diz logo o que você quer!

- Eu quero que você investigue a Thalita. Ela é a minha principal suspeita. Puxe um papo com ela, pergunte o que ela anda fazendo, sei lá, dá teu jeito! O que eu quero é que você dê uma sondada nela. Aquela menina é um perigo. E não é nenhuma novidade que ela odeia a Julie.

- Eu não acho que a Thalita seja capaz disso, além disso, a Julie não vai gostar nenhum pouco de me ver conversando com ela. Pra seu governo, MINHA namorada é muito ciumenta. – Quis deixar bem claro.

Daniel revirou os olhos — Ô seu idiota, quem disse que você tem que contar pra Julie? Fala num momento em que ela não esteja. Dá uma disfarçada, sei lá... Será que eu vou ter que te explicar tudo?!

Nícolas bufou de raiva – Idiota é você! E quer saber de uma coisa, tá dado o recado, agora... – Abriu a porta do quarto, apontando para o corredor – Fora daqui!

Daniel se virou, olhando com desdém para porta – Sério, que você quer que eu saia pela porta?! Coisa mais antiga. Eu saía por aí quando eu tava vivo.

Diante daquele argumento, Nícolas bateu a porta com toda força — Faz o que você quiser, mas cai fora daqui, agora!

Calma! — Levantou as mãos — Tô indo, tô indo... — Colocou uma perna por dentro da parede, mas antes de atravessá-la por completo, resolveu provocá-lo um pouco mais. Estava se divertindo com aquilo – Só mais uma coisa... – Nícolas franziu a testa, prestando atenção. Daniel o encarou, como se fosse dizer algo importante – Você É um idiota. – Enfatizou e sorriu cínico, mas quando viu Nícolas vindo em sua direção, atravessou a parede rapidamente, deixando-o possesso de raiva, e a ver navios.

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No outro dia, Julie estava na sala de aula, conversando com Bia sobre assuntos aleatórios quando sentiu que alguém se aproximava por trás. Virou e viu que era Nícolas. Bia se retirou de fininho, sentindo que devia deixá-los a sós. Afinal, desde ontem não se viam.

- Oi! – Ele a cumprimentou, lhe tascando um beijinho no rosto.

Julie sorriu – Oi! Tá melhor?

- Melhor agora.

Julie sorriu fraco – Que bom! – Pausou, tentando criar coragem – Eu tava mesmo querendo falar contigo... Será que a gente pode conversar? – Pausou — É sobre nós dois.

- Claro, Julie. – Nícolas sentiu um receio, desconfiou que pudesse ser o que ele mais temia, porém, decidiu ouví-la primeiro antes de tirar conclusões precipitadas — Quando?

- Pensei em hoje, depois da aula, quando você fosse me deixar em casa.– Julie estava com pressa. Ontem quando se deitou, depois de ter feito a composição para Daniel, tomou uma decisão e não voltaria atrás nela. – Pode ser?

- Pode, claro. Quer dizer... – Coçou a nuca — Caramba Julie, acabei de me lembrar que eu marquei com o Ricca de conversar sobre a minha reeleição.

- Quê? Reeleição? – Fez bico, cruzando os braços, e começou a bater com o pé no chão — Como assim, achei que tinha parado com isso?!

- Eu também, mas é que... – Ele ficou sem graça. — Ah, Julie, o Ricca conversou comigo. Ele acha que dá pra conciliar as duas coisas. Sabe, o RPG e a presidência.

- Eu não acho que isso seja possível, mas... Você quem sabe. Faz o que achar melhor. Só cuidado pra não voltar a ser como era antes, você lutou muito pra assumir as coisas que você gosta. – Repreendeu — Vê se não estraga tudo!

Nícolas a olhou como um menino de dez anos que acabara de levar um sermão da mãe. Mas, mesmo assim, Julie não se arrependeu de nenhuma palavra que dissera. Apesar de, não vê-lo mais como um namorado, sentia um carinho imenso por ele e queria ajudá-lo.

- Crianças, em seus lugares! – Mandou a professora que tinha acabado de entrar na sala, e naquele momento estava com os olhos direcionados para os dois – Nícolas, Julie, sentados, por favor!

Nícolas que estava de costas, virou pedindo desculpas para a professora, e se dirigiu para sua carteira que ficava do outro lado, enquanto que, Julie deu a volta em sua carteira e se sentou.

Durante a aula inteira, Julie viu que Nícolas, de vez em quando, olhava pro lado, em sua direção. Era como se quisesse receber dela um sorriso para sentir que estava tudo bem. Então, para dar um fim naquilo, Julie acenou pra ele e sorriu fracamente, sendo esse gesto suficiente para ele começar a prestar atenção na aula.

Julie revirou os olhos, e Bia compreendeu a partir daí que aquele namoro estava por um fio.

Logo que terminou a aula, Julie tratou de guardar logo suas coisas na mochila, a fim de alcançar Shizuko que a essa altura já havia saído de sala. Caminhou pelo corredor apressadamente, e quando avistou a amiga no pátio, correu ao seu encontro.

- Ei Shizuko, espera. – Segurou o braço dela, fazendo-a parar — Vou com você.

Shizuko se virou para ela — Ué, cadê o Nícolas? Vocês brigaram?

- Não. Ele tá ali conversando com o Ricca e o Júnior. — Apontou para um canto do pátio em específico – Acho que vai demorar. Então, hoje eu vou pra casa sozinha. Posso ir com você?

- Hum... Tá bom! Já tava mesmo sentindo falta de uma companhia pra ir pra casa. Depois que você e a Bia começaram a namorar, estou sempre sozinha.

- Ow amiga... – Passou o braço sobre os ombros dela – Desculpa, vai! Eu juro que não queria te deixar sozinha, mas é que... – Parou de falar quando seus olhos se viraram para o portão. Daniel estava lá, parado com o pé encostado na parede, e com as mãos dentro dos bolsos, como se estivesse à sua espera. Olhou de volta para Shizuko que estava com a testa franzida, esperando que ela continuasse – Ai meu Deus! Shizuko, eu acabei de me lembrar que tenho que resolver uma coisa antes de ir.

Shizuko fez uma careta, triste — Sério? Se quiser eu espero você terminar e...

- Não, não! Vai indo na frente que eu já te alcanço! – Julie disse, deu um beijo no rosto da amiga e segurando a mochila, correu em direção a portaria.

Shizuko ainda permaneceu alguns segundos parada, sem entender aquela mudança repentina, porém, avistou duas amigas que moravam perto de sua casa. E se dirigiu até elas.

Quando Julie chegou ao seu destino, Daniel abriu um sorriso encantador, e cumprimentou-a: — Oi, Julie!

Antes de responder, ela colocou a mão na frente de sua boca, procurando disfarçar, pois o pátio estava cheio de grupinhos de alunos.

– Oi! O que tá fazendo aqui? – Sussurrou, sorrindo.

Ele enfiou a mão dentro do bolso — Eu vim pra te devolver... Isso. – Ele segurava o cartão de Rafael que Julie havia lhe entregado na noite anterior.

Seu sorriso murchou. E ela segurou o cartão, com a cabeça baixa – Isso quer dizer que...

- Isso quer dizer que... Eu só espero que ele não nos mande retirar as máscaras, porque isso já aconteceu uma vez e... – Daniel começou a falar, fazendo com que ela levantasse a cabeça, surpresa. — Não estou nenhum pouco a fim de passar por isso de novo.

Os olhos de Julie brilharam — Você tá falando sério?

- Claro que estou . E acho bom você ligar logo pra ele, porque, quem sabe, se a gente tiver sorte, talvez ele marque um encontro pra hoje mesmo.

Julie começou a abrir um sorriso – Tem certeza?

- Não. Mas, uma certa pessoa me prometeu que estaria do meu lado, então...

Diante daquele comentário, Julie não pensou mais duas vezes, e sem ligar pras consequências de seu ato, atirou-se com os braços em volta do pescoço de Daniel, abraçando-o bem forte.

Em resposta, ele enlaçou sua cintura – Você sabe que tá todo mundo vendo, né? – Sussurrou em seu ouvido. — Devem tá te achando uma louca.

E ela respondeu também, em seu ouvido – Eu nem me importo mais.

Então, ele a apertou com mais força contra o peito.

Um pouco perto dali, Nícolas conversava, animadamente, com Ricca e Junior, sobre a sua reeleição, quando no meio da conversa, Ricca o interrompeu, com os olhos arregalados.

- Cara, eu sabia que a sua namorada era doidinha, mas agora ela conseguiu passar de todos os limites. Saca só o que ela tá fazendo, agora! – Exclamou Ricca apontando com o queixo para Julie que, no seu campo de visão, estava abraçando o nada. Nícolas que estava de costas se virou, e, ao contrário de Ricca, ele viu perfeitamente que Julie estava abraçando Daniel. Ficou furioso.

- Meu amigo, a garota pirou de vez! – Júnior completou, segurando o riso. – Nícolas, você não vai fazer nada? Tá todo mundo olhando pra ela.

- Hã?! – Nícolas estava viajando, pensando nas mil e uma maneiras de como acabar com um fantasma metido – Quê?! – Nesse momento de transe, seus olhos se fixaram em uma pessoa. Ela era exatamente quem ele queria pra sair daquela saia justa que Julie o meteu.– Na boa, eu tenho que falar ali com uma pessoa. Já volto! — Deu umas batidinhas nas costas de Ricca, e saiu, apressadamente.

Ricca e Júnior se olharam com cumplicidade, sabiam que Nícolas tinha fugido do assunto, mas resolveram deixar pra lá.

- Thalita! – Nícolas chamou, segurando seu braço.

Ela se virou, e franziu a testa – Nícolas?! – Olhou para um lado e para o outro, afinal, ele vir falar com ela era novidade, já que, era ela quem sempre corria atrás dele.

- Oi, Thalita! E aí, beleza?! – Deu dois beijinhos nela, um em cada lado de seu rosto — Faz tempo que a gente não se fala. – Sorriu.

Ela continuava com a testa franzida – Isso é verdade, mas... Foi você quem quis assim, lembra?

Nícolas coçou a nuca, sem graça – É, pois é... Eu peço desculpas. Mas, agora são águas passadas. Outra vida. Que tal a gente esquecer isso?! Sei lá, a gente se conhece a tanto tempo, e até já namorou. Não fica legal a gente virar inimigo.

- Sério?! – Exclamou com voz gasguita. Não ia perder uma oportunidade como aquela — Que bom! E... – Olhou por cima dos ombros dele, em direção ao colégio — Cadê a Julie?

- A Julie?! Ela... – Espiou por cima dos ombros dela. E para seu desgosto, Julie continuava conversando com Daniel. Olhou de novo pra Thalita — Nem sei. Acredita? Acho que foi pra casa. Mas, e você... – Começou a alisar o braço dela, com carinho. Thalita olhou para a mão dele em seu braço, e ao voltar o seu olhar para o dele, sorriu com malícia — Fala aí as novidades!

- Ah, eu... Tô indo esse final de semana para Paris. Vou fazer umas comprinhas. Acredita que a minha blusa cor de pêssego rasgou?! – Nícolas franziu a testa. “ De que blusa pêssego, ela estava falando?”- Aquela que eu usei na formatura de sua irmã. Lembra? – Ele assentiu com a cabeça, fazendo de conta que lembrava. Então ela continuou com as futilidades. Nícolas quase se arrpendeu de tê-la chamado — A empregada fez esse favor quando passou o ferro nela. Eu disse a ela pra tomar cuidado, mas você sabe como é essa gente... – Nícolas sorriu fraco, apesar de não concordar, só pra que ela continuasse – Sempre faz besteira. Mas, tudo bem, como eu estou indo para Paris, vou passar na loja que a comprei e recuperá-la. Talvez também acabe dando um pulinho em Veneza. Sabe como é, adoro aquela cidade... – Esticou a mão e fez uma carinho de leve em seu cabelo. Nícolas quis correr dali. – Lembra quando a gente foi lá? Ai meu Deus, parece que foi ontem e...

“Não. Para ele não parecia”. Mas, ele não disse nada. Em vez disso, continuou olhando, por cima dos ombros dela, para um certo casal que estava na portaria. E a essa altura, já nem conseguia escutar o que Thalita falava.

Enquanto isso, na portaria...

- Então, acho que já vou indo porque ainda tenho que dar a notícia pro Félix e pro Martim. – Daniel disse, quando os dois ficaram em silêncio, depois de uma longa convera sobre “a vida, o universo e tudo mais”.

- Mas espera, me diz uma coisa, você pretende contar pra eles que o Rafael é seu irmão?

Daniel balançou a cabeça em negativa, e quase que automaticamente, exclamou: — Deus me livre! O Martim não sabe guardar segredo. E como o Félix vive grudado nele...

Julie riu – Isso é verdade. – Pausou — Mas, então... A gente se vê mais tarde na edícula? – Daniel assentiu com a cabeça, sorrindo torto — Vou ver se falo com o Rafael agora. Qualquer coisa, te dou notícias.

- Tá bom. Vou ficar aguardando. – Daniel respondeu.

O silêncio pairou entre eles, e eles se olharam sem graça, pois não sabiam como agir. Foi aí que Julie tomou a iniciativa, e se inclinando, tascou-lhe um beijo no rosto. – Tchau! – Sorriu.

Ele também sorriu em retribuição, tocando de leve no local onde Julie o beijou. E desapareceu.

Julie deu meia volta. Porém, antes de se virar completamente, não pôde deixar de perceber que todos, sem exceção a observavam rindo e comentando, uns com os outros, por meio de sussurros. Ela sabia que era o alvo dos comentário, e não deu a mínima. “Era engraçado como agora parecia normal”, pensou, cantarolando baixinho: — “Bem vindos ao meu louco mundo...”

Sorrindo para si mesma, pegou o celular em seu bolso e olhando para o cartão, discou o número. No começo só fazia chamar, e ela já estava impaciente, olhando para todos os lados. Foi nesse momento que ela deu de cara com Nícolas... E Thalita. Eles estavam jogando conversa fora, dava pra notar pela expressão dos dois. Ela se impressionou pelo fato de que ele estava alisando o braço dela. Mas, o que a deixou mais impressionada foi o fato de que ela mesma não estava nem aí pra isso. “Sem ciúmes? Sem barraco? Como era bom, que pela primeira vez, depois de muito tempo, agia assim.”

Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho no celular em seu ouvido. Ela se virou de costas para o casal, feliz por ouvir a voz de Rafael, que atendeu – A-Alô! Rafael, é Julie. Lembra de mim? É... A namorada do Nícolas. – “Por pouco tempo”, pensou. – Pois é, eu queria saber se você está livre hoje para...

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Como combinado, o carro de Nícolas estacionou em frente à casa de Julie às 14:30 em ponto. Julie pediu que ele chegasse nesse horário porque marcara a reunião com Rafael para às 15:00, e não queria atrasar. Os fantasmas também ficaram sabendo, por isso, naquele instante, estavam todos fantasiados, e encostados na parede da casa de Julie. E ela também estava lá, de frente para Daniel, conversando.

Nícolas deu dois toques na buzina para lhe chamar a atenção.

Julie se virou. Acenou para ele, e exclamou, sorrindo para os fantasmas — Chegou! Vamos nessa?!

Então, os quatro se dirigiram até o carro. Nícolas desceu para cumprimentar a namorada, enquanto, os fantasmas já se emburacavam dentro do carro, menos Daniel, que permaneceu parado, esperando para ver o que Nícolas iria aprontar.

- Oi Jú! – Nícolas cumprimentou, e olhando diretamente para Daniel, enlaçou a cintura de Julie e lhe tascou um beijão daqueles, em sua boca.

Julie estranhou tanto aquela atitude que ficou com os lábios quase que fechados, e os olhos arregalados, com uma expressão de interrogação em seu rosto. Daniel teve que segurar o riso.

Julie limpou a garganta e cumprimentou-o sem graça, depois que ele a soltou : — O-Oi pra você também! — Mas, Nícolas não olhava pra ela e sim para Daniel, com um sorriso de vitória no rosto. Se ele soubesse que ele estava era achando graça daquela atuação “holiudiana”, ficaria furioso, mas por baixo da máscara, era impossível saber o que ele estava pensando. “Que mané!”– Vamos?! – Chamou Julie, temendo que os dois se pegassem.

- Vamos sim. – Respondeu Nícolas que se virou para abrir a porta do motorista para ele mesmo se sentar.” Nem pra ser cavalheiro?!”. E Julie e Daniel deram a volta no carro.

Dentro do carro, Nícolas estava ajeitando o retrovisor quando sentiu que alguém abriu a porta do carro, sentando-se no banco do motorista. E sem olhar pro lado, disse:

- Você tá linda hoje, sabia?!

- Cara, se com esse elogio você pensa que eu vou te beijar... – Nícolas deu um pulo. Não era Julie quem estava falando, e sim Daniel — Pode ir logo tirando o cavalinho da chuva porque eu sou um homem de respeito.

Todos soltaram o riso ao mesmo tempo, no banco de trás, inclusive Julie.

- O que você tá fazendo aí?! Esse lugar aí é da Julie! – Explicou Nícolas já se irritando.

- É mesmo? Foi mal aí! Eu juro que não vi o nome dela escrito no banco. – Sorriu torto com ar cínico.

Nícolas bufou – Você só pode tá tirando onda com a minha cara! – Exclamou para Daniel. Depois virou o rosto pra trás, em direção a Julie, que neste momento, estava tentando segurar o riso. – Dá pra você me explicar que palhaçada é essa?

- Não é palhaçada. É que aqui tá muito apertado. Eu só achei que ficaria mais folgado se eu fosse aqui atrás com os meninos. – Explicou Julie, que depois mudou a expressão, e exclamou – Ah, larga mão de ser nervosinho!

- Eu nervosinho? Eu?! Eu me viro aqui e dou de cara com esse carneiro, ou seja lá, o que diabos representa essa fantasia... Quase morro de um susto, e agora, vem você me dizer que eu sou nervosinho... – Pausou para que Julie digerisse suas palavras – Julie, troca de lugar com o Daniel agora, antes que eu fique nervoso de verdade!

Julie revirou os olhos. Odiava quando seu namorado a tratava assim. Essa já era a segunda vez. – Tá bom, tá bom... – Abriu a porta – Vem Daniel, vamos acabar logo com isso, antes que o senhor nervosinho aí tenha um treco.

Daniel bateu as mãos no joelho, e expirou – Ok! Se é o que você quer... – Respondeu meio cabisbaixo, dando a entender que Nícolas saíra vitorioso, porém, ele tinha um plano em mente. Por isso, sem mais delongas, abriu a porta, e saiu, dando de cara com Julie.

- Não liga não, o Nícolas é assim mesmo e... – Julie tentou explicar, mas parou de falar quando sentiu Daniel puxar sua mão – Ei, pra onde você tá me levando? – Perguntou, rindo divertida.

Daniel tirou a máscara, e respondeu, apenas com um simples: — Você já vai entender. – E piscou o olho.

O coração de Julie se acelerou, e ela ficou sem entender quando eles pararam em frente ao porta-malas do carro. Mas, foi aí que Daniel colocou uma mão à sua direita, segurando o carro, e a outra, à sua esquerda, prendendo-a entre os braços. Depois chegou mais perto dela. Seus corpos quase que se tocando.

Julie corou, e quando levantou a cabeça, seus olhares se encontraram – Tá maluco?! E se o Nícolas vê a gente?!

Mas, pra sorte de Julie, Félix e Martim já tinham visto o que os dois faziam, e Martim, apoiado por Félix, começou a se olhar no retrovisor que dava visão a parte de trás do carro, então Nícolas, por mais que quisesse ver o que estava acontecendo, não conseguia de jeito nenhum, a não ser que ele olhasse pra trás, contudo, o mesmo não teve essa idéia.

- Não tô nem aí! – Exclamou Daniel com voz sedutora.

- Você é louco. – Julie falou, balançando a cabeça, com os olhos brilhando.

- Sim, sou louco. – Disse, e encostou sua boca bem no ouvido dela. Julie fechou os olhos, sentindo um frio na barriga – Completamente... Louco... Por você. – Ele completou sussurrando. E em seguida, encarou seus lábios – Sabe que pra mim, foi uma tortura, não ter te beijado ontem...

- Pra mim também. – Murmurou Julie.

- Pena que não poderei fazer isso, nem aqui, nem agora. — Murmurou Daniel olhando por cima do ombro dela. — O mané tá quase saindo do carro pra ver o que a gente tá fazendo.

Julie caiu na real – Ai meu Deus! É mesmo. A gente tem que voltar.

Daniel sorriu com o desespero de Julie, e soltou as mãos pra que ela pudesse ir. Contudo, ainda perturbada com o clima que rolou entre eles, saiu para direita, ao invés, de para esquerda. Daniel teve que segurar seus ombros e virá-la para o lado certo. – É por aqui. – Daniel disse e Julie sorriu, corando.

- É. É sim. – Julie começava a atropelar as palavras — Eu já estava indo e... bom... Eu já vou.

Ela abriu a porta do passageiro, enquanto Daniel entrava pela porta do banco de trás.

- Por que vocês demoraram tanto? Posso saber? – Quis saber Nícolas, ao mesmo tempo, em que Julie colocava o cinto de segurança.

- Nada. A gente só tava... Conversando... É. Conversando. Sobre... O nosso próximo show.

- E não podia conversar aqui, dentro do carro? – Perguntou Nícolas, desconfiado.

- Podia, mas... – Julie tentava escolher uma desculpa, mas quem disse que vinha alguma na sua cabeça? Ficou em silêncio. Em pânico. Dizer para Nícolas que estava rolando o maior clima entre Daniel e ela, sem dúvida, não era uma opção.

- Cara, afasta aí um pouquinho. Tá super apertado aqui atrás. – Resmungou Daniel para Martim, chamando a atenção de Nícolas. Julie estava salva. Pelo menos, por enquanto.

- Não dá. – Respondeu Martim – Só se eu sentar no colo do Félix?!

Félix, que estava com o cotovelo apoiado na janela do carro, olhando para o nada, virou na mesma hora para Martim, com cara de poucos amigos – Como é que é? Sai fora, meu!

Todos riram da cara do Félix, e do Martim que estava levantando e descendo as sobrancelhas, fingindo paquerar com ele. – Ah, vai Félix! Um colinho não faz mal a ninguém.

Félix torceu os lábios, indignado – Ah, vai se catar, Martim! – E se encostou mais na porta, dando mais espaço pra que todos pudessem caber no banco de trás.

Voltando seu olhar para frente, Nícolas revirou os olhos, e deu a partida no carro. Queria ir embora o mais rápido possível dali. Já estava no seu limite.

Durante o percusso até à empresa de Rafael, Nícolas segurou a mão de Julie que estava em sua coxa, só soltava quando tinha que passar a marcha. Julie percebeu que Daniel olhava para as mãos deles, e estava furioso. Por isso, em uma das vezes, que Nícolas passou a marcha, Julie aproveitou para retirar sua mão da coxa, e fingindo estar preocupada com sua aparência, baixou o espelhinho do teto do carro para se olhar.

Nesse mesmo instante, Daniel também mirou no espelhinho, então, os olhares de ambos se encontraram. Julie sorriu, evidenciando suas covinhas, e Daniel sorriu em retribuição.

Nícolas fez de conta que não viu a troca de olhares, contudo, ficou com tanta raiva que apertou o volante com força, e esquecendo de passar a marcha, quase estancou.

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Alguns mitutinhos depois, Nícolas entrou no prédio de janelas vitrais azul, que tinha uma exuberância indescritível e 22 andares, onde provavelmente se situava a empresa de Rafael. Julie estranhou o fato de que Nícolas não precisou de nenhum recurso para entrar lá. “Ele devia aparecer com uma certa frequência naquele lugar, pois até o guarda parecia conhecê-lo de longas datas”, pensou. O estacionamento era amplo, com muitas vagas para estacionar. Porém, estavam quase todas ocupadas com carros de todos os tipos e tamanhos. Mas, ao virar numa curva, depois de alguns minutos rodando sem rumo, Nícolas, finalmente conseguiu encontrar uma vaga. Ela ficava próxima a uma vaga para deficientes. Julie fez questão de decorar isso para o caso de não encontrarem o carro com facilidade.

Nícolas parou o carro e puxou o freio de mão, então, os cinco saíram, batendo suas respectivas portas, e foram em direção ao elevador. Julie apertou o botão para chamar o elevador. E ele demorou um pouco a descer porque estava no 22° andar, para desespero de todos.

- 20° andar, por favor! – Pediu Nícolas, quando o elevador chegou, para a moça responsável por apertar os botões dos andares.

Todos seguiram Nícolas. E embora, nos primeiros andares, Julie tenha ficado ao lado dele, quando o elevador parou no 10°, dois casais entraram, e acabou por afastá-los. Então, Julie foi parar, ao lado de Daniel, no fundo do elevador. As mãos deles se roçaram, provocando um agradável choque na mão de Julie. Foi aí que Daniel capturou os dedos dela com seus próprios dedos, e Julie corou, mas não os retirou, pelo contrário, olhou de lado para Daniel que, nesse instante, também a olhava. Ali ficou nítida a paixão que havia entre eles.

Assim que o elevador parou no 20°, Nícolas que estava na porta, foi o primeiro a descer e deu espaço para que os casais saíssem, antes de puxar Julie para fora. Segurou sua mão, entrelaçando seus dedos como sinal de posse. Daniel, Martim e Félix saíram atrás deles, e seguiram-nos por um corredor estreito que dava em uma sala de número 12.

Ao abrir a porta, Nícolas se dirigiu com a namorada até uma mesinha em que se encontrava uma secretária, que no momento, estava ao telefone. Ela devia ter um pouco mais de 40 anos, fato notado pela quantidade de cabelos brancos, tinha um sorriso aberto, e se vestia de maneira formal.

Quando os viu, ela fez um sinal para que eles pudessem esperar, e deu um semi sorriso para Nícolas. Ela também o conhecia. A essa altura, Julie já estava se sentindo desconfortável, pensando em como Rafael iria reagir com Daniel. Esta era sua principal preocupação.

- Nícolas, meu lindo, há quanto tempo você não vem aqui. Já estava com saudades – Falou a secretária, logo depois de desligar o telefone.

- Fala Glorinha! Como você está? – Se inclinou e deu beijinho no rosto da secretária que sorriu. – Faz tempo mesmo. – Pausou e apontou pra namorada — Essa aqui é minha namorada, Julie.

Julie deu um sorriso fraco, enquanto que, a secretária levantou, ajeitando o vestido, para cumprimentá-la com um beijo estalado na bochecha – Ah, só assim pra eu conhecer, né?! Parabéns, ela é muito linda! Bem que você falou.

Julie sorriu, mas dessa vez com um sorriso sincero – Brigada!

A secretária olhou para os fantasmas que estavam atrás dos dois, e franzindo a testa, perguntou para Nícolas, com a voz baixa: — Eles estão com vocês?

Mas, foi Julie quem respondeu: — Estão sim. São nossos amigos. Fazem parte da banda.

- Hum. Ok, mas... Avisa a eles que se quiserem, podem tirar a máscara e....

- Não. – Julie falou rápido – Eles estão bem assim. Obrigada.

Diante daquela resposta, a secretária olhou pra Nícolas em busca de alguma explicação plausível para aquilo, mas o mesmo deu de ombros.

- E aí, o Rafael está? — Perguntou Nícolas, a fim de encerrar o assunto.

Conformada, a secretária alisou sua saia e se sentou, pegando o telefone. Apertou um botão vermelho, e mirando os dois, disse para alguém que estava do outro lado da linha: — Seu Rafael, o Nícolas e a namorada estão aqui. Posso deixá-los subir? – Pausou – Sim, senhor. Vou dizer a eles. – Desligou o telefone, e se dirigiu a Nícolas – Ele disse pra vocês aguardarem um pouco que ele já está descendo. Se quiserem, podem sentar ali no sofá, enquanto esperam. – Apontou para um sofá cor de creme que ficava do lado direito da sala, encostado a uma escada que dava em um outro andar. Era um sofá de três lugares. Mas, também havia duas outras cadeiras. Isso tudo em volta de uma mesinha de centro vermelha.

- Valeu, Glorinha! – Nícolas agradeceu, e foi com sua namorada até o sofá, mas os fantasmas foram mais rápidos, e os três se sentaram no sofá maior. Daniel no meio dos dois. Enquanto Julie e ele tiveram de se contentar com as cadeiras separadas.

Daniel estava nitidamente nervoso. Julie pôde perceber pelo jeito como ele esfregava uma mão na outra. Queria fazer alguma coisa. Queria estar ao seu lado neste momento tão importante, por isso... – Félix, troca comigo? – Nícolas levantou a cabeça. Ele não estava acreditando que Julie teve essa cara de pau. Já Daniel achou perfeita aquela atitude.

- Claro, Julie! Sem problema. – Félix respondeu, e os dois se levantaram.

- Julie, é sério isso?! – Nícolas quis saber. Estava indignado.

Julie parou no meio do caminho, e olhou para o namorado – O que é que tem? Eu só quero me sentar num lugar mais confortável. — E sentou ao lado de Daniel.

Nícolas ainda pensou em pedir pra trocar com Daniel, mas, ele sabia que era impossível. Ficou calado, fingindo roer as unhas. Depois teria uma conversinha muito séria com sua namorada.

Alguns minutinhos depois, todos escutaram uma voz vinda da escada, e todos olharam automaticamente para lá. Era Rafael que descia junto a três rapazes, que pela maneira como se vestiam, pareciam fazer parte de alguma banda.

-... Pois é, então fica combinado assim mesmo. – Rafael falava, descendo as escadas, para os rapazes que o acompanhavam — Vocês gravam uma demo e mandam pro meu email, daí se eu gostar, ligo pra vocês, pra gente marcar uma reunião com a gravadora, tá bom, mulecada?!

Todos concordaram em uníssono, cada um da sua maneira. E Rafael despediu-se: — Abração pra vocês e... – Todos pararam para escutá-lo – Boa sorte! Tô torcendo por vocês.

Os rapazes riram, felizes. Receber força do produtor era o que eles mais queriam naquele momento. Então, desceram acenando para ela, e foram embora.

Rafael parou no meio da escada quando avistou Nícolas – Só assim pra você aparecer por aqui, né, amigão?! – E desceu o restante da escada indo ao encontro de Nícolas que o abraçou bem forte, dando três tapinhas em suas costas.

- Acredita que foi exatamente o que Glorinha me disse?! – Comentou Nícolas em meio ao abraço. – Eu juro que vou tentar aparecer mais.

Nesse entremeio, Daniel já não se aguentava de tanto nervosismo. Ele estava diante de seu irmão. Aquele que tantas vezes quis chegar perto, e nunca teve coragem. Começou a esfregar ainda mais as mãos. E estava no limite de seu nervosismo quando sentiu que Julie segurou sua mão. Ficou atônito, e ao virar o rosto para ela, percebeu um sorriso em seu rosto. Não sabia como explicar, mas era como se aquele simples gesto tivesse conseguido afujentar todo o seu medo, por isso, sentindo paz, entrelaçou seus dedos aos dela, e sorriu em retribuição.

- Espera aí só um momento que já volto para cumprimentar o resto do pessoal. – Falou Rafael depois do abraço, já se dirigindo até à mesa de Glorinha.

- Glorinha! – Rafael chamou, e Glorinha que estava entretida, em sua mesa, escrevendo, levantou o rosto – Será que dava para senhora ir lá em cima? É que... A Daniela ficou lá no escritório, e eu tenho medo que ela vire aquele lugar de cabeça para baixo.

Glorinha se levantou em prontidão – Claro, Seu Rafael, com o maior prazer. O Senhor quer que mande alguém trazer alguma coisa para servir aos seus convidados?

- Sim. Um café, seria bom. Com biscoitos.

- Sim, senhor. Irei agora mesmo providenciar. Com licença. – E saiu, escada acima.

Depois disso, Rafael voltou para onde estavam todos. Julie se levantou e foi cumprimentá-lo, com dois beijinhos no rosto. E cada um dos fantasmas, por sua vez, lhe apertou a mão. Sendo que na vez de Daniel foi um pouco mais demorado, pois o mesmo, permaneceu por alguns segundos lhe segurando a mão. Queria — mesmo sem que Rafael soubesse — sentir aquele toque fraterno por um pouco mais de tempo.

- Bom, e aí, rapaziada?! Prontos para me mostrarem a música de vocês? – Rafael perguntou olhando para os fantasmas e depois para Julie, que sorriu, e trocou olhares com sua banda.

Notas finais
E aí, gostarm?! Deixem reviews! O que vocês acham que vai acontecer?