Descobertas

1 I - Sangue de Anjos


Notas iniciais
Ametista está de volta pessoas, yaaaay!!! Eu quis surpreender again, espero ter conseguido 8D

Pra variar teve algumas musiquinhas que me ajudaram, tipo Limbo do Buck-Tick (foi o empurrão essa musica), Obscure e Amon do Dir en Grey ;)

Enfim, boa leitura *o*

Aquele dia Ametista havia acordado mal-humorada, brigando com Zero logo pela manhã. A situação parecia querer virar rotina, já que desde quando voltou do Inferno, tudo que os dois faziam era brigar um com outro. Mas não era pra menos, ela admitia. Havia trazido um demônio de brinde, junto com ela. Mas o que podia ter feito na situação que estava? Fora assustada, estava confusa, sendo pressionada e pior: sem ideias melhores. Não que ela amasse Aurus, sabia que futuramente ele poderia dar problemas, mas arcaria com as consequências de sua escolha.

Irritada como estava, decidiu que daria uma volta antes que ela quebrasse tudo dentro de sua casa. Tudo o que ela não queria era ser companhia de Aurus, porque no fim quem sairia mal seria sempre ela. De alguma forma ele sempre machucava, não precisava exatamente de violência pra isso. Pegou seu mp3, colocando os fones em seus ouvidos e o ligando praticamente no ultimo volume.

Enquanto caminhava e cantarolava, reparava as coisas a sua volta. A cidade não havia mudado quase nada, continuava o caos de sempre, as pessoas apressadas de sempre, a paisagem de sempre. Mas de alguma forma, Ametista sabia que algo havia mudado... Talvez seu jeito de ver as coisas depois da sua breve estadia no Inferno. Bem, sendo o que fosse algo ali estava diferente disso ela podia ter certeza, mesmo sem saber o que realmente era. Foi quando, em meio a esses pensamentos, sentiu uma energia que a fez bufar. Correu em direção de onde vinha, dando de cara com o esqueleto de um prédio não muito alto e subiu com agilidade. No topo, sentada na beira estava alguém que Ametista também não queria encontrar naquele momento. Retirou os fones do ouvido encarando a pessoa que não virou para trás.

-Estava te ouvindo cantar daqui! – A mulher sorriu – Ai eu pensei: Por que não chama-la?

-O que você quer? – Ametista perguntou irritada – Não to num bom dia hoje.

-Ah, melhor ainda. Sabe, eu tenho algo pra você! Sinta-se sortuda por eu não ter procurado aquele outro mestiço – Sorriu, virando-se para a mestiça – Afinal, você me deve uma.

-Eu não te devo nada – Retrucou.

-Ah, deve sim... Ou você prefere que eu vá cobrar do seu namoradinho? Tem um jeito especial que ele pode me pagar.

A malicia não era pra menos, afinal Ametista estava de frente com uma das pessoas mais maliciosas que conhecia, fora Dante, é claro. Aquela era Lorelai e que um dia fora um anjo. Tinha os cabelos negros, curtos e bagunçados, olhos amendoados e sensuais. Havia caído justamente por causa da luxúria e por acaso do destino, quando Ametista foi levada para o Inferno, Lorelai apareceu para ajudar Zero. Parecia até piada e a mestiça se perguntava por que ela não tinha aparecido antes. O fato ali é que realmente ela devia para o anjo-caído por ter ajudado Zero e não queria nem um pouco que ela chegasse mais perto do namorado do que ela já chegou, apesar de não ter acontecido nada.

-Tá o que você quer? – Perguntou por fim, cruzando os braços.

-Ah, eu sabia que ia me ajudar menina!

-É Ametista – Corrigiu.

-Que seja – Lorelai deu os ombros – Preciso que você mate um demônio pra mim.

-Não me diga... – Falou sem animo – Por que não faz isso você mesma? Digo, você tem poder pra isso.

-É eu até tenho, mas tenho outros problemas se é que me entende.

-Não, eu não entendo – Ametista ignorou o sorriso malicioso, mas continuou antes que Lorelai voltasse a falar – Mas pouco me importa. Diga onde é.

Lorelai explicou que o demônio que Ametista deveria procurar ficava em um dos grandes prédios da área comercial, nada de tão interessante até ai, até a mulher-anjo começar a contar os motivos do demônio querer mata-la.

-Bem o que eu posso fazer? – Ela deu um meio sorriso – Sou um espirito livre, entende? E demônios são muito chatos!

-Tá, ignorando a novela mexicana, é só isso que eu tenho que fazer? Entrar e matar?

-Exato, menina – Lorelai piscou, enquanto a mestiça bufava. Qual era o problema de chama-la pelo nome? – É fácil entrar ali, você nem vai ter que abrir as suas asinhas! Segurança péssima.

-Certo... Vou ter que voltar pra casa antes e...

-Nem precisa – A mulher-anjo interrompeu lhe dando uma adaga.

Ametista retirou a pequena adaga da bainha simples e examinou a lamina que parecia estar um pouco suja. E no exato momento em que Ametista tocaria na lamina, Lorelai voltou a falar:

-Se eu fosse você, manteria seus dedinhos longe da lamina, tem sangue de anjo ai.

A mestiça olhou para o anjo-caído e voltou sua atenção pra adaga em suas mãos.

-Tá e dai? – Perguntou sem muito interesse, no que a outra suspirou.

-Menina, essa é a arma entende? Sangue de anjos, para demônios, é como ácido para os humanos! E se você quer ter seu dedo inteiro, não toque.

-E de onde você tiraria sangue de anjo? – Ametista perguntou guardando a adaga na bainha. “Melhor prevenir do que remediar.

-Você ainda pergunta? – Lorelai fez uma careta – Eu posso ter caído, mas meu sangue é de anjo e ele só vai deixar de ser caso eu devore um demônio ou um humano e nada disso me atrai. – Explicou – Agora vai se divertir e depois me encontre aqui. – Estendeu um cartão onde havia um endereço.

-Sério que mora aqui? Esse lugar é deprimente e decadente...

-E são nesses lugares que encontramos coisas interessantes – Piscou, pulando do prédio como se a altura fosse indiferente.

-Se você diz — Ametista deu os ombros, imitando o anjo-caído e indo em direção a sua mais nova presa.

-x-

De fato foi mais fácil entrar do que a jovem mestiça imaginava. Ela jurou que teria algum empecilho, algum guarda-costas ou algo do gênero, mas até parecia que ele estava esperando por ela.

Demônios, sempre tão confiantes”, pensou entrando no escritório bem organizado de sua presa, sentindo sua energia demoníaca.

-Eu sabia que aquela vadia mandaria alguém! – Bravejou o demônio, que se não fosse demônio, seria mais um empresário de meia-idade.

-Que bom que sabia – Ametista forçou um sorriso — Agora seja um bom demônio e me deixe te matar sim?

O demônio riu e antes que Ametista pudesse fazer algo, ele havia jogado a mesa em direção a ela, que não conseguiu se esquivar a tempo.

-Ora, isso não são modos de tratar uma visita, sabia? – A mestiça falou enfurecida, saindo debaixo do que havia sobrado da mesa.

-Quem aquela puta pensa que é?! Ainda me manda uma mestiça? Bom, pelo menos vou ter um pouco de diversão – Concluiu partindo para cima da mestiça e a derrubando no chão e logo ficando sobre ela, segurando seus braços, para que não se movesse.

-Sabe eu sempre quis saber como é o sangue de mestiços – Deu um sorriso cruel – Dizem que tem um gosto único.

-Bem então experimente isso!

Ametista conseguiu se desvencilhar do demônio o chutando para longe e se levantando rapidamente. Logo pegou a adaga que havia pendurado em sua cintura e ficou pronta pra mais uma nova investida.

-Você acha que com essa coisinha você pode conseguir algo? – Ele riu, se levantando.

-Não – Ametista foi sincera – Mas não custa tentar!

E antes que o demônio fizesse algum movimento, Ametista correu em sua direção. O demônio até tentou se esquivar, mas a lâmina da adaga foi precisa, direto em sua garganta enquanto o mesmo sentia sua pele queimar em contado com o sangue da adaga. O sangue do demônio acabou espirrando no rosto da mestiça, mas ela mal se importou com aquilo.

-E não é que funciona! – Falou olhando para adaga e depois desviando os olhos para o demônio, vendo-o agonizar.

Andou até o demônio, o derrubando no chão novamente. Dentro de alguns minutos, a garganta do demônio derreteria por completo, mas até lá Ametista apreciaria um espetáculo e tanto.

-Quem sabe se você pedir por misericórdia eu o salve, demônio maldito! – Falou o chutando.

O demônio continuava a gemer, mas nem seu poder de regeneração parecia ter algum efeito. Ametista gostou de saber disso. Aproximou-se novamente, em passos lentos, apreciando cada segundo.

-Onde está toda sua confiança agora hein? – A mestiça perguntou, o olhando de forma superior, guardando a adaga na bainha.

Sem pensar duas vezes, agachou em frente ao demônio, segurando a cabeça do mesmo entre suas mãos.

-Você tem sorte por eu ser boa – Falou, arrancando fora a cabeça com a frieza que só um demônio poderia ter.

Nesse exato momento, o corpo do demônio parecia ter recuperado sua forma original, que fez Ametista lembrar um grande lagarto. Jogou a cabeça em um canto, pensando como sairia de lá, afinal estava coberta de sangue e o que menos queria era ser parada por isso. Então olhou para grande vidraça a sua frente e sorriu abrindo suas longas asas avermelhadas.

-x-

O grito que Lorelai deu ao ver Ametista pulando a janela do seu quarto quase fez a mestiça cair uma altura de três andares. A jovem não queria ser vista por ninguém e a janela da mulher-anjo estava aberta e tão convidativa.

-O que merda você pensa que está fazendo na janela do meu quarto?! – O anjo-caído perguntou transtornado. – Existe algo chamado porta, sabia?!

-Eu não queria assustar ninguém – Explicou a mestiça – Sabe como é...

-E quase me matou do coração, demônio – Bufou a outra – Já que está ai entre logo de uma vez!

-Obrigada – Ametista riu, entrando de uma vez no quarto. Havia gostado de dar aquele susto na mulher-anjo.

-E se eu estivesse com o meu cliente, o que faria sua louca?! – Lorelai continuava irritada.

-Sério? Você estava com um cliente assim? – Perguntou olhando para Lorelai. Ela vestia apenas uma camiseta grande o suficiente para cobrir o corpo magro da mulher-anjo – Nem está sexy!

-Vá se foder! – A outra rebateu empurrando a mestiça uma toalha – Vai enxaguar esse seu rosto antes que meu apartamento fique cheirando a sangue de demônio

Ametista voltou a rir, indo em direção ao banheiro. Conseguia ainda ouvir alguns resmungos de Lorelai, mas não estava prestando muita atenção. Enxaguou o rosto reparando nos detalhes do lugar. O apartamento da mulher-anjo era simples, mas muito bem organizado, pena que não podia dizer o mesmo do prédio. Pelo lado de fora o prédio parecia que iria cair a qualquer momento e ela já imaginava como seriam os corredores dele.

-Eu só vim te devolver isso – Ametista apareceu na pequena sala, com a toalha sobre os cabelos, como se fosse um capuz, mostrando a adaga para Lorelai.

-Fique com isso como recompensa – Piscou, ascendendo um cigarro. – Afinal a pior parte ficou pra você.

-É claro. Vocês anjos parecem ser meio covardes – A mestiça alfinetou.

-Você que pensa menina. Acho melhor você esquecer esse pensamento – Loralai advertiu – Enfim, o que mais você quer?

-Como sabe que eu quero alguma coisa? – A jovem mestiça perguntou surpresa. Ela não tinha dado sinais de que queria algo.

-Ora, vocês demônios sempre querem algo – A mulher-anjo deu os ombros.

-Como pode me comparar com um demônio?!

-Bem, seus olhos estão brilhando como os de um demônio quando descobrem algo muito valioso. – A mulher-anjo suspirou.

Ametista permaneceu quieta, olhando para a figura a sua frente. Sim ela queria algo, o problema era como pedir. Ela havia realmente gostado de descobrir sobre o sangue de Lorelai, e queria ter aquilo também. Suspirou.

-Bem, eu quero um trato – Foi direta, tirando a toalha de sua cabeça e encarando o anjo-caído.

-Tudo bem, o que você quer?

-Eu quero o seu sangue – Falou pausadamente, fazendo com que a outra resmungasse – Digo, Lorelai, você não sabe como isso foi incrível! Você não sabe como foi interessante! Eu preciso, só isso. Eu não quero litros de sangue, só o suficiente pra pelo menos usar a adaga de novo.

-E em troca você vai me dar o que, criatura?

-Bem eu pensei em ser sua caçadora particular de demônios possessivos – Ametista piscou.

-É uma boa ideia – A mulher-anjo falou pensativa. – Mas e se precisar usar a adaga?

-Eu me viro – A jovem deu os ombros.

-Vai me proteger até do seu papai, caso ele me descubra? Porque demônios tem faro pra essas coisas...

-Claro – Ametista suspirou – Vou fazer o possível.

-O possível? Acho que isso é muito pouco pra um demônio daqueles... – A mulher-anjo rebateu.

-Ele não vai dar problemas, tá bem? Eu garanto. – Ametista a olhou irritada.

-Uhn, se você diz... Não custa confiar – Lorelai levantou encarando a mestiça nos olhos – Temos um trato então. Da próxima vez que você pegar um demônio pra mim, eu te pago com meu sangue.

-Ótimo Lorelai! – Ametista sorriu, animada – Sabia que podia contar com você!

-É claro... Só espero que você não me passe a perna, menina.

-É claro que não, tem a minha palavra. – Ametista falou.

-Ótimo, mais alguma coisa? – Lorelai perguntou.

-Não, só isso. Já posso ir pra casa feliz. – Ametista riu, indo em direção a saída.

Lorelai abriu a porta para a mestiça passar. Ficou imaginando o que a jovem faria, mas aquilo agora não importava. Elas tinham um trato e Ametista teria que se virar de alguma forma.

-A proposito, menina – A mulher-anjo a parou antes que passasse pela porta – O vermelho fica muito bem em você, deveria usar mais. Destaca a cor dos seus olhos.

-Ah, sério? – Ametista sorriu – Vou ver o que posso fazer quanto a isso.

Quando a mestiça passou pela porta viu o corredor como tinha imaginado: os pisos velhos, desgastados e sujos, as paredes descascando. Andou em direção a escada despreocupada e até com um sorriso no rosto.

-Ah, mais uma coisa! – Ouviu a outra falar – Da próxima vez, pelo amor de Deus, use a maldita porta.

Ametista acenou, descendo as escadas, animada. Aquele dia foi incrível, estava até se sentindo mais leve. De irritação à animação, praticamente em um piscar de olhos. Ficou imaginando o que poderia fazer com a nova descoberta.

Zero vai adorar saber disso”, pensou pulando alguns degraus. Nada tiraria aquela animação mais.


Notas finais
O quão foda a minha mesticinha voltou do Inferno? *risada maligna* E cara eu amei a Lorelai! Personagem mto gostoso de fazer! Amei essa coisa louca LOL *o*