Descobertas
2 II - Relações
Notas iniciais
O cap num teve ação, mas isso vou arrumar no próximo *666*
Boa leitura o/
A mente de Zero estava exatamente como o tempo: nublada. Desde quando Ametista voltou do Inferno, trazendo Aurus com ela, Zero começou a procurar uma forma de se livrar daquele demônio. Não era algo fácil, reconhecia isso. Aurus era um demônio e um tiro não o derrubaria, mas ele não desistiria cedo, sabia o perigo que aquele demônio representava.
Fora isso, ainda havia as brigas com Ametista, que parecia não acabar nunca. Ele havia notado uma pequena mudança na mestiça e sabia que isso era consequência da estadia no Inferno. E sempre quando perguntava algo, Ametista mudava de assunto.
Estava tão distraído que mal ouviu alguém o chamar e só se tocou quando a pessoa lhe deu um leve empurrão.
-Desse jeito você vai ser morto rapidinho...
-Está querendo ser meu anjo-da-guarda agora, Lorelai? – Perguntou em um tom sarcástico.
-E qual é o problema? – A outra perguntou maliciosa. – Se a recompensa for boa...
-Vai esperando... – Zero respondeu – Sentada de preferencia.
-Meu Deus, quanto ódio no seu coraçãozinho. Posso saber o motivo do mau-humor todo, cachorrinho?
-Isso ofende sabia? – O rapaz a olhou irritado – Me comparar com um cachorro.
Ela riu.
-Ah, não leve pro lado ruim... Estou elogiando – Lorelai respondeu – É que sua fidelidade é algo fora do normal. Difícil ver um humano tão fiel como você. Quando eu te conheci você falou que até daria sua vida por ela...
-E nada mudou – Ele respondeu.
-Viu? Então, fiel como um cachorrinho – a mulher-anjo deu um sorriso.
-Você quer levar um tiro?
-Tudo bem eu parei – O anjo-caído levantou as mãos como se rendesse – Você que manda – Piscou.
“Já deveria estar acostumado”, pensou. Havia conhecido Lorelai quando estava com problemas com os demônios que Aurus trouxe para o mundo humano, quando o demônio resolveu que levaria Ametista. Ele sabia que podia com aqueles demônios, apesar de machucado, mas quando viu Lorelai entrar na briga sentiu-se aliviado. Ela ainda o curou, sabe-se lá como e nem sabia como explicar o que havia acontecido, mas agradecia por isso mesmo que fosse mentalmente... Ela não precisava saber.
-Tenho um demônio em casa – O rapaz finalmente falou – Você sabe...
-Ainda com isso? – Lorelai perguntou, despreocupada – Agora vocês terão um brinquedinho novo e que pode ser usado com ele.
-Sei, seu sangue... – Zero parecia um pouco descrente, afinal, nunca ouvira falar de nada daquilo. Ametista até explicou como o sangue funcionava, mas parecia bom demais pra ser verdade.
-Exatamente! Então desfaça essa cara e me leve pra beber.
-Você não tem um cliente rico pra fazer isso? – Zero arqueou a sobrancelha.
-Uhn, hoje estou livre, leve e solta – Sorriu – E você... bem você é um conhecido que adoraria fazer isso.
Antes mesmo de Zero conseguir rebater, Lorelai o pegava pela mão o levando sabe-se lá pra onde.
Enquanto Lorelai o puxava, o rapaz não deixou de reparar em como a mulher era sensual. A mulher-anjo tinha aquele descontraído, apesar do olhar atento a tudo, parecia que nada naquele mundo a abalasse. Ela também não era muito alta, o que passava certa fragilidade. Mas Zero conhecia parte do poder da mulher e de frágil ela não tinha nada.
-É aqui – A mulher falou finalmente o soltando e descendo alguns degraus que davam em uma porta de madeira.
Quando entraram no pequeno e abafado bar, aconteceu exatamente o que Zero imaginou: todos os olhares dos homens ali presentes caíram sobre Lorelai e até sobre ele. Alguns olhares eram de inveja, outros até mesmo de irritação. Era como se Zero estivesse segurando uma placa dizendo “Morram idiotas, eu estou acompanhado de uma gostosa”. Seguiu Lorelai até o balcão ignorando as pessoas.
-Eles estão querendo me matar – Zero sussurrou para a mulher que estava ocupada em pedir as bebidas.
-Relaxa – Respondeu despreocupada – Você mata demônios, pode matar qualquer um deles se quiser.
-Eu não mato humanos.
-Ainda – a mulher-anjo frisou – Você nunca ficou em uma situação extrema que fizesse matar alguém de sua raça. Quando estiver, acredite, você não vai pensar duas vezes.
-Tem certeza que você era um anjo? – Zero perguntou, arqueando a sobrancelha – Supostamente era pra você falar o contrario!
-Nossa, não me lembre dessa época. Pior parte da minha vida. Vocês, humanos, acham que ser anjo é bem fácil e interessante... É uma merda! Viver sob um monte de regras... Eu não sei como existem uns que ainda aguentam! –Falou irritada
E de fato estava. Zero havia tocado em um assunto que não gostava. Lembrar-se de sua época de anjo era horrível e antes tudo fosse como os humanos pensavam, mas o lar dos anjos não era exatamente um lugar de paz e tranquilidade... Muito pelo contrario, aquele lugar, na visão de Lorelai, era até pior que o inferno. Pelo menos no inferno você tinha um pouco de liberdade, ao contrario dos anjos que jamais a teriam. O mundo celestial também não era como os humanos achavam, cheio de nuvens e anjos com suas harpas, ou qualquer outra baboseira que os pobres seres inventavam. Era um lugar frio, desprovido de qualquer sentimento e tudo o que você podia que fazer era obedecer, sem chances de ter duvidas, a não ser que quisesse ser morto.
-Como vai fazer pra achar a Ametista caso precise dela? – Ouviu Zero perguntar e agradeceu mentalmente por ele não ter insistido no assunto dos anjos.
-Não sei – Lorelai respondeu, suspirando – Penso em comprar um celular, ela tem um não tem? – Zero assentiu — Ou então apelo pro sinal de fumaça.
-Não acredito que ainda não tenha um – Zero respondeu
-Eu odeio essa porra de tecnologia – Lorelai falou — O que eu tenho é essencial, não preciso mais do que tenho pra sobreviver.
-Cara, se você falasse isso perto de outra pessoa te internariam! – O rapaz riu – Mas de qualquer forma... Desde que voltou, ela vai quase todo dia pra loja do filho de Sparda, Devil May Cry – Continuou com certo desdém.
-Senti certa raiva, ou foi impressão? – A mulher-anjo perguntou interessada. – Ou será que é ciúmes?
-Foi por causa dele que ela foi arrastada pro inferno. – O rapaz respondeu, ignorando o sorriso provocador da mulher — Ele estava com problemas com uma mulher-demônio e a Ametista resolveu ajudar e deu no que deu.
-Uhn, isso ela não me contou – Lorelai falou pensativa – quem era o demônio?
-Beatriz – Respondeu pensativo – Não, ela tinha outro nome... Lívia.
-Puta que pariu! – Lorelai passou as mãos pelos cabelos, visivelmente chocada – Chame a sua namoradinha agora!
-x-
Ametista parou em frente a loja do filho de Sparda, Devil May Cry. Estranhou o fato de que não sentia a energia demoníaca do mestiço e sim a de Trish. Era estranho aquilo. Desde quando começou a frequentar a loja o mestiço estava sempre presente e reclamando do tedio.
-Cadê ele? – A jovem perguntou assim que entrou, por pura curiosidade.
-Aconteceu alguma coisa? –Trish perguntou preocupada.
Aquele demônio era diferente dos demais. Fora ser uma criação de Mundus, Trish mostrava ser bem diferente dos outros demônios e sempre ajudava Dante no que podia. Tinha a aparência da mãe do mestiço: longos cabelos loiros e olhos azuis, o corpo curvilíneo marcado pelas roupas de couro que usava.
-Não – Ametista falou calmamente – É que... Essa é uma cena estranha de se ver. – Riu sendo acompanhada pela mulher-demônio.
-Ele estava saindo quando cheguei e estava tão eufórico. Disse que me explicaria depois, mas imagino que seja um demônio dos grandes. – Trish explicou
-Bom saber que ainda existem demônios a serem caçados – A mestiça sorriu – Parece que você vai ter que esperar de novo...
-É o que parece, mas pelo menos ele não está no inferno. – A mulher suspirou – Mas eu gostaria de ter ido junto... Dante tem a incrível mania de fazer coisas irresponsáveis.
-Do tipo?
-Tipo deixar a Sparda com Vergil – Trish respondeu irritada.
-Sparda? – Ametista perguntou confusa – Como assim?
-A espada que ele carregava. – A mulher demônio deu um sorriso misterioso – Acho que você conhece pelo outro nome: Force Edge.
-O QUÊ?! Como assim?! Aquela espada que o Dante estava segurando era a espada do pai? – Ametista perguntou transtornada – Como eu não percebi isso?!
-Bem, levando em conta o que você passou... – Trish respondeu – E além do mais você também não conhecia a energia de Sparda.
-Isso é verdade – A jovem respondeu mais calma – Mas bem que eu senti algo estranho na energia do Dante e era a espada no fim... – Suspirou – Nunca mais vou chegar perto daquela espada...
-Você é fã mesmo hein – Trish riu com a reação de Ametista.
-É claro que sim! – A mestiça respondeu voltando a suspirar – Mas vem cá... Porque isso agora? Você acha que Vergil pode fazer alguma coisa?
-Eu não sei, há algo que me incomoda... – Vendo que Ametista ficou quieta, continuou – Vergil é um demônio agora e Lívia está ao seu lado... E eu acho que não preciso dizer mais nada – Cruzou os braços.
-Eu não acho que Lívia vai manipulá-lo da mesma forma que fez com o Dante – Ametista respondeu pensativa – Justamente por ele ser um demônio agora...
-Não é só por causa disso – Trish suspirou – Bem deixa pra lá... Não comente nada com Dante, está bem?
Ametista assentiu. Ela já estava ficando boa em guardar segredos, inclusive tinha o seu próprio segredo que por hora nem queria revelar. Pensou em mudar de assunto, mas antes mesmo de conseguir abrir a boca seu celular tocou e pela cara que fez parecia estar recebendo a pior das noticias. Assim que desligou viu Trish a olhar curiosa e antes da mulher perguntar algo falou:
-Não é nada. É só o Zero... – Rolou os olhos. – Diga o Dante que eu passei por aqui e caso ele queira ajuda com demônios, estou disponível.
Ametista saiu da loja antes que Trish pudesse notar que o problema não era exatamente Zero.
-x-
Quando Ametista chegou ao lugar que Zero havia lhe falado soltou um suspiro. Por que não imaginou que era um bar? Ela havia escutado barulho pelo celular, mas nem se tocou onde poderia ser. Andou até eles, ignorando os olhares, e sentou no colo do namorado.
-Saíram pra beber e nem me convidaram. Sacanagem hein – Falou, fingindo estar ofendida. – Que cara é essa Lorelai? Por acaso Zero não é uma boa companhia pra você?
Se Lorelai estivesse em seu humor normal, ela sorriria provocando Ametista e dizendo que isso seria fácil de resolver, mas o olhar que a mulher-anjo lançou estava bem longe do bom-humor.
-Por que não me falou que você tinha problemas com Lívia?! – A mulher perguntou.
-Bem... Você nunca perguntou – Ametista falou calmamente.
-Isso eu não precisava perguntar, garota!
-Ah, qual é Lorelai. Sem surtar está bem? – a jovem respondeu – Ela nem é problema meu. Deixe isso com o Dante já que agora ela é da família.
-Do que diabos você tá falando? – Lorelai a olhou confusa.
-Em que mundo você está? – Zero perguntou surpreso. – Isso é algo que você deveria saber também.
-Dante tem um gêmeo, Vergil, ele tomou o lugar do Mundus e está com a Lívia... – Ametista suspirou – Então não é problema meu.
-Sei... E quanto ao seu papai?
-Lívia quer distancia do Aurus. Sossegue Lorelai. Não é como se ela viesse pro mundo humano só pra te matar – Ametista falou despreocupada.
-Não sei até que ponto posso confiar nisso – Rebateu se levantando e saindo do bar.
-Eu falei com a parede? – Ametista perguntou.
-Parece que sim – Zero respondeu – Ela ficou possessa.
-Eu diria que ela ficou com medo. Droga, essa vadia coloca medo em anjos! – A mestiça falou – Por que diabos você falou da Lívia?
-Não sabia que era segredo isso – Zero rebateu – E além do mais, eu nem sabia que ela teria medo de um demônio!
Realmente Ametista não esperava por aquilo, ainda mais por Lorelai guardar um segredo bem interessante que poderia acabar com a graça de qualquer demônio em questão de segundos. Suspirou imaginando se Lorelai não quebraria o trato por causa disso. Caso isso acontecesse teria que ir atrás de outro anjo que aceitasse um trato parecido.
Notas finais
Aurus ainda não deu o ar de sua graça *cofcof* mas ele vai aparecer... *666*
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