Desafios
8 Uma Chance
Notas iniciais
–Então você é engenheiro formado? — questiona sentada na poltrona giratória.
Sentado a frente da morena, Edward sorri.
–Exato. — concorda batendo os dedos no tampo de vidro fumê da mesa.
–Não trabalha? — volta a questionar olhando atentamente para o porta-retratos em mãos. Um leve sorriso enfeita os lábios de Isabella ao ver Edward de beca com o famoso chapeuzinho na cabeça.
Extremamente lindo, como sempre.
–É complicado explicar. — a voz dele sai mais séria, no entanto ainda doce. –Se continuar sorrindo enquanto olha a minha foto, vou começar a acreditar que está se apaixonando. — brinca fazendo-a olhá-lo.
–Há, há. — finge uma risada irônica. –Estou sorrindo por causa do cabeção que você ficou na foto. -
–Sei... — o ruivo se levanta e vai até ela. –Cabeção aonde? — indaga inconformado. –Fiquei lindo Zangadinha, lindo como sempre. — a morena ri da petulância do homem.
–Ai Edward... Um pouco de humildade cai bem, sabia? — cruza os braços o olhando. Sem retirar o sorriso do rosto, Edward segura nos braços da poltrona a girando, deixando Bella de frente para ele.
–Sabe o que cai bem? — ele se abaixa ficando próximo da face da moça. –Um beijo. — completa voltando a diminuir a distância entre eles.
–Edward... — sibila virando a cara.
–Que foi? Eu sei que você também quer. — os lábios dele se curvam em um biquinho, mostrando a ela sua contrariedade.
–Pare de ser bobo, e... Pervertido. — brinca dando um tapinha no ombro forte. –Veio aqui me mostrar algo e até agora nada. — muda de assunto o vendo sorrir novamente.
Morde os lábios. Ele nunca para de sorrir, desde que o conhecera não o vira de cara fechada. É sempre assim, sorrindo.
–Mais eu já lhe mostrei Zangadinha. — profere baixo a puxando pela mão. –Já lhe mostrei várias coisas. — com delicadeza Edward abraça a morena que respira fundo sentindo o perfume inebriante do Cullen.
–Mostrou nada. -
–Claro que eu mostrei Bella. — volta a afirmar, encarando-a.
–O que então? — os olhos ébanos encaram-no desafiantes. O ruivo solta um leve risinho soltando-a do abraço. As mãos se juntam as dela, e os dedos se unem em um entrelaço perfeito.
–Ora, te mostrei que eu não sou apenas safado. — responde. –Te mostrei que sou um cavalheiro, que sou romântico e que estou disposto a te conquistar. — solta uma piscadela para ela, que morde os lábios.
O semblante no rosto alvo se torna sério.
–Edward, é melhor parar com isso. — se afasta dele, separando suas mãos.
–Por quê? — sem entender ele a questiona. –Sei que também gosta de mim, apesar de fazer de tudo para não demonstrar. — tenta se aproximar, porém com a mão arqueada a morena o impede.
–Não Edward, por favor. Não quero me envolver com ninguém. — diz ao Cullen que permanece sem entender. –Acredite o único ser vivo, além de mim, com quem eu me relaciono bem é o meu gato, então... -
–Nós nos relacionamos bem. — afirma dando dois passos na direção dela. –Já percebi o que tenta Bella, mas comigo não dará certo. -
Instigada, levanta o olhar deixando-o em Edward.
–Como assim?-
–Você sabe, sabe o que faz. Sabe que afasta todos a sua volta fingindo ser uma pessoa que não é. — a voz mansa faz as pernas da morena, tremerem. –Nem imagino o porquê de fazer isso, mas comigo não vai dar certo. Não vou me afastar de você. — pela primeira vez o semblante do homem fica sério, ainda boquiaberta a moça vê a determinação brilhar nos orbes verdes.
–Você não sabe de nada, Edward. — dá a volta na mesa, indo em direção à porta. –É melhor eu ir, antes que... -
–Espere. — ela para quando Edward a segura pelo braço. –Não quero brigar com você, e quero menos ainda que volte a se afastar de mim. — com cuidado a puxa para ele. –Me desculpe se disse algo que não gostou, mas é a mais pura verdade. -
Em silêncio a Swan absorve palavra por palavra pronunciada por ele.
–Ok. — responde simplesmente. –Mas é melhor eu ir mesmo... — tenta se afastar novamente, contudo o Cullen não permite.
–Não Zangadinha, ainda não te mostrei o que queria. — por cima do ombro ela o encara.
–Achei que já tivesse. -
–Não, aquilo foi inesperado, mas de qualquer modo foi útil. — sorri de canto. –Quero te mostrar outra coisa, e te fazer um convite. -
Vira-se para ele, retirando a franja dos olhos.
–Convite? -
–Sim. — o sorriso se alarga nos lábios finos, exibindo os brilhosos dentes brancos. –Mas antes venha, precisa ver primeiro. -
A moça solta um suspiro, sabe que não deve continuar ali, mas se afastar dele parece tão doloroso. Doloroso até de mais.
–Tudo bem. — concorda mordendo os lábios. O braço de Edward circula seus ombros e com tamanho zelo ele a conduz até o sofá negro de couro.
[...]
–Edward você está maluco se acha que eu vou fazer isso. — cruza os braços, irritada. Aquele ruivo sabe ser chato.
–E porque não Zangadinha? É muito bom, tenho certeza que vai gostar. — ele volta a repetir ajustando a cabeça nas pernas da morena.
Bufa rolando os olhos. A mais de meia hora ele vem lhe mostrando vídeos e fotos de suas “aventuras”, que ao ver de Isabella estão mais para “loucuras”, e ainda quer que ela faça parte disso.
–Sem chances. — nega mais uma vez. –Não vejo utilidade nenhuma nessas maluquices que você e seus amigos praticam, sério vocês tem algum problema mental para fazerem isso. -
Edward gargalha vendo o aborrecimento na face delicada.
–É muito útil. — murmura pegando uma das mãos dela. –Você não sabe como é bom sentir a adrenalina invadir suas veias, correr por seu corpo. É viciante até. -
–Obrigada mais eu dispenso essa “sensação viciante”. — faz aspas com os dedos. –E levanta essa cabeça do meu colo, sua cabeça é pesada. -
–Minha Zangadinha está atacada. — conclui se sentando ao lado da jovem. –Vamos Bella comigo esse fim de semana, não vai ser nada muito radical eu prometo. — diz se aproximando dela.
–Não Edward. — repete à negativa, tentando não demonstrar o quão afetada ficara pelo olhar intenso dele.
–Haa qual é amor, não custa nada você dar uma chance... — a palavra amor vira um eco na mente de Isabella que sente o coração disparado.
–Edward... — sussurra perdida, quando ele começa distribuir beijos em seu rosto.
–Diz que vai ao menos pensar minha Zangadinha, vai? — abraçando ela, o ruivo enfia o rosto no vão do pescoço da jovem que se arrepia por completo.
–Ai meu Deus Edward você é tão insistente. — fecha os olhos se sentindo toda tremula. –Tudo bem irei pensar. — concorda por fim, mordendo seu lábio inferior com força por causa dos beijos de Edward em seu pescoço.
–Vai me dar à resposta que dia? — pergunta se erguendo para olhá-la.
–Vai ser que dia mesmo? -
–Sairemos sábado de madrugada. — responde com um sorriso, acariciando a bochecha de Bella.
–Sexta te direi então, quando for a sua consulta. — com um aceno ele concorda.
–Ok, tenho certeza de que irá se divertir muito. — sorri para ela que retribui fraco. É impressionante como ele a faz sorrir tão facilmente.
Os rostos se aproximam e mais uma vez os dois trocam um beijo. Calmo e lento, provocando reações ardentes em ambos.
–Saco. — Edward pragueja baixinho, quando o som do celular os interrompe.
Isabella abaixa a cabeça respirando fundo, lubrifica os lábios enquanto o ruivo atende ao celular.
–Oi mãe. — a voz dele é extremamente carinhosa. –Sim mamãe, estou em casa. — faz uma pausa longa. –Já estou bem mãe. — Bella cismada o vê girar os olhos.
Bem? Será que ele se sentira mal?
–Não mãe é claro que eu não me esqueci de tomar o remédio. — as sobrancelhas ruivas se enrugam e a morena tem certeza de que ele não tomara nada. –Ok mamãe, fique tranquila. — pede docemente. –Pode deixar, tudo bem. Também te amo mãe, beijos até mais tarde. — o dedo longo dele passa na tela touch screan desligando a ligação.
–Mãe coruja? — indaga sentindo uma pontinha de inveja. Como queria ter sua mãe viva. Suspira longamente.
–Muito coruja. — ele ri, voltando a se deitar no colo da morena.
–Você andou passando mal? — os olhos verdes de Edward ficam parados por alguns segundos, fitando algum ponto especifico. Um brilho diferente passa pelos orbes verdes.
–Não foi só... Só um mal estar. — diz demasiadamente baixo.
–Sei... — responde sem acreditar muito na resposta do ruivo. –Por isso que não tem ido à fisioterapia? -
–Sim, por isso. — assente. –Estava meio indisposto, sei lá. — volta a se sentar, fazendo carinho nas mãos da morena.
–Não vai tomar seu remédio? — a moça muda o assunto visto a tensão presente no ar.
Ele faz uma careta arrancando risos de Bella.
–Tem um gosto horrendo. — se arrepia só com o pensamento. –Mas depois irei tomar, vou esperar dar uma hora boa. — explica.
–Por que não disse isso a sua mãe? — pergunta a ele que estala a língua rindo sapeca.
–Por que ela ia me dar o maior sermão. — se estica dando um selinho nos lábios da morena. –Meus pais exageram muito às vezes. -
–É normal Edward, são seus pais eles se preocupam mesmo, ainda mais você sendo filho único. -
–É eu sei. — solta um suspiro. –E os seus pais, são tão pegajosos quanto os meus, ou eles entendem que a menininha deles cresceu? -
A pergunta de Edward a deixa tensa. Não gosta de falar desse assunto. Nunca se sente bem em relembrar tudo que ocorrera.
–Meus pais... — pigarra. –Meus pais já faleceram. — informa ao rapaz que instantaneamente desfaz o sorriso no rosto.
–Bella, me desculpe eu não sabia... Droga! Nem imaginava isso. — diz por fim num sussurro.
–Tudo bem Edward, tudo bem. — sorri triste. –Já faz um bom tempo então... -
–Mesmo assim, desculpe-me. — pede novamente lhe beijando no rosto. –Não gosta de falar sobre isso não é? -
–Odeio. — afirma controlando as lágrimas. Com um suspiro se levanta. –Eu já vou indo. — passa a mão no cabelo tirando algumas mechas do rosto.
–Não vá ainda, fique mais um pouco. — pede se levantando também.
–Não já são quase seis horas, preciso arrumar umas coisas em casa também. -
–Hm, então vamos eu levo você. — a voz de Edward sai calma.
–Não precisa, eu pego um taxi e... -
–Bella... — pondo o dedo indicador sob os lábios da jovem, ele a cala. –Eu te trouxe, eu te levo. -
–Ok. — concorda por fim, não está a fim de brigar.
No caminho de volta o único pensamento da morena era sobre a perda. Conversar e ficar com Edward daquela forma a fizera ficar ainda mais temerosa.
O medo de que aquela dor horrenda que lhe tomara, quando seus pais faleceram volte, é dilacerante.
Suspira encostando a cabeça no banco.
Prometera várias vezes a si mesma que não iria passar por aquilo novamente. Não iria nem dar motivos para isso.
No entanto agora, dentro do carro dele, ao lado dele, sentindo ainda o gosto do beijo dele em sua boca, sabe que está perdida. Sabe que está deixando seu muro cair. Mais fileiras desmoronaram. E o medo de perder alguém novamente, ou melhor, o medo de perder Edward, a ronda de perto. Bem de perto.
–Você está tão quieta. — a voz rouca de Edward preenche seus ouvidos. Fecha os olhos e suspira profundamente.
–Estou cansada. — mente sem olhá-lo.
–Hmm, acorda muito cedo para ir trabalhar? — mesmo com o rosto virada para as ruas Isabella sente seu olhar queimando-a.
–Sim, muito cedo. — concorda. –Por volta das cinco da manha. -
Isso nos raros dias que consegue dormir. Completa mentalmente se alinhando mais ao banco.
–Por que tão cedo? Vai de ônibus? -
–Sim vou e volto de ônibus. — afirma antes de o silêncio voltar a reinar dentro do automóvel.
Logo Bella reconhece a rua de seu apartamento. Suspira aliviada, precisa ficar sozinha, longe de Edward para poder pensar.
Assim que a Mercedes negra é estacionada, Bella pega sua bolsa pronta para sair do carro. Abre a porta e solta o cinto pondo as pernas para fora.
–Bella espera... — antes que pudesse levantar, Edward segura seu braço. Com relutância ela o encara. Aqueles olhos verdes. Suspira.
–O que foi? -
–Só quero que saiba que eu não vou desistir de você. — murmura de uma só vez, antes de beijá-la rapidamente nos lábios.
A embriaguez toma conta da jovem, que trêmula se põe de pé na rua.
Rindo Edward fecha a porta do passageiro, e acena antes de acelerar o carro.
Passa a mão nos cabelos ainda perdida.
Suspira pesadamente tendo certeza de que está começando a sentir algo por aquele ruivo chato.
[...]
O dia começara extremamente frio em Nova York. O vento forte, juntamente com a chuva só piora a situação.
Terminando de tomar o café forte à morena se arruma para sair. Pega sua bolsa, vestindo o casaco térmico. As mãos parecem querer congelar.
Sente o corpo cansado protestar quando se abaixa para acariciar Jerry pela ultima vez antes de sair de seu apartamento.
Fecha os olhos rapidamente encostando-se à parede fria do elevador. O sono a dominando por completo.
Boceja cobrindo a boca com a mão. Também, não dormira nem um minuto durante a noite.
Ficara pensando em Edward, em seus pais, no dia assombroso de suas mortes e, sobretudo no que iria fazer a madrugada inteira. Por várias horas chorara, com medo, com uma saudade enlouquecedora de Charlie e Renée, e também pelo fato de querer ficar com Edward, mas não poder.
Quando finalmente chegara a conclusão de que será melhor se afastar dele e manter as coisas do modo costumeiro de sempre, já eram quatro da manhã.
Esfrega os dedos sob as pálpebras cansadas. Queria poder simplesmente se esquecer de tudo, desde o seu nome, até a cidade onde está. Queria ainda mais esquecer aqueles sentimentos que lhe atormentam.
As portas enferrujadas do velho elevador se abrem provocando um zumbido chato. Isabella fecha os olhos momentaneamente, e suspira caminhando apressada.
As vozes altas se misturam na entrada do prédio antigo, deixando Bella sem entender. Para por alguns segundos, parece ter ouvido a voz de...
–Hey minha Zangadinha! — o ruivo exclama se aproximando da morena que surpresa fica sem saber o que falar. –Bom dia! — com carinho ele a abraça, depositando um beijo na testa alva.
–Edward? O que está fazendo aqui? — o timbre da Swan sai falhante, olha para Edward desconfortável pelos olhares de Harry e Paul, o porteiro.
–Vim te buscar para te levar ao trabalho. — responde com naturalidade. –E enquanto esperava fiquei conversando com Paul e Harry. -
Ajeitando a bolsa sob o ombro Isabella fica quieta por segundos, apenas absorvendo as informações.
Chacoalha a cabeça pronta para dispensá-lo.
–Seu namorado é muito educado Bella, ele prometeu me ajudar a pregar umas prateleiras na parede. Sabe como é já estou velho, não tenho forças o suficiente para erguer as tábuas. -
–Legal Harry, mais Edward e eu não namoramos. — responde sem esconder a impaciência. –E você, pode ir embora, vou de ônibus. -
Sem dizer mais nenhuma palavra a morena caminha até a porta de vidro, cerra os olhos e bufa ao ver o quanto a chuva está espessa.
–Droga de chuva. — resmunga baixo, retirando o guarda chuva novo, da bolsa.
–Não liguem para ela, está de tpm. — ouve o ruivo murmurar para os dois que riem baixo. Olhando-os por cima do ombro Isabella os olha mortalmente. –Deixe de ser teimosa meu amor, eu levo você. -
A moça rola os olhos e sem responder sai do prédio. Rapidamente abre o guarda chuva preto, se protegendo. O vento frio soa contra seu rosto de um modo dolorido.
–Hey, Bella! — olha para o lado vendo Edward a seguir de perto com o carro.
–Me deixe em paz Edward. — grita sem se importar em chamar atenção.
Apressa os passos dobrando a esquina de casa. Olhando para trás rapidamente vê que ele não a segue mais.
Respira profundamente com uma dor profunda no peito. Pisca demoradamente sem entender o porquê de tal sentimento. É só um cara, só mais uma pessoa que fez questão de expulsar de sua vida.
Chacoalha a cabeça focando a visão no ponto de ônibus a frente. Atônita percebe o carro preto parado rente ao meio fio.
Morde o lábio com força sem saber se sorri ou se pragueja.
Seus passos até lá são lentos, cautelosos.
–Por que está fugindo de mim? — sem demora Edward pergunta saindo do carro. A morena abre os lábios, uma, duas vezes, sem conseguir murmurar nada coerente.
Pigarra e chacoalha a cabeça, evitando o olhar intenso do homem.
–Você vai ficar doente, é melhor entrar no carro, está chovendo forte. — muda de assunto fitando os pés.
–Não mude de assunto. — a voz rouca sai estritamente séria. –E olhe para mim, poxa. — pede subindo a voz.
–O que você quer, hein?- cruza os braços tentando ao máximo soar fria.
–Quero que você me explique o porquê de estar assim comigo. — responde sem pestanejar. A Swan respira fundo. É impressionante como ele lhe tira a razão.
–É melhor assim. — murmura num fio de voz, olhando para o fim da rua, a procura do ônibus.
–Por que é melhor assim? Será que não percebe que eu gosto de você?-
As palavras dele lhe deixam estática. Sente o coração se aquecer plenamente, e a cabeça dar voltas. O corpo se arrepia lentamente, enquanto o encara.
–Eu não estou brincando com você Bella... — se aproxima da jovem, limpando as gotas de chuva que escorrem por seu rosto.
Com os olhares conectados, a morena sente o ruivo se aproximar. Um sorriso leve estampando os lábios avermelhados.
–Edward, por favor... — fecha os olhos e se afasta, com um nó prendendo sua garganta. –Vá embora. — a palavra sai fraca dos lábios da Swan, que sente como se uma faca lhe dilacerasse por dentro.
–Por que faz isso? Por que tem que afastar todos de você? — frustrado Edward a questiona, os dedos longos se infiltram nos cabelos, já encharcados.
–Isso não é problema seu, só quero que respeite a minha decisão. — responde firme.
–Não vou respeitar, por que mesmo que você negue eu sei que não é isso que quer. — volta a se aproximar. –Eu vejo em seus olhos, o quanto me quer por perto, eu sinto como se arrepia sob meu toque... — fecha os olhos quando os dedos frios dele lhe tocam a face.
Sim, por Deus sim! Ele tem razão, ela não quer isso. Não quer que ele se afaste. Mas não pode fazer nada, Edward é uma ameaça para ela e precisa se distanciar, o quanto antes melhor.
–Está enganado. — sibila após um longo suspiro. –Por favor, Edward, não complique as coisas. — pede batendo o pé no chão.
–Droga Bella! — a voz rouca dele sai alta, assustando-a. Cautelosa observa os olhos verdes se desviarem dela. –Você gosta de viver sozinha é isso? Gosta de ter somente a companhia de um gato? Não acredito que seja feliz assim. -
–Isso não é problema seu. — repete aumentando o tom de voz.
–É sim. É por que me importo com você, e mesmo tentando eu não consigo entender o porquê de você se afastar se excluir do mundo. -
O jeito frio do ruivo a abate. Morde os lábios prendendo as lágrimas com força.
–Edward, por favor... — volta a pedir, tentando se afastar dele. Segurando-a pelo braço ele a impede se afastar.
–Por favor, nada Isabella, eu só quero saber, por que faz isso. -
–Por que eu não quero perder mais ninguém. — grita deixando as lágrimas caírem dos olhos. –Não quero ter que sentir aquela dor horrível que senti quando meus pais morreram. — soluça ouvindo finalmente o barulho do ônibus. –Vê se entende Edward, prefiro viver sozinha, me excluindo a sentir aquilo novamente. -
Puxando seu braço dele, ela se afasta ainda soluçando. Suspira aliviada quando o ônibus para a sua frente, e sem esperar pela resposta do Cullen, sobe na condução.
[...]
Solta o ar pela boca pressionando os dedos nas pálpebras cansadas. Que dia, meu Deus. Que dia! Chacoalha a cabeça, ignorando os pensamentos dolorosos.
–Senhorita Swan, já estou indo, ok? — ergue o olhar observando Ângela na porta.
–Ok. — solta sentindo a visão turvar. Já acabara seu expediente e nada dele. Ele não viera.
–Está tudo bem? — preocupada a assistente pergunta.
–Sim Ângela. — tenta sorrir. –SÓ minha enxaqueca que resolveu dar as caras novamente. — mente se alinhando na poltrona macia. –Pode ir para casa, logo eu irei. -
–Tudo bem. — responde ainda sem acreditar na patroa. –Até amanhã. — se despede.
–Até.- sussurra engolindo em seco.
Ouve os passos da moça se distanciar, soltando um longo suspiro. Tudo o que mais quer é evaporar. Simplesmente sumir do mapa.
Ainda não entende o porquê de estar viva. A razão pela qual não foi embora junto com seus pais. Deve ter sido muito ruim na vida passada, pois só um monstro para merecer sofrer tanto.
Passa as mãos no cabelo se pondo de pé. Recolhe suas coisas mecanicamente, não tem força, nem vontade de fazer nada.
–Licença. — de costas para a porta a jovem ouve a voz rouca, e sente sua nuca se arrepiar. O coração dispara no peito, e as pernas trêmulas obrigam-na a se virar lentamente.
–Edward...- sussurra o nome congelada no lugar.
–Oi. — ele acena, retirando uma das mãos do bolso. –Estava esperando você sair, mas como estava demorando resolvi vim até aqui. — explica calmamente, adentrando na sala da fisioterapeuta.
Solta um suspiro retirando a franja dos olhos.
–Escute Edward, não quero discutir, por favor, vá embora que eu também já estou de saída. — o timbre da Swan não esconde seu cansaço.
–Bella, eu só quero conversar. — diz caminhando até ela. –Não quero discutir com você, por favor, me ouça. -
Tentada a aceitar, belisca o canto interno da bochecha. Sabe que fazer isso é prolongar seu sofrimento, porém quando está perto dele se sente tão bem.
–Por favor, Bella. — a poucos centímetros de distancia seus olhos se encontram, causando calafrios na morena. –Só te peço uma chance para poder me desculpar, por favor, minha Zangadinha. — a mão quente acaricia a face da Swan, que fecha os olhos aproveitando o carinho.
Travando uma batalha interna, a jovem se decide abrindo os olhos em seguida. Suspirando profundamente concorda com a cabeça, deixando mais uma vez, ser enfeitiçada por aqueles brilhantes olhos verdes.
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