Desafios
33 Sol da Meia Noite
Notas iniciais
Dando um pulo na poltrona a morena desperta. O coração acelerado, a respiração descompassada.
Leva as mãos aos cabelos, vendo Edward dormir calmamente ao seu lado. Na verdade, acredita que todo os passageiros estão dormindo.
Respirando fundo, ela pega a mão do namorado, as imagens do sonho ruim ainda vivas em sua mente.
Há tempos que ela não tem problemas com o sono. Na verdade não é mais perturbada por aqueles pesadelos terríveis... E dessa vez, o que a incomodara em seu sono fora a imagem de um Edward debilitado.
Agoniada, lembra de como ele estava magro, não andava, não enxergava, quase não falava... Respirando fundo, chacoalha a cabeça.
Seus olhos voltam para o namorado que ainda ressona tranquilo na poltrona larga.
Ele está bem.
Garante a si mesma.
Edward está bem... Ele vai ficar bem.
Respirando fundo, ela acomoda a cabeça no ombro largo. Seus lábios se encontram com a pele perfumada do pescoço dele.
Fechando os olhos, ela respira fundo. Seu corpo se aperta mais no dele.
O medo de ficar sem ele, a faz ofegar. A dor que o pensamento causa é agoniante... Chacoalhando a cabeça, tenta se acalmar... Edward está bem. Edward lhe garantiu que ficaria com ela.
Entrelaçando seus dedos nos dele, beija novamente o rosto relaxado.
—Amo você. – declara baixo, em meio a um suspiro.
Pegando o controle ao lado, ela liga a pequena TV a frente e com dificuldade coloca os fones.
Viajar na classe executiva é realmente demais.
Morde os lábios passando trocando de canais, até encontrar um desenho animado.
Sorri, ao ver que é um dos favoritos de Edward.
Acariciando a mão forte, ela se arruma na poltrona. Os olhos fixos nos super-heróis.
Mesmo sem admitir, ela aprendera a gostar daqueles programas infantis. Também, Edward só vê esses desenhos, ou os filmes desses desenhos.
Rola os olhos, voltando a prestar atenção na TV, sentindo-se estranhamente mais calma.
[...]
Coçando os olhos a moça se espreguiça. O avião está claro, e vozes se misturam ao seu redor.
Preguiçosamente abre os olhos, vendo o sol adentrar pela persiana aberta. Lá fora, a jovem avista a pista, percebendo que já pousaram.
—Bom dia, Zangadinha. – sorri sentindo os lábios do namorado em seu ombro. Ainda sonolenta, se vira para ele.
Seus lábios se curvam em um sorriso, ao ver a desordem total, nos fios ruivos.
—Bom dia, descabelado. – ri baixo, tentando arrumar, pelo menos um pouco, os cabelos dele. —Acordado a muito tempo? – pergunta, recebendo um beijinho dele, na ponta do nariz.
—Há quase uma hora. – ele responde, rodeando os braços pela cintura fina, a cabeça se acomodando no colo desnudo.
—Está com sono? – acariciando os cabelos dele, ela indaga o vendo negar com a cabeça.
—Não, mais queria ir para um quarto com você. –
Rindo alto a morena, observa que alguns passageiros já deixa o avião.
—Bobo! – exclama, beijando os cabelos perfumados.
—Um banheiro também serviria... Aliás, qualquer lugar serviria, desde que estivéssemos sozinhos. –
—Deixe de ser bobo. – rolando os olhos, ela o afasta, vendo Alice e Emmet se aproximarem.
—Hey casal lua de mel, não sei se vocês perceberam, mas já pousamos. – a voz do grandão é alta, o que chama atenção de alguns passageiros.
—Casal lua de mel... – a baixinha soca o ombro do marido, rindo. —Bom dia, gente! – exclama sorridente.
—Bom dia. – recolhendo suas coisas, Bella cumprimenta, sua voz se misturando com a de Edward.
—Pegou tudo amor? – já de pé no corredor largo da elegante classe executiva, Edward a pergunta.
Com a bolsa no ombro, o casaco fino no braço e o celular em mãos ela assente, recebendo um rápido selinho do ruivo.
Sua mão livre permanece unida a dele, durante todo o percurso de desembarque, onde rapidamente recolhem suas malas.
Caminhando ao lado do namorado, Bella cerra os olhos ao ver o nome Cullen, em uma plaquinha segurada por um moço alto e moreno.
Olha rapidamente para a sogra que sorri, percebendo sua dúvida.
—Aquele é o guia que Carlisle contratou. – explica em meio a um sorriso.
Mordendo os lábios, a jovem assente com a cabeça observando o sogro ir até ele. Os dois dão um aperto de mão rápido, entrando em uma conversa amigável.
—Seu pai fala sueco, dinamarquês ou norueguês? – apoiando as mãos na barra do carrinho de malas, ela olha para o ruivo.
—Acho que não. – o Cullen nega rindo. —Porque? –
—Porque ele parece conversar sem problemas com o guia. – dá de ombros, o vendo rir. —Qual a graça? – cruza os braços o fitando pelo canto dos olhos.
—Você bobinha... A maioria dos guias fala inglês. – explica, beijando a ponta do nariz dela.
—Talvez esse não fale... – teimosa dá de ombros.
—Que eu saiba meu pai não fala sueco. Então sim, o guia fala inglês. –
—Talvez, ele tenha aprendido. Então o guia não fala inglês. – bate o pé de leve, o desafiando com o olhar.
—Ninguém aprende tão rápido. –Edward afirma, rolando os olhos. —Teimosa. –
—Você que é uma pessoa lenta, talvez não aprenda. – retruca começando a se irritar.
Por que ele não admite que o pai fala sueco?
—Não é questão de lentidão, é a língua que é difícil mesmo. –
—Tem gente que aprende rápido. – cerra o olhos ao olhá-lo.
Passando a mão pelo cabelo, Edward ri baixo se aproximando da namorada. Uma mão, corre para a cintura dela enquanto coloca o rosto na volta de seu pescoço.
—Acho que você não teria problemas não é? Afinal, sabe usar a língua muito bem. – ao se afastar ele pisca a ela.
A jovem abre os lábios para responder duas vezes, sentindo as bochechas arderem.
—Deixe de ser besta. – bufa, cruzando os braços.
O riso alto de Edward chama a atenção das pessoas ao seu redor, mas o homem nem liga.
Rolando os olhos, a morena vê o sogro se aproximar com o guia. Ele sorri gentilmente a todos.
—Pessoal, esse é Sam, nosso guia até a montanha. – Carlisle apresenta. —Sam, essa é a minha família. –
—Bom dia pessoal. – o morenos os cumprimenta, em inglês.
Bufando, olha Edward por cima do ombro, vendo um sorriso vitorioso estampado em seus lábios.
[...]
Sentada no banco de couro do jipe, Bella deixa seus olhos correrem pelas belas paisagens. As montanhas conservadas da Lapônia, são realmente de tirar o fôlego.
É tanto verde! Tudo tão natural e belo...
No céu o sol brilha forte, esse que não quer se esconder. Por onde quer que a moça olhe, ele está lá se multiplicando em milhões de reflexos.
Nem mesmo a imprevisível e rápida, chuva de granito conseguiu obscurece-lo.
O carro para em um campo aberto e grande.
Descendo do veículo, Bella olha o lugar. Mais à frente um passeio natural de pedras, separa o verde impecável da grama, com um lago escuro.
Uma barreira de árvores se forma atrás deles, se opondo ao horizonte aberto.
É de tirar o fôlego! Simplesmente maravilhoso.
—Lindo, não é? – olhando rapidamente para Alice, ela afirma com a cabeça. Um suspiro saindo livremente de seus lábios.
—Perfeito. – diz baixo. —Não sabia que a natureza podia ser tão linda assim. –
As duas trocam um sorriso, antes de voltar a encarar a paisagem.
—Nós somos muito tolos. Deixamos de apreciar lugares assim, para nos concentrar em coisas desnecessárias. – deitando a cabeça no ombro da amiga, Alice respira fundo.
—Verdade. – afirma pensativa.
—Edward está muito feliz. – a baixinha volta a murmurar, dessa vez mais baixo.
Os olhos da Swan se voltam para o namorado. Não deixa de sorrir ao vê-lo tão contente perto dos pais e do amigo.
—Ele queria muito vir aqui. –
—Edward sempre gostou de lugares assim. –
—Ele sabe o que é bom. – solta a frase, rindo leve.
—Se sabe! – pondo as mãos no bolso da blusa, Bella morde os lábios.
O dia foi passando incrivelmente rápido. Enquanto Carlisle, Edward e Emmet montavam as barracas, Bella junto da sogra e da amiga prepararam os lanches.
Sentados na mesa de madeira, eles comeram todos juntos, brincando e rindo.
Emmet e Edward como sempre tendo suas brincadeiras infantis, Carlisle e Esme contando histórias constrangedora dos dois de quando eram pequenos, Alice dividindo os foras na faculdade...
Eles tem realmente, muitos momentos com Edward.
Suspira, se arrumando no tronco de madeira. A sua frente uma fogueira pequena queima a lenha lentamente.
Uma brisa fria soa pelo canto, fazendo a Swan se encolher.
Um sentimento ruim em seu peito, lhe dá vontade de chorar.
A realidade já não é um fantasma que volta e meia a assombra. Agora, o fato de Edward ter os dias contados não abandona seus pensamentos.
Todos os momentos que passa com ele, todas as conversas, os beijos, as briguinhas... Lhe fazem questionar se será o último.
Respirando fundo, olha para o céu. Do lado oposto do sol, a lua permanece sem brilho e desvalorizada.
É estranho como as mesmas coisas, são tão diferentes para as pessoas.
Aposta que em algum lugar do mundo, deve ter alguém admirando uma bela noite estrelada, com a lua cheia e perfeitamente redonda.
—Está tão pensativa. – apoiando a mão nas costas da jovem, Esme a olha. —Está tudo bem? –
Fitando a sogra pelos cantos dos olhos, Bella afirma com a cabeça.
—Só estou meio nostálgica. – brinca a fazendo rir. — Ficar em um lugar assim, nos faz pensar e refletir... –
—É verdade. – a ruiva afirma sorrindo. —Mas isso é bom, deixa a mente em ordem, os pensamentos nos lugares... –
—Esme? – olhando para o horizonte, a moça chama.
—Hm? –
—Porque será que coisas ruins acontecem com pessoas boas? – volta seus olhos para a matriarca Cullen. —Isso é tão revoltante. –
Suspirando a mulher a abraça.
—Concordo, também acho revoltante. Mas, acho que algumas pessoas, estão no mundo apenas para ajudar as outras, levar conhecimento, amor... –
—Acha que... Que Edward é uma delas? – gaguejando ao perguntar, recebe um doce beijo em sua bochecha.
—Tenho certeza que sim. – a voz da mulher é calma. —Edward sempre foi especial! Não sei se ele te contou, mas eu não podia ser mãe. –
—Não, ele não me contou. – surpresa, a Swan afirma.
—Eu tinha um problema no útero, o que deixava quase impossível a maternidade. O médico disse que a chance de eu engravidar, era uma em um milhão. – se acomodando melhor, espera a longa pausa de Esme. —Eu já estava desistindo quando descobri a gravidez, essa que foi desenganada por vários. –
—Era de risco? –
—Alto risco. – com a cabeça, a Cullen afirma. —Falaram que Edward não ia se desenvolver, eu não chegaria ao terceiro mês... E não foi apenas um médico, foram vários. –
—Nossa! –
—É, e não parou por ai. Disseram que meu parto seria complicado, então agendaram uma cesariana, mas Edward nasceu dois dias antes da data. –
Pondo o cabelo atrás da orelha, Bella ri.
Edward sempre imprevisível!
—E de parto natural, não precisei de tomar nada para induzir ou ajudar no parto. – orgulhosa ela conta. —Desde pequeno Edward tem uma vontade de ajudar, um amor tão grande pelas pessoas... Não sei explicar, ele é um verdadeiro anjo. –
—Isso eu sei... Ele me ajudou muito. – sorri de canto ao murmurar. —Meus pais faleceram quando eu era criança e acabei ficando traumatizada, a dor da morte foi tão sufocante que me transformou em outra pessoa. – puxa o ar com força, tomando folego. —Mas Edward apareceu e fez um be tão grande... Nunca vou poder agradecer ele por isso. –
—Gosta muito dele, não gosta? –
Olha para a sogra e afirma com a cabeça.
—Não acreditava nessas coisas de amor, de se doar para outra pessoa, viver por ela... Mas hoje eu sei que é real. E fico muito, muito feliz por ter descoberto isso. –
—O amor nos transforma, não é? – rindo a moça concorda com a cabeça.
—Demais. Tudo volta a ser bonito. A ter cor. A gente faz coisas que nunca pensou em fazer, apenas para ganhar um sorriso. –
—É isso mesmo. Nos doamos por inteiro, sem pedir nada em troca. –
As duas se olham rapidamente, sorrindo.
É tão bom conversar com a sogra. Não sabe se é o jeito doce dela, ou o ar materno que ela inspira.
—O que as duas mulheres da minha vida estão conversando. – sentando ao lado da mãe, Edward as encara sorridente.
—Estávamos falando mal de você, filho. – a ruiva responde, fazendo Bella rir.
—Vocês duas falando mal de mim? Duvido. – ele responde, puxando as mangar longa da blusa azul marinho até os cotovelos.
Esme ri, deixando um longo beijo nos cabelos de Edward.
—Acho que eu vou querer um marshmallow. – ficando de pé, a mulher comenta animada.
—Alguém falou em marshmallow? – se aproximando, Carlisle arqueia a bandeja cheia dos doces.
—Hora de engordar! – Alice cantarola, se sentando com Emmet.
—Vai querer um amor? – Edward pergunta, se aproximando da namorada.
Negando com a cabeça, ela se acomoda no abraço dele. O rosto deitado no peito forte.
—Já riscou sua lista? – baixo ela pergunta.
—Não. – beijando a testa alva, Edward responde.
—Aqui é realmente lindo... – murmura soltando o ar pelas palavras.
—É mágico, não é? – os dois se olham rapidamente. —Sempre quis vir aqui. –
—E porque nunca veio? –
—Fui adiando... Adiando... Adiando... – sua voz sai pensativa.
—Hm... –
—Mas foi bom adiar. –
—Por que? – sem entender, ela o olha.
Sorrindo, Edward pega o rosto alvo entre as mãos, onde deixa um beijo casto sobre os lábios cheios.
—Por que se eu tivesse vindo antes, não estaria aqui com vocês, com você. –
Um sorriso bobo enfeita a face da Swan.
—Eu amo você. –
—Eu te amo mais. – pisca para ela, lhe dando mais um selinho.
—Ou casal, hormônios em ebulição! – Emmet os chama, fazendo os outros rirem.
Rolando os olhos, a morena encara o grandão sentado ao lado.
—Estão perdendo. – ele aponta para o horizonte, onde o sol brilha no céu alaranjado.
Com um suspiro, ela volta a se aconchegar nos braços do ruivo. Os olhos se voltam para o relógio em seu celular, o que aponta a meia noite.
Sorri, deixando um beijo na mandíbula quadrada.
É tão bonito, tão diferente, tão grandioso, que ela nunca irá se esquecer do brilho do sol à meia-noite.
Ainda mais estando ali, com eles. Com Edward!
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