Desafios
22 Heaven
Notas iniciais
Enrolando-se no roupão felpudo, Bella deixa seus olhos correrem pelo corpo nu de Edward, esparramado na cama.
Tiveram uma longa e deliciosa comemoração de um mês de namoro.
No início fora tudo regado com bastante romantismo e carinho, contudo assim que o prazer e a luxuria começaram a subir por seus corpos, o casal deixara a selvageria lhes dominar novamente.
Ri baixo, passando os dedos nos cabelos.
Podia ser romântico, mas sempre, sempre seria selvagem.
Caminhando até a cama redonda, deixa um beijo nos cabelos ruivos ainda humedecidos, pelo banho recente.
Não deixa de reparar na expressão relaxada na face do Cullen. Assim, com os lábios formados em um biquinho, e os olhos fechados, ele parece um menino.
Suspirando se afasta, dirigindo-se até a sala de TV unida com uma bela e equipada cozinha moderna.
Nunca tinha entrado em um iate antes, e realmente se encantara com o luxo do barco.
Deixa seu corpo cair no sofá preto, relaxando sobre o estofado.
É incrível como anda se sentindo tão bem e relaxada.
Sua vida mudara por completo com a chegada de Edward. Pode até dividi-la em duas partes, antes de Edward; depois de Edward.
Cruza as pernas, arrumando-as por baixo de seu corpo, pegando uma das almofadas decoradoras a arruma sobre o colo.
Realmente, contar ao moço sobre seu passado caótico a deixara mais livre, tirara aquele peso de suas costas e pela primeira vez, desde o ocorrido, se sente pronta para seguir em frente.
Obviamente, tendo Edward ao seu lado.
Na verdade, não consegue se imaginar sem aquele ser lindamente irritante e provocador. E, mesmo estando com ele a mais de um mês, ainda não consegue acreditar que ele é só dela.
Abre um sorriso nos lábios, com o pensamento.
Dela e de mais ninguém.
Mesmo não admitindo, a moça sente um ciúmes gigante pelo ruivo. Ainda mais quando se trata da ex, Tânya. E o pior é que o ruivo sabe disso.
Cruzara apenas duas vezes com a loira pelos corredores, desde que soubera sobre o envolvimento que a oncologista teve com o Cullen.
A cumprimentando cordialmente, não deixara de reparar no corpo escultural, nos cabelos dourados, ou nos olhos de um azul intenso.
E sem querer admitir, a médica é linda. Dona de uma beleza digna de passarelas.
Chacoalha a cabeça, se relembrando das palavras de Esme.
“Linda por fora; repugnante por dentro.”
Mesmo adorando ouvir a sogra dizer isso, da ex-nora ficara um bom tempo se perguntando o porquê de tal afirmação.
Realmente Tânya tem um ar esnobe, é pouco carismática e particularmente metida, mas esses fatos, não são o suficiente para torna-la repugnante... Ou são?
Morde a ponta da unha, cismada.
—Ah! – exclama assustada ao sentir os lábios do namorado em seu pescoço. Virando-se para trás, cerra os olhos ouvido as risadas preguiçosas. —Besta, você me assustou. – cruza os braços, enquanto ainda sonolento, ele deita a cabeça em seu colo.
—Não foi minha intensão. – responde beijando a coxa da morena. —Porque saiu da cama? Teve algum pesadelo? –
—Não amor, perdi o sono. – sorri embrenhando seus dedos nos fios cobres. —Mas e você? Estava praticamente desmaiado quando sai de lá. – vendo os orbes claros girarem ela ri.
—Depois eu que sou exagerado... – solta pensativo, abraçando a cintura da morena. —Não consigo dormir sem você. –
—Exagerado e manhoso. – se abaixando deixa um beijinho na face máscula. —Claro que consegue dormir sem mim. –
—Consigo não. –
—Claro que consegue, Edward. –
—Consigo quando eu quero, mas hoje eu não quero dormir sem você... Aliás, eu não quero ficar longe de você, porque eu aceito ficar acordado com você, madrugada a fora... – abrindo um sorriso safado, ele corre os dedos até a virilha da Swan.
—Ah que bom, eu estava querendo assistir Titanic mesmo... – retirando a mão grande de suas pernas, ela brinca. —E pode parar com essa mãozinha, você me deixou dolorida. –
—A culpa é toda sua amor... Ninguém mandou você ser tão irresistivelmente gostosa. – pisca para a morena. —E não, se formos ficar acordados eu quero assistir algo mais picante como, Garganta Profunda. –
A risada da morena sai alta, fazendo seu corpo chacoalhar no sofá.
—Você é tão bobo. – gira os olhos se pondo de pé. —Vem vamos dormir... – estica a mão para ele.
—Porque? Agora eu quero ver filme. – cruza os braços, parecendo uma criança birrenta.
—Ok, amor. – concorda se virando. —Então eu vou dormir sozinha. – caminhando lentamente em direção ao quarto, ela para soltando as fitas do roupão para deixa-lo cair por seu corpo.
Ficando nua a frente do ruivo, morde os lábios ouvindo os passos rápidos do namorado em sua direção.
[...]
Deitada na proa do iate, Bella sente a pele ser banhada pelos raios de sol. O leve chacoalhar das ondas, a deixaram enjoada de início, contudo agora ele só contribui relaxando-a ainda mais.
Ajustando os óculos escuros no rosto, se senta por alguns segundos, apenas para borrifar mais protetor solar em sua pele.
Voltando a se deitar, encara encantada o céu azulado. O auge da primavera rolando junto com a brisa marítima, se misturando com o canto de gaivotas, e os barulhos das ondas.
Tão perfeito!
Suspira, antes de ser surpreendida por um Edward completamente encharcado.
—Já disse o quão sexy você fica de biquíni? – sorrindo safado, ele deita sobre a namorada, que fecha a cara em uma careta.
—Edward seu besta, você está molhado e gelado... Sai de cima de mim! – sem sucesso o empurra.
—E você quente e absurdamente gostosa, como quer que eu não te agarre? – deixando dois beijos no colo da Swan, ele a encara com o aquele já conhecido, sorriso torto.
Não deixa de retribuir, ao vê-lo tão encantador. Os cabelos que mesmo pingando, permanecem numa desordem incrível, tendo alguns fios colados na testa.
Mordendo o lábio inferior, leva sua mão até os fios, os agitando. Ri de leve ao receber pequenas gotinhas de água em seu rosto.
—Está precisando cortar o cabelo. – fala, tentando empurrar as madeixas acobreadas para trás.
—Por que? – ele pergunta, rocando os lábios nos de Bella.
—Por que está grande, amor. – rola os olhos, enlaçando os braços no pescoço do ruivo.
O sorriso na face de Edward se abre ainda mais, assim como os olhos que se tornam mais brilhantes.
—Que foi? –
—Que foi, o que? – sem entender ele a faz rir.
—Você que abriu um sorriso igual ao do gato de Cheshire... –
—Engraçadinha. – rolando os olhos ele a beija estalado no pescoço. —É que eu gosto quando você me chama de amor. – encarando-o Bella ri alto ao vê-lo corar.
Tão encantador!
Pensa, apertando as bochechas levemente vermelhas.
—Own, ficou com vergonha? – negando com a cabeça ele permanece em silencio. —Que fofinho... – segurando na face bela, ela deixa vários beijinhos pela pele ainda húmida.
—Não fiquei com vergonha... – escondendo o rosto no vão do pescoço da namorada ele murmura, os lábios roçando na pele macia. —Mas eu sou fofinho mesmo. –
Com os dedos embrenhados nos fios cobres a moça ri alto.
—E muito humilde. –
—Fico feliz por ver que você já me conhece amor. – pisca para ela beijando-lhe a ponta do nariz.
—Não tão bem, nunca imaginei que soubesse dirigir iates. – brinca encarando-o divertida.
—Todos nós temos segredos. – deixando um casto beijo nos lábios da Swan, Edward se levanta.
—Quanto mistério... – rola os olhos esticando o braço, em busca de ajuda do namorado.
Puxando-a num impulso, o Cullen a abraça pela cintura para deixar um rápido beijo na testa coberta pela franja.
—Está com fome? –
Pondo os óculos sobre a cabeça, ela o olha. O sol batendo contra a faz cerrar levemente os olhos. Não prende o suspiro ao observar os traços tão perfeitos do ruivo.
—Sim. – responde baixo. —Espero que você tenha comida congelada aqui. – murmura celando os lábios no peito desnudo, antes de se afastar.
Pegando o vestido de véu branco, a moça o veste.
—Por que? –
—Por que eu só sei preparar isso... – dobrando a toalha ela morde os lábios pensativa. —Bom e o macarrão com queijo que depois da minha última tentativa... – deixa a frase no ar ouvindo os risos de Edward.
—Não se preocupe Zangadinha, eu irei preparar nosso almoço. – olhando-o por sobre o ombro, volta suspirar com a visão do namorado vestindo apenas uma sunga.
Mordendo os lábios tenta reprimir os pensamentos nada próprios, banindo com certa dificuldade a imagem tentadora do ruivo cozinhando.
[...]
Apoiando o cotovelo no balcão, Bella mantem os olhos fixos nos músculos dos bíceps fortes de Edward. Prende a unha entre os dentes, respirando profundamente ao se relembrar de como aqueles braços a envolvem. Forte, carinhoso, e deliciosamente provocante.
—Assim que voltarmos, eu vou até sua casa. – cortando os tomates em pequenos cubos, o moço fala. Os olhos verdes fixos na faca prata. —E vou jogar fora toda comida congelada que encontrar. – completa secando as mãos num pano bordado, após terminar de picar as frutas.
—E eu posso saber o porquê disso? – cruzando os braços, o encara.
—Ora porque, primeiro você se entope de cafeína, só come fast food no almoço, isso quando come. – narra as explicações a namorada pacientemente. —E no jantar, quando deveria comer algo saudável não, come comida congelada que é cheia de conservantes. –
—Me alimento assim desde... Desde sempre, e estou muito bem. – empina o queixo para o ruivo que após tampar a panela de vidro, se dirige até ela.
—Problemas com o sono, enxaquecas, palidez e tireoide... Isso é estar muito bem? – deixando-a de frente, Edward a abraça pela cintura beijando carinhosamente a têmpora da jovem.
—Eu deveria demitir a Ângela, só para ela aprender a manter a língua dentro da boca. – bufa alto mostrando o quão emburrada está. —E já normalizei minha tireoide, ok? Pode perguntar para o doutor que... –
—Hey amor, eu acredito em você. – interrompendo-a ele deia um rápido beijo no lábios fartos. —Só estou cuidando de você, e o próximo passo é garantir que a senhorita se alimente melhor e se mantenha longe de cafeínas, comidas rápidas, e conservantes. –
Encostando a testa no peitoral desnudo do namorado, a jovem suspira. Mesmo ainda emburrada, não deixa de se encantar com a preocupação que ele demonstra.
Não apenas com sua alimentação torta, mas sim com tudo. Coisas simples, detalhes pequenos... Nada passa despercebido por aquelas grandes e brilhosas esmeraldas.
—No que a minha fisioterapeutas preferida está pensando? – entrelaçando os braços no pescoço dele, sorri de canto.
—Como seria minha vida sem você. – meio constrangida responde, se colando ainda mais nele.
—Bom, não sei te responder isso amor, mas.... – a moça suspira profundamente ao receber um rápido beijinho na ponta do nariz. —Vamos lá, feche os olhos. –
—Para que? – sem entender ela questiona.
—Vai amor, fecha. – ele volta a pedir, a voz mansa esbanjando carinho.
Exalando o ar pelos lábios, a morena atende ao pedido do homem.
—Pronto. – anuncia se arrepiando pela leves mordidas de Edward em seu pescoço.
—Agora me responde, o que você vê? –
—Nada. – a palavra sai dos lábios da Swan sem esforços. Um silencio breve toma o casal.
—Perfeito. – o Cullen murmura, colando sua testa na de Bella.
—Perfeito o que? Não entendi. –
Rindo, ele os une ainda mais.
—Só te mostrei como seria a minha vida sem você. –
Olhando-o a moça permanece alguns segundos sem compreender as palavras do ruivo, até exibir um grande sorriso nos lábios.
—Você e seu romantismo carta. – brinca em meio a um suspiro.
—Já disse que a culpada é você. – selando um rápido beijo na testa da Swan, ele a puxa para um abraço apertado. —Gosto de você, Zangadinha. – as palavras sussurradas no ouvido da morena a deixam arrepiada.
Embrenhando as mãos nos cabelos acobreados, a moça fecha os olhos se deliciando com a afirmação do ruivo.
Suspirando mais uma vez, toma folego antes de proferir.
—Também gosto de você, ruivo chato. – sorrindo os dois se encaram por segundos, antes de comprovarem com um beijo que o sentimento que os une, vai muito além do ‘gostar’.
[...]
Ainda enrolada no roupão curto a moça passa os olhos na pilha enorme de CD’s. Organizados em ordem alfabética Bella já perdera as contas em meio a tanta música.
—Não entendo o porquê de você ter tanto CD. – profere voltando a colocar uma das capinhas em seu devido lugar.
—Gosto de dormir escutando música. – olhando-o por cima do ombro a jovem arqueia as sobrancelhas.
—Sei... E porque quando eu vou dormir na sua casa você não põe? –
—Amor quando você vai dormir lá nós escutamos coisas bem mais interessantes que as minhas músicas... – rolando os olhos, Bella sente os braços fortes do ruivo rodearem sua cintura.
—Ah é? O que por exemplo? – se fazendo de desentendida, ela o questiona. Os olhos castanhos ainda presos nos CD’s.
—Hmm, seus gemidos, sua voz manhosa e arrastada pedindo por mais. – fechando os olhos por alguns segundos a Swan sente todo o corpo se aquecer. —Coisas assim amor. –
—Você é tão besta. – puxando o ar pela boca, o empurra com o braço.
Ouve os risos alto do Cullen, bufando.
—Você quem pediu para eu dar exemplos. – justifica se fazendo de inocente.
—Aham... – chacoalha a cabeça, parando enfim de olhar os CD’s no painel.
—Desistiu? –
—Sim. – responde fazendo um leve biquinho. —Qual o seu CD favorito? –
—Se eu te disser que eu gosto de todos vai ficar meio vago? –
—Vai. – afirma com a cabeça rindo com o namorado.
—Bom, um CD favorito eu não tenho... Mas tenho uma música. – murmura deixando pequenos selinhos na boca da fisioterapeuta.
—Qual o nome? – deitando a cabeça no peito forte, abraça a cintura do namorado aproveitando a sensação de estar envolvida por aqueles braços fortes.
—Heaven. – suspirando ela permanece em silencio. —Ela me lembra você. –
—Eu? Por que? – não deixa sorrir ao olhar para Edward.
—A letra, eu sei lá... Escutei ela e lembrei de você, então se tornou a minha favorita. – se pondo na ponta dos dedos, ela o beija rapidamente.
—Quero ouvi-la. – diz empolgada.
Deixando um rápido beijinho nos lábios da Swan, ele se afasta caminhando até o painel de madeira clara. Rapidamente acha o CD, colocando-o no sistema moderno de som.
Correndo os dedos nos painéis digitais, logo ele encontra a música que em instantes preenche o ambiente com seus toques.
Sem jeito ele coça a nuca bagunçando ainda mais os fios revoltos, enquanto Bella suspira encantada com os acordes iniciais da canção.
—Essa frase: There was only you and me (Só existia eu e você), é exatamente como eu me sinto quando estamos juntos. – falando baixo, ele caminha até a morena.
Os olhares conectados.
—Ouve muito essa música? –
—Sempre. – a apertando mais em seus braços ele a beija demoradamente.
Infiltrando o rosto no vão do pescoço do namorado, a jovem sente os dedos longos desfazerem o nó do seu roupão.
Se afastando poucos centímetros ela deixa a peça cair, formando um bolo em seus pés.
Vestindo apenas uma calcinha ela volta a se apertar nele, os lábios se conectam ao mesmo momento em que o refrão da música embala o cômodo.
And Baby you're all that I want
(Querida você é tudo que eu quero)
When you're lyin' here in my arms
(E quando você está deitada em meus braços)
I'm findin' it hard to believe
(Quase não consigo acreditar)
We're in heaven
(Que estamos no paraíso)
And love is all that I need
(E amor é tudo o que eu preciso)
And I found it there in your heart
(E encontrei em seu coração)
It isn't too hard to see
(Não é tão difícil de ver)
We're in heaven
(Que estamos no paraíso)
Embalados pela música envolvente, os dois acabam de despir lentamente. Um apreciando o paraíso que é estar com o outro.
Perdidos se encaminham para o sofá, onde os corpos quase se tornam um, de tão unidos.
Os beijos, os toques, os olhares... Cada vez mais cúmplices, mais apaixonados.
Logo os gemidos altos se misturam com os toques suaves da canção, e em mais um momento mágico os dois chegam ao clímax, juntos.
Ainda ofegante, permanece deitada sobre o namorado. Os braços o envolvendo.
Suspira sorrindo de canto, sem conseguir imaginar um lugar melhor para se estar.
Once in your life you find someone
(Uma vez na vida você encontra alguém)
Who will turn your world around
(Que vira sua vida de ponta cabeça)
Bring you up when you're feelin' down
(Que te anima quando você está mal)
Now nothin' could change what you mean to me
(Agora nada poderia mudar o que você significa para mim)
—Acho que esse música descreve bem, aliás muito bem você para mim. – apoiando a cabeça na mão, ela o olha.
—Hmm... – com carinho, ele retira os fios de cabelo castanho, preso na face suada. —Por que? –
—Porque quando você virou minha vida de cabeça para baixo, me deixa feliz... Porque você é tudo que eu quero, e quando eu estou com você, eu estou definitivamente no paraíso... Quase não consigo acreditar que é real. – declara vendo as esmeraldas do ruivo brilharem ainda mais.
—Mais é real amor, muito real. – segurando o rosto dela entre as mãos ele a beija, levando-a novamente ao mais alto prazer daquele pequeno paraíso particular.
Fale com o autor