Desabrochar
1 Você colhe o que planta
Notas iniciais
Após a guerra contra Hades e irem ao socorro de Asgard, por benevolência dos Deuses ou apenas por um capricho sádico das moiras tecendo seus eternos fios, todos os cavaleiros de ouro estavam vivos e mais importante do que isto, estavam felizes.
Havia paz, Saori agora estava a frente da fundação Graad e tinha como objetivo principal ajudar ao máximo as crianças. Cuidava de tudo com muito amor e dedicação, criou uma escola para os novos aspirantes, agora além de moradia as crianças tinham estudo e eram assistidas de perto, aboliu o uso das máscaras que era obrigatório pelas Amazonas e instituiu até mesmo um "salário" a seus cavaleiros, que nenhum deles ousava colocar defeito.
Não demorou muito para que todos se adaptarem, e até gostassem dos novos tempos, reerguendo suas vidas e suas novas casas, o que tornou os arredores do santuário bem agitado com os novos vizinhos. Todos estavam casando, tendo filhos, viajando ou se dedicando a novas profissões mas algumas coisas não mudam.
Dohko havia se tornado o grande mestre, apesar de ter sido contra quando foi indicado ele acabou aceitando e fez um ótimo trabalho. Era um homem justo, trabalhava muito e seus anos de vida davam a ele a vantagem inalcançável da experiência, o que não lhe tirava o bom humor. Junto ao grande mestre agora havia sido criado um concelho que era composto por Mu, Aiolos, e Shaka. Assim a vida no santuário foi se reerguendo aos poucos e a previsão era de dias gloriosos pela frente.
Saga com o tempo conseguiu se perdoar, e ser perdoado, mas mesmo com a oferta feita pela própria Saori ele não quis se juntar ao concelho, agora estava encarregado da grande biblioteca e esta foi a coisa mais certa que já havia feito em toda a sua vida já que amava estar entre os livros.
Camus tinha avivado sua paixão pela pintura, chegou a conclusão que já tinha tido muitos pupilos e lutado todas as batalhas, quis ajudar os novos aspirantes ministrando aulas de arte, inclusive voluntárias dentro da fundação, e por incrível que pareça as crianças o adoravam e o sentimento era recíproco.
Aldebaram, Milo e Shina, junto com Aiolia e Marin, que haviam se casado, decidiram ajudar no treinamento dos novos aspirantes a cavaleiros, de certo modo era revigorante estar entre tantos rostos e energia nova.
Shiryu tinha se casado com sua doce Shunrei e esperavam sua primeira filha, em contrapartida Seiya acabara de se casar com Saori e agora eram bons e alegres vizinhos.
Shun também havia se tornado vizinho dos irmãos de armas e estava estudando para se formar médico, havia trazido June para morar com ele, estavam juntos e felizes sempre procurando ajudar cada vez mais dentro do santuário.
Ikki decidiu que queria viajar o mundo como a ave solitária que era, porém ainda atendia as chamadas diária do seu irmão com alegria aonde riam e conversavam por horas.
Hyoga por outro lado descobriu que era um ótimo artista, sua aparência nórdica também ajudava, e agora fazia filmes pelo mundo todo.
Anos após as guerras Shura havia ficado responsável pelas aulas de história para os aspirantes, havia parado com seu calvário pessoal e pedido perdão a Aiolos, isto tinha lhe tirado um peso incalculável dos ombros e o permitiu ver a vida com outros olhos, o que ele não contava é que seus olhos iriam se cruzar com um belo par de olhos verdes que pertenciam a doce e singela dona do bar que ele sempre ia afogar suas mágoas, estes olhos pertenciam a Rosália, uma mulher esbelta de cabelos negro e ondulados como o mar noturno, vestindo sempre seu vestido que ia até abaixo dos joelhos, com um doce sorriso nos lábios e paciência que parecia ser infinita pronta para atender e acalentar o pobre, e bêbado, Shura a maior parte das vezes. Não precisava ser o melhor dos observadores para adivinhar que ele logo estaria nas mãos dela para todo sempre e com os anos este amor acabou se tornou ainda forte, tomando mais forma, forma de duas belas crianças. Arthur era um garoto animado de 7 anos que tinha os olhos escuros unido aos cabelos rebeldes do pai, já Serena era uma doce menininha de 5 anos que apesar dos cabelos rebeldes como os irmão e do pai, havia herdado os olhos esmeraldinos e iluminado da mãe.
A felicidade é diferente para cada um e para o cavaleiro de câncer a felicidade era ensinar sobre a psiquê do cosmo de dia e a noite beber muito e entrar em algumas brigas eventualmente, não conseguia ficar sem se intrometer quando ouvia algum comentário retardado na mesa do lado ou quando via homens abusando das garçonetes do bar, isto o acabava levando sempre a acordar em algum beco sujo ou na enfermaria do santuário, preferia sem dúvidas a enfermaria. Estes hábitos acabaram trazendo algo para si que nunca tinha imaginado, amor, pois quando percebeu já havia caindo nas graças da bela Fatma, a melhor enfermeira do santuário que com seus lindos cabelos castanhos e olhos âmbar, unido a uma personalidade forte, muito forte, acabou por domar o cavaleiro mais cruel e sádico de todo o santuário. Tudo isto parecia surreal para o italiano, ele não se imaginava capaz de amar e ser amado mas quando achava que estava no ápice da felicidade o destino acabou por presenteá-lo com mais: Três crianças maravilhosas, suas jóias preciosas como ele mesmo gostava de se gabar. Enrico era o mais velho com seus 8 anos, parecia muito com seus pai já que tinha os cabelos revoltos e olhos de um azul profundo, já suas irmãs Luna e Nina, gêmeas de 6 anos, tinham os cabelos castanhos da mãe mas ainda ostentavam belos pares de olhos azuis igualmente profundos como o irmão e o pai.
Os marinas também haviam sido perdoados e Kanon havia se redimido, verdadeiramente, agora estava retomando aos poucos a relação com seu irmão, o que o levou a trabalhar junto com ele na biblioteca, Saga não gostou no começo mas se acostumou, Kanon era bom para organizar as prateleiras e fazer o serviço pesado. Esta tarefa quase impossível o fazia passar muito tempo no santuário e consequentemente isso o aproximou dos demais cavaleiros, em especial máscara da morte já que os gostos por beber até amanhecer e arrumar alguma confusão eram bem compatíveis, particularmente Saga ficava fora de si de tanta raiva quando Kanon passava a noite fora e ele era obrigada a buscar o irmão na delegacia ou em algum beco mas é como diria o ditado: família a gente não escolhe, vem de brinde. O gosto peculiar fez com que ele se tornasse amigo não só do máscara da morte mas de Shura e Afrodite também. A vida mudou um pouco quando Tetis acabou vindo para o santuário, ela queria fugir de toda aquela história da guerra e principalmente esquecer seu amor não correspondido por Julian, já que não tinha para onde ir e Kanon era a coisa mais próxima que tinha de um amigo ela acabou aceitando sua proposta para a mudança de ares vindo de mala e cuia dividir um pequeno apartamento com o “colega de trabalho”, obviamente a convivência diária e por Kanon, apesar de tentar não demonstrar nada além do seu lado despreocupado e brincalhão, no fundo era muito atencioso e queria ver a amiga feliz sem sofrer mais por aquele amor impossível. Foi fácil no começo mas logo descobriram uma química entre eles que era inegável, o que acabou juntando necessidade a vontade, isto logo se converteu em longas noites juntos e algum tempo depois nenhum dos dois queria mais ir embora, ainda mais depois da chegada do pequeno Jack que apesar dos seus 7 anos já era a pequena semente da discórdia entre seus amigos, sempre arrumando confusão e pregando pegadinhas em todos, seu temperamento contrastava bastante com sua aparência angelical de cabelos loiros e olhos azuis.
Afrodite também estava satisfeito, cuidava de todos os jardins do santuário, o que inclui desde as rosas mais lindas até as venenosas e perigosas, o que o leva a ministrar aulas pontuais sobre botânica. Devido a sua beleza e desenvoltura tinha a pessoa que quisesse a seus pés, tinha dinheiro graças a Atena, uma boa casa, seus vizinhos eram seus melhores amigos, amava seus afilhados e mesmo nos dias mais quentes ou nas noites mais frias todos estavam lá, juntos, aproveitando a vida e se deliciando com a risada das crianças que preenchiam aquele lugar com alegria.
Mas ainda faltava algo e ele não sabia o que era.
Ainda.
Fale com o autor