Notas iniciais
Oi, oi, oi, gente! tudo certo com vocês? Primeiro de tudo, eu quero me desculpar pela demora pra postar! Eu realmente sinto muito! Eu sei o quanto é complicado esperar por uma atualização... Mas isso fez parte de um acordo comigo mesmo: nunca postar um capítulo com o qual eu não estivesse satisfeita. Eu fiz isso, uma vez, nessa fic, e me arrependi depois. =( Acho que é injusto com quem lê. Então, quando vi que não estava sendo capaz de produzir algo que sequer me deixasse satisfeita, resolvi respirar fundo e escrever um pouco mais até ficar satisfeita, mesmo que demorasse um pouco mais... Então, sinto muito, gente seduzente! Não me matem! =D Depois do desabafo da autora que tem dificuldade de escrever cenas de ação (cof cof), eu quero agradecer infinitamente os comentários e os favoritos da fic! Vocês são muitíssimo fofos e doces! *.* A todo mundo que comentou, peço um pouquinho mais de paciência, eu vou responder logo que terminar de postar este capítulo! =D Sério, vocês são uns amores! (minha regra é sempre responder primeiro e postar depois, mas dessa vez eu acho que o melhor que posso fazer para me redimir é postar logo...rs!) beijo, beijo, *.* Bom final de semana para vocês! Yuki ps. eita, já tá enorme este bagulho! Mas ainda preciso dizer que o personagem que aparece neste capítulo é original! Ou seja, nada dele na obra original.

Sete erros



Izaya

– Quero um serviço seu. – disse simplesmente e ouviu uma risada satisfeita do outro lado da linha, incentivando-o a prosseguir. – O ator Yuhei Hanejima. Acha que consegue passar pelos seguranças dele? – mais uma risada e então a confirmação de aceite do trabalho.

Desligou o telefone e o encarou em suas mãos.

Não era um direito de Shizuo virar seu mundo de ponta-cabeça.

Ele tinha certeza da decisão que tomara, mas sua luta por fazer suas mãos pararem de tremer continuava. A luta por tentar convencer seu corpo em aceitar a decisão que sua mente tomara permanecia intensa.

Ao mesmo tempo, essa era a situação mais inusitada de todas. Orihara Izaya não tinha esse tipo de dúvidas, nunca antes esse tipo de correntes o havia prendido. Moral? Dever? Respeito? Isso nunca fora um problema.

Mas, agora, seu peito gritava como era errado e como ele não devia fazer o que havia decidido. Na verdade, essa era a primeira vez que seu peito gritava algo a ele. Era a primeira vez que seu peito, seu estômago e suas mãos discordavam dele e não o suportavam em uma de suas ideias.

Um dia ele leu ou ouviu em algum lugar que se não gosta de algo, deveria simplesmente não se importar.

Uma vez Shinra lhe contou que quando ele gostou de uma garota no fundamental, ele puxava as tranças dessa garota até que ela chorasse e fugisse dele.

Uma vez ele assistiu a uma briga de casal que dizia coisas cruéis com lágrimas nos olhos, mãos tremendo e voz embargada.

Ele conhecia estas histórias. Conhecia o que elas escondiam trancadas a sete chaves.

Amor e ódio como duas faces de uma moeda.

Declarar-se a alguém era jogar a moeda pra cima e torcer para que ela retornasse às suas mãos com a face certa virada para cima.

Consequentemente, relacionamentos eram um jogo de azar com chances de 50% a 50%.

Mas, tanto quanto agora ele tinha certeza que Shizuo o amava, ele sabia que queria o outro lado da moeda.

Se Shizuo tinha escolhido um dos lados, ele, sem sombra de dúvidas, escolheria o outro. Afinal, era sempre assim, não era? Como opostos, era sua obrigação apostar no contrário.

Se a moeda já havia sido lançada e ele não podia fugir à responsabilidade de escolher um lado, escolheria, sem medo ou hesitação, o ódio.

Com um sorriso nos lábios observou como, gradativamente, suas mãos paravam de tremer.

– Vou trazer o ódio de volta à força, Shizu-chan...



****

Shizuo

Shizuo sabia que aquele era um caminho sem volta. Não importava o que fizesse ali, nada voltaria ao normal. Não era como se pudesse esquecer aqueles sentimentos... Sabia que eles não aceitariam ser sufocados. Ainda que conseguisse escondê-los de todos, eles ficariam sempre ali, à espreita, esperando a hora de voltar à tona e bagunçar tudo mais uma vez.

Agora que pensava sobre isso, essa era, sempre, a razão por sua impulsividade. Ele sempre fora incapaz de se conter.

Sempre fez o que queria sem pensar duas vezes no que aquilo traria.

E sempre se afundou cada vez mais em seus erros, incapaz de fugir das consequências de sua impetuosidade.

Entretanto, nunca antes se sentira num caminho sem volta. Nunca se sentira tão privado de sua liberdade de escolher, nem mesmo quando fora preso acusado injustamente. Preso por culpa de Izaya.

Riu desgostoso e acendeu um cigarro, levando-o aos lábios num longo trago.

Preso por culpa de Izaya. Era irônico como essa constatação podia ter sentidos diferentes. Achava até que era algo consideravelmente perigoso se envolver com alguém com quem a palavra “preso” tenha mais de um significado.

Mas, desta vez, sentia-se idiota.

Da vez que fora literalmente preso por culpa de Izaya, ele sabia ser inocente. Sabia que não tinha culpa alguma e que não poderia ter feito algo para impedir sua contenção. Mas agora...

“Quem é idiota o suficiente para dar a chave das próprias algemas para o seu pior inimigo?”, pensava num tom que se tentava raivoso, mas parecia, antes de tudo, ressentido.

– É algum tipo de piada, na verdade. – exclamou, incapaz de conter a própria voz, que saia num rosnado.

Estranhou o som da própria voz. Era a primeira vez que falava em horas. Mesmo sem intenção, lembrou-se que a última vez que falara fora para pedir que Izaya ficasse. Talvez fosse exatamente por esse motivo que resolvera calar-se nas horas seguintes... Sabia que, se falasse, provavelmente diria alguma outra merda.

– Eu não me importaria se você ficasse. – repetiu, provando se a voz soaria tão limpa e segura como da última vez que proferiu estas palavras.

Não se espantou como elas ainda pareciam verdadeiras mesmo depois de repetidas pela quarta vez.

Com outro trago em seu cigarro lembrou-se como pensara em correr atrás de Izaya quando ele saiu de seu apartamento. Queria mais do que podia traduzir em palavras que o informante aceitasse seu pedido como uma ordem e ficasse, queria obriga-lo a ficar, obriga-lo a aceitar seus toques, obriga-lo a explicar qual era o sentimento que sentia explodir dentro dele e que ele mesmo não entendia – achava que Izaya, como um bom informante, teria alguma informação válida sobre aquilo. Mas, dessa vez, diferente das outras, venceu seu impulso e conteve-se, em espera. Talvez mais por medo do que representaria ir atrás de Izaya e obriga-lo a ficar do que por respeito a decisão do informante de ir.

Estaria mentindo, também, se dissesse que se ofendeu pelas ofensas gritadas por Izaya. Na hora não se ofendera porque realmente não via ou ouvia nada além das batidas de seu coração pulsando fortemente em seus ouvidos, cego pela necessidade que tinha de que seu pedido fosse aceito. Mas, mesmo agora, depois de fumar sem pausa um maço inteiro de cigarros e acalmar-se, não podia deixar de não se importar com as ofensas que lhe foram dirigidas.

“Absurdo!”, “Você está enganado!” – repetia as palavras de Izaya.

– Eu não penso assim tão diferente de você, pulga. É claro que é absurdo. E, enganado? Ah! Eu não me importaria de estar! – disse em voz alta com raiva.

“Sequer é humano.”

– Sequer sou humano?! – Shizuo lembrava-se como Izaya não hesitava em chama-lo de monstro, dizendo em voz alta e diretamente a ele o que sempre ouvira aos cochichos pelas ruas de Ikebukuro. Normalmente se importava muito com isso, e se enraivecia subitamente à mera menção que Izaya fizesse em chama-lo dessa forma. Na verdade, seria enganoso pensar que esse xingamento em específico o ofendesse. Normalmente ele se enraivecia simplesmente ao ouvir a voz de Izaya, independente do que fosse dito. E então chegava ao outro ponto:

“Eu te odeio. Você me odeia.”

– Como se eu precisasse ser lembrado disso – proferiu carregando de ódio a voz.

Mas, internamente, pensava que talvez precisasse, sim, ser lembrado disso.

Onde fora parar o ódio que ele sentia por Izaya? Ele sentia como se ele ainda estivesse ali, misturado a centenas de outras coisas, confundindo-o, envenenando-o, consumindo-o aos poucos.

Ele odiava Izaya. Tinha certeza disso. E por isso mesmo sabia que tinha algo muito errado com o pedido que fizera ao informante.

Mas, o que mais o conturbava não era o ambíguo ódio que sentia por Izaya, mas o inegável ódio que Izaya sentia por ele. Izaya sequer hesitara a negar seu pedido e taxa-lo como absurdo. E, também por isso, sentia que não podia parar o informante depois deste ter decidido virar-lhe as costas.

– Shizuo — repetiu seu nome sem apelido algum, lembrando-se que justamente esta foi a última palavra de Izaya antes de ir.

Ele não se importava por ouvir seu nome pronunciado exatamente como devia ser feito, sem nenhum “–chan” irritante. Ele preferia que seu nome fosse dito exatamente daquela forma: Shizuo. Mas não pode deixar de sentir, no exato momento que o ouviu, que aquela não era a pronúncia correta de seu nome. Tanto, que no exato momento que ouviu aquele nome, teve que repeti-lo como que para se certificar que ele lhe pertencia.

Agora, com seu último cigarro nos lábios, lembrava-se de que aquela não era a primeira vez que fora chamado de Shizuo por Izaya. Mesmo que fosse uma memória meio incerta, apesar de recente, lembrava-se de já ter experimentado antes aquela mesma sensação de estranhamento ao ouvir seu nome. E fora justamente quando decidira matar Izaya, logo após o sonho com o informante. No momento no qual pegara Izaya e batera nele incansavelmente antes de larga-lo num beco e fugir, lembrava-se de ter sido chamado daquela forma.

Mais um trago em seu último cigarro, dessa vez, mais forte, como se para tragar junto a memória de sua mente.

Lembrava-se do contexto: Izaya havia nitidamente o chamado de Shizuo logo antes de perguntar se ele estava bem. Lembrava-se que estranhara ouvir seu nome perfeitamente pronunciado e sem qualquer resquício de ironia. Depois de lembrar-se do contexto, não precisou de mais esforço para lembrar-se do que acontecia e do provável motivo pelo qual Izaya chamou-o daquela forma: naquela altura, Shizuo havia acabado de perceber que não poderia matar Izaya e sem perceber, deixara algumas vergonhosas lágrimas escapar.

– E que merda, hein?!

Shizuo largou o cigarro no cinzeiro que jazia ao seu lado no chão, deixando-o ali, ainda acesso. Apoiou, posteriormente, a cabeça em ambas as mãos e entrelaçou aos dedos os fios loiros.

– Tudo começou lá, então?! – perguntou encarando o teto. Mas, mesmo que soasse como uma pergunta, o guarda-costas já não tinha quaisquer dúvidas de que tudo começara naquela fatídica noite na qual sonhara com o sangue do informante escorrendo por entre seus dedos.

“Depois de um sonho”, “depois de um sonho idiota”, pensou, “que maneira imbecil de se prender a seu inimigo, Shizuo!”, repreendeu-se.

Agora, com plena consciência do passo irreversível – e muito maior que suas pernas, ainda que pernas de mostro — que tinha dado, percebeu como, na verdade, tudo o que tinha feito desde a noite do sonho era andar ininterruptamente incontáveis passos na direção de Izaya. Era isso, e somente isso, que tinha feito. A cada passo prendia-se mais a Izaya, a cada passo estava mais perto de perder-se. Agora, irremediavelmente, sentia como se não houvesse mais o que ser feito. Não mais. Estava irreparavelmente preso. Não podia dar nenhum passo a mais.

Soltou os cabelos que até então segurava firmemente e olhou para o cigarro que descansava no cinzeiro, intencionando termina-lo. Com um muxoxo de desagrado, percebeu, entretanto, que seu cigarro tinha queimado até o fim.

– Preciso de mais cigarros.

Mas, mesmo que intencionasse deixar seus pensamentos presos a necessidade de comprar cigarros, ou tomar um banho, ou TV, ou a qualquer outra coisa que o livrasse de Izaya, a única coisa que sua mente se fixava era em imaginar qual seria o próximo passo do informante.

****



Izaya

– Conseguiu? – perguntou impaciente à pessoa do outro lado da linha.

Ele tentara durante toda a manhã controlar a angústia que tomava seu peito desde o momento que a voz do outro lado da linha confirmara o aceite do trabalho. Não era típico dele fazer o próximo contato após contratar alguém. Na verdade, o mais adequado era dizer que não era comum que Izaya contratasse alguém para um trabalho dessa forma. Normalmente, ele só contrataria alguém para que a pessoa ficasse em seu campo de visão, ou seja, de forma que ele pudesse observá-la ou testá-la. Essa era a primeira vez, portanto, na qual o motivo que o fez contratar alguém era o próprio trabalho a ser realizado e não o trabalhador que o realizaria. Dessa forma, era a primeira vez, também, que experimentava a importância de acompanhar de perto o trabalho a ser feito e a impaciência por saber tudo o que acontecia.

Entretanto, Izaya estava submerso demais em suas preocupações sobre o sucesso da missão dada à pessoa que se mantinha quieta do outro lado da linha para perceber a urgência em sua própria voz, se tivesse conhecimento deste tom, provavelmente se esforçaria a suprimi-lo, principalmente porque a silenciosa pessoa do outro lado da linha, diferente dele, era plenamente consciente do tom insistente que ouvia na voz de Orihara Izaya. Não que esta pessoa fosse particularmente observadora ou atenta às mínimas nuances no comportamento humano, longe disso, na verdade, essa descrição se adequaria melhor ao dono da urgente voz. Mas, ainda que não fosse uma grande analista, era impossível que não percebesse a ansiedade na voz do outro, ainda mais quando o “outro” era o informante de Ikebukuro. Por esse exato motivo, a pessoa se mantinha silenciosa do outro lado da linha, como que para confirmar e digerir o desespero que o — em sua opinião — homem mais perigoso de Ikebukuro demonstrava.

– Sim. Mas vou querer um aumento. Ele foi bem resistente. – Izaya ouviu a voz responder zombeteira e franziu as sobrancelhas.

– Discuto isso com você quando vê-lo. – Izaya sabia que tinha que manter aquela pessoa a rédeas curtas. Ele sabia que aquele “Ele foi bem resistente” era uma ameaça, uma prova de que aquele do outro lado da linha não blefava. Uma prova de que era, assim como Izaya, um jogador experiente que confiava nas cartas em sua mão, um predador em busca de vantagens. “Mas eu sei lidar com animais como ninguém, não é”, sorria para si mesmo.

Um riso abafado soou do outro lado da linha antes de uma nova resposta informando onde poderiam ser encontrados e uma promessa de que manteria “Yuhei-san quietinho esperando por ele”. Promessa que fez Izaya franzir novamente o cenho enquanto trancava a porta de seu apartamento, pronto a pôr-se em um taxi com direção a um galpão em Ikebukuro. O informante, entretanto, era incapaz de se focar no significado por trás da ameaça feita, tão submerso que estava em na ideia de verificar como seu alvo estava e em qual seria o próximo passo de seu plano.

O taxi parou a poucas quadras do local exato de encontro. Izaya sabia que seria um erro aproximar-se mais de carro. Nos 15 minutos que percorreu a pé, desejou intensamente que o olfato monstruoso de Shizuo não notasse sua presença, mesmo que tivesse quase certeza da impossibilidade de que o homem mais forte de Ikebukuro não o percebesse, ao mesmo tempo, porém, algo o dizia que, ainda que fosse notado, o guarda-costas não iria até ele... pelo menos, não naquele momento.

Abriu numa tentativa vã de silencio a porta do galpão, que rangeu alto em protesto.

– Informante-san, é uma honra conhecê-lo. – a voz grave que até então só conhecia por telefone chamou sua atenção a poucos metros de onde se encontrava.

Acostumando seus olhos à escuridão do galpão, que ainda que iluminado contrastava intensamente como o sol daquela manhã, Izaya fitou a sua frente um homem alto com cabelos castanhos presos em um desleixado rabo-de-cavalo e um grande sorriso rasgando seu rosto. No instante que pousou seus olhos naquele sorriso entendeu toda a fama por trás daquele homem: se não estivesse acostumado a lidar com aquele tipo de gente e situação, se não fosse Orihara Izaya, se não soubesse ser ainda pior que aquele diante de si, talvez se assustasse com a maldade que emanava daquele sorriso de dentes tortos. Um sutil sorriso de canto de lábios brotou nos lábios do informante, “Talvez eu possa me divertir com você também”.

– Ueno, o prazer é meu, acredite. – disse aproximando-se minimamente do homem que permanecia com o sorriso torto nos lábios.

– Oh! Devo dizer que estranhei bastante receber sua ligação. “O que o informante quer comigo?!”, pensei. – disse aproximando-se alguns passos a mais de Izaya, até que a distancia entre eles era de apenas poucos metros. Distância esta que, ambos sabiam, seria a mantida durante toda a negociação.

– Não deveria achar estranho! – Izaya respondeu levantando os braços em sinal de rendição e estendendo-os na direção de sua nova companhia. Este gesto era um necessário procedimento padrão antes do início de qualquer acordo, Izaya provava que não tinha em mãos quaisquer armas. Ao ver Ueno retribuir seu gesto, continuou a dizer – Você tem uma boa reputação por estas áreas. Eu me interessei por seus serviços.

– Informante-san. Ambos sabemos que “boa” não é uma palavra das mais adequadas para adjetivar minha reputação.

Izaya riu divertido. “Você é engraçadinho, hein?!”

– “Bom” é um conceito muito amplo, certo, Ueno-san?! O que é bom para um nem sempre é bom pra outro. Com a natureza de sua reputação, sabia que uma hora ou hora acabaríamos por trabalhar juntos. Você não acha? – Por mais acostumado que estivesse a aquele jogo de bajulação que prenunciava uma troca de serviços, Izaya se divertia em conhecer um pouco mais daquele homem que, realmente, apenas conhecia a reputação. Reputação que, definitivamente, não declararia “boa” em nenhum outro momento. Mesmo no submundo, a fama daquele homem não era das melhores. Mas este era exatamente o motivo que o fizera procura-lo no fim das contas.

– Concordo, informante! “Bom” para mim, por exemplo, seria dobrar o valor combinado. – retrucou o homem do sorriso torto com a voz coberta de divertimento.

– E ele está...? – perguntou Izaya ignorando a última frase do homem diante de si. Tinha que admitir que, mal o conhecera, já se cansara um pouco daquele homem e seu sorrisinho.

Ueno apontou para um lugar não muito longe de onde estavam, mais adentro do galpão.

Izaya caminhou lentamente até lá, passando por Ueno e virando-lhe as costas. Colocou ambas as mãos nos bolsos do casaco, sentindo em um deles seu canivete. Ao mesmo tempo, seu andar comprimia contra suas coxas as lâminas que carregava nos bolsos da calça. Sentir suas armas ali consigo eram a única forma de fazê-lo virar as costas para aquele perigoso homem que estava atento a cada uma de suas ações.

Após poucos passos, Izaya avistou um jovem amarrado a uma cadeira com uma venda nos olhos e uma mordaça. Aproximando-se mais, o informante viu como a corda que o mantinha preso agredia seus pulsos e tornozelos de forma que estes se encontravam quase em carne viva. Provavelmente o rapaz havia lutado consideravelmente contra as cordas antes de perceber que não poderia soltar-se. Seus olhos se desviaram das marcas nos pulsos e tornozelos para marcas de sangue na camisa branca. Seguindo a linha das manchas, Izaya encontrou machucados no tronco e rosto do jovem. Da forma como se encontrava, aquele amarrado à cadeira não lembrava nem de longe o rapaz que vira há poucos dias em um filme na TV. Longe de ficar satisfeito por vê-lo daquela forma, porém, o moreno sentiu que poderia lançar suas lâminas no homem que sabia estar a poucos metros de si encarando-o com um sorriso debochado.

Antes que desse por si viu-se segurando a mordaça e retirando-a da boca do rapaz, assistindo-o respirar mais pesadamente como que para recuperar todo o ar que deixara de inspirar por causa da restrição do pano. Mesmo após terminar de inspirar pesadamente, e talvez por sentir a atmosfera ao redor de si, o rapaz manteve-se calado, sem dizer palavra.

– Pensei ter dito para não machuca-lo. – disse sem virar-se para encarar Ueno, tentando seriamente conter a raiva que sentia crescer dentro de si. Raiva que atribuía, unicamente, ao fato de que o outro havia desrespeitado uma ordem direta sua – Ueno-san, não gosto quando não cumprem o contrato corretamente. – emendou virando-se para encarar o homem atrás de si.

– Eu disse... ele se debateu bastante e resistiu consideravelmente à captura... – respondeu o homem de rabo-de-cavalo, levantando os braços como se dissesse “Eu não tive culpa, ele que pediu por isso”.

“Também não vai ser culpa minha se uma lâmina minha entrar no seu olho, desgraçado”, pensou torcendo os dedos em volta de seu canivete, ainda com uma das mãos no bolso do casaco.

– Bom. O que está feito está feito – disse encarando Ueno e forçando uma expressão de “Não se pode fazer nada”, mesmo que esta contradissesse tudo o que sua mente gritava a ele – Mas eu precisava dele inteiro para fazer a transação. Então, nada daquele aumento... – respondeu com um verdadeiro sorriso sarcástico nos lábios, satisfeito de que pelo menos isso não seria discutível.

O sorriso torto nos lábios de Ueno sumiu visivelmente diante da última frase dita por Izaya, mas não demorou muito para que ele voltasse a seus lábios, ainda mais intenso.

– Sabe, informante-san... – começou a dizer, com a voz que exalava empolgação – você disse sobre minha reputação... Mas eu também conheço bem a sua... – o homem torcia os dedos das mãos, como se incapaz de conter a crescente animação que tomava seu corpo – Você é, aparentemente, o pior daqui! Dizem que você tem tudo sobre controle e que está sempre fazendo joguinhos com todos. Por isso, como eu disse, me surpreendi quando você ligou... – Ueno encarava Izaya profundamente, alargando seu sorriso e levantando cada vez mais o tom de sua voz -... não pela ligação, eu digo, mas pelo seu pedido e pelo tom de sua voz. No começo, eu pensei que você estava me testando e que você contratar meus serviços era só uma forma de brincar comigo. Afinal, sequestrar Yuhei Hanejima? Você poderia fazer isso por você mesmo e com muito mais eficácia que eu, pelo que sei. Na verdade, pelo que conheço de seus serviços, você poderia subornar algum dos agentes dele e consegui contato com ele com muito mais facilidade que eu, que tive que encarar seguranças e trazê-lo se debatendo para cá. E, de qualquer forma, aparentemente eu só consegui chegar perto dele porque você descobriu os horários dele e conseguiu ameaçar alguém para facilitar o trabalho. Ou seja, eu nunca conseguiria sozinho... Dai eu pensei: por que você não fez isso por você mesmo?

Izaya encarava o homem diante de si, sorrindo freneticamente enquanto vomitava esse monte de suposições. Mesmo sem dar conta de si, o informante moveu institivamente seu corpo na direção do rapaz na cadeira, como que para barrar o caminho entre o homem de cabelos longos e ele.

– Por isso, pensei que você estava brincando comigo. E brinquei contigo. Mas, não me entenda mal, eu não sou um informante como você, não sou muito esperto ou muito observador, mas se tem algo que eu aprendi depois de anos trabalhando no submundo é a ser desconfiado. E, alguma coisa me dizia que tinha merda em tudo isso, em seu pedido, no tom de sua voz. Alguma coisa que não encaixava, sabe, informante-san?! – o homem apoiou um indicador em um dos lados de suas têmporas e o girou – Eu não sou informante! Mas eu queria ser, sabe?! Acho super legal!! – ele pausou seu discurso para abrir mais um de seus estranhos sorrisos tortos – Então fui investigar! E, sabe... mesmo para quem não é informante, algumas informações não são assim tão difíceis de conseguir... Por exemplo, todo mundo sabe que a maioria dos atores não usa o nome verdadeiro. Dai eu procurei no nome verdadeiro desse dai – apontou na direção do rapaz na cadeira, que ainda permanecia em silencio. – Sabe, informante-san, eu segui meus instintos... Pela forma como você me perguntava sobre ele no telefone, eu achei que o que tinha de errado na história era a pessoa que você mandou sequestrar... E... Hahaha... o nome verdadeiro dele é Heiwajima Kasuka. – Ueno anunciou como quem faz uma grande descoberta da qual se orgulha muitíssimo.

Izaya sentia um mal-estar.

Ao mesmo tempo em que ouvia o homem claramente perturbado diante de si, revia mentalmente todas as suas ações desde que fizera aquela ligação contratando os serviços de Ueno.

Ele sentia-se preso numa teia de aranha. E esta era uma sensação totalmente nova para ele. Ele nunca cometera esse tipo de erro antes. A única pessoa que já tinha conseguido passar a perna nele e estar um passo a sua frente era Shizuo, com sua personalidade inconstante. Mas Shizuo era diferente... Ele nunca fora pego por um humano comum. Muito menos por um ser humano tão simplório e previsível como aquele maluco violento que sorria para ele.

Onde tinha errado? – era a pergunta que invadia sua mente, mas logo sua atenção foi desviada de seus pensamentos e presa novamente por aquela voz desprezível carregada de uma empolgação gritante.

– E eu pensei “Heiwajima, Heiwajima... Ah! Eu conheço esse nome.”... Heiwajima Shizuo, o mostro de Ikebukuro. Aquele que anda por ai com roupa de bartender que está sempre brigando com quem?! – perguntou sarcástico, divertido com sua constatação – Com Orihara Izaya, o informante! Eu sempre ouvi dizer que Heiwajima tinha um irmãozinho mais novo, e dai descobri que é esse dai – apontou mais uma vez para o rapaz todo machucado preso à cadeira. – Mas dai pensei: “Ué, por que o informante precisa sequestrar o irmãozinho do Heiwajima? Eles não brigam o tempo todo pela cidade? Ele não precisa disso pra provocar o Heiwajima”. Mas dai você ficou todo preocupado com ele, com esse tom de voz que nunca achei que ouviria do informante de Ikebukuro, e dai ficou bravo porque machuquei o menino...

A Izaya, agora, o homem com rabo-de-cavalo parecia verdadeiramente confuso, como se tivesse encontrado um muro que seu pulo não fosse capaz de ultrapassar.

– Eu não entendi direito porque você me pediu pra sequestrar esse moleque. Porque você não o fez por você mesmo. Ou porque você precisa usar ele contra o monstro Heiwajima... Mas eu entendi que você quer ele inteiro, certo? Então... eu fiz isso: — Ueno mostrou um pequeno dispositivo, como um controle remoto muito pequeno e de apenas um botão, e alargou seu sorriso. Izaya entendeu no mesmo instante o que era aquilo.

“Faz o que quiser, idiota. Não me importo. Mas você não vai receber pagamento nenhum!”

“Negocie com ele! Quem ele acha que é?!”

“Mas e se ele explodir?!”

“Foda-se, ninguém pode me chantagear assim!”

“Mas e se ele explodir Kasuka?”

“Vai ser um pouco diferente do plano inicial, mas o fim é o mesmo, certo? Shizu-chan vai me odiar.”

“Ah... merda!”

Diversos pensamentos desconexos passavam pela mente de Izaya naquele momento, mas ele não podia focar-se em nenhum deles, não quando sentia que seu coração iria parar em sua garganta e sufoca-lo até a morte.

– Onde? – perguntou, esforçando-se por fazer sua voz sair.

Ueno riu, divertido de ver como soava a voz do informante.

– E você nem é tudo o que falavam, certo? – o homem caminhou em direção Izaya, que ainda permanecia parado em frente a Kasuka – Hahaha... parece uma fêmea protegendo o filhotinho. Você não é nada do que falavam mesmo, né? – Ueno passou pelo moreno, abaixou-se atrás do Heiwajima mais novo, levantou um pouco a camisa branca coberta por sangue e mostrou uma pequena bomba presa com fita adesiva cinza na lateral da costela do ator, depois, voltou a afastar-se e a encarar Izaya.

“Foda-se, é super pequena! Provavelmente nem o matará!”

“Mas você não pode ter certeza disso, né?!”

“E se matar?! Foda-se. É só mais um. É ainda por cima tem o sangue daquele monstro. Provavelmente é até algo bom pra humanidade que paremos a descendência aqui!”

“Mas...”

“E ele está me provocando! Esse maldito! Como assim dizendo que ‘eu não sou tudo o que falavam’!”

“O único que me insulta e ainda está vivo é o Shizu-chan!”

“Se o Kasuka morrer... Shizu-chan não vai mais me insultar...”

Mas, mesmo com os conflituosos pensamentos em sua mente, um deles se sobrepôs aos demais. Este, diferente dos outros, não soava indignado, ou raivoso, ou temeroso, ou cauteloso, soava mais como uma constatação tranquila:

“Talvez, realmente, eu não seja tudo aquilo...”

A razão para que tal pensamento brotasse na mente de Izaya em meio a todos os outros e se sobressaísse a todos eles era porque, dentre todos, era o mais sincero. Impulsionado por este pensamento, Izaya ouviu-se perguntando:

– E o que você quer então?!

– Pra começar... você pode tirar essa mão do bolso e me entregar o que quer que seja que você está segurando ai!

“Pense, Izaya. Pense! Como você sai dessa?!”

Izaya puxou o canivete do bolso de seu casaco e o entregou.

– Um canivete, hein? Ohhh! Ouvi dizer que essa é sua arma! Que legal tocar nela! Como será que é lutar com canivete? Não é muito pequeno e curto, informante-san?

“Pense, Izaya!”

Izaya havia bolado diversos planos em sua cabeça.

Ele ainda tinha suas lâminas nos bolsos da calça.

“Eu posso escapar daqui sem problemas... mas...”, seus olhos se detiveram em Kasuka.

Izaya poderia escapar dali a qualquer instante. Ele podia pensar em centenas de diferentes formas de fuga. Ele podia matar Ueno antes mesmo que este se desse conta de seu movimento. Mas... ele não podia garantir que qualquer uma destas, fuga ou assassinato, garantiria a segurança de Kasuka e isso o mantinha com ambos os pés bem firmes no chão.

“Se eu fugir, ele matará Kasuka”

“Se eu negociar, ele ameaçará Kasuka”

“Se eu ataca-lo, ele poderá apertar o botão”

“Se eu mata-lo, algo pode acontecer com o controle e a bomba ativar”

Izaya sabia que havia a possibilidade – muito alta – de que ele conseguisse matar Ueno sem que Kasuka ficasse em risco. Pois, diferente do que o homem de rabo-de-cavalo pensava, sua maior arma não era seu canivete, mas sim sua agilidade. Porém, ainda assim, mantinha ambos os pés firmes no chão, incapaz de mover-se.

“Ainda que seja uma possibilidade pequena... algo pode dar errado e Kasuka morrer... se Kasuka morrer... Shizu-chan vai me odiar...”

“Mas eu quero que ele me odeie! Droga!”

– Agora, — mais uma vez, a voz de Ueno cortou seus pensamentos, trazendo-o de volta a realidade a sua frente – eu quero que você dê seguimento aos seus planos!

Izaya o encarou confuso, como se não tivesse entendido direito o significado daquelas palavras.

– Isso mesmo. Sabe... eu estou realmente curioso. Me frustra não entender nada... Eu quero ver, informante-san. – explicou com um sorriso malicioso.



****



Shizuo

– Shinra, sua reputação é melhor que a minha, descubra o que aconteceu! – Shizuo gritava ao amigo que, desesperado, o encarava com o controle da TV nas mãos.

A notícia que piscava repetidamente na tela fina da TV da grande sala-de-estar da casa do médico clandestino o angustiava e o fazia incapaz de manter a calma.

Mais uma vez, a repórter voltava a anunciar o sumiço do ator Yuhei Hanejima. Aparentemente era um furo de reportagem incrível que aquele programa de fofoca tinha conseguido em primeira mão. Portanto, toda a programação estava focada em mostrar imagens do ator em seus filme ou entrevistas, ou imagens de fãs chorando desesperadamente pelo aparente – mas não ainda confirmado – sumiço do jovem.

– É só um boato, Shizuo. – Shinra respondeu tentando acalmar o amigo.

– Eu sei que não é, Shinra. – rebateu o guarda-costas e ninguém conseguiria rechaçar a certeza na afirmação do loiro.

Viu Shinra retirar-se da sala com o telefone em mãos, provavelmente para tentar descobrir alguma coisa mais concreta do que informações não confirmadas em um programa de reputação questionável.

Mas, mesmo sem a confirmação, Shizuo tinha certeza de que alguma coisa estava errada. Muito errada.

Naquela manhã, depois de passar uma noite conturbada fumando ininterruptamente e refletindo sobre as ações de Izaya, decidira pedir o dia de folga a Tom e conversar com Celty. Planejava decidir de uma vez por todas o que faria com o recém-descoberto sentimento que não o deixava em paz e, para isso, precisava conversar com a amiga. Quando se dirigia a casa de Celty e Shinra, sentiu a incontestável presença de Izaya em Ikebukuro. Mas, se em um primeiro instante reconsiderou sua saída pensando que o informante iria até ele, ao perceber que o cheiro do moreno estava afastando-se cada vez mais, dirigindo-se a um lugar completamente oposto ao do seu apartamento, percebeu que Izaya provavelmente só estava em Ikebukuro a trabalho e que, portanto, ele deveria seguir seu plano original e visitar Celty, afinal, se visse Izaya, o que faria? sem uma resposta a esta pergunta, ele não podia enfrentar o informante.

Durante toda a manhã sentira um estranho aperto no peito, mas o atribuíra ao que acontecera na noite anterior entre ele e Izaya e, ainda mais, ao fato de que Izaya estava agora em Ikebukuro. Porém, mal chegara a casa de Shinra e Celty, percebeu que a razão de seu crescente desespero era outra: a TV anunciava o sequestro de Kasuka.

– “Shizuo, quer alguma coisa para beber?” – o celular foi colocado diante de seus olhos, que ainda fitavam intensamente a TV.

– Celty, não é estranho eles mostrarem isso assim como se não fosse nada? – perguntou sem desviar os olhos das imagens na TV e sentiu uma das mãos de Celty em seu ombro, talvez como que para confortá-lo. Agradeceu mentalmente por este gesto da entregadora, mas, admitia, ele em nada adiantou para acalmá-lo.

Ele não queria ficar ali sentado olhando para a TV, ele queria ir atrás de Kasuka, libertá-lo, fazê-lo ficar bem e, então, perseguir seus sequestradores até o inferno se necessário. Mas sabia que, pelo menos até Shinra descobrir mais coisas, ele devia tentar manter-se calmo.

Depois do que pareceu a eternidade para Shizuo, Shinra retornou.

– Shizuo, consegui falar com um dos agentes de Kasuka, – Shinra anunciou – demorou, mas depois que falei o nome verdadeiro dele e alguns dados pessoais, eles acreditaram que eu era da família e confirmaram o sequestro e que os sequestradores não tentaram contato ainda. Apenas isso. Disseram que só dariam mais informações pessoalmente, depois que confirmassem que eu sou quem eu disse que era.

– Que horas? – perguntou, sentindo a voz sair sofrida pela garganta extremamente seca.

– Parece que foi bem cedo, enquanto ele entrava na produtora para começar a gravar.

“Ah! Isso explica porque estou me sentindo assim desde manhã...”, concluiu.

– Eles têm alguma suspeita?

– Não. Mas parece que aconteceu uma luta no local. Os sequestradores abateram todos os seguranças de Kasuka. Digo “os sequestradores”, mas não há confirmação alguma de quantos eram. Disseram que eles provavelmente entrarão em contato com a família em breve.

Shizuo sentia a atenção de Shinra e Celty em si, avaliando cada uma de suas expressões.

– “Shizuo, você acha que...”, — leu no celular de Celty.

Ele sabia o que Celty queria saber, ela queria saber se ele desconfiava de Izaya. Mas ele mesmo não tinha a resposta a esta pergunta. Só sabia que Izaya nunca fora tão longe, Izaya nunca envolvera ninguém na briga deles. Porém, antes que pudesse responder a mensagem no celular de Celty, ouviu seu próprio celular tocar. O número que brilhava na tela era um desconhecido. Sem hesitação, moveu-se para atendê-lo, mas antes que pudesse fazê-lo, Shinra tocou sua mão e disse:

– Fique calmo. Deixe o viva-voz ligado.

Shizuo, impaciente, se desvencilhou do toque de Shinra e atendeu ao telefone, seguindo, porém, a última recomendação do amigo e acionando o viva-voz.

Seu coração deu um salto, porém, ao reconhecer a voz do outro lado da linha.

– Shizu-Shizuo... – a voz abafada de Izaya o chamou. Sem conseguir evitar, lembrou-se que esta foi exatamente a última coisa que ouvira do informante, exceto que, na noite anterior, a voz soara limpa e raivosa, e agora soava abafada e gaguejante.

– Izaya, maldito! Agora não é uma boa hora. Estou a espera de outra ligação. – rosnou para o homem do outro lado da linha, torcendo para que, realmente, a ligação que ele esperava não tivesse nada a ver com Izaya.

– E-eu estou com Kasuka. – ao ouvir estas palavras, Shizuo não mais se importou com o tom anormalmente gaguejante de Izaya.

– Você! Você é o mostro, Izaya! Maldito! – o loiro tinha que segurar-se para não quebrar o celular e tudo o que o rodeava. Era a primeira vez que sentia uma raiva tão descontrolada de alguém, sentia que poderia explodir a qualquer momento, sentia que poderia matar Izaya e qualquer outro que aparecesse em sua frente.

– Ele está bem, Izaya?

– Shin-Shinra? Você está com Shizuo?

– Só responde, Izaya. – Shinra completou.

– Kasuka está bem.

– E você quer o quê, maldito? – Shizuo perguntou, tentando desesperadamente controlar sua raiva. Sua prioridade era ter Kasuka de volta. Ele poderia guardar sua raiva por um tempo até que ele estivesse em segurança.

– Shizuo... Eu quero que você me deva um favor. S-só isso. Eu devolverei Kasuka e você me deve um favor. – pela primeira vez, a voz de Izaya soara um pouco menos abafada e insegura do que soara até então, mas Shizuo, furioso como estava não pode perceber esta nuance. Porém, naquela sala, os outros dois que ouviam a conversa telefônica perceberam a mudança no tom de Izaya e, antes que Shizuo pudesse respondeu indignado com esta condição, Celty o segurou pelos ombros e Shinra acenou negativamente, num pedido silencioso para que ele continuasse a conversa e aceitasse.

– Certo. – forçou-se a responder, mesmo que quisesse mandar Izaya à merda e informar que o único favor que faria seria arranjar uma passagem de graça para ele até o inferno – E você está onde?

Após o esclarecimento do local e a determinação do horário para a entrega de Kasuka, Shizuo desligou o telefone e, num só salto, começou a caminhar até a porta.

– Espera ai, Shizuo... tem algo muito errado...

– Tem sim! Aquele desgraçado do Izaya sequestrou meu irmão. – rosnou para Shinra, fazendo o médico recuar pelo tom do guarda-costas — Eu o matarei.

Shizuo saiu porta afora.

Naquele momento, não havia em seu coração sequer resquícios da incerteza que sentira sobre seus sentimentos por Izaya... Agora tinha certeza: ele o odiava.

Notas finais
Olá, olá! tudo certo até aqui? Gostou? Não gostou? Deixe seu review e faça um autora sem experiência com ação feliz! =D Todo tipo de críticas são suuuuper bem-vindas! Já comecei a escrever o próximo capítulo e estou bem empolgada com ele... então acho que não demoro mais tanto a postar! beijo, beijo =* ps2. uma das coisas que me bugou também na hora de escrever é que tive ideia pra outra fic, dai fiquei meio ansiosa e sem saber direito o que fazer com ela. Resolvi guardar guardadinho no coração pra depois que terminar esta! Espero que me acompanhem até lá também! =D