Notas iniciais
Olá, gente! Primeiro, eu quero agradecer imensamente a Kelly e a Mellisa que deixaram recomendações para a fic! Vocês são incríveis! Eu fiquei muitíssimo feliz ao lê-las! Obrigada por dedicarem o tempo de vocês para escrevê-las! É uma honra para mim ter leitoras tão fofas como vocês acompanhando minha história! Agradeço também a todo mundo que comentou!!! Vocês me incentivam super com seus comentários! =D E agradeço também todo mundo que tá lendo! Obrigada por darem uma chance para minha fic! Peço desculpas pela demora para postar! Esse capítulo foi bem difícil! Eu já tinha escrito-o inteiro, mas fiquei insatisfeita e tive que reescrever metade! haha Agora, sem delongas, vamos ao capítulo!

Capítulo 12



Roleta Russa



“- Há quanto tempo, Shizuo?” – Shizuo franziu o cenho ao ler a pergunta no celular de Celty. Ele tentava ao máximo evitar aquela pergunta e encarar a resposta para ela.

Havia topado com Celty por coincidência naquele dia quando voltava para casa depois do trabalho. A sensação boa de encontrar a amiga se desvaneceu, porém, no instante que percebeu que seria questionado sobre os recentes boatos que circulavam pela cidade. Shizuo nunca se importara muito com boatos, mesmo porque eles o cercavam desde sempre. Desde que era pequeno ouvia cochichos sobre sua força ou seu descontrole. Ele realmente não se importava muito com o que falavam, desde que não o insultassem diretamente ou o interpelassem. Estava acostumado, portanto, ao ver olhares se voltarem quando passava e a ouvir sussurros. O que o irritava seriamente era o conteúdo dos atuais rumores.

Ele sabia que, na verdade, seria impossível que estes boatos não existissem. Até se admirava por não ser mais recorrentes ou barulhentos. Acreditava que os boatos eram parcialmente suprimidos por serem sobre ele. E não só sobre ele. Afinal, não eram muitas as pessoas que teriam a coragem o suficiente para comentar descaradamente sobre Heiwajima Shizuo e Orihara Izaya. Ainda mais num mesmo tópico de conversa. Ainda mais se o tópico não envolvesse socos e ódio.

Acima de qualquer coisa, Shizuo sabia que eles tinham uma grande parcela de culpa no surgimento dos rumores. Eles não eram cuidadosos ou discretos. Não que achasse que isso fosse possível. Não havia discrição entre eles. Tudo era intenso. Era “tomar” e “levar”, independente do lugar ou do público. Isso valia para socos e, Shizuo percebeu recentemente, também para beijos.

Sim. Beijos.

Não que fossem recorrentes. Na verdade, sequer eram nomeados como “beijos”. Izaya insistia veementemente que eram “mordidas”. Shizuo discordava intensamente dessa nomeação. Seus pensamentos constantemente rodeavam a pergunta “Você é o que, Izaya?! É uma puta, caralho?!”, diante da negativa do informante em assumir o verdadeiro caráter daquele contato.

Shizuo não demorou a perceber que não era só ele quem achava que aquele contato não era uma mordida. Principalmente depois de um dia no qual Izaya resolveu “mordê-lo” no meio da praça central de Ikebukuro durante uma briga. Na ocasião ele havia ouvido perfeitamente alguém exclamando confuso algo como “Foi um beijo?!”.

Um celular sacudido hesitante diante de seus olhos lhe chamou a atenção e o tirou de seus devaneios.

Encarou novamente a pergunta.

“Quanto tempo, hein?”, repetiu mentalmente.

Ele tinha a resposta para a pergunta na ponta da língua.

Poderia levantar a voz a qualquer instante e dizer “Três semanas, Celty”.

Mas essa não era uma resposta da qual se orgulhava e, portanto, guardou-a momentaneamente para si, agarrando-se ao seu segredo.

Ele sabia que a resposta chocaria Celty. Sabia que ela esperava por uma resposta como “uma semana”. Já que era esse o tempo, mais ou menos, no qual os boatos se intensificaram por causa da “mordida” pública que recebeu de Izaya.

Mas era fato que a “mordida” pública era só a ponta do iceberg. A verdade era que Shizuo e Izaya estavam afundados até o pescoço em uma relação estranha que começara depois da primeira vez que fizeram sexo.

Suspirou fundo.

Contaria a Celty. Assim como fizera da outra vez.

Celty era a pessoa mais recomendada para ouvi-lo. Principalmente porque Shizuo atribuía a ela uma parcela de culpa por tudo o que estava a acontecer, afinal, parte significativa das razões que o levaram ao apartamento de Izaya pela primeira veio dos conselhos de Celty.

– Três semanas, Celty. – respondeu com a voz cansada, tirando uma cigarro do maço em seu bolso e o colocando na boca. Aquela conversa, definitivamente, não lhe faria bem.

– “Três semanas?! Como assim três semanas? Como? Quando? Por quê?” – digitou a Dullahan freneticamente no celular e depois mostrou a Shizuo.

– É só isso, Celty. Três semanas. Ponto. — acendeu o cigarro, tragando-o lentamente.

– “Três semanas de que, exatamente, Shizuo?” – mostrou-o novamente o celular, provavelmente insatisfeita com a resposta do guarda-costas.

“Três semanas fodendo toda noite”, pensou que esta talvez fosse a resposta de Izaya se esta pergunta fosse dirigida a ele.

– Três semanas que a pulga me torra a paciência. – rosnou.

– “Shizuo. Vocês dois brigam já há quase dez anos, não três semanas”.

Shizuo ergueu as sobrancelhas na direção de Celty. Ele odiava dar detalhes. Ele odiava ser obrigado a dizer algo que não queria. Ele não ia assumir que estava fazendo sexo regularmente com Izaya.

Celty pareceu entender o olhar recebido, pois, no instante seguinte digitou uma nova mensagem em seu celular.

– “E começou como?”.

– Você soube de quando ele veio até Ikebukuro com minhas roupas? – não esperou por uma resposta afirmativa, sabia que a entregadora ouvira sobre este dia. Todos haviam ouvido sobre este dia. – Depois ele foi até minha casa devolvê-las.

– “Shizuo, não entendo dois pontos na história: o que Izaya fazia com suas roupas, e, se naquele dia ele te parou na rua para te devolver as roupas, como depois ele teve que ir até a sua casa devolvê-las?”.

“Celty, você se apega a detalhes”, pensou raivoso antes de responder.

– Estavam como ele porque ele me expulsou sem elas de seu apartamento, porque é uma pulga insuportável, e foi até minha casa devolvê-las porque é uma pulga irritante que não sabe o próprio lugar.

Shizuo sabia que aquela era uma resposta ridícula e que não dizia absolutamente nada, entretanto, aquela era a única coisa que diria. Não diria que “estavam com ele porque estávamos nos pegando e dai ele me expulsou sem elas” ou “ele foi até meu apartamento devolvê-las porque naquele dia na rua fizemos uma pequena parada na Academia Raira para nos pegarmos novamente e ele acabou indo embora com elas” e “a propósito, nesse dia ele foi embora apressado porque eu o beijei e ele ficou irritado”. Não havia possibilidade nenhuma de que ele dissesse coisas como estas.

A resposta, porém, pareceu ser o bastante para que a motoqueira entendesse. Shizuo ponderou que ela estava ficando realmente boa em entender sem fazer demasiadas perguntas.

– “E então? Ele as devolveu?” – perguntou.

– Devolveu minha camisa. Não meu colete ou a gravata.

– “Deixe-me adivinhar... dai ele teve que ir outro dia devolver o colete e a gravata, certo?”.

– Sim. E devolveu o colete. – respondeu entredentes, tragando mais uma vez o cigarro. Sabia o rumo que aquela conversa estava tomando.

– “Entendo. Dai, logicamente, ele teve que ir outro dia só para levar a gravata” – Shizuo quase podia sentir o tom risonho de Celty.

– Sim.

– “E então? Como isso se estendeu por três semanas?”.

– Na vez que ele levou a gravata, nós brigamos e... – começou a dizer, mas foi interrompido pelo celular de Celty, colocado repentinamente na frente de seu rosto.

– “Espera. Deixe-me adivinhar. Você rasgou alguma peça de roupa dele?”.

– A camisa. – respondeu simplesmente.

– “Ele não podia ia sem camisa para casa, claro. Então você emprestou uma sua.”.

Shizuo acenou com a cabeça.

– “E isso se repetiu por três semanas. Izaya ia até seu apartamento com uma peça de roupa e voltava vestindo outra”.

– Não! – Shizuo rosnou. Não aceitava que Celty pensasse que ele ficara passivamente nesta situação, esperando por Izaya todas as noites. – Eu fui até o apartamento dele buscar minhas roupas e acabar com esta merda toda.

Lembranças daquele dia inundaram sua mente.

Ele havia decidido acabar de uma vez por todas aquela porcaria que Izaya estava fazendo ao por as patas todos os dias em Ikebukuro e invadir seu apartamento.

Dirigira-se com raiva para o apartamento do moreno, mas a raiva se desvanecera completamente quando Izaya o recepcionou apenas de cueca.

– “E as pegou de volta?” – a pergunta brilhou diante de seus olhos.

– Peguei o que de volta? – perguntou confuso, infeliz na tentativa de livrar-se totalmente da imagem de Izaya em uma box preta e concentrar-se no que Celty perguntava.

Assistiu Celty levar uma das mãos a barriga, como quem segura uma gargalhada, e percebeu seu deslize.

Ele havia sido pego.

Ele sabia que aquela era a pior desculpa de todas. E sentia-se um babaca por usá-la. Sabia que o relacionamento estranho entre ele e Izaya se baseava em fazer-se de bobo. Era isso o que faziam. Ele e Izaya agiam como idiotas ao dar desculpas que sequer eles mesmos acreditavam. “Devolver roupas por três semanas!”. Shizuo nem se lembrava mais se ainda havia alguma peça de roupa sua com Izaya.

Bufou.

Mesmo que fosse por Celty, não gostava de ser desmascarado daquela forma.

– Te vejo por ai, Celty. – disse virando-se para ir embora.

Sentiu uma mão em seu ombro parando-o.

– “Por que, Shizuo?”.

– Estou cansado, Celty. Eu e Tom andamos Ikebukuro inteira hoje. E não quero conversar sobre nada agora.

Ele realmente não queria conversar sobre nada. Todos aqueles boatos, toda a inquietação, tudo o irritava. Só tinha parado para conversar porque era a Celty. Ela era a única com quem já tinha falado sobre Izaya. Sentia que devia alguma explicação a ela.

– “Não isso. Não porque está indo embora... mas por que você está nessa com Izaya.”.

Shizuo fitou longamente a entregadora.

Ela, como sempre, fazia as perguntas certas. Nada como “como é?” ou “como você se sente?”, ela ia direto ao ponto e perguntava o porquê. Seria fácil responder que “é irritante” ou “não sinto nada, foda-se o Izaya. É só sexo, é como com qualquer um”, mesmo que fossem mentiras. Mas não era fácil encontrar um porquê. Ele sabia disso. Sabia dolorosamente disso. Ele tentara firmemente encontrar um porquê. Mas todas as respostas encontradas soavam ridículas e poderiam ser facilmente rebatidas. Mesmo dizendo que era só sexo, por que sexo justamente com Izaya? Mesmo sendo quem é e mesmo que tenham medo dele, Shizuo nunca encontrou grandes dificuldades em sair casualmente com alguém. Ele não precisava sair com Izaya. Ele não precisava estar nesta situação estranha com Izaya. Não por sexo, pelo menos.

Para agravar a situação, ele sequer poderia dizer que, para ele, era só sexo. Seria uma grande e deslavada mentira. Ele soube disso no momento que acordou em seu apartamento depois da noite que transaram pela primeira vez e viu que Izaya já havia ido embora.

Só quando acordou com a luz do sol em seus olhos e antes mesmo de abrir os olhos sentiu o cheiro de Izaya inundando tudo ao seu redor e seu próprio corpo, percebeu que alguma coisa estava terrivelmente errada. Só quando abriu seus olhos e não encontrou o informante ao seu lado e sentiu seu coração perder uma batida percebeu que, de alguma forma, fora pego por algo muito perigoso.

As três semanas que se seguiram a esta primeira noite foram uma roleta russa. Encontrar Izaya era apontar uma arma carregada a própria cabeça, puxar o gatilho e torcer para não ser acertado. Mas ele sabia o quão perigoso era o jogo. Ele sabia que seria acertado em algum momento.

Mas ele não esperava, definitivamente, que o tiro viesse de Celty:

– “Shizuo, você já considerou que, talvez, não seja ódio?” – ele podia ver o receio com o qual a entregadora lhe mostrava o celular e aguardava que ele lesse sua pergunta.

Shizuo sentiu seu peito inflar de raiva. Se ele já tinha considerado que não era ódio o que sentia por Izaya? Nunca! Nunca tinha considerado nada além de ódio. Nunca... Até acordar três semanas atrás e procurar por Izaya em sua cama.

Ele queria brigar com Celty, dizer que ela estava errada, descontar toda a raiva nela, dizer que as insinuações dela eram absurdas. Mas não eram absurdas. Ele mesmo reconhecia que a forma como olhava para Izaya tinha progressivamente mudado. Mesmo que ainda o odiasse. Mesmo que o odiasse ainda mais agora com toda a merda que acontecia.

Inspirou profundamente, renovando o ar de seus pulmões e jogando longe o cigarro apagado que segurava.

Sentia toda a atenção de Celty voltada a si e a cada uma de suas reações, voltada a cada ausência de resposta para suas perguntas.

– O que você está insinuando, Celty? – perguntou, mais para quebrar o silêncio do que para, realmente, saber. Sua intenção era soar ameaçador, mas, longe disso, sua voz soou mais curiosa do que feroz.

– “Sei que não tenho o direito de me meter nisso ou te aconselhar.”. – escreveu ela – “Mas acho, sinceramente, que você está entrando em um terreno perigoso e tem que saber onde está pondo e pé. Izaya não é alguém com quem você pode ter qualquer tipo de relação despreocupada. Acho que você precisa ficar consciente do que faz, Shizuo.”.

Shizuo sabia que ela estava certa. Esse era o conselho que daria a qualquer um que soubesse estar se encontrando regularmente com Izaya. Sabia que as palavras que piscavam na tela do celular não eram de repreensão, mas de preocupação. Ele mesmo a havia dado um conselho semelhante quando ela lhe contou que estava a fazer alguns trabalhos a pedido de Izaya. E naquela altura, a relação que Celty desenvolveu com o informante era só profissional.

– Sim, eu sei. Obrigado, Celty. – forçou-se a dizer, mesmo que não estivesse realmente grato pelo conselho. – Vou pra casa. Te vejo por ai. – disse virando as costas à amiga e pondo-se a caminho de seu apartamento.

Por sua visão periférica, viu Celty dar alguns passos em sua direção antes de parar, virar-se na direção contrária e montar em sua moto.

Ele sabia que provavelmente a dullahan pensava que ele chateara-se com o que dissera. Mas ele realmente não se importava com isso agora. Depois esclareceria as coisas com ela. Agora, sinceramente, não queria falar com mais ninguém. Só queria ir para casa descansar.

Não mentira quando dissera a Celty que estava cansado e queria ir rápido para casa. Aquele dia realmente fora cansativo.

Tom passara o dia todo tentando arrancar dele a verdade por trás dos boatos. Os únicos momentos nos quais era deixado em paz eram quando encontravam um devedor relutante em devolver o dinheiro. Nesses momentos, a encheção de saco de Tom era substituída pela encheção de saco de um devedor. Não foram poucos os momentos no dia, portanto, nos quais Shizuo se descontrolou de raiva e agiu violentamente.

Isso, somado a recente conversa com Celty, havia transformado seu dia num daqueles realmente ruins. Por mais que quisesse se concentrar em seguir o conselho de Celty e pensar no que fazer quanto a sua atual situação com Izaya, portanto, sua volta para casa foi tomada completamente por pensamentos como “dia de merda! Dia de merda! Dia de merda”.

Ele pensou que o que melhoraria seu dia seria, definitivamente, um sushi do Russia Sushi. Mas tão logo a ideia clareou e alegrou seus pensamentos foi descartada. Não era uma possibilidade real ir até o Russia Sushi. Não com todo mundo o encarando pelos últimos acontecimentos.

Xingando ainda mais seu dia, que sequer podia ser alegrado por uma refeição decente, dirigiu-se a seu banheiro e tomou um bom banho.

O banho melhorou um pouco seu humor e ele decidiu que se contentaria com um lámen instantâneo naquela noite.

Sentou-se no sofá e apoiou o recipiente do lámen na mesa de centro. Ligou a TV e zapeou pelos canais em busca de algo que lhe agradasse e distraísse enquanto esperava pelos 3 minutos necessários para que a "comida" ficasse pronta.

Já tinha acabado sua pobre e insatisfatória refeição enquanto assistia a um documentário tedioso sobre a construção das pirâmides do Egito quando ouviu sua campainha tocar.

No mesmo instante soube quem estava do outro lado de sua porta. E se o cheiro que sentia não fosse prova o suficiente, a forma como a campainha tocava insistentemente num ritmo irritante definitivamente o seria.

Izaya estava do outro lado de sua porta.

Xingou alto, profundamente irritado.

Ele devia saber que isso aconteceria. Isso acontecia todas as noites.

Izaya ia todas as noites até seu apartamento com aquela desculpa retardada de devolver alguma coisa. Izaya o beijava com a desculpa idiota de que era uma mordida. Izaya o envolvia nesta relação estranha baseada em desculpas que subestimavam sua inteligência. Izaya o levava num relacionamento que era uma piada. Mas Shizuo sabia, ele também era culpado, ele se deixava levar, ele relevava as desculpas, ele mergulhava de cabeça naquela farsa e também usava as mesmas justificativas esfarrapadas para buscar pelo informante.

Mas no fim, eles sabiam, eram só desculpas. E se assim o eram... que fossem!

Abriu a porta abruptamente e fitou o rosto malicioso diante de si.

– Shizu-chan. Há quanto tempo! – disse sorrindo ironicamente. Shizuo sabia que cada uma daquelas palavras era carregada de sarcasmo, eles haviam se visto no dia anterior. – Obrigado pela camisa, foi muito útil, já que um animal me atacou da última vez e rasgou minha roupa. Dá pra acreditar no tipo de animal que deixam solto por ai? – completou sorrindo ainda mais abertamente.

“Claro que é isso, né, Izaya?!”, pensou irritado, segurando a camisa.

– Sim. Muitos animais perigosos por ai. Por isso, tome cuidado na volta para casa, Izaya-kun. – disse retribuindo o sorriso de Izaya, com a voz carregada de malícia.

Encarou Izaya, que o encarava de volta, ainda parado diante de sua porta.

– Então, já devolveu a camisa. Agradeço. Boa volta para casa. – disse sorrindo irritado.

No momento que viu Izaya usar a mesma desculpa idiota, resolveu que daria um fim a ela. Se eram só desculpas, ele ia fazer a verdade sair a força e esfrega-la na cara de Izaya.

Se aquelas desculpas eram um contrato silencioso entre eles para continuaram a verem-se, Shizuo havia decidido quebra-lo. Ele não faria acordos com Izaya.

Se aquilo era um jogo, ou uma piada, ou uma farsa, Shizuo decidira não jogar, ou rir ou atuar.

Se ver Izaya era uma roleta russa, ele quebraria as regras do jogo e carregaria todas as câmaras do revólver com balas e atiraria com a certeza de ser acertado.

Se era para fazer aquela merda que ela fosse feita direito.

– Mas você não vai embora, não é? Por que, na verdade, você não veio devolver porcaria nenhuma. E, sinceramente, não me importo. Você pode ficar com minha camisa. Você pode vir até aqui sem ela. Eu vou até seu apartamento mesmo que não tenha mais merda nenhuma minha contigo. – rosnou num só fôlego, olhando diretamente nos olhos surpresos de Izaya – Você veio aqui me ver. Você veio para transar comigo. Como tem vindo todas as noites.

Shizuo segurou Izaya pela cintura e o puxou para dentro de seu apartamento, fechando a porta em seguida.

– Então para com essa idiotice, pulga. E, a propósito... – segurou firmemente o rosto de Izaya e se colou seus lábios nos dele sem nenhuma delicadeza, forçando com a língua a boca do informante a abrir-se e, posteriormente, roçando-a na língua do moreno vorazmente. — ... isso é um beijo! E isso... – empurrou Izaya de costas na parede da sala e, com os dedos entrelaçados em seus cabelos, forçou-o a expor o pescoço, onde, sem hesitação, cravou os dentes — ... é uma mordida! São coisas diferentes. Qualquer idiota percebe isso. Você é muitas coisas, mas não é idiota. Então para com essa putaria.

Afastou-se abruptamente de Izaya e fitou seu rosto.

O informante o encarava atônito. Como se processando tudo o que ele havia gritado para ele num espaço tão curto de tempo.

Shizuo sentia seu peito subir e descer freneticamente. Ele havia explodido. Explodido tudo em cima de Izaya. Mas ainda não estava satisfeito.

– Então, agora. Eu vou tirar suas roupas com cuidado para não rasgar nenhuma peça, vou te beijar, vou te morder também, provavelmente, e vou fazer sexo com você porque quero fazer sexo com você. Se você não quiser, você pode sair por aquela porta. Se você ficar, são estes os termos. Você estará aqui para transar comigo e não para devolver qualquer merda. E você me dará beijos que são beijos. E mordidas que são mordidas. E tudo terá a merda do nome verdadeiro! Porra!

Izaya ainda o encarava com os olhos arregalados. E através deles, Shizuo podia ver uma centena de diferentes expressões.

Izaya parecia prestes a batê-lo ou a xingá-lo, depois parecia confuso e assustado, depois parecia indignado e rebelde, para depois desviar o olhar e corar.

Shizuo assistia a todas as nuances sem sequer se atrever a respirar. Pensava que o informante o empurraria a qualquer instante e se dirigiria a porta para ir embora. Mas, para sua surpresa, o moreno permanecia.

Isso era absolutamente o que Shizuo mais gostava em Izaya: o momento que ele permanecia.

– Quem caralho você pensa que é para falar comigo desta maneira, Shizu-chan? – a voz de Izaya contraria completamente seu rosto. A voz que soava rude em um rosto que se abaixava e evitava contato visual era um paradoxo.

– Você ficou. – sussurrou Shizuo, aproximando o rosto do de Izaya.

– Constatação do ano, hein?! – disse com a voz carregada de ironia, mas ainda sem encará-lo – Agora, como é mesmo? Você vai tirar minhas roupas, transar comigo, morder e blábláblá... Pode começar quando quis-...

Shizuo não deixou que Izaya terminasse o que dizia. Ele não precisava que Izaya dissesse quando ou o que poderia fazer, não daquela vez, não quando ele estava farto de ouvir as palavras de Izaya e seus significados nebulosos.

Prensou o corpo do moreno contra a parede e o beijou novamente, dessa vez, profundamente, explorando cada pedaço da boca do informante com a língua.

Esse era um beijo diferente dos anteriores. Um beijo plenamente permitido. Izaya não o parava nem o barrava, não o afastava nem se esquivava. Ao contrário disso, ele também explorava a boca do guarda-costas, também roçava sua língua contra a dele, e, ao mesmo tempo, o puxava contra si e acariciava com a ponta dos dedos a nuca do loiro.

Ouviu um gemido contra seus lábios e se afastou.

– O que é isso, então?

– Descobri recentemente que é um beijo. Mas ainda tenho minhas dúvidas, tem certeza que não é uma mordida? – respondeu desafiador.

– Cala a boca, pulga.

Shizuo tomou novamente para si os lábios do informante, ainda mais intensamente do que havia feito anteriormente.

Beijava-o ganancioso. Tomando de volta todos os beijos que lhe haviam sido negados. Beijava-o como quem devora um banquete, como um faminto que se depara com ambrosia. Mordendo, sugando, friccionando.

Sem interromper o beijo, Shizuo enfiou uma das mãos por dentro da camisa de Izaya e começou a acariciar o peito e barriga do informante. Sentia perfeitamente como a pele dele era macia e como seus pelos arrepiavam-se ao seu toque.

– Tira, Shizu-chan. – disse Izaya, interrompendo o beijo e segurando a barra de sua própria camisa.

Shizuo sequer se importou pelo tom autoritário usado. Na verdade, não se importava com tom nenhum quando Izaya usava aquela voz rouca. Mas, naquele momento, não cederia a voz de Izaya. Não cederia a nenhuma de suas palavras.

– Não. E ninguém disse que você podia parar. – rosnou antes de tomar novamente para si os lábios de Izaya.

Ele não abriria mão daquele contato. Não agora. Não até que ele fosse plenamente aceito e nomeado como tal.

Sem quebrar o beijo, afastou um pouco seu corpo do informante e começou a masturba-lo.

Izaya, que num primeiro momento lhe pareceu bravo pelo repentino afastamento, agora gemia mais constantemente, perdendo, às vezes, o ritmo do beijo.

Encorajado pelos gemidos, Shizuo aumentou a pressão e a velocidade da masturbação, com isso, o outrora empolgado beijo era, agora, apenas uma mordida: Izaya, incapaz de continuar com o beijo, capturara entre os dentes o lábios inferior de Shizuo enquanto tentava barrar gemidos que insistiam em sair de seus lábios.

Shizuo parou a masturbação e pressionou o polegar na ponta do pênis de Izaya, obrigando-o a soltar o lábio do loiro para, finalmente, abrir os seus próprios lábios em um suspiro alto.

– Isso sim foi uma mordida, pulga. Você não pode misturar assim as coisas. – disse parando com a masturbação.

Aproveitando o forçado afastamento, direcionou seus dedos ao botão da calça de Izaya e o desfez, se livrando posteriormente da calça do informante, abaixando-se para desprende-la dos tornozelos e, na subida, passando lentamente a língua pelo ereção do moreno. O contato, porém, se restringiu a isto e logo voltou a beijá-lo nos lábios apenas.

– Shizu-chan...

– Parece que se eu fizer isso – segurou a ereção de Izaya e a masturbou algumas vezes – você não consegue se concentrar no beijo. Mas, entenda Izaya, eu não posso parar algo na metade, não antes de você me dizer que entendeu. Então... – soltou o pênis de Izaya – ...isso fica suspenso por enquanto.

Voltou a beijá-lo sem delicadeza, forçando a boca do moreno a abrir passagem a sua língua.

Sentia as mãos de Izaya em seus cabelos, puxando-os fortemente. Não sabia se aquilo era uma espécie de vingança pelo que estava fazendo, ou se ele realmente estava descontrolado e desesperado por causa daqueles toques.

Shizuo arriscava a segunda opção.

Ele conhecia bem aquela sensação. Ser levado a beira do abismo e então ser puxado de volta. Izaya fazia isso com ele o tempo todo. Estimulava-o até quase o ápice e depois parava os estímulos. Era desesperador. Era agoniante.

Por isso entendeu perfeitamente quando Izaya soltou uma das mãos de seus cabelos e tentou leva-la até o próprio membro na tentativa de conseguir seu tão desejado alívio. Entretanto “entender” era uma coisa, “aceitar” era outra totalmente diferente.

– Quem disse que você podia fazer isso, pulga? – perguntou afastando a mão de Izaya e a prendendo acima da cabeça do informante, contra a parede.

– Eu entendi, Shizu-chan. É um beijo. É um beijo.

Shizuo sorriu abertamente. Nunca esperava ouvir aquele tom suplicante deixar os lábios do informante.

– Bom. Agora a próxima. – disse com a voz carregada de desejo aproximando os dentes do pescoço do informante e cravando-os ali, enquanto reiniciava a masturbação – Mordidas.

Sentia Izaya mover o quadril em direção a sua mão, implorando para que os movimentos de intensificassem. Shizuo não tinha, porém, a menor intenção de dar qualquer alívio ao informante, pelo menos, não antes de terminar de esclarecer todas as coisas entre eles.

Desceu seus lábios por toda a extensão do pescoço do informante, alternando lambidas, sugadas e mordidas, num perfeito ritual de “morde-e-assopra” que sabia que deixaria marcas na pele branca do moreno.

Alcançou um dos mamilos do moreno e contornou-o com a língua antes de mordê-lo. Prendia-o entre os dentes gentilmente para em seguida soltá-lo e assim repetidamente. Quando sentia o informante pressionar-se contra si com mais intensidade, parava os movimentos com a mão e deixava-o acalmar. Quando o sentia mais relaxado, recomeçava a lenta tortura em outro mamilo, ou em seu pescoço, ou em sua barriga. Sempre alternando mordidas e lambidas.

– Como você é teimoso, pulga. Mais uma vez, quem disse que você podia fazer isso? – perguntou afastando a mão de Izaya que mais uma vez movera-se em direção à própria ereção e a prendendo junto a sua, na lateral do corpo do informante.

Ouviu um suspiro frustrado. Shizuo divertia-se pensando que não só o movimento de Izaya havia sido frustrado, como ele perdera o estímulo, ainda que insuficiente, que a mão de Shizuo dava a seu pênis.

– Você sabia que é um desgraçado, Shizu-chan? – disse com a voz carregada de raiva.

– Sabia. – respondeu Shizuo rindo e voltando a morder o pescoço de Izaya.

Shizuo sabia o que aquele xingamento representava, ele mesmo já o havia usado incontáveis vezes contra Izaya. Usava-o cada vez que queria gozar e era impedido por Izaya, ou cada vez que Izaya lhe parecia terrivelmente irresistível. Sabendo o significado daquele xingamento, Shizuo não podia deixar de sentir-se orgulhoso por recebê-lo.

“Você também é um desgraçado, pulga”, pensou descendo mais suas mordidas e concentrando-as no baixo ventre de Izaya, em sua virilha e suas coxas, mas ignorando completamente o pênis do moreno.

– Ah! Shizu-chan... eu já entendi! Caralho! São mordidas! Eu sei que são mordidas! Porra!

Shizuo levantou seu olhar para o rosto de Izaya, divertindo-se com a expressão que ali encontrou.

– Bom. Então agora sabe qual a diferença entre beijos e mordidas? – perguntou abocanhando algumas vezes a ereção do moreno, que limitou-se a gemer em resposta. – E sabe, então, que aquilo não eram mordidas adaptadas, certo?

Mais uma vez, apenas gemidos foram ouvidos como resposta, mas Shizuo estava satisfeito com o resultado.

– Já que entendeu, podemos ir à próxima parte, né? Aquela que te mostro que você veio até aqui não para me devolver alguma roupa, mas porque me quer.

– Shizu-chan, eu disse da primeira vez e não me importo em dizer novamente. Desde o início eu nunca neguei que vinha aqui para foder.

– Errado, Izaya. Você não veio para foder. Você veio para foder comigo.

Silêncio.

Essa era a única resposta que recebia de Izaya quando acertava. A ausência das provocações ou deboches eram a prova de que estava certo. Ele estava certo, e sabia que Izaya sabia disso tão bem quanto ele.

Shizuo levantou-se.

Agora encontrava-se novamente cara a cara com o informante e podia analisar melhor a expressão que tomava seu rosto.

Vendo o rosto corado e respiração pesada do moreno, não pode evitar a vontade de provoca-lo um pouco mais.

Lentamente aproximou novamente seus lábios dos de Izaya. Assistiu-o fechar com olhos em antecipação ao beijo, Shizuo, porém, parou os lábios a poucos centímetros dos do informante, e sorriu baixinho contra a boca do moreno que, surpreso, abriu os olhos e o encarou confuso.

– Haha... bem que você queria, certo? – viu os olhos de Izaya enxerem-se de ódio diante da provocação.

Ignorando o olhar mortal que o atingia, Shizuo segurou firmemente o quadril de Izaya e o girou, de forma que agora o peito do informante era forçado contra a parede e ele encarava as costas pálidas de Izaya.

Viu Izaya apoiar os antebraços na parede para afastar o rosto do frio concreto e abrir a boca para reclamar. Porém, o moreno foi impedido de proferir qualquer xingamento por dois dedos que foram subitamente inseridos em sua boca.

– Você sabe o que fazer, certo?

Não é como se Shizuo esperasse uma resposta a esta pergunta. Mas não podia deixar de provocar Izaya daquela maneira. Não quando o informante havia o provocado tanto anteriormente com suas palavras.

Sentiu os dentes de Izaya em seus dedos e não pode evitar uma gargalhada.

“Você é sempre tão teimoso, pulga!”.

– Sim, Izaya. Isso é uma mordida. E isso também. – cravou os dentes na curva entre o ombro e o pescoço do moreno, ouvindo-o gemer em resposta. Posteriormente, moveu os dedos na boca de Izaya, roçando-o contra a língua do informante – Você sabe que será melhor se você fizer isso direito, certo?

Com alguma relutância, sentiu o informante começar a lamber seus dedos.

Shizuo tinha certeza que para agir daquela forma, Izaya devia estar muito excitado. Normalmente, o informante já teria o mandado ao inferno e o atacado com seus canivetes. Não podia deixar de sentir-se, portanto, feliz com a obediência do moreno, ainda que momentânea e, provavelmente, com grandes chances de uma dolorosa vingança futura.

Mas, ao mesmo tempo, não podia negar que sua situação não estava tão diferente da do informante. Mesmo que ainda se encontrasse completamente vestido e sequer tivesse sido tocado, sentia-se a ponto de explodir.

Com a mão livre, desabotoou a própria calça e a abaixou um pouco.

Os olhos cor de avelã se arregalaram repentinamente, porém, ao sentir uma mão segurando firmemente sua ereção, tão logo ela se fez livre do aperto da cueca.

Sentiu um riso de Izaya contra seus dedos e não pode deixar de admirar-se com a persistência do moreno.

“Não há realmente um possibilidade de você ficar quietinho, né, pulga?”, riu em seus pensamentos.

Sentindo os ágeis dedos de Izaya em seu pênis, e o quadril movendo-se em direção ao seu, teve que admitir que se demorasse muito mais com aquilo, acabaria ele mesmo por perder o controle.

Tirou os dedos da boca de Izaya e os inseriu no informante, que se retesou ao toque. Para distrair o moreno do toque invasivo, voltou a masturba-lo. Não demorou muito, porém, para ouvi-lo chamar seu nome:

– Shizu-chan... – murmurou com a voz baixa.

– Ah, merda, Izaya. – reclamou Shizuo em voz alta. Ele sentia-se no seu limite.

Tirou os dedos de dentro do informante e se enterrou nele.

Gemidos ecoaram pelo apartamento do loiro, intensificando-se na mesma medida das estocadas.

Shizuo segurou fortemente o quadril de Izaya e o afundou-se nele. Repetidamente. Ele sabia que estava usando mais força do que normalmente usava, mas sentia que, de alguma forma, aquilo não era um problema.

Ele sequer sabia se seria capaz de usar menos força, não quando os gemidos de Izaya vibravam seus tímpanos, não quando Izaya contraia seu interior e mexia seu quadril, não quando Izaya se apossa uma de suas mãos que seguravam seu quadril e a direciona a seu pênis, num pedido silencioso.

Shizuo sabia que o informante estava quase em seu limite, por isso, tentou ao máximo masturba-lo lentamente e diminuir a força das estocadas.

Ele não entendia direito o porquê de estar tentando retardar o ápice de Izaya. Mas algo em seu corpo implorava para que Izaya não gozasse. Implorava para que ele ficasse sempre ali. Ele sentira algo parecido na primeira vez que Izaya o tocou, ali naquele mesmo apartamento, e sentiu algo semelhante também quando o beijou pela primeira vez, ou mesmo o sentimento de momentos antes, naquele mesmo dia, quando percebeu que Izaya ficaria, lhe pareceu muito semelhante.

– Não! Mais rápido, Shizu-chan!

Por mais que quisesse atrasar ao máximo pico do prazer de Izaya, não podia negar aquele pedido, e, pela primeira vez naquele dia, resolveu acatar as palavras ditas por Izaya.

Não esperava porém, que no último instante, Izaya fosse agarrar seus cabelos e puxar seu rosto contra o dele para um beijo roubado. Durou apenas alguns segundos, e não foi mais do que um toque de lábios, logo Izaya soltou-o e separou os lábios em um gemido alto que cravou seu orgasmo.

Shizuo não soube se pela surpresa do beijo ou se pelas contrações de Izaya, mas acabou por ele mesmo desfazer-se dentro de Izaya.

O guarda-costas permaneceu alguns instantes parado, em choque, ainda dentro de Izaya e segurando-o firmemente pelo quadril. Quando deu por si, retirou-se de dentro do moreno e o soltou. Tão logo o fez, Izaya deslizou pela parede, incapaz de sustentar-se com as próprias pernas o peso do corpo.

Shizuo sorriu levemente, sabia que havia exagerado. Sabia que não devia tê-lo tomado de pé contra a parede.

Abaixou-se, pegou Izaya em seus braços, e, sem qualquer tipo de resistência ou insulto do informante, levou-o até seu quarto e o depositou em sua cama.

Uma batida. E então outra. E outra.

Shizuo olhou para Izaya deitado em sua cama, os olhos fechados, exatamente como gostaria de tê-lo encontrado na manhã daquele dia há três semanas.

Seu coração batia descompassado.

E, então, finalmente entendeu que ele tinha sido atingido há muito tempo.

As câmaras da arma nunca estiveram vazias.

Ele, desde o começo, fora pego na roleta russa. Desde o começo ele foi pego por Izaya.

– Eu não me importaria se você ficasse.

Não se espantou com o que disse, não se espantou com seu tom. Não se espantou como as palavras usadas nem com o sentimento nelas.

Ele finalmente entendia o desespero sentido quando Izaya ia embora. Finalmente entendeu o que significado quando ele ficava. Finalmente entendeu porque o que mais gostava em Izaya era quando ele permanecia.

– Eu realmente não me importaria se você ficasse. – repetiu.

Dois olhos castanho-avermelhados fitaram-no intensamente, e ele quase vacilou diante daquele olhar, mas encarou-o de volta.

– O que disse, Shizu-chan? – perguntou o dono dos intensos olhos, num voz irônica que tentava suprimir um tom raivoso.

– Disse que não me importaria se você ficasse. – repetiu uma terceira vez.

– Mas que caralho!?! – os olhos castanhos-avermelhados se abriram mais, e a voz, livre de ironias, denunciou a raiva por trás das palavras – O que você pensa?

O dono dos olhos agora vermelhos de raiva levantou-se forçadamente, lutando por equilibrar-se em suas próprias pernas.

– Você está confundindo tudo. Você está enganado.

Agora em pé, o moreno caminhou até a sala.

– Você é absurdo.

Na sala, vestia suas calças com as mãos trêmulas, sem tirar os olhos dos de cor avelã, que o acompanharam até ali.

– Você sequer é humano. Eu te odeio. Você me odeia. Mas que caralho é isso, Shizuo?!

“Shizuo”, repetiu o guarda-costas mentalmente, assistindo Izaya deixar seu apartamento.



Notas finais
Olá de novo! obrigada a todos os que leram até o final! E peço desculpas por qualquer surto que tenha causado em alguém! Não me matem! beijo, Yuki