Depois de um sonho
11 Cabo de guerra no precipício
Notas iniciais
Cabo de guerra no precipício
Shizuo
– Vim apenas devolver esta camisa. – disse o moreno olhando-o intensamente, com um braço estendido na sua direção.
Shizuo piscou algumas vezes antes de segurar a camisa e a tomar para si. Por um momento, pensou que Izaya iria embora agora que havia cumprido seu objetivo anunciado. Mas, assim como mais cedo naquele dia, Izaya permanecia parado diante de si.
Involuntariamente agarrou o braço ainda estendido de Izaya e o puxou para dentro do apartamento, ao mesmo tempo no qual fechava com um empurrão forte a porta de entrada.
Izaya
Izaya foi obrigado a reprimir um gemido de dor ao sentir suas costas baterem com força na porta e seus pulsos serem presos com brutalidade acima de sua cabeça.
Sua intenção nunca fora entregar a camisa e ir para casa. Ele tinha um objetivo muito claro estipulado ao mover-se pela segunda vez no dia até Ikebukuro atrás de Shizuo. Das duas vezes deslocara-se até o distrito a desculpa era devolver a roupa de Shizuo. Das duas vezes não era o que ele realmente queria. Mas, se na primeira vez que tencionara devolver a roupa de Shizuo sua intenção era provoca-lo apenas, agora sua intenção era botar fogo em tudo. Provocar Shizuo até a exaustão e arrancar tudo o que queria saber dele. Izaya havia, portanto, se preparado para encontrar Shizuo como quem vai à guerra, como quem se prepara para uma seção de tortura com o objetivo de arrancar uma confissão criminosa.
Quando pensava sobre isso, era exatamente esta a sua intenção: fazer Shizuo confessar seus crimes anteriores. Confessar sua ousadia, seu erro, seu sacrilégio. Confessar aqueles carinhos estúpidos e aquele beijo insultuoso. Confessar o que significava aquela merda toda. Por que, para Izaya, Shizuo definitivamente tinha algum plano em mente ao agir daquela forma. Mesmo que soubesse que Shizuo não era um homem de grande pensamento ou batalhas no campo das estratégias e palavras, ele, absolutamente, tinha algum plano ao fazer aquelas coisas.
Izaya teria.
Ele teria um plano totalmente traçado se aqueles atos fossem os seus. Se ele tocasse Shizuo da forma como havia sido tocado, ele absolutamente teria alguma intenção final. Ele já fizera isso antes. Já acariciara e beijara alguém para conseguir informações. Dessa forma, era inimaginável a ideia de que aqueles fossem gestos gratuitos. Com certeza algum preço deveria ser pago... e Izaya não estava disposto a pagar nada.
Não pagaria nada, porque, no fim, sabia: era ele quem cobrava um valor.
Negociações não ocorreriam.
Aquele era o seu território. A batalha sutil por informações era sua. A batalha de estratégias e palavras era sua.
Sua intenção ali era, portanto, mandar Shizuo de volta às trincheiras, o lugar ao qual os brutos pertenciam.
Ao ter, portanto, seu corpo puxado por Shizuo para dentro do apartamento e, em seguida, suas costas empurradas com força contra a porta, não pode deixar de sorrir.
“De volta ao seu lugar, né, Shizu-chan? Seu monstro bruto!”.
– Oe, oe, Shizu-chan, tudo isso é saudade de mim? – provocou.
Nenhuma resposta. Nem à provocação, nem à resistência ao aperto em seus pulsos.
Encarou o rosto de Shizuo a procura de uma resposta ao seu silêncio e intrigou-se ao ver os olhos cor de avelã fixados em um ponto abaixo de seu rosto. Izaya não precisava olhar para saber no que os olhos de Shizuo prendiam-se. Sorriu divertido. Tinha que confessar, a expressão confusa no rosto de Shizuo parecia-se muito com a que ele mesmo havia feito ao fitar o mesmo local naquele dia, mais cedo, através do espelho.
– Muito bruto, né? Parece que fui espancado... – disse virando um pouco a cabeça e expondo mais as marcas vermelhas em seu pescoço.
Riu alto ao ver os olhos de Shizuo desviarem-se de seu pescoço e fitarem confusos seu rosto.
– Tenho mais destas. Por todo o corpo, na verdade. Quer vê-las?
Aumentou o riso quando sentiu o aperto em seus pulsos afrouxar até cessar.
Com as mãos finalmente soltas, empurrou Shizuo para longe de si — apenas o suficiente para poder mover-se livremente — e adentrou o apartamento.
Já estava no meio da sala quando percebeu Shizuo ainda no hall, na mesma posição na qual o havia deixado.
– Não fique ai parado, Shizu-chan. Finja que o apartamento é seu e sinta-se em casa. Aceita um chá? – provocou Izaya, indo até o sofá do outro e sentando-se.
Izaya comemorou internamente. Aquele fora um chute e tanto. A reação de Shizuo à surpresinha que havia preparado era impagável, muito melhor do que ele pensara incialmente.
“Então era mesmo verdade, Shizu-chan?”.
Izaya não pode mais conter seu riso, que ecoou pelo apartamento.
– Qualé, Shizu-chan. Só umas marquinhas. Não é como se você nunca tivesse deixado marcas piores em mim. – disse debochado – De socos e chutes e encontrões. Essas marquinhas só são um pouquinho diferentes. Mas, ainda assim, mostram o descontrole do Shizu-chan, certo? São até bonitinhas... – emendou rindo.
Izaya adorava aquela situação toda.
No momento no qual vira as marcas em seu pescoço, uma ideia pipocou em sua mente, mas só a desenvolveu completamente no caminho até Ikebukuro. Quando finalmente decidiu usar o trunfo em seu benefício, abençoou-se por ter escolhido uma camiseta com gola em V que deixava a mostra boa parte de seu colo.
Izaya riu lembrando-se do dia que recebera aquela informação sobre Shizuo. Na hora mal pode acreditar no que ouviu: como assim Shizuo se continha e nunca se descontrolava com suas amantes?
Izaya sempre imaginou que Shizuo era um mostro que destruía tudo em seu caminho, passando como um furacão por cima de tudo e arrasando qualquer pessoa que se atravesse a ficar a sua frente. Qual não foi sua surpresa, portanto, ao ouvir que o guarda-costas era delicado com as mulheres malucas que envolviam-se com ele. Sua fonte, porém, lhe assegurara que Shizuo não deixava uma marca sequer nelas.
“Oh, Shizu-chan, você deve se conter tanto, hein?!”, foi o pensamento que invadiu sua mente ao descobrir sobre o controle de Shizuo. “Não deve ser nada divertido!”.
A prova da informação que havia recebido viera diretamente até ele no dia que recebeu a carícia de Shizuo durante o sexo oral, no primeiro contato entre eles. Lembrou-se que acreditou que aquilo era uma reação normal de Shizuo exatamente por relacioná-la à informação recebida.
Qual não havia sido sua surpresa, portanto, ao olhar no espelho mais cedo e ver-se todo marcado pelos dentes e lábios de Shizuo. Gradativamente, porém, a surpresa foi convertendo-se em prazer. “Shizu-chan não está se segurando”.
O informante pensara em duas possíveis explicações para isso: ou ele não se importava ou se importava demais e não podia se controlar.
Izaya apostou na segunda opção. E, pela maneira como Shizuo olhava para as marcas em seu pescoço, sabia que escolhera a opção certa.
Suas marcas eram seu trunfo. Eram a prova irrevogável do descontrole de Shizuo.
“Ah, Shizu-chan! Por isso se divertia tanto comigo... É a sua primeira vez pegando de verdade alguém! Tão virgenzinho! Vou tomar sua primeira vez como todo o prazer, Shizu-chan! Haha.”, divertia-se, encarando as costas de Shizuo, ainda no hall.
Levantou-se do sofá e caminhou até Shizuo. Segurou-o pela gola da camisa, puxou-o contra si — de modo a fazê-lo abaixar-se — e sussurrou em seu ouvido.
– Deixa eu te mostrar as outras marcas, Shizu-chan. Sim?
Sentiu Shizuo suster a respiração e viu ali sua chance de arrastá-lo consigo.
Sem nenhuma resistência por parte do guarda-costas, Izaya conduziu-o pela gola da camisa até o sofá, soltando-o ali.
“Parece um cãozinho puxado pela coleira, Shizu-chan! Essas marcas são uma arma interessante!”, riu-se internamente.
Com Shizuo agora no lugar onde o queria, Izaya prostrou-se diante dele, de pé em frente ao sofá, e num só movimento livrou-se de sua camiseta.
Viu os olhos do guarda-costas arregalarem-se ao olhá-lo.
– Minha preferida, Shizu-chan, é esta daqui. – abaixou-se na direção de Shizuo, apossou-se de uma de suas mãos e a direcionou à marca a qual se referia, alguns centímetros abaixo de seu pescoço, ao lado de seu mamilo direito.
Soltou a mão de Shizuo, que até então segurava contra si, e sorriu de prazer ao ver que ela não se afastou. Ao contrário, ao ver-se livre da mão de Izaya, o guarda-costas correu a mão pelo peito do informante, deslizando-a de marca a marca, como se ligando pontos em um jogo.
– Izaya... – começou Shizuo a dizer, mas Izaya o interrompeu.
– Pensando bem, Shizu-chan, – disse afastando-se de Shizuo e segurando o cós da própria calça – essa não é a minha marca preferida. – sorriu malicioso enquanto abaixava a calça junto com a roupa íntima, despindo-se completamente antes de aproximar-se de Shizuo, apoiar o pé esquerdo na borda do sofá e dobrar a perna, de forma que, ainda que permanecesse em pé diante de Shizuo, um de seus joelhos ficasse na lateral do corpo de Shizuo e seu baixo-ventre bem próximo ao rosto do ex-barman. – Essa é a minha favorita, definitivamente. – disse tomando de volta para si a mão de Shizuo e a direcionando a uma marca na parte interna de sua coxa esquerda. – Gosta dela também, Shizu-chan?
Izaya podia ver, porém, que Shizuo sequer notava a marca vermelha debaixo de seus dedos. Seus olhos com tons de mel estavam completamente fixados no que havia imediatamente diante deles.
“Hahaha! Shizu-chan, se você continuar a encarar meu pau dessa forma luxuriante acabarei esquecendo-me do meu plano.”, pensou exultante.
– Certo, Shizu-chan. – disse abaixando a perna e ajoelhando-se no sofá, cada uma das pernas de um lado de Shizuo – Vamos ver se você ficou com alguma também.
Izaya segurou a borda da camiseta de Shizuo e a puxou. Somente agora via que o guarda-costas não estava vestido com a usual roupa de bartender. Amaldiçoou-o por vestir roupas casuais naquele momento. Sabia que era muito mais fácil desabotoar roupas do que passa-las por aquele cabeção loiro. Surpreendentemente, porém, o ex-barman não apresentou resistência e permitiu-o tirar a camiseta sem nenhum problema.
Izaya afastou-se um pouco e sentou-se no colo de Shizuo, lançando, em seguida, a camiseta do guarda-costas longe.
– Eu me lembro de ter mordido com força aqui, – disse passando a ponta dos dentes por um ponto do pescoço de Shizuo – mas, olha só! nenhuma marca, nem um vermelhinho. Você é tão injusto, Shizu-chan. – disse fazendo um bico, para em seguida substitui-lo por um sorriso maldoso – Bom, sem problemas, é só tentar de novo, né?!
Izaya aproximou os dentes do pescoço de Shizuo e o mordeu com força, segurando a pele entre os dentes e a puxando vigorosamente.
Não é como se ele realmente pretendesse algo com aquela mordida forte, mas o havia irritado a forma como a pele de Shizuo havia permanecido intacta enquanto a dele estava toda marcada. Mas se arrependeu da força empregada no momento que olhou para o rosto de Shizuo. Shizuo o encarava raivoso, completamente desperto do transe no qual se encontrara desde o momento que vira as marcas de Izaya.
– Izaya, desgraçado! O que pensa que está fazendo? O que pensa que está fazendo em Ikebukuro? O que pensa que está fazendo no meu apartamento? O que pensa que está fazendo com esses malditos dentes imundos em mim? – rosnou na direção de Izaya.
– Ora, ora, Shizu-chan, – começou a dizer, enlaçando os braços ao redor do pescoço de Shizuo – não é óbvio?! Estou te seduzindo. E até agora você parecia estar bem de acordo com isso.
– Seduzind... que porra, Izaya?
– Não complique as coisas, Shizu-chan. Eu vim aqui para foder. – disse rindo maliciosamente – Mesmo um protozoário sem cérebro como você já deve ter percebido que meu corpo reage ao seu e o seu ao meu. Nada de movimentos estranhos. Você quer me foder e eu quero ser fodido por você. Simples assim. Agora, tire esta expressão idiota da cara e comece a me comer.
– Oi? – perguntou Shizuo no que Izaya reconheceu como um misto de indignação e raiva.
– Vou te mostrar como é sexo de verdade, Shizu-chan. – disse aproximando-se do ouvido de Shizuo e o mordendo demoradamente o lóbulo – Aquele que você não precisa se segurar. – deslizou a língua pela extensão do pescoço do loiro – Aquele que você não precisa se conter. – mordeu a curva do pescoço – Aquele que te marca. – tirou seus lábios da pele de Shizuo e o encarou fundo nos olhos – Você pode se descontrolar agora, Shizu-chan.
Shizuo
Nunca antes uma proposta soou tão tentadora.
Shizuo considerou se não era ilegal proferir aquele tipo de palavras com aquela voz rouca e baixa. Se não era algum tipo de atentado à ordem pública e à manutenção da sanidade coletiva.
Izaya propunha que ele se descontrolasse.
Nunca antes alguma proposta assim havia sido feita.
Toda a sua vida fora orientada exatamente na direção contrária. Passara todos os seus anos anteriores tentando conter-se. Era isso, e só isso, que o permitia relacionar-se com os outros, ou trabalhar, ou ter tentar ter uma vida comum, e, ainda assim, não era como se ele obtivesse sucesso sempre.
Por mais que odiasse violência, sua vida toda fora uma luta constante contra ela.
Tudo o que tinha feito era tentar contar-se.
E então um louco pede o contrário.
Descontrolar-se. Só um maníaco como o Izaya diria algo estúpido assim.
“E sempre foi assim, né?”, não podia evitar pensar.
Izaya, desde o início sempre fora aquele que queria ver o seu descontrole. Sempre o provocando. Zombando de suas tentativas de conter-se. Instigando-o em praça pública. Fazendo-o perder o controle. Era sempre assim.
Talvez esse fosse exatamente o motivo pelo qual ele, mesmo chocado, não podia evitar achar natural uma proposta destas sair da boca do informante: Izaya era um descontrolado tentando levar descontrole ao resto do mundo.
O problema de toda a história era como a ele a proposta parecia tentadora.
Não pode evitar associar o vermelho dos olhos de Izaya ao vermelho da maça oferecida à Eva pela serpente.
Riu de sua própria associação.
Não era como se acreditasse nessas coisas. Nem em maça da perdição, nem em serpentes, nem em Eva, mas era fato que a tentação estava ali, encarando-o com um sorriso terrivelmente malicioso no rosto, sustentando a proposta.
Shizuo estava a beira do precipício, pronto para jogar-se a qualquer instante na loucura que Izaya pedia a ele. Não precisava de um empurrão para isso, mas, ainda assim, ele veio.
– Foda-se, Izaya! – disse num só fôlego ao sentir a língua de Izaya contornando a glande de seu pênis.
– Você me pareceu indeciso, Shizu-chan. Resolvi te ajudar com isso. – disse piscando um olho e passando mais uma vez a língua na ponta do pênis de Shizuo.
Shizuo não fazia ideia de quanto tempo ficara pensando sobre a proposta de Izaya, mas a verdade é que, agora, desperto pela língua do informante, o guarda-costas via que o moreno havia saído de seu colo e aberto o botão e o zíper de sua calça. Mesmo que tivesse conseguido acesso a uma parte de seu membro, porém, o informante lutava contra a calça que insistia em tapa-lo.
– Precisa de ajuda ai, pulga? – perguntou rindo diante do trabalho do outro.
– Não. Você precisa de ajuda aqui. – respondeu calmamente Izaya passando mais uma vez a língua lentamente pela parte do membro de Shizuo a qual tinha acesso.
Surpreendeu-se ao ouvir o próprio riso ecoar pelo quarto. Era mais uma daquelas vezes que se sentia leve.
O riso de Izaya também soou no quarto. Um riso livre de qualquer malícia. Um riso de quem ri de uma piada boa.
– Não ria para mim. Tire a calça para mim.
Shizuo teve que conter um novo riso diante da resposta obstinada de Izaya. Izaya sempretinha uma resposta para dar e Shizuo sempre achou isso extremamente irritante. Mas, naquela hora, por um instante bem pequeno, achou que talvez aquilo fosse parte do charme dele.
Tão logo terminou de tirar sua calça e roupa íntima e sentar-se novamente no sofá, sentiu Izaya novamente em si, desta vez, não só a língua, mas toda a boca do informante estimulava-o.
Sentiu que podia gozar só com o calor da boca do moreno.
Agora que a sentia de novo, tinha que admitir que sentira saudade daquela sensação. O hálito quente, a língua áspera, as mãos ágeis. De alguma forma, aquilo lhe parecia ainda melhor do que lhe pareceu da última vez, talvez por saber o que aconteceria, talvez pela expectativa que cultivara para sentir novamente a boca de Izaya em si, talvez por ter em mente a proposta de Izaya, talvez por ter a permissão do descontrole.
Agarrou os cabelos negros de Izaya e os puxou, fazendo o informante se afastar e o olhar.
– Izaya! Droga! – o moreno encarava-o confuso com o puxão, ainda com os lábios entreabertos e molhados em saliva – Mais.
Izaya riu.
– Impaciente, Shizu-chan. Você terá seu “mais” depois que eu tiver o meu “mais” aqui.
Assistiu Izaya passar a língua nos lábios e aproximá-los mais uma vez de seu pênis. Shizuo não queria que Izaya continuasse a chupá-lo. Shizuo queria tê-lo para si, queria aceitar sua fascinante proposta. Mas ver a forma como Izaya encarava e mantinha a boca perigosamente perto de seu membro e lembrar-se da sensação de quando ele o tomava em meio aos seus lábios, o fez soltar os cabelos de Izaya e render-se.
– Isso mesmo, Shizu-chan... Uma coisa de cada vez.
Izaya passou a língua por toda a extensão do pênis de Shizuo, da base até a ponta, e depois trilhou o caminho reverso com pequenas mordidas, roçando levemente seus dentes. Permaneceu um tempo naquela brincadeira, sem nunca abocanhar de vez o membro de Shizuo, este que, por sua vez, lutava por controlar os gemidos que insistiam em escapar impacientemente de seus lábios.
Sem dar atenção aos gemidos de Shizuo, Izaya continuava em seu próprio ritmo, voltando agora sua atenção às coxas do ex-barman, acariciando-as e mordendo-as, deixando o membro de Shizuo sem nenhuma atenção.
Quando Shizuo estava prestes a puxar à força a boca de Izaya de volta para seu pênis, sentiu-o finalmente abocanhado.
Gemeu alto e sentiu o riso do informante contra sua pele sensível.
– Maldito! Você fez de propósito!
Izaya afastou a boca e continuou os movimentos apenas com as mãos, masturbando-o lentamente.
– De propósito? O que, Shizu-chan? – perguntou sarcasticamente, com um sorriso nada casto.
– Você está fazendo de novo, pulga. Cala a boca e volta a me chupar.
– Quem é que me afastou ainda há pouco, hein? – respondeu rindo, continuando a lenta masturbação enquanto lambia lentamente a ponta do pênis. – Você é tão volúvel, Shizu-chan.Nunca consigo entender o que você quer. – acrescentou com a voz emburrada.
Uma luz se acendeu na mente de Shizuo.
– Eu entendo seu jogo, pulga maldita.
– Que jogo, Shizu-chan? Eu só estou dizendo que se você não me disser claramente, eu não conseguirei entender o que você quer. – declarou com falsa inocência.
“Eu não cair na sua, maldito! Não vou pedir por nada...”, Shizuo pensava irritado.
– Ah! Não pode ser! – disse fingindo surpresa – Shizu-chan na verdade quer que eu faça isso – passou a língua por toda a extensão do pênis – e isso? – abocanhou-o e sugou intensamente, afastando-se em seguida e voltando a apenas a masturbá-lo – É isso, Shizu-chan?
Shizuo o encarou com raiva. Izaya estava forçando, como sempre, seus limites. Não havia forma, porém, de fazê-lo implorar.
– Izaya! – Shizuo agarrou os cabelos negros ameaçadoramente.
– Ai, ai, Shizu-chan. Que violento! Esse sim é o meu Shizu-chan... Hahaha.
Shizuo abriu a boca para xingar Izaya, mas quaisquer insultos que planejasse dizer foram imediatamente substituídos por um gemido alto que escapou de sua garganta ao sentir seu pênis ser finalmente sugado por Izaya. Sem poder conter-se, manteve a mão nos cabelos de Izaya e o forçou continuamente contra si, aumentando a intensidade dos movimentos na mesma proporção dos seus gemidos. Com uma última sugada forte e um gemido alto, se desfez na boca de Izaya.
Shizuo relaxou o corpo no sofá. Só agora percebera como estava tenso.
Sentiu algo quente tocar sua mão e apertar seus dedos e institivamente afastou-a. Só então percebeu que ela estava cheia de cabelos negros. Olhou para Izaya. O informante apoiava a mão onde outrora estava a de Shizuo. Percebeu assim que usara muita força ao puxar os cabelos de Izaya contra si e o informante tocara-o para que os soltasse.
Quando pensou em pedir desculpas, mais por instinto do que por arrependimento, foi interrompido pela voz de Izaya:
– Esse sim é o meu Shizu-chan. – disse repetindo as últimas palavras que ditas e passando a língua nos lábios, limpando dali um traço de esperma.
– Você... engol... – começou a dizer, mas foi novamente interrompido.
– Sabia que você é doce, Shizu-chan? – Izaya declarou, sentando-se ao lado de Shizuo.
Shizuo não sabia nada sobre si próprio, mas esta declaração trouxe à sua mente outra lembrança, lembrança que o fez saltar para cima de Izaya e prensar seu corpo contra o dele.
– Você é doce, pulga.
Izaya
Izaya ainda comemorava sua recente vitória sobre o controle de Shizuo quando se sentiu subitamente jogado contra o sofá pelo peso do corpo do loiro.
– Você é doce, pulga. – ouviu Shizuo sussurrar em seu ouvido e depois lambê-lo atrás da orelha, fazendo-o arrepiar.
Aquela era para si uma revelação e tanto. Nunca havia escutado nada do gênero. Nunca achou que escutaria. Nem literal nem figurativamente. Pensou por um momento naquele “elogio”. Mas seus pensamentos foram interrompidos pela língua de Shizuo descendo pelo seu pescoço, contornando sua clavícula e detendo-se em um de seus mamilos.
Ao ver como Shizuo se dedicava a lambê-lo, não pode deixar de pensar que talvez ele realmente fosse doce, algo como uma grande fatia de bolo ou um pudim, a ser saboreado e devorado.
– Shizu-chan é tão literal. – riu-se.
Mas logo sua diversão e considerações foram dando espaço à outra sensação. Uma sensação totalmente centrada, guiada e direcionada à língua de Shizuo: provando-o, degustando-o, envolvendo seus mamilos, contornando seu umbigo, traçando cada uma das linhas de seu corpo.
Gemeu baixinho e enroscou seus dedos aos cabelos de Shizuo, puxando-os devagar e arranhando a nuca do loiro.
– Droga, Izaya! – foi a última coisa que ouviu antes de sentir-se repentinamente levantando e perder o apoio do sofá em suas costas. Por instinto, entrelaçou seus braços e pernas na única coisa sólida diante de si: Shizuo.
Demorou alguns instantes para perceber que Shizuo, de pé, o carregava para algum lugar. Mal teve tempo de brigar por estar sendo levado como um bebê nos braços do guarda-costas, no momento seguinte, sentiu suas costas de encontro a algo fofo e bem maior que o sofá.
Olhou ao redor e reconheceu o quatro de Shizuo.
Estava deitado na cama de Shizuo com o dono dela sobre si, arfando e encarando-o com as pupilas dilatadas.
– O sofá é pequeno. – justificou a súbita mudança.
Izaya não teve tempo de pensar em uma resposta antes de ter seu membro envolto pela boca do guarda-costas.
Curvou as costas com a generosa retribuição a qual estava sendo submetido.
– Minha vez, certo, Shizu-chan?! – concluiu com um gemido.
A Izaya, Shizuo parece bem mais desesperado do que da última vez que fizera aquilo, ainda naquela tarde. Não que antes tivesse sentido que o loiro estava chupando-o contra sua vontade, não era isso, absolutamente não. Mas, comparado a agora, ele realmente parecia contido naquela tarde.
Izaya fez uma careta, num misto de preocupação e prazer. “Se ele fez tudo isso comigo quando estava se contendo... o que diabos vai fazer agora?!”.
Shizuo respondia a sua pergunta silenciosa com mais intensidade nos movimentos com a língua, com mais força nos apertos, com mordidas nas suas coxas e virilha.
– Shizu-chan... hum... – Izaya surpreendeu-se com seus gemidos, que saiam descontrolados.
“Merda, Shizu-chan. Caralho!”, xingou mentalmente.
– Para. Para, Shizu-chan. – ouviu-se pedindo.
Não gostava do rumo que as coisas estavam tomando. Não gostava do tom de seus gemidos. Não gostava de como Shizuo parecia empenhado. Mas, ainda assim, ficou absolutamente puto quando Shizuo obedeceu e parou.
– Sim, Izaya. Até porque... – Shizuo começou a dizer, desviando a boca do pênis de Izaya – ninguém quer que você goze agora, né?! – terminou, apertando a base do pênis de Izaya, que gemeu em desagrado.
Izaya já controlava um pouco mais sua respiração. Podia-se manter bem agora. Podia manter-se no controle com a boca de Shizuo ocupando-se apenas de suas coxas e panturrilhas. Mesmo que se mantivesse por um fio. Mesmo que só tivesse uma linha muito tênue de controle.
Shizuo era intenso. Ela sabia disso. Sempre foi o que gostou no guarda-costas. Mas agora, sentia-se quase incapaz de lidar com toda a intensidade dele. Sentia-se incapaz de lidar com a dubiedade do que a intensidade de Shizuo trazia a ele: o lado que gritava “me devolva” e o que gritava “me tome”.
Uma mordida na parte de trás de seus joelhos o trouxe de volta de seus pensamentos e não pode conter um gemido.
– É bom, né?! – riu Shizuo, mordendo-o novamente naquela área e lambendo-a em seguida.
Izaya sentiu seus joelhos dobrarem-se forçadamente em direção ao seu tronco, quase tocando seu peito, e serem, então, subitamente separados, deixando-o totalmente exposto.
– Você parece ótimo assim, Izaya. – ouviu a voz embargada de Shizuo.
– Fico satisfeito que goste. Vai me devorar agora, Shizu-chan? – respondeu debochado, retribuindo a provocação de Shizuo. Essa era uma das coisas que não abriria mão: não iria submeter-se passivamente a Shizuo.
– Que impaciente, Izaya-kun. Você terá seu “mais”. Depois que eu tiver o meu “mais” aqui. – disse rindo, fazendo referencia a frase dita por Izaya.
– Engraçadinho. Mas eu não pedi por “mais”, Shizu-chan. – declarou orgulhoso.
– Ainda.
Izaya foi obrigado a agarrar firmemente os lençóis da cama quando sentiu seu pênis ser novamente envolvido pela boca de Shizuo, dando início a uma nova sequência de leves sugadas. Quando Izaya sentiu-se novamente próximo ao auge, sentiu Shizuo afastar-se novamente, mas, desta vez, nenhuma palavra saiu dos lábios do guarda-costas. Izaya gemeu alto ao perceber que Shizuo estava direcionando sua língua para outra parte de seu corpo que não seu pênis ou suas coxas.
– Shizu-chan, maldito... – foi obrigado a calar-se ao sentir novamente a língua de Shizuo – O que está fazendo?
A resposta que obteve, porém, foi ter seu corpo brutalmente virado de bruços. Antes que pudesse desvirar-se para protestar, sentiu seu quadril ser agarrado e forçado a empinar-se. A língua de Shizuo voltou a invadi-lo.
– Shizu-chan... – reclamou num só fôlego, sentindo a língua de Shizuo acaricia-lo e, então, novamente invadi-lo.
– Vai ser desconfortável para mim também se você estiver seco. – respondeu Shizuo diante da insistência do outro.
Izaya gemeu mais uma vez.
– Você parece muito cheio de moral para um cara com a cara enfiada na bunda de outro cara. – rosnou sarcástico.
– E você parece bem ousado para um cara que está de quatro pra outro cara. – declarou Shizuo rindo.
Por mais que quisesse continuar com a provocação, Izaya mal podia concentrar-se em buscar por uma resposta. Aquilo era bom, ele tinha que admitir que era bom. Sentia que podia gozar só com isso, ainda mais agora que Shizuo tinha juntado seus dedos à sua língua.
– Agora, você pode gozar, Izaya. – declarou Shizuo, levando uma das mãos ao pênis de Izaya e masturbando-o enquanto continuava os estímulos com a língua e os dedos.
Izaya gozou imediatamente, como se a fala de Shizuo fosse um ordem direta.
Sentiu Shizuo soltar seu quadril e jogou-se na cama, ainda sentindo espasmos pelo recente orgasmo.
Sua respiração começara a normalizar-se quando sentiu um peso sobre seu corpo e, posteriormente, a língua de Shizuo em sua nuca.
– Você é um bem insaciável, hein?
– É você que está rebolando debaixo de mim, Izaya-kun.
Izaya confessava, no momento que sentiu Shizuo colocar seu corpo sobre o dele começara a deseja-lo novamente. Talvez a promessa que fizera a si mesmo não iria abandoná-lo enquanto não a cumprisse: ele iria, definitivamente, colocar Shizuo no lugar dele.
Ele sabia o ponto fraco de Shizuo: ele era fraco quando se tratava de prazer. Iria ouvir mais uma vez o loiro pedindo por “mais”.
“Quem sentir mais prazer no sexo sempre será o mais manipulável, Shizu-chan”, pensou divertido. “Então é a hora de você gemer pra mim”.
Izaya começou a levantar-se e empurrar junto o corpo de Shizuo. O guarda-costas riu e deixou-se levantar, provavelmente ansioso para ver qual seria a próxima ação do informante.
Izaya sorriu ao ver o loiro sentado diante de si, olhando-o maliciosamente em expectativa.
– Então, pulga, o que vai fazer agora?
– Fazer você gemer como uma puta, Shizu-chan. – respondeu com a voz doce.
Izaya considerou, sinceramente, ouvir a objeção de Shizuo à sua resposta. Gostaria, realmente, de saber o que o guarda-costas diria para combinar com a expressão absolutamente raivosa que fazia. Ao mesmo tempo, porém, estava ansioso por transformar aquela expressão em outra totalmente diferente.
Cedendo à sua segunda vontade, Izaya ajoelhou na frente de Shizuo, cada uma de suas pernas de um lado do quadril do guarda-costas, e agarrou o pênis do loiro, direcionando-o, posteriormente, à sua entrada e inserindo-o.
Teve que conter um gemido de desagrado pelo desconforto causado pela recente invasão. Mas qualquer sensação desagradável foi varrida de sua mente ao encarar o rosto de Shizuo.
Mesmo com a dor que sentia no momento, o informante pôs-se a rir descontroladamente.
“Essa expressão é a melhor, Shizu-chan. Era disso que estava falando quando disse que ia te fazer gemer como uma puta!”.
Izaya analisava encantado o rosto de Shizuo: os olhos fechados, as sobrancelhas juntas e a mandíbula travada. Aquela era, para Izaya, a definição de prazer. Sentia-se em êxtase por ser capaz de arrancar aquela expressão do guarda-costas. Sentia-se em êxtase por sentir que, talvez, ele fosse a primeira pessoa a quem o loiro mostrava aquela expressão.
Respirou fundo, entrelaçou as mãos no pescoço do ex-bartender e sentou-se, deixando o membro de Shizuo invadi-lo profundamente. A dor superada pela necessidade de arrancar mais gemidos de Shizuo.
– Izaya... – gemeu o guarda-costas.
Motivado pelos gemidos obscenos sussurrados contra seu pescoço, Izaya começou a mover-se, cada vez como mais intensidade.
– Shizu-chan. Me diz... você gosta? – sussurrou, aproximando os lábios do ouvido de Shizuo. – É bem melhor que aquela merda de beijo, certo? O que diabos você pensava para me beijar daquele jeito?
Shizuo lhe parecia totalmente fixado no que sentia, ignorando tudo o que não fosse o contato imediato entre eles.
– Assim é bem melhor, certo? Então... geme pra mim, Shizu-chan. – pediu rindo. – Pede por mais!
A única coisa que lhe dizia que Shizuo ainda estava consciente de si eram seus sonoros gemidos. Gemidos que soavam como a mais bela música aos seus ouvidos. Gemidos como os que gostaria de ter ouvido desde o início. Gemidos que mostravam que Shizuo estava completamente entregue a ele. Gemidos que mostravam que Shizuo não via mais nada. Gemidos que eram só seus. Só seus... assim como Shizuo era naquele momento.
Extasiado pelo controle que tinha sobre Shizuo, Izaya movia-se cada vez mais rapidamente e ardentemente: afastando-se até quase tirar o pênis de Shizuo para depois toma-lo novamente para si.
Seu objetivo estava cumprido.
Sua meta era alcançada e ultrapassada cada vez que ouvia seu nome saindo dos lábios de Shizuo, cada vez que Shizuo o reprimia por afastar-se, cada vez que ouvia seu tom suplicante.
“O controle está nas mãos daquele que se importa menos, daquele que sente menos, Shizu-chan”, pensava enquanto se alegrava com a própria dor e com o prazer do outro.
– Shizu-chan...
Espantou-se com o suspiro que saia de seus lábios. Espantou-se ao ver que sua dor ia gradativamente abandonando-o. Espantou-se ao sentir seu quadril movendo-se sem suas ordens.
– Shizu-chan... mais...
Um único movimento foi o suficiente para que Izaya visse escapar de suas mãos o tão amado controle: Shizuo segurou-o fortemente pela cintura e começou ele mesmo a guiar a penetração. Izaya, sabendo-se fisicamente mais fraco, nada podia fazer enquanto via Shizuo roubar de si sua dor, seu corpo, seu controle e levar com ele junto a gemidos impudicos.
Aos gemidos antes unilaterais, ouvidos apenas na voz rouca e grave do guarda-costas, juntaram-se gemidos mais baixos, ecoando na voz que usualmente carregava-se de deboche.
Os gemidos de Izaya, começados baixos, aumentavam cada vez que sentia Shizuo forçando seu corpo contra ele, acertando em um ponto específico dentro dele.
Izaya sentia as pernas fracas, sentia os lábios tremerem, sentia Shizuo dentro de si, sentia os lábios de Shizuo em seu pescoço, sentia um calor intenso queimando-o de dentro para fora e turvando seus pensamentos.
Com seu último fio de lucidez, decidiu parar Shizuo e sua investida impiedosa no intento de tomar dele o que era seu por direito: controle.
Entrelaçou os dedos nos cabelos de Shizuo e empurrou os lábios dele para longe de seu pescoço.
Longe.
Longe dele era bem mais seguro.
A diferença de força entre eles era imensa, entretanto, e logo sentiu os lábios de Shizuo aproximarem-se novamente de sua clavícula, prontos para tomar dele o espaço que conseguira com tanto custo. Num último esforço impediu-os brutalmente de alcançarem seu objetivo cravando seus dentes neles.
No instante, porém, no qual sentiu seus dentes enterrarem-se na pele macia do lábio inferior de Shizuo, soube que tinha perdido sua batalha.
Shizuo
Shizuo sabia que era loucura.
Só loucura justificaria tomar em seus braços o inimigo e possuí-lo ouvindo-o gemer seu nome.
Aquela era, porém, sua resposta à proposta de Izaya.
Gostaria de dizer que fora intencional, que seu descontrole fora causado apenas por sua própria vontade, mas sabia que não era verdade. Naquele momento seu descontrole era de Izaya.Somente dele.
Sua mente estava completamente em branco. Como sempre quando se tratava de Izaya provocando-o, ele era só sentidos. Toda a sua consciência enterrando-se em Izaya, presa no atrito entre os corpos deles.
Ao sentir os dentes de Izaya cravarem-se em seus lábios, portanto, sequer passou por sua cabeça a rejeição daquela tarde. Nenhuma memória sobre a relutância de Izaya em entregar-se ao seu beijo passou por sua mente. Sua única ação foi segurar com força a cintura de Izaya e, sem quebrar o contato entre eles, empurrá-lo de costas contra a cama, colocando-se em cima dele e aprofundando os toques entre eles, tanto a penetração quanto o beijo.
Suas estocadas se tornaram mais intensas enquanto sua língua invadia a boca de Izaya, forçando-a a abrir-se. Seu quadril forçava-se contra o dele ao mesmo tempo em que tomava a língua do informante para si, forçando-a a entrelaçar-se à sua.
Viu o informante livrar-se com brutalidade de seu beijo virando o rosto para o lado. Preparava-se para toma-lo de novo para si, descontente com o ato de rebeldia do outro ao afastar-se, quando viu Izaya morder com força os lábios para em seguida soltá-los e abri-los novamente em um gemido intenso e longo. Enquanto se extasiava com o gemido de Izaya, sentiu seu abdômen molhar-se e seu pênis ser apertado por contrações.
Deslumbrado pelo gemido do outro e incentivado pelas contrações de seu orgasmo, acabou ele mesmo por desfazer-se dentro de Izaya.
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– Pulga, você fala um monte de merda. Mas no fim acabou me beijando. – declarou sentado na cama, acendendo um cigarro e olhando Izaya largado entre os lençóis.
– Mordida, Shizu-chan. – corrigiu Izaya.
– Mordida? Mordidas só envolvem dentes, pulga. Eu senti muito bem uma língua na minha boca. – debochou.
– É uma mordida adaptada. Uma mordida só para monstros. – explicou Izaya com a voz cansada, puxando para o peito um travesseiro largado na cabeceira da cama e fechando os olhos.
Shizuo olhou indignado para o informante, pronto para expulsá-lo de sua casa, mas, ao olhar para ele tão indefeso, com os olhos fechados e uma expressão tão diferente da sua usual fachada irônica, abraçado ao seu travesseiro, não pode evitar sorrir pela explicação boba de Izaya.
Pela primeira vez na vida Shizuo não se importou por ser um monstro.
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