Notas iniciais
Olá! Esse capítulo saiu um pouco mais cedo porque eu vou sair no horário que costumo postar. Espero que gostem!

Adrien suspirou, sabia que isso não seria certo. Fingir que gosta de uma pessoa apenas para não magoá-la ou por ter pena poderia trazer consequências terríveis, principalmente em uma cidade na qual qualquer sentimento negativo era motivo para transformar-se em um supervilão.

O loiro afundou a face no travesseiro, aquela situação era complicada. Se dissesse a verdade, contando para Marinette que não é apaixonado por ela, a garota poderia ser akumatizada e revelar sua identidade para Hawk Moth. Se mentisse, fingindo que agora retribuía os sentimentos da amiga, seria descoberto uma hora ou outra e poderia ser bem pior. Além de perder a amizade, poderia perder sua identidade secreta e, consequentemente, a liberdade proporcionada por seu alter-ego, aquela que o modelo tanto almejava ter sem a máscara.

Gostaria de voltar no tempo e não encontrar aquelas cartas em seu armário no colégio. Ou melhor, encontrar uma forma de que Marinette não tivesse visto a transformação de Chat Noir. Mas, infelizmente, ele não podia mudar o passado e tinha que resolver aquela situação da melhor maneira possível. Manter sua identidade em segredo era sua prioridade, não podia correr o risco de que o vilão de Paris descobrisse onde está o portador de um dos miraculous que tanto deseja.

Depois de pensar muito, ele concluiu que não tinha jeito. Uma hora aquela conversa sobre os sentimentos da azulada iria acontecer, mas ele tentaria adiá-la o máximo que pudesse. Ele reconheceu que tinha uma tarefa complicada pela frente: manter a amizade de Marinette e sua identidade secreta a salvo. E, para isso, teria que fazer algo que estava detestando ultimamente: deixar o silêncio tomar conta de si.

***

Adrien entrou na sala de aula, cumprimentou os amigos e sentou-se ao lado de Nino, esperando a professora chegar. Inevitavelmente, acabou escutando a conversa das meninas atrás de sua carteira.

— O quê? Como assim a prova de física é na segunda-feira? — Falou a azulada.

— Ué, amiga, a professora avisou há um bom tempo. Você não anotou?

— Acho que sim, mas eu não lembrava. Caramba! Eu não entendi quase nada dessa matéria.

— Também… você faltou quase todas as aulas desse mês. E, quando vinha, chegava atrasada. — Disse Alya e Marinette começou a lembrar que diversos akumatizados tinham atacado no horário da aula de física ou, quando não estava salvando a cidade, acabava perdendo a hora e, consequentemente, só assistia metade da aula. Mas como explicar isso para a amiga sem revelar que era Ladybug?

— Você está certa, Alya, eu perdi as aulas e agora terei que me virar. Espero que tenha vídeos na internet que expliquem bem a matéria.

— Olha, eu sei algumas coisas, posso te ajudar. Quer ir lá pra casa depois da aula para estudar?

— Claro!

— Espera aí! Vocês vão estudar física e nem me convidam, sabendo que estou precisando tirar uma nota boa? — Falou Nino.

— Ninguém te ensinou que não é legal ficar ouvindo as conversas dos outros? — Provocou a morena.

— Acho que vou sem convite mesmo. — Alya fez uma careta e Marinette riu.

— Eu disse que só sei algumas coisas e acho que não vou saber explicar.

— Ei, eu conheço alguém que é muito bom em física e pode nos ajudar. — O moreno olhou para Adrien, que mexia no celular.

— Qual é o endereço da sua casa, Alya? — Perguntou o modelo.

— Olha só! Parece que não sou só eu que fico "escutando a conversa dos outros". — Nino olhou para a namorada, que colocou a mão na testa.

— Está influenciando o garoto. — Disse Alya e todos riram.

— Já que todo mundo vai, o que acham de irmos juntos? — Sugeriu a azulada e os amigos concordaram. Antes que dissessem mais alguma coisa, a professora de química chegou ao local e começou a revisar a matéria da prova.

Quando o sinal anunciou o início do intervalo, os quatro amigos foram para biblioteca. Marinette e Adrien ficaram em uma mesa, enquanto Alya e Nino iriam "escolher um livro", como disse a morena. A azulada sabia que a amiga tinha feito isso apenas para deixá-la sozinha com o modelo. "Ela já deu essa desculpa do livro antes, que falta de criatividade! Daqui a pouco o garoto vai acabar desconfiando", ela pensou.

— Espero que, dessa vez, eles voltem antes do intervalo terminar. — Comentou o loiro e a menina riu. "Aí! Eu não disse? Ele já está percebendo. Tenho que pedir para a Alya parar com isso", a azulada pensava.

— Então, você sabe a matéria de física? — Disse ela, apenas para puxar assunto.

— Eu faltei algumas aulas, mas entendi umas coisas. Acho que, se juntarmos o que eu sei com o que a Alya sabe, conseguimos estudar muito bem.

— Que bom, porque para mim parece que a matéria está em códigos.

— Não está tão difícil. Quando a gente começar a fazer os exercícios vai ficar bem tranquilo.

— Acho que faltei nas aulas que a professora passou os exercícios. — Falou Marinette rindo e foi seguida pelo loiro.

— As aulas de física não são em um horário muito bom. Sempre dá um sono…

— Finalmente alguém concorda comigo! — Os dois riram, mas depois ficaram em silêncio. Adrien percebeu que a menina parecia pensativa, talvez até… indecisa. "Será que ela vai perguntar se eu recebi as cartas?", ele pensou, sentindo o coração acelerar. Mas, para a surpresa dos dois, Nino e Alya se aproximaram com livros nas mãos.

— E aí, especialista, esses aqui estão bons para a gente estudar? — Disse Alya, dirigindo-se ao modelo. Adrien olhou rapidamente as páginas, fingindo ser muito exigente, e assentiu.

— Aprovados! — Os amigos riram levemente e continuaram conversando até o sinal tocar.

***

Quando aquele dia de aulas finalmente chegou ao fim, todos se reuniram na porta da escola e Adrien percebeu que ainda não tinha avisado ao pai que não iria diretamente para casa.

— Vamos? — Falou a morena.

— Gente, eu… acabei de me lembrar que não liguei para o meu pai avisando que iria estudar com vocês. Podem esperar um pouco? — Disse o loiro, visivelmente desconfortável e os amigos assentiram. Ele sabia que, se Gabriel não permitisse, não adiantaria insistir. O modelo se afastou um pouco para fazer a ligação, mas quem atendeu foi Nathalie. Para a felicidade dele, não teria nenhum compromisso naquela tarde e o designer de moda o deixou sair. Porém, quando disse que seria na casa de uma amiga da escola, conseguiu ouvir o pai reclamar alguma coisa, dizendo que preferia quando o filho estudava em casa, que estava mais seguro e não tinha "más influências". Adrien sentiu o sangue ferver, mas, de qualquer forma, poderia ir para a casa de Alya.

— Então, ele deixou? — Perguntou a morena, após o fim da ligação.

— Deixou. — Ele respondeu, um pouco cabisbaixo, pensando no que tinha escutado.

***

O loiro entrou na Mansão Agreste após a tarde de estudos com os amigos. Aquelas poucas horas tinham sido tão boas! Embora estivessem estudando, sempre acabavam rindo ou entendendo uma questão juntos, o que deixou tudo mais divertido. Teve apenas um momento que o deixou aflito: quando Alya e Nino o deixaram sozinho com Marinette. Ela começou a falar sobre a prova de literatura e foi só o modelo escutar a palavra "poema" que um frio percorreu seu corpo. E, quando sem querer suas mãos se tocaram, ele notou um arrepio, mas pensava que era apenas por conta do nervosismo que estava sentindo. Felizmente, para ele, a menina não falou nada sobre as cartas e o modelo quase soltou um suspiro de alívio quando o casal de namorados voltou.

Mas nem tudo naquele dia tinha sido incrível. Lembrou-se das palavras do pai quando ligou para pedir permissão. Sabia que Gabriel não aprovava muito o fato de estar indo ao colégio, mas escutar aquilo diretamente era muito difícil. Para completar, assim que entrou na mansão, o designer de moda o encarou com um olhar de reprovação e praticamente o trancou no quarto para treinar piano. Mais uma das coisas que o loiro fazia apenas porque Gabriel desejava. Adrien queria tomar suas próprias decisões, fazer o que quisesse sem precisar se preocupar se o pai permitiria ou não. Mas não era assim na realidade em que vivia e restava para ele apenas aceitar.

O modelo foi para o quarto e deitou na cama. Estava cansado por conta da escola e das diversas atividades que tinha feito naquela semana: reunião, sessão de fotos, chinês, esgrima… Isso sem falar da exaustão em sua mente, tinha pensado muito nos últimos dias. Ele não estava com a mínima vontade de tocar piano e ficar repetindo aquela melodia que seus dedos insistiam em errar, mas também não estava com sono.

Ignorando os avisos de sua mente, que diziam para não fazer aquilo, Adrien caminhou até o guarda-roupa, encontrando a caixa em que havia guardado os poemas de Marinette. Pegou aquele que tinha o título "segredos" e releu, mas uma estrofe chamou sua atenção.

Muitas coisas têm explicação
Porque agora eu sei a verdade
E não irei esconder de você:
Meu desejo se tornou realidade

Quando leu aquilo pela primeira vez, lembrou do dia em que Marinette tinha dito que era apaixonada por Chat Noir. Ela foi a primeira garota que tinha se declarado para ele e, naquele momento, se sentiu feliz por isso. Mas o modelo amava Ladybug e teve que dizer isso para a amiga. E agora teria que fazer isso mais uma vez.

Pensar em seu alter-ego o fazia lembrar de sua parceira e ele sempre se perguntava na razão de ela não retribuir seu amor. "É que tem um garoto…", Ladybug revelou após lutarem contra Glaciator. Mas isso não o foi o suficiente para fazê-lo desistir de sua amada. E foi por causa dela que rejeitou Marinette quando ela revelou-se apaixonada por Chat Noir.

"Marinette…", Adrien lembrou que a amiga conhecia seus dois lados: com e sem a máscara. E tinha se apaixonado por ambos: o modelo e o herói. Inevitavelmente, começou a reparar nas diferenças entre ele e seu alter-ego.

***

— Por que você não falou com ele? — Perguntou Tikki.

— Sei lá, acho que não era o momento. — Disse a azulada.

— Você não me engana… — A azulada suspirou e, depois de alguns segundos, se rendeu.

— Você mesma disse, ontem, que nós precisávamos de um tempo para pensar. — Marinette olhou para a kwami que tinha uma expressão que parecia dizer "fala logo a verdade!" — Tá! Eu… não tenho coragem.

— Como assim não tem coragem? Conversou com ele várias vezes hoje.

— Falar sobre sentimentos é complicado, principalmente com quem você ama. — Tikki se aproximou da menina, que olhava para baixo.

— Marinette, você conseguiu escrever quatro poemas, contando com o do dia dos namorados e com o que recuperamos, declarando seu amor pelo Adrien. — A kwami levantou o rosto da azulada — Se você conseguiu colocar seus sentimentos no papel e se preocupando com as rimas, nem imagino como vai ser quando falar diretamente com ele. — A menina ficou em silêncio — Já sei! Vai ser assim: o-oi, t-tudo bem? A-acho que você já leu os meus limões. Não! Meus cartões! — As duas riram.

— Viu? Até você concorda que eu sou melhor escrevendo. — Tikki revirou os olhos — É isso! Vou escrever! Vou mandar uma mensagem para ele.

— Tem certeza? Conversar assuntos sérios pela internet quase nunca dá certo.

— Ah, relaxa! Vai dar certo! — Ela falou, pegando o celular, mas não estava com tanta certeza do que disse. A menina encontrou o contato de Adrien e começou a digitar. — Vou acabar com isso de uma vez.

Notas finais
Então, o que acharam? O próximo capítulo será postado na segunda-feira. Obrigada por ler!