De manhã acordou com uma enorme dor de cabeça. Sentou-se e esfregou os olhos. Adormeceu a chorar, só esperava que Derek não tivesse ouvido.

Lembrou-se que era sábado, por isso voltou a deitar-se. O que menos queria era levantar-se e ter de lidar com o caos da sua vida. Tentou voltar a adormecer, mas sem sucesso. Fixou o olhar no teto. Tentou desviar os pensamentos do pai. Perguntou-se o que estaria Derek a fazer àquela hora. Talvez nem estivesse em casa.

Durante toda a manhã deixou-se ficar deitado, sem ninguém a incomodá-lo. O seu estômago queixou-se de fome, não comia praticamente nada desde há dois dias, contudo, ao mesmo tempo, não tinha qualquer vontade de comer.

Ao início da tarde decidiu por fim levantar-se e descer do quarto. Quando chegou à sala, viu que estava vazia. Derek não estava ali.

Stiles pegou no telemóvel. Tinha várias mensagens, do Scott e da Lydia, queriam saber como ele estava. Respondeu-lhes que estava tudo bem, para os deixar descansados.

– Já acordaste? – Stiles sobressaltou-se. Nem se apercebera que Derek tinha entrado.

– Sim… — balbuciou.

Derek acenou e começou a subir as escadas.

– Ei… — chamou Stiles – Onde é que foste?

– Fui dar uma volta por aí.

– Estás a mentir… Foste à procura do Peter?

Derek olhou para ele nos olhos. Stiles sabia perfeitamente quando o lobisomem estava a mentir, sem precisar de poderes sobrenaturais.

– Fui… mas não há sinal dele nem de Kate. Não te precisas de preocupar.

Stiles sabia que era egoísta pedir a Derek para fazer justiça em seu nome, por isso não disse nada. Se pudesse, fá-lo-ia ele mesmo, com as suas próprias mãos.

Stiles limitou-se a acenar. Sentou-se no sofá e colocou a cara entre as mãos. Nunca se sentira tão mal na sua vida.

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Stiles deambulara durante todo o dia pelo apartamento, até se forçara a colocar alguma comida no estômago. Derek deixara-o sozinho pela maior parte do tempo, e por isso estava-lhe grato.

Ao anoitecer, Derek foi encontrá-lo mais uma vez a olhar pela janela. Sentou-se no sofá a ler um livro.

Era estranho estar a viver com Derek Hale. Por muito tempo tinham-se odiado, mas a sua relação crescera, se não fosse amizade, então era pelo menos um respeito mútuo.

Lançou um olhar na direção de Derek, e estudou-o por uns segundos. Estava a ler um velho livro sobre antigas lendas americanas.

– Precisas de alguma coisa, Stiles?

– Não… nada. Não te quero incomodar.

– Não incomodas…

– Incomodo sim! Estou a viver na tua casa, invadi o teu espaço. Eu não preciso de estar aqui, e tu não tens de fazer isto por mim.

– Se eu não quisesse que estivesses aqui, não estavas. E sim, precisas de viver aqui, não podes ficar sozinho. Eu sei o que isso é, perder tudo, por isso estou aqui para ti agora.

Stiles não esperava aquela resposta. Aproximou-se mais de Derek.

– Não quero que penses que estou a ser ingrato, é só que… — Stiles não sabia o que dizer mais, já sentia mais uma vez as lágrimas a subirem-lhe aos olhos.

Derek levantou-se e dirigiu-se para ele. Envolveu-o nos seus braços fortes, e Stiles apoiou a cabeça no seu ombro, pôs os braços em seu redor, e deixou as lágrimas correrem. Era espantoso como aquele abraço era reconfortante para si. Pareceu durar horas, e quando Derek se afastou foi como se tivesse durado apenas um segundo. Stiles limpou as lágrimas com os dedos e desviou o olhar do de Derek. Aquela proximidade assoberbou-o.

– Não prometo que vá ficar tudo bem, mas vai melhorar. – Consolou-o Derek, segurando-o gentilmente pelos ombros.

Stiles ergueu o olhar para o dele e, como que por impulso, agarrou na sua camisola e encostou os lábios aos dele. Fechou os olhos. Derek não tentou afastar-se, agarrou-se a ele com mais força, abriu os lábios ligeiramente e beijou-o com maior intensidade. Stiles sentiu-se a sufocar. Os seus problemas pareceram desvanecer-se naquele momento. Mas os seus pensamentos voltaram à realidade. Largou Derek e subiu as escadas a correr.