Depois Daquele Dia
1 O inverno bate à sua porta.
Notas iniciais
Espero que gostem :)
Thalia
Eu amo o inverno. Sério. É a melhor estação de todas.
Você não morre de calor, tem dias que não precisa trabalhar devido à neve, pode ficar o final de semana todo sem ter que sair de casa com a desculpa de que está frio, o chocolate quente substitui toda e qualquer coisa e você ainda pode usar aqueles casacões legais.
Mas naquele décimo primeiro dia de inverno, eu decidi sair.
Era um sábado e eu logo pela manhã já estava entediada.
Como morava perto do Central Park, decidi ir até lá a pé mesmo, para sentir a neve cair em meu rosto.
Nunca havia visto uma cena tão bonita.
Os extensos jardins todos cobertos pela grossa nela, os lagos congelados com crianças patinando sobre eles, pais fazendo piqueniques com seus filhos debaixo de árvores, jovens casais correndo e jogando neve um no outro e casais já mais velho sorrindo para tudo aquilo.
Ai eu me lembrei que em vinte e dois anos de vida, nunca fiz parte disso.
Zeus Grace nunca teve nenhum momento feliz com nenhum de seus seis filhos. Na verdade, acho que naquele dia já fazia três meses que não me encontrava com meu pai.
Antes que pudesse me entristecer com esses pensamentos, caminhei em direção à uma filha de bancos, que não havia ninguém sentado.
Ao invés de me sentar como uma pessoa normal, comecei a caminhar sobre os bancos congelados, e pular de um para o outro cantando alto a música que soava através de meus fones de ouvido. Me lembro que era Stairway to Heaven, do Led Zepplin, que eu cantava um pouco ofegante, devido aos pulos.
Foi emocionante correr o risco de escorregar, cair, bater com a cabeça e morrer. Mas quando isso estava para acontecer, algo me segurou muito forte, impedindo até que meus pés tocassem o banco.
Fechei os olhos com força, pensando que era aquilo que sentíamos quando morremos. Mas senti um dos meus fones de ouvido ser retirado, e abri os olhos devagar, encontrando um rapaz alto e forte à minha frente, com incríveis olhos e cabelos negros, e ele disse:
- Acho que a senhorita não deseja morrer ouvindo Stairway to Heaven.
- Como sabe? — perguntei me desvincilhando daqueles braços.
- Como sei qual música estava ouvindo, ou como sei que não quer morrer? — ele perguntou zombando de mim.
Bufei e tirei a neve de meu casaco.
- Quem é você? — perguntei.
- Nicolas Di'Ângelo. — ele respondeu. — Mas me chame de Nico, senhorita ...
- Thalia. — respondi.
- Thalia. Bonito nome. — ele disse. — Vai fazer algo mais importante do que tentar se matar, agora?
Neguei com a cabeça e continuei a encarar os orbes negros de Nico.
- Aceita ir à uma cafeteria? — ele perguntou.
- Por que não sair com um estranho? — eu respondi e nos pusemos a andar.
Passei o resto da tarde ao lado daquele estranho, mas foi muito melhor do que ficar em casa sem fazer nada.
Na verdade, foi muito melhor do que qualquer coisa que já havia acontecido a mim naquele inverno. Por que, você se pergunta.
Bem, Luke, me traiu com a garota mais megera da história, Drew Tanaka. Annabeth viajou em lua de mel com Percy, e Rachel foi para a casa dos pais dela. Sadie viajou com seu irmão Carte para a casa de seus avós.
Meu pai, estava trabalhando, como sempre. Ártemis devia estar enfurnada na grande mansão dos Grace, Hebe provavelmente estava com o namorado e meus outros três irmãos como sempre, estavam na cama com algum rabo-de-saia.
Só me restava Nico, o cara que acabei de conhecer.
Nico me contou que havia acabado de se formar em ciência forense, e eu lhe contei que trabalhava na empresa de meu, apesar de em nenhum momento ter mencionado que era uma Grace.
As pessoas mudam totalmente quando falo que sou Thalia Grace. Passam de um comportamento bom à um perfeito, passam de legais à bajuladoras e assim por diante.
Provavelmente seja por isso que para mim, às vezes, a morte parecia ser uma boa opção. Eu estava cansada daquela vida falsa, com pessoas falas, que agiam falsamente.
Depois de sair da cafeteria, visto que já era noite, Nico me deixou em casa, que era em um prédio não muito longe dali.
- Então, posso te ligar se quiser te ver novamente para ter certeza de que está viva? — Nico perguntou e eu sorri com sua piada idiota.
- Você quem sabe. — falei colocando minha chave na fechadura da porta.
- Olha que eu ligo heim. — ele disse e nós rimos. — Boa noite, Thalia.
- Boa noite, Di'Ângelo. — finalizei com um sorriso e adentrei meu apartamento.
E esse foi um, dos muitos dias que se seguiriam com o rigoroso inverno.
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