Depois Daquele Dia
2 Chocolate quente.
Notas iniciais
Espero que gostem :)
Nico
Acho que desde muito novo, sempre vivi à sombra de minha família.
Quando não era meu pai que saia na mídia por fechar contrato com mais uma grande empresa, era minha irmã, que descobria mais uma utilidade das células tronco.
Não era inveja, mas eu já estava cansado de ficar conhecido como 'o filho de Hades' ou 'o irmão de Bianca Di'Ângelo'. Eu queria ser conhecido como Nico.
O inverno era sempre uma ótima oportunidade para médicos forenses.
Fazia cerca de um ano que eu trabalha no ramo, e meu objetivo principal era solucionar os casos que há muito haviam sido esquecidos.
Naquele dia de inverno, eu estava de folga, visto que era sábado.
Depois de almoçar com a Bianca e seu marido Tristan, decidi dar uma volta pelo Central Park e tirar umas fotos.
Apesar de ser um médico forense ou, como falado mais comumente, ser parte da perícia, sempre adorei tirar fotos. De tudo. Pessoas, vegetação, animais, comida, lugares, tudo.
Olhando para aquela cena de filme, onde todos os nova-yorquinos se reúnem no Central Park para um flashmob ou mesmo a simples patinação no gelo, encontro um elemento não muito comum naquele meio, uma pessoa sozinha.
Era uma moça, com a minha idade mais ou menos, e ela pulava de um banco para o outro, sem medo aparente de escorregar e cair.
Quando eu já estava bem perto dela, e já tinha fotos suficientes para um dia, ela escorrega.
Por um momento, eu não sabia se corria para ajudá-la ou só observava a morte por traumatismo craniano profundo de uma estranha.
Eu podia muito bem deixá-la morrer, e seria até premiado em meu emprego por saber exatamente o que causou a morte e porque tal coisa aconteceu.
Mas seria errado. Totalmente errado.
Me lembro que deixei a câmera profissional nova cair no chão, para poder correr e segurar a moça, antes que caíssem de mal jeito no banco.
Ela estava cantando Stairway to Heaven, antes de cair.
Segurei a moça de tal forma, que seus pés não podiam sequer encostar no banco. Os olhos dela, fechados tão forte que estavam enrugados.
Retirei um de seus fones de ouvido, para que ela pudesse escutar o que eu falaria a seguir. Ela abriu os olhos, e ao encontrar aqueles grades orbes azuis, quase não consegui falar.
– Acho que a senhorita não deseja morrer ouvindo Stairway to Heaven. — falei.
– Como sabe? — ela perguntou saindo de meu aperto.
– Como sei qual música estava ouvindo, ou como sei que não quer morrer? — eu perguntei com a voz em tom de deboche.
Ela bufou e bateu as mãos no casaco, na tentativa de tirar a neve de seu casaco.
– Quem é você? — ela perguntou.
– Nicolas Di'Ângelo. — respondi — Mas me chame de Nico, senhorita ...?
– Thalia. — ela respondeu sem citar seu sobrenome, mas de alguma forma, eu sentia que já a conhecia.
– Thalia. Bonito nome. — disse — Vai fazer algo mais importante do que tentar se matar, agora?
Ela negou e eu perguntei:
– Aceita ir à uma cafeteria?
– Por que não sair com um estranho? — ela respondeu, e depois de uma troca mútua de sorrisos, começamos a andar.
A levei para uma cafeteria ali perto, que eu gostava bastante.
Conversamos um pouco antes que a garçonete viesse nos atender, e descobri que ela tinha vinte e dois anos, um ano mais nova do que eu.
- Um café forte, por favor. — pedi para mim.
- Eu quero um chocolate quente. — Thalia pediu. — E se possível, adicione uma dose extra de chocolate.
- Vão querer algo para comer? — a garçonete perguntou.
- Waffles, para mim. — Thalia disse.
- Para nós dois. — completei.
Quando a garçonete saiu, olhei indignado para Thalia e perguntei:
- Chocolate quente?
- Sim. — ela respondeu.
- Muito comum para adultos. — respondi.
Conversamos sobre trabalho e coisas banais até que nossos pedidos chegassem.
Depois que terminamos de comer, não deixei que Thalia pagasse a conta, mesmo depois de muita insistência.
Visto que já era noite, a acompanhei até seu apartamento, que não era muito longe da cafeteria em que fomos.
Foi uma ótima tarde ao lado daquela garota de cabelos pretos e olhos tão azuis como o céu.
Não sei, mais Thalia me prendia a atenção.
Talvez por ser uma das poucas pessoas que se interessaram em saber alguma coisa da minha vida.
– Então, posso te ligar se quiser te ver novamente para ter certeza de que está viva? — perguntei fazendo uma piada estúpida que me arrependi depois.
– Você quem sabe. — ela respondeu, abrindo a porta de sua casa.
– Olha que eu ligo heim. — respondi brincalhão. — Boa noite, Thalia.
– Boa noite, Di'Ângelo. — ela disse e entrou em seu apartamento.
Esperei até que ela trancasse a porta, e fui embora.
Voltei para a rua onde meu carro estava, e dei partida rumo à minha casa, pensando que provavelmente nunca mais veria aquela moça bonita.
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