Depois Daquele Dia
3 Puramente gelo.
Notas iniciais
rsrs, reviews?
Thalia
Se passaram duas semanas desde Nico Di'Ângelo. Não posse negar que fiquei pensando naqueles olhos cor de chocolate em todos os dias que se seguiram depois de meu encontro com ele.
Não podia encontrá-lo novamente. Primeiro que as possibilidades de isso acontecer eram quase zero e depois que eu teria que contar quem eu era em relação à mídia. Eu não queria isso.
Nunca entendi na verdade por que é que nunca quis isso. Talvez assim eu namorasse caras bonitos que me amasse ou pelo menos fingissem isso, e teria amigas top models. Mas o fato de que isso era possível me irritava.
Eu preferia ter como amigos um primo retardado e a namorada dele, a garota mais nerd que já conheci. Não tinha colegas no trabalho que começara em pouco mais de semanas, e também não pretendia isso.
Três horas da tarde em pleno domingo, frio, eu bem quentinha na minha cama e batem à porta. Só podia ser brincadeira.
Não me importei com o fato de estar de pijama e fui abrir a porta.
- Nico? O que é que você está fazendo aqui?
- Oi pra você também Thalia. Tudo bem? Porque eu estou ótimo, obrigada por perguntar. — ele disse com um sorriso.
- Oi. O que é que você está fazendo aqui? — insisti com a pergunta.
- É que por mais que eu tentasse te tirar da minha cabeça, sua imagem sempre voltava. E não te ver já estava me me enlouquecendo. — ele se esclareceu ficando um pouco corado ao final de sua fala.
- Nossa. — eu sorri.
- Vim também pra te chamar pra sair.
- Entre. — abri mais a porta. — Espere um pouco para eu trocar de roupa rapidinho, já volto. — falei e corri para o quarto.
Não conseguia mais parar de sorrir. Minhas bochechas doíam do tempo em que ficaram sorrindo e de frio, mas simplesmente não conseguia.
Coloquei uma calça jeans escura, uma blusa de mangas compridas branca,um suéter marrom e um sobre-tudo bege. Peguei um bolsa e joguei minhas coisas dentro, coloquei um tênis e uma touca e saí.
Nico ficou alguns segundos me encarando, antes que eu estalasse meus dedos diante de seus olhos.
- Ei, vamos? — falei.
- Vamos.
Nico me guiou até seu carro, um sedan preto, e de quando deu a partida até o destino final, foram menos de vinte minutos.
O lugar era incrível. Um lago congelado, rodeado por uma floresta de puro gelo. O branco das árvores sem folhas misturados ao lago prateado debaixo de nossos pés.
- É o lugar mais bonito para se tirar fotos nessa época. — Nico falou se aproximando de mim.
- É maravilhoso. — eu disse.
Mesmo estando de tênis, o gelo era tão espesso e liso, que deslisei facilmente em meio às águas congeladas. A sensação era indescritível. Era como ter ganho o poder de voar.
Me perdi naquelas sensações sendo descobertas pouco a pouco por mim. Me esqueci da presença de Nico, do tempo, dos meus problemas familiares, das cicatrizes antigas que marcavam meu pulso, de absolutamente tudo.
Não fazia ideia da última vez que me sentira daquele modo. Provavelmente minha mãe ainda era viva, e meus irmãos ainda residiam sob o mesmo teto.
Eram os pequenos e afortunados Grace. Primeiro Athena da primeira esposa; Ártêmis e Hércules da segunda; eu e Jason da terceira e Héstia da última, a madrasta Hera.
Athena, sempre a mais inteligente, se formou em direito e foi viver em Washington; Ártêmis se isolou da sociedade com a morte do irmão legítimo Hércules; Jason era um passa rodo; Héstia tinha depressão apesar de ainda ser adolescente; e eu era a ignorada.
Senti lágrimas caírem por minhas bochechas. Lembrei de quando ela se foi. Uma mulher tão forte, lutou por tanto tempo. Zeus a deixou de lado enquanto ela conciliava tempo para todos os filhos do marido e para se tratar do câncer. Ele a ignorou como fazia comigo.
Eu tinha cerca de oito anos quando ela se foi. Jason tinha dois. Ele não sofreu tanto quanto eu. Era apenas um bebê.
Athena se tornou a pessoa mais forte que conhecia depois de ter sido abandonada pela mãe e ter visto a morte da outra com apenas dezesseis anos. Hércules entrou para o mundo do vício, de bebidas, drogas e tudo mais, causando para si mesmo uma morte por overdose quatro anos mais tarde.
- Thalia? — Nico se aproximou deslisando sobre o gelo até chegar a mim. — O que foi?
- Ela se foi, Nico. E ele se foi por causa dela. — eu já soluçava de tanto chorar.
- Shiu... — ele me abraçou e começou a me acalmar. — Vou fazer você ficar bem, não se preocupe.
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