Demons

2 Chocolate Quente


Notas iniciais
Olha como eu to ligeira, dois capítulos seguidos! uasuahushuash Talvez, pelos capítulos serem naturalmente menores, eu consiga postar dois por dia :3 Mas, por enquanto, aproveitem!

O que? Não, espera, acho que não ouvi direito. Ele disse que quer minha ajuda? E que quer dormir aqui essa noite? Não, eu devo ter ouvido errado. Não pode ser. Pode?

__ O-o o quê? – perguntei, ainda em choque. A pergunta foi um tanto quanto abrupta, eu ainda estava catatônica pela visita e pelo pedido apressado.

__ Por favor? Não posso passar a noite no apartamento, podem estar vigiando.

É isso mesmo que eu entendi?

Não disse nada. Abri espaço para que ele passasse pelo batente, enquanto eu acendia as luzes da casa. Tive um pouco de trabalho para fechar a porta, porque tive que competir com o vento. Tranquei a entrada novamente. Ele estava pingando, da cabeça aos pés. O casaco estava ensopando, e começava a ensopar o meu chão. Os cachos estavam desfeitos pela chuva, escorrendo água para o rosto.

__ Sobe as escadas e me espera no banheiro. Vou pegar algumas toalhas – disse.

Ele me olhou bem, me analisando, como sempre faz. Provavelmente sabe o porquê do meu choro, já que não estava mais com a aliança no dedo, e Tom não estava em casa, como sempre está. Ao invés de perguntar, simplesmente deu as costas e subiu as escadas, deixando para trás um rastro de água. Depois eu limpo a bagunça.

Passei na lavanderia, pegando algumas toalhas para ele e para mim. Eu precisava tomar outro banho, acalmar novamente os músculos. Mas, primeiro, tenho que cuidar dele. Com a pilha de toalhas secas e felpudas, subi as escadas, tentando não molhar os pés no mar que ele deixara para trás. Acabei pisando em uma poça ou duas, antes de conseguir chegar ao banheiro das visitas.

Ele me esperava em pé, encostado nos ladrilhos da parede. Os braços cruzados, se segurando para não tremer os dentes de frio. Antes que eu pudesse abrir a boca, ele me cortou.

__ Esse chuveiro não está funcionando.

__ Eu o troque há alguns dias, que estranho – respondi. Entrei no cômodo, abrindo a torneira do chuveiro. Nem uma gota de água caiu. Merda. Ele teria que usar o meu banheiro. – Tudo bem. Vai ter que usar o banheiro do meu quarto. Mas, primeiro, vai ter que tirar a roupa – ele contorceu o rosto, como se não esperasse essa frase. — Não quero o meu quarto cheio de poças – completei.

Andei até meu quarto, pegando um roupão preto grande o suficiente para ele. Era do papai, esse. Vai servir perfeitamente. Voltei ao banheiro, entregando-o a ele.

__ Tire as roupas, coloque o roupão.

Ele não questionou. Sai e fechei a porta, voltando para o quarto. Hoje vai ser uma noite daquelas.

Sentei novamente na cama. Ainda não conseguia entender o porque de ter vindo a mim. Tudo bem, eu o ajudei algumas vezes – com a morte falsa e tudo mais -, mas isso não significava que eu poderia ajuda-lo com tudo. Por mais que eu quisesse.

Passei mais alguns minutos com os olhos fixos na televisão, mas pensando em coisas aleatórias. Lembrei-me dos mortos que chegaram hoje ao necrotério, de como o dia foi calmo, de que o meu chá tinha acabado. Nada que fosse interessante demais para ser levado para uma reflexão. Nesse meio tempo, aproveitei para limpar o rímel escorrido do rosto, tirando toda a tinta que podia.

Subitamente, o barulho da porta do banheiro rangendo chamou minha atenção. Virei os olhos num reflexo inconsciente, dando de cara com a imagem de Sherlock de roupão. Me levantei, sem saber como reagir. Tentei seguir a razão e a lógica, mas meu nervosismo estava alto. Virei as costas para a porta e para ele e me dirigi para a porta do banheiro, esperando que ele me acompanhasse. Quando voltei meus olhos para a porta, ele estava logo atrás de mim, observando o banheiro por cima do meu ombro.

__ Pode usar qualquer um dos xampus – disse. – Vou descer fazer alguma coisa quente para você tomar. Volto já.

Fiquei alguns segundos paralisada, mas logo voltei a funcionar. Desci as escadas, ligando as luzes da cozinha e logo comecei a procurar algo para fazer. O chá já havia acabado, e café não é uma opção para a noite. Vou ter que apelar para o chocolate quente que mamãe me ensinou a fazer nas emergências. Logo comecei a separar os ingredientes, e por sorte eu tinha todos. Preparei o suficiente para quatro canecas, caso ele ou eu quiséssemos mais. Passaram-se 20 minutos até que eu conseguisse terminar.

Enchi duas canecas – uma preta e uma branca – e virei-me para subir as escadas. O susto de ver um vulto preto ao lado da escada foi tanto que recoloquei as canecas no balcão. Enchi os pulmões de ar, abrindo os olhos abruptamente. Quando reconheci as maçãs do rosto, soltei o ar que tragara antes, aliviada.

__ Você me assustou.

__ Desculpe.

__ Eu estava indo levar isso lá em cima para você.

__ Eu levo – ele se aproximou, pegando as duas canecas. – Vem.

__ Deixa eu levar a minha.

__ Não. Você tem que segurar no corrimão se escorregar na água.

__ Você também.

__ Mas eu não vou escorregar.

__ Como sabe? – disse, tentando pegar minha caneca da mão dele. Ele a tirou de perto. Andou até as escadas, começando a subir.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim ^^ Até o próximo capítulo