Demons

1 Alguém na porta


Notas iniciais
Oi oi gente! Vamos começar isso logo! Espero que gostem!

Eram onze da noite. Na rua, poucos eram os sons. Alguns gatos miavam, algumas tevês chiavam, alguns carros rodavam. O que mais se ouvia eram os barulhos das gotas pesadas de chuva, atingindo os tetos de metal dos automóveis, as latas de lixo, o asfalto gelado. O vento soprava a água que caía, molhando tudo pela frente. A luz dos postes estava fraca. Na janela, eu só conseguia enxergar meus próprios olhos, refletidos no vidro, fosco pela chuva.

Ouvindo a televisão baixinho, eu observava a mim mesma. Era patético. Chorando, tentando me fazer de forte. Fingindo que não me importava mais com nada. Criando a falsa ilusão de que o esqueci. Recusando-me a pronunciar seu nome — era como uma ofensa.

Ele é especial. Diferente. Sedutor – a sua maneira, claro. É difícil descrevê-lo em palavras. Não sei se conseguiria se me pedissem. Ele consegue ser o tipo de homem que te faz ficar apaixonada eternamente, mesmo sendo daquele jeito. Ele é especial... para mim.

Mas não é por causa dele que estou chorando. Não exatamente. Eu e Tom, nós brigamos de novo. Ele não consegue me aceitar, não consegue entender as coisas que faço ou deixo de fazer, o que eu gosto ou desgosto. Depois da discussão, o mandei embora. E disse que nunca mais queria vê-lo, e que estava tudo acabado. E ainda prometi que, se ele aparecesse mais uma vez na minha casa, eu o expulsaria com uma vassoura.

Foi então que subi, tomei um banho e comecei a pensar. Não tenho mais o
Tom. Nunca vou conseguir... ele. O outro ele. Será que nasci para morrer sozinha? Ou será que nasci para sofrer com as dores da carne, com o amor incurável? Por mais que eu parecesse contentada com o que a vida me expunha como opção, eu insistia em querer o brinquedo mais caro da loja. Eu insistia em querer a coroa mais luxuosa. Eu insistia em querê-lo ao meu lado.

Me sentia uma completa idiota ali, sentada na cama, olhando para o meu reflexo na janela. Eu estava horrível – rímel escorrendo, lábios secos, nariz vermelho, olhos quase em carne viva, de tanto chorar. Como eu conseguiria esquecer um homem que aprendi a amar? Que aprendi a conviver diariamente, reavivando e aumentando minha paixão com falsas esperanças?

Eu precisava dar um fim naquilo. Mas como? Estava enraizado na carne, como uma cicatriz eterna. Uma cicatriz que não queria fechar.

Ouvi a campainha tocar. Só pode ser o Tom. Não vou atender, ele que fique ali, na chuva. Não quero nunca mais ver a cara daquele infeliz na minha frente. Eu queria mata-lo. Se, por alguma infelicidade do destino, eu o encontrar novamente, juro que vou quebrar seu nariz.

A campainha tocou de novo. Acho que vou deixa-lo na chuva para sempre.

De repente... Uma voz. Aquela voz. De onde vinha? Estava me chamando. Eu devo estar louca, ouvindo coisas. Preciso dormir, estou cansada. A voz me chamou de novo. Agora estava mais forte. Ai meu Deus, não é o Tom na porta. É ele!

Desci as escadas em desespero, enquanto limpava as lágrimas e amarrava o robe na cintura. Descalça, com os pés sobre o chão frio, alcancei a maçaneta. Girei a chave na fechadura. Mesmo em quase completa escuridão, pude distinguir seus olhos verdes, cintilando ali, em minha frente. O que ele estava fazendo aqui, a essa hora da noite?

__ Sherlock? – murmurei, baixinho.

__ Molly – ele tomou fôlego. Parecia cansado, como se tivesse corrido quilômetros. Uma rajada de vento empurrou a chuva para dentro da casa. Cobri o rosto com os antebraços, mas nenhuma gota chegou em mim. Ele se colocara como escudo, me protegendo da água. – Preciso da sua ajuda. Posso dormir aqui hoje?

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até o próximo capítulo o/

Beijinhos da ruiva,

Amelia.