Demons
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Seus olhos acastanhados abriram-se em um movimento rápido e sem qualquer previsão. Por alguns segundos, sentiu o coração batendo em seu peito de forma descomunal, parecia arder a cada batida, ou até quem sabe, fosse somente à adrenalina queimando por suas veias.
Passara a mão por cima de suas pálpebras, sentindo-as mais húmidas que o normal, seus dedos desceram por suas bochechas, em uma trilha levemente marcada por lágrimas a pouco derramadas. Mordera o lábio inferior, algumas lembranças da consulta de mais cedo viera em sua mente, e seu peito apertara-se forma completamente sufocante.
Remexeu-se, sentando-se na cama, uma de suas mãos passara por entre os fios castanhos, puxando-os levemente. Estreitou perigosamente os olhos, por mais que tentasse forçar sua mente a lembrar-se de qualquer coisa que pudesse ter sonhado tudo o que ouvia era um ritmo leve de uma canção, na qual a letra era imperceptível de se ouvir.
De alguma forma, aquela canção era um completo incomodo. Parecia despertar em si, algo há muito tempo guardado e não sabia que aquilo renderia bons resultados.
Respirando fundo, ergueu-se da cama, procurando por algo que pudesse calçar, ao achar, não tardou a fazer tal ação e descer em direção à sala de estar de sua casa.
As luzes dos cômodos estavam apagadas, e pela escuridão presente nos corredores, era bem provável que inda fosse noite ou quem sabe, madrugada.
Andou em direção à televisão estalada na sala, ligando-a. Estava em um canal qualquer, e sem prestar atenção no que estava ligado, caminhara em um armário mais ao fim do cômodo, de lá retirara um travesseiro e uma coberta esverdeada. Com preguiça arrastara os dois itens até um tapete felpudo.
Embolara-se em meio às cobertas e repousara a cabeça no travesseiro, mesmo que não estivesse com sono ou coisa do gênero, os dias com a graça de Kami, estavam começando a esfriar.
Seus olhos castanhos voltaram-se para a televisão, vendo que teria o termino de um comercial. Estava passando um filme, e realmente não sabia qual poderia ser. Sem preocupações, começara a assistir, estava tudo bem e até mesmo interessante, antes de ver uma morena contorcendo-se em uma cama e começando a gritar.
Assustou-se com a cena do filme, antes de ver qual filme poderia ser, em uma plaquinha, que acabara de aparecer mais abaixo na TV... ‘Filha do mal’ era o que dizia.
Perfeito, como se já não estivesse com traumas o suficiente, um filme de terror o ajudaria muito. Pensou em trocar de canal, mas lembrou-se de que esquecera o controle – filho da puta – em cima do reque. Não levantaria! Não mesmo, estava quentinho de mais em seu casulo.
Escondera parcialmente o rosto por dentro o cobertor, vendo as próximas cenas, uma velha de cabelos assustadores e a face mais ainda, amarrada em uma cama, com uma cara de psicopata.
Estava tremendo de medo com a cena, e o local estava completamente escuro para ajuda-lo. E como o mundo parecia realmente querer se divertir a suas custas, a geladeira estalou alto lá na cozinha.
– Hiiiiieeee! – gritou sentando-se sobre o tapete, suas costas apoiada no sofá marfim, apreensivo apertara com força o tecido entre seus dedos, sentindo os mesmos latejarem, no entanto, estava nervoso de mais para ser quer perceber tal coisa.
E como se não bastasse tudo, ouvira passos provindos da escada, descendo em grunhidos da madeira um tanto velha do sobrado, seu coração palpitou em seu peito, beirando a um ataque cardíaco.
As luzes da sala foram acessar e suas pupilas dilataram-se pela claridade repentina. Cego momentaneamente, mal pode ver quem estava chegando. Quando finalmente acostumara-se com tudo, pode ver parado um pouco perto de si, uma figura vestida de negro.
Seus olhos arregalaram-se enquanto seguiam em direção à face da pessoa, estava assustado. Respirou em alivio ao ver a face de Reborn. Certo que era uma face de quem acabava de acordar, mas era melhor do que a de uma pessoa possuída.
– Tsuna, pare de gritar – pediu o mais velho, com o semblante cansado e passando a mão por dentre os fios negros. Tsuna sorriu tímido e antes que pudesse responder, algo o fez ficar mais assustado do que já estava.
– Hiiiiiieeeeee! – gritara novamente, vendo Reborn segurar o riso de sua face completamente assustada. – Reborn! Tô com medo – choramingou enquanto escondia-se entre o coberto.
– Vai para o seu quarto e pare de me encher o saco – respondera Reborn enquanto revira suas orbes negras.
– Mas tá quentinho aqui – respondeu manhoso. Estava com preguiça e o sono aos poucos começava a lhe abordar. Agarrou-se ao travesseiro de forma infantil.
– Tsk – o mais velho estalara a língua no céu de sua boca. Andara mais alguns passos em direção à televisão do local e desligando-a, vendo o castanho ficando curioso com suas ações – Chega para o lado – ordenara, vendo o menor cada vez mais curioso, mas não deixou de atender seu pedido.
Sentara-se no tapete felpudo antes de deitar-se sobre o espaço que Tsunayoshi deixara, e roubara de implicância o cobertor que cobria o castanho, vendo-o reclamar e tremer levemente de frio. Antes de pegar uma parte para si.
– Boa noite Reborn – falara enquanto encarava a face de seu tutor.
– Cala a boca, só estou aqui porque não estou a fim de subir – murmurara, nunca admitindo que também gostava de ficar perto de seu aluno, enquanto virava-se ao lado oposto de Tsuna. O Sawada sorriu, enquanto murmurava um ‘obrigado’ embriagado pelo sono. Depois de um tempo, quando Reborn tinha certeza de que Tsunayoshi estava dormindo, virara-se em direção ao mesmo, retirando alguns fios do cabelo castanho que caíam na face calma e tranquila do Sawada – Boa noite, pequeno.
***
– Shiryu – um loiro falara, os olhos azuis safiras vidrados em uma cena a sua frente, a mesma causava reboliço em seu coração ao mesmo tempo em que o desespero era drenado por suas veias. No entanto, essas sensações faziam seus olhos marejarem. Uma de suas mãos estava sendo agarrada fortemente por uma mão bem maior que a sua, e parecia somente ter apertado ainda mais o selamento quando o loiro falava tal palavra – Estou com medo – falara com a voz embriagada pelo choro.
– Não fique – respondera um tanto seco e ríspido, mas o loiro poderia identificar um pouco de sentimento em suas palavras, mesmo que não estivesse certo desses sentimentos mostrados – Estamos juntos Tenma – respondera, entrelaçando seus dedos. Afinal, os dois sabiam que esse junto, seria por tempo indeterminado.
O referido Tenma desviara seus olhos da cena a sua frente, virando-se em direção as orbes gélidas e metálicas que tanto amava. Podia ver o sentimento de medo e temor tomando-as.
Mordera o lábio inferior com força, grudando-se mais a presença ao seu lado.
“Olhe nos meus olhos
É onde meus demônios se escondem”
***
– Gio-nii! Gio-nii – gritou desesperadamente o nome do irmão mais velho, vendo o mesmo correndo em sua direção, e pegando-o no colo.
– Tsu-chan... Conhece o tio Alaude, né? – perguntara enquanto saia correndo para a porta de saída com seu irmão nos braços, pode ver o mesmo assentir, com medo das cenas a sua frente, era de total desespero. O menor encolheu-se temoroso no colo de Ieyasu, apegando-se a sua camisa.
– Giotto – uma voz o chamara, conhecia aquela voz e sentiu-se muito mais aliviado ao ouvir tal timbre gélido, mas repleto de preocupação.
– Alaude! – gritara, correndo em direção aos braços de seu amado.
– Você está bem – mesmo que fosse notória tal coisa, Alaude sentia-se muito mais calmo ao pronunciar aquelas palavras. Até mesmo repousara uma de suas mãos nos cabelos loiros que tanto amava.
– Cuida do Tsu-chan para mim? – perguntou enquanto entregava o Sawada menor ao colo de seu namorado, vendo o mesmo começar a não gostar daquilo. Era provável que o mesmo já soubesse o que iria fazer.
– Giotto... – falara o nome em um sussurro, vendo o irmão mais novo apertar sua camisa entre seus dedinhos gordinhos — ... Onde você vai? – perguntara, e sentiu algo que nunca pensou em sentir na vida. Medo. Medo de perder seu loiro.
– Eu tenho que voltar para lá – falara mordendo o lábio inferior e as lágrimas caindo com força de seus olhos.
– Não vá – tentou protestar enquanto segura a mão do Sawada mais velho, vendo-o cada vez mais derramar suas lágrimas.
– Desculpa – pediu em um sussurro antes de soltar sua mão do aperto de Alaude.
– IEYASU! – gritou em vão.
Tsuna olhou, sem entender muito, para os olhos de Alaude, vendo o mesmo aos poucos marejando-se e o temor mostrando-se nos mesmos.
– Alaude-nii...? – chamara-o incerto.
– Sim animalzinho? – perguntara enquanto brincava com os fios de cabelos castanhos, enrolando-os em seus dedos.
– Tudo vai ficar bem? – perguntara, com esperanças de que aquilo realmente acontecesse.
– Não se preocupe – respondera enquanto forçava um pequeno sorriso em seus lábios, afinal, Alaude sabia a resposta daquela questão.
– Mas eu estou com medo – respondera, enquanto as lágrimas desciam de seus olhos, manchando as bochechas gordinhas de criança e molhando a blusa branca social do mais velho.
– Eu estou com você – Tsuna sentiu os braços do loiro apertando-o com força, em um abraço e algo quente caindo em seu rosto, mesmo que não conseguisse identificar o que era. Somente sentiu a necessidade de por as mãos dentre os cabelos platinados. Separaram-se do aperto depois de um tempo.
Tsuna identificou os olhos vermelhos e inchados... Só não sabia o porquê, e muito menos poderia entender o pequeno sorriso – triste — nos lábios do mais velho.
“Olhe nos meus olhos
É onde meus demônios se escondem”
***
– -Una, Tsuna, Tsuna! – ouviu a voz de seu tutor chamando-o desesperadamente, por um segundo pode ver e ouvir o desespero que o maior sentia, e até mesmo sua respiração descompassada tomada por ofegos.
– R-Re-Reborn?! – perguntara sem entender muito. Somente viu o mais velho relaxar quando ouvira sua voz chamando-o baixo. – O que foi? – por fim perguntou.
– Você assustou, Dame! – exclamara enquanto acertava um cascudo na cabeça do Sawada. No entanto, ainda sim era visível o tom de preocupação. E Tsuna sabia, aquilo era forma de seu tutor mostrar-se desesperado.
Reborn respirou fundo, passando a mão pelos fios de cabelos negros e puxando-os para trás, em frustação e preocupação.
Ainda lembrava-se de ter acordado pelos ofegos de seu aluno, e quando virou-se para o lado, vira o peito do mesmo descendo e subindo de forma extremamente rápida, em uma respiração completamente desregulada.
Quando pensou em chama-lo o mesmo abrira os olhos, no entanto, o que era castanhos expressivos, mostravam-se somente um amarronzado completamente sem vida, por um segundo pensara que o Sawada estava morto. No entanto, o peito descendo de forma descompassada, ainda indicava que o mesmo respirava. E aquilo, deu-o a esperança de tentar acordar o Sawada.
– Eu estou bem – sorriu o castanho, alheio ao que acabara de passar – Com dor de cabeça, mas bem – e aquele sorriso, de alguma forma retirara as preocupações do mais velho. Aquilo era prova de que o Sawada ainda estava vivo.
***
Kyoya estava irritado. Sentara-se a mesa junto a seus irmãos, ou ao menos os dois presentes, sendo observado. Desde ontem seu humor não era dos melhores.
– Aposto que o onívoro faltou à escola – cochichara Kyouya para Fong, fazendo o mesmo rir de forma descontraída mesmo que ainda baixa.
– Cinquenta pratas – revidou Fong. Quais as possibilidades de seu irmão mais velho realmente ter acertado aquilo?
– Kyo-kun... Por que está tão zangado? – perguntara a mãe, Aya, para seu filho que parecia fatiar com um sorriso sádico em seus lábios, um pequeno onigiri de carinha sorridente feita por algas.
– Tsc – Kyoya simplesmente estalara a língua no seu céu da boca, determinando sua carnificina com os grãos de arroz amontoados.
– Saudades de Onívoro? – Kyouya perguntara enquanto colocava suas mãos de baixo de seu queixo em uma expressão curiosa. E realmente estava, queria ganhar seus cinquenta reais.
– Cale a boca – rugira entre dentes o mais novo, jogando um hashi em direção ao irmão do meio mais velho. O mesmo sorriu, antes de pegar o pauzinho entre seus dedos indicador e médio.
– Me deve cinquenta reais, Fong – falara com o ar vitorioso, vendo o de cabelos longos soltar alguns muxoxos. Enquanto isso Kyoya arqueara uma de suas sobrancelhas, em uma face incrédula e de puro ódio.
Quem dera que aquele onigiri fosse Kyouya... Kyoya seria uma pessoa parcialmente feliz.
Mas antes que mais algum estrago fosse feito, Alaude aparecera na sala de jantar da família, com uma cara de cansaço e orelhas rodeando seus olhos metálicos.
– Que cara... – Kyouya provocou o irmão mais velho, pegando uma panqueca em cima da mesa, mas a frente, e ignorando o olhar fuzilante que o platinado lhe dera.
– Kyou-kun... Não provoque seus irmãos – respondera à loira – Aya -, enquanto olhava para seu filho, repreendendo.
– Kyouya está feliz de mais – Alaude simplesmente respondeu, conhecia muito bem seu irmão, afinal, já chegaram a ser muito unidos, mesmo que até hoje não conseguisse entender o porquê do mesmo começar a ficar com uma personalidade tão irônica e debochada.
– Eu tenho uma presa nova – simplesmente respondeu, sorrindo mais sádico do que o normal, por algum motivo, os três irmãos sentiram que vinha muita merda dali para frente.
– Eeeh? Mas e o Mukuro-kun? Ele é tão fofo – comentara Aya, sentindo saudades do azulado que vez o outra aparecia em sua casa para falar com Kyouya. Era divertido e adorável a forma que o mesmo envergonhava-se.
– Esqueça-o – respondera simplesmente.
– Pobre alma nas mãos do Kyouya – Fong juntou as mãos, em sinal de reza, arrancando um sorriso de lado de Renji e do próprio Kyouya.
– O azarado que tiver que aguenta-lo, têm seu lugar no céu – não que Alaude cresse nesse tipo de coisa, mas às vezes irritar seu irmão mais novo por três anos, era um passa tempo divertido.
– Como Giotto deve estar curtindo o seu lugar – tocara na ferida do mais velho, vendo o mesmo pegar uma faca em cima da mesa e joga-la certeiramente em sua direção. Se não fosse um Hibari, Kyouya tinha certeza que teria uma faca cravada em sua cabeça.
Kyoya olhava para aquilo cada vez mais interessado. Afinal, uma luta boa de se ver, sempre era rendida entre seus irmãos mais velhos e principalmente, ainda tinha curiosidade nesse tal Giotto.
– Não esfaqueiem a parede! – repreendeu Renji aos dois mais velhos. Fong não conseguiu segurar o risinho, principalmente porque seu pai falava algo tão sem lógica – mas comum em sua família – com uma cara completamente seria.
– De qualquer forma... – Aya cortou o clima pesado na sala, os sorrisos da mulher era sempre algo acalentador aos corações gélidos e sem sentimento dos Hibari’s. – Como está indo seu trabalho, Alaude? Ficou até tarde ontem à noite estudando – falara, preocupada com as noites de sono de seu filho.
– O caso Sawada fora reaberto – fora tudo o que o platinado falara, de forma indiferente, antes de retirar-se da mesa, sobre o olhar curioso de muitos.
Kyoya realmente não entendia muito, Sawada era o sobrenome de Tsunayoshi, o que o seu onívoro tinha haver com seu irmão mais velho?
E com todos os outros...
Fale com o autor